Na dobadoira do mundo: 30 de Janeiro
Neste
dia 30 de Janeiro, em 1933, Adolf Hitler é nomeado chanceler pelo presidente
da Alemanha, marechal Paul von Hindenburg, não só por exigência do chefe do Partido
Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha (Partido Nazi), por ser o
maior partido (33,1% nas eleições de Novembro de 1932), mas especialmente no
quadro de um acordo com os sectores conservadores e da burguesia para impedir a
esquerda de governar e para combater “o comunismo”.
Hitler, que desde o fracassado golpe de Munique,
em 8 de Novembro de 1923, sem desistir completamente da via violenta de acesso
ao poder, apostara na via eleitoral e no terror nas ruas, explorando todas as
oportunidades para instrumentalizar o desespero com a difícil situação
económica da Alemanha.
Sobretudo com o "crash" da Bolsa de
Wall Street de 1930 e as dificuldades da Alemanha em cumprir as obrigações do
pós-I Grande Guerra (1914-18), manipulava os revoltados com a crise, o desemprego
generalizado para difundir o ódio contra os judeus e os comunistas, que
responsabilizava pela situação alemã, prometer o restabelecimento da economia e
da grandeza alemãs com um governo forte, a recuperação de territórios perdidos
no sangrento conflito internacional e vingar a “desonra” da derrota.
A grande oportunidade começou a ganhar
consistência com a queda, em 27 de Março de 1930, do governo da Grande
Coligação (socialistas, católicos, partido democrático e conservadores),
liderado pelo socialista reformista Herman Müller, minado por divergências
insanáveis, que os chanceleres seguintes não resolveram.
No Verão de 1932, depois de rejeitar a
"oferta" do lugar de vice-chanceler de Franz Von Papen, Hitler
relança a tristemente conhecida violência das milícias nazis nas ruas, com
inúmeros mortos e feridos.
Entretanto, o presidente da Alemanha e os seus
próximos, a burguesia e os conservadores, que tinham rejeitado alianças de
esquerda (socialistas, comunistas e outras forças progressistas), concluem que
Hitler e os seus homens são a melhor tropa para servir os seus interesses e
afastar o "perigo do comunismo", desígnio apoiado pelo Vaticano e
pelo próprio Papa Pio XI.
Além da nomeação de Hitler, o marechal von Hindenbourg criou todas as condições ao líder nazi para impor a nova ordem alemã, promulgando os seus decretos de emergência e excepção e a retirada de poderes ao parlamento (Reichtag).
Quando o presidente morreu, em Agosto
de 1934, Hitler auto-proclamou-se o líder (Füher) da Alemanha, instaurando a sua
tenebrosa ditadura, com as dramáticas consequências infelizmente conhecidas.
Outras efemérides nesta data
1972 – Tropas paraquedistas
do Exército britânico reprimem violentamente uma marcha de 15 mil pessoas pelos
direitos civis, em Bogside, em Derry (para os católicos irlandeses, Londonderry
para os protestantes e na denominação britânica), na Irlanda do Norte, matando
13 pessoas e ferindo 15.
Conhecido por
Domingo Sangrento ("Bloody Sunday"), foi um dos episódios mais
brutais no período de tensão e violência na Irlanda do Norte entre
nacionalistas republicanos e protestantes unionistas e leais à Grã-Bretanha
desde o final dos anos 1960, agravadas com a colocação de tropas britânicas nas
ruas em 1969 e à severa restrição de direitos pelo governo de Londres, em 1971.
