Na dobadoira do mundo: 11 de Janeiro

Neste dia 11 de Janeiro, em 1890, o Reino Unido exige a Portugal, em telegrama, a retirada imediata das tropas que mantinha na região entre Angola e Moçambique e a renúncia ao plano de unir as duas colónias africanas, expresso do chamado “Mapa Cor-de-rosa”, de afirmação dos direitos territoriais históricos portugueses (“reconhecidos” na Conferência de Berlim de 1884, que reuniu as principais potências coloniais em África).

A mensagem, conhecida por “Ultimato Inglês”, advertia que a recusa portuguesa levaria ao rompimento de relações por Inglaterra, a potência dominante. O rei D. Carlos, que ascendera ao trono havia pouco tempo (19 de Outubro de 1889), apoiou o recuo do governo, gerando protestos vigorosos, especialmente dos meios republicanos no Parlamento e na Imprensa, e contestação aberta à Monarquia.

Entre muitas outras expressões da resistência ao ultimato, Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça compõem "A Portuguesa", que veio a tornar-se o Hino Nacional após a revolução republicana de 1910, depois de ter sido o hino dos revoltosos republicanos do 31 de Janeiro de 1891, no Porto.

Note-se que, na versão original desse manifesto, onde hoje se lê, no verso final, "Contra os canhões marchar, marchar!", estrava escrito "Contra os bretões marchar, marchar!"

Em 1935, realiza-se a sessão inaugural da primeira legislatura Assembleia Nacional da Ditadura do Estado Novo, com os 90 deputados eleitos, de forma não democrática, em 16 de dezembro de 1934 - em listas únicas propostas pela União Nacional e por um colégio eleitoral limitado a maiores de 21 anos ou emancipados, no qual os analfabetos só poderiam votar se pagassem impostos não inferiores a 100 escudos e as mulheres que tivessem curso especial, secundário ou superior.

Foi o primeiro parlamento já com a Constituição fascista de 1933 e os demais instrumentos constitutivos desta fase do fascismo português - também o Acto Colonial e os Estatutos da União Nacional, que, a par do Estatuto do Trabalho, "sintetizaram os mais altos ideais de restauração e de grandeza pátrias que podiam ser confiados que podiam ser confiados à inteligência, ao coração, ao esforço das novas gerações", na expressão do Presidente da República, general António Óscar de Fragoso Carmona, que presidiu à sessão.

De acordo com o Diário das Sessões de 12 de Janeiro, Carmona "tinha à sua direita" o presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, a quem dedicou um tocante encómio na mensagem inaugural ao Parlamento:

"Para terminar, é-me grato deixar aqui consignado o meu profundo reconhecimento para com todos aqueles que, com os olhos fitos na Pátria, têm dado o melhor do seu esforço para bem a servir. É de elementar justiça destacar a acção altamente patriótica e tão eminentemente notável do Presidente do Conselho, Dr. António de Oliveira Salazar".

Em 1986, também neste dia 11, começa a campanha para as eleições para Presidente da República, às quais concorrem Mário Soares, Freitas do Amaral, Salgado Zenha, Maria de Lourdes Pintasilgo e Ângelo Veloso. Este vem a desistir em favor de Zenha. À segunda volta, a única verificada até hoje, passaram Mário Soares, que venceu, e Diogo Freitas do Amaral.


Na imagem, a sessão inaugural da Assembleia Nacional. Foto: Arquivo Fotográfico da Assembleia da República 

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