Sobre o valor relativo da soberania à luz dos EUA e da chamada “comunidade internacional”
A Venezuela tem de ser governada
segundo os interesses dos Estados Unidos e para satisfazer a sua imensa gula,
pilhando os recursos dos venezuelanos. Se não for a bem, avisou Donald Trump,
vai a mal.
Trump voltou a deixar claro que
os EUA vão apoderar-se do petróleo “e de outras coisas” da Venezuela, que está
agora “a seu cargo” e insistiu que se a Presidente interina, Delcy Rodríguez,
se opuser aos seus planos “enfrentará provavelmente uma situação pior do que a
de Maduro”. Assim mesmo, alguém ficou com dúvidas?!
Delcy Rodríguez, por seu lado, acabada de prestar juramento como Presidente interina, disse ainda ontem o que se esperava: que a Venezuela está disponível para uma convivência
pacífica de respeito mútuo. Estarão os EUA dispostos a isso, incluindo com a
restituição de Nicolás Maduro ao seu país?
Em Nova Iorque, o presidente da
Venezuela, Nicólas Maduro, foi “ouvido”, por um juiz, num processo de
fantochada com o qual Washington pretende dar ao rapto a todos os títulos
ilegal uma patina de legalidade, como se a Venezuela fosse uma coutada
americana à margem da lei. E declarou-se evidentemente inocente das imputações
estapafúrdias que sobre ele recaem.
Também Nova Iorque, o Conselho de
Segurança da ainda formalmente existente Organização das Nações Unidas nada fez
de útil para obrigar os EUA a devolverem ao seu país um chefe de Estado
ilegalmente capturado e sequestrado. E nada fará para repor a ordem jurídica
internacional e o respeito pela soberania e pela integridade da Venezuela, dos
seus dirigentes e dos seus recursos.
De caminho, o fanfarrão Trump e a
sua pandilha fazem ameaças declaradas também à Colômbia, ao México e a Cuba,
forçando além dos limites a própria grotesca “Doutrina Monroe”. Como se a
soberania desses e dos restantes estados da América Latina estivessem à sua
disposição.
Os Estados Unidos – verbalizou
Donald Trump – querem a Gronelândia porque sim, porque é dela que necessitam
para sua segurança, para usarem a seu bel-prazer a importância geoestratégica
daquele rincão da Dinamarca e para se apropriarem, com toda a desfaçatez e
impunidade dos recursos naturais dos gronelandeses e dos dinamarqueses.
A ameaça de ocupação norte-americana da Gronelândia não é de hoje, tem largos meses, mas a Europa e a NATO estão de calças na mão, sem saberem o que fazer perante uma ameaça declarada à integridade de um dos seus membros. Hoje mesmo, o primeiro-ministro britânico veio dizer que é aos povos da Gronelândia e da Dinamarca que cabe “decidir o seu futuro”. Mas não estava decidido já?
Foto: Agência Bolivariana de Notícias