Na dobadoira do mundo: 24 de Janeiro

Neste dia 24 de Janeiro, em 1821, realiza-se, na Sala da Livraria do Convento das Necessidades, a sessão preparatória das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, mais conhecidas por Cortes Constituintes, encarregadas de redigir a Constituição de 1822, que foi a pedra angular da Revolução Liberal de 1820, desencadeada pelas sublevações militares de 24 de Agosto, no Porto, e de 15 de Setembro, em Lisboa.

Removendo a monarquia absoluta e instaurando a monarquia constitucional, impulsionada pelos ventos liberais que sopravam da Europa, a Revolução Liberal assume a celeridade do processo constitucional, com a criação de um parlamento com funções permanentes e poder legislativo exclusivo cujo funcionamento não dependesse da vontade do rei.

Com a entrada da junta de governo provisório no Palácio do Governo, em 1 de Outubro de 1820, fundindo as juntas governativas do Porto e de Lisboa, é constituída a Junta Preparatória das Cortes e logo no dia 31 é publicada a lei eleitoral.

As eleições para as Cortes Constituintes realizam-se nos finais de Dezembro desse ano, prevendo um sistema parlamentar unicameral, seguindo o princípio da representação unitária da Nação e abolindo o sistema de representação das três ordens - clero, nobreza e povo - embora o direito de sufrágio não fosse ainda universal, pois estava limitado aos homens com mais de 25 anos.

A eleição dos deputados também não foi directa, nem completamente secreta, pois ocorreu em quatro graus (ou fases): primeiro, em cada freguesia, foram eleitos, com indicação oral à mesa, os compromissários; no segundo, os compromissários escolheram os eleitores de paróquia; no segundo, estes elegeram, por voto secreto (um nome escrito num papel) os eleitores de comarca; no quarto, estes últimos constituíram as juntas eleitorais de província, para elegerem os 100 deputados de forma proporcional à população de cada uma das seis províncias em que se dividia o continente (Minho, Trás-os-Montes, Beira, Estremadura, Alentejo e Algarve).

Na sessão preparatória das Cortes Constituintes, a 24 de Janeiro de 1821, procedeu-se à "verificação dos Diplomas, e legalização das Pessoas e Poderes de cada um e de todos os apresentados". Os trabalhos iniciaram-se dois dias depois (26), tendo sido adoptadas em pouco mais de dois meses (9 de Março) as Bases da Constituição, que a Constituição aprovada em 23 de Setembro de 1822 desenvolveu.

Regressado do Brasil em 4 de Julho de 1822, após 13 anos de ausência, o rei D. João VI jura as Bases da Constituição - acto indispensável para evitar retrocessos -, assim como jura depois a Constituição de 1822, a 1 de Outubro.

 

Outras efemérides neste dia

1946 – A Assembleia-Geral das Nações Unidas aprova, na sua primeira resolução, a criação da Comissão de Energia Atómica (CEA), com o objectivo de controlar as armas nucleares, tendo em conta as dramáticas lições das bombas largadas sobre Hiroshima e Nagasaki no ano anterior. A existência foi curta, mas a ONU não desistiu. Dissolvida em 1952, a CEA dá lugar, no ano seguinte, à Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA).

1969 – Morre em Lisboa, aos 85 anos António Sérgio (n. 3/9/1883), pensador, escritor, historiador, pedagogo e militante republicano e ideólogo do cooperativismo, autor de obras fundamentais como O Problema da Cultura e o Isolamento dos Povos Peninsulares. Resistente antifascista, foi forçado ao exílio após o golpe para a ditadura militar de 28 de Maio de 1926, preso pela PEVDE (antecessora da PIDE) e novamente exilado no fascismo, foi uma das figuras centrais das campanhas presidenciais dos generais Norton de Matos (1949) e Humberto Delgado (1958). O cortejo fúnebre foi atacado por várias cargas policiais.  

 

Foto: Arquivo Assembleia da República

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