Na dobadoira do mundo: 22 de Janeiro
Neste
dia 22 de Janeiro, em 1961, um comando
luso-espanhol chefiado pelo capitão Henrique Galvão e pelo comandante Jorge
Soutomaior apodera-se do paquete português de luxo "Santa Maria", no
mar das Caraíbas, com o intuito de tomar a ilha espanhola de Fernando Pó, no
Golfo da Guiné, e rumar a Luanda, Angola, como rastilho de uma insurreição
ibérica.
A
"Operação Dulcineia", desencadeada pelo Directório Revolucionário
Ibérico de Libertação (DRIL), contava com 12 exilados políticos portugueses em
Caracas, Venezuela, e onze galegos ex-combatentes republicanos na Guerra Civil
de Espanha, pretendia assumir o poder na colónia portuguesa, instalar um
governo provisório e irradiar a sublevação armada contra as ditaduras
peninsulares.
A acção – a
primeira de uma série contra Salazar com o envolvimento do General Humberto
Delgado, com o desvio de um avião da TAP, em 10 de Novembro, e o ataque ao
Regimento de Infantaria 3, de Beja, em 31 de Dezembro – acabou sem aqueles
resultados.
A pedido de
Salazar, navios de guerra norte-americanos e pelo menos um vaso britânico
acercam-se do "Santa Maria", rebatizado "Santa Liberdade",
em águas da América Central. O comandante da força, o almirante Allen Smith,
chega a subir a bordo, no dia 31, e a conferenciar demoradamente com Galvão, sem
o deter. O paquete segue para o Brasil, onde os assaltantes têm garantido
asilo.
Aventura
inconsequente, a iniciativa demonstrou, no entanto, o isolamento internacional
da ditadura de Salazar e do seu regime colonial. É nesse ano que começa a
guerra colonial/de libertação.
Outras
efemérides neste dia
1808 - A família real portuguesa chega ao Brasil, depois
de ter abandonado Lisboa face aos avanços das forças de Napoleão sobre a
capital, no contexto das invasões francesas.
1915 - O primeiro e
efémero governo chefiado por Azevedo Coutinho, nomeado em 12 de Dezembro de
1914 e deposto por Pimenta de Castro em 25 de Janeiro de 1915, decreta novos
horários de trabalho no comércio e na indústria, estabelecendo uma jornada de
dez horas, com intervalo de duas para o almoço, nos estabelecimentos
comerciais, dez a oito horas nas oficinas e fábricas e sete nos escritórios e
casas de câmbios.
