Na dobadoira do mundo: 18 de Janeiro
Neste
dia 18 de Janeiro, em 1934, Eclode a Revolta dos Vidreiros da Marinha Grande, contra a
fascização dos sindicatos com a ilegalização dos sindicatos livres e a
imposição de sindicatos nacionais, corporativos, com a entrada em vigor do
Estatuto Nacional do Trabalho, de 1933, da "Ditadura do Estado Novo",
de Oliveira Salazar, inspirado pela Carta Lel Lavoro, de Benito
Mussolini, em Itália.
A sublevação da Marinha Grande, duramente
reprimida, é o acontecimento mais destacado do movimento grevista insurrecional
desencadeado em vários pontos do país e dirigido pelos anarco-sindicalistas da
Confederação Geral do Trabalho (CGT), pelos comunistas da Comissão
Intersindical (CIS), pelos socialistas da Federação das Associações Operárias
(FAO) e pelo Comité das Organizações Sindicais Autónomas, que constituíram o
Comité de Unidade de Frente Única Antifascista.
Com greves nomeadamente na Marinha Grande e em
Almada, Barreiro, Sines e Silves, o movimento previa acções de sabotagem,
bombas, acos armados, corte de comunicações e a sublevação militar de sectores
republicanos, mas a adesão e a duração foram limitadas.
Mesmo assim, além da paralisação nas fábricas e
oficinas, registou-se pelo menos a deflagração de uma bomba no Poço do Bispo,
em Lisboa, o corte do caminho de ferro em Xabregas, o descarrilamento de um comboio
em Santa Iria de Azóia, uma bomba na central eléctrica de Coimbra, cortes de comunicações
em Leiria, sabotagens em Tunes, entre outros.
Na Marinha Grande, a luta dos operários vidreiros
adquiriu uma grande visibilidade e atingiu um especial grau de violência
repressiva. Coordenada por dirigentes comunistas, a revolta leva à ocupação do
posto local da GNR, dos Paços do Concelho e do posto dos CTT e à proclamação do
"Soviete da Marinha Grande".
A revolta foi sufocada em algumas horas, com
repressão sangrenta e uma enorme vaga de prisões, atingindo especialmente dirigentes
e militantes comunistas e anarco-sindicalistas, que são enviados para o Campo
de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde – tristemente conhecido como “campo
da morte lenta”.
Do ponto de vista da organização, implantação e
ligação do Partido Comunista Português (PCP) às massas, a greve revolucionária
de 18 de Janeiro de 1934 constituiu momento marcante.
Outras
efemérides neste dia
1870 - O escritor e jornalista Eça de Queirós inicia a
publicação, no Diário de Notícias, das quatro crónicas – "De
Port-Said a Suez" – que relatam as cerimónias da inauguração do Canal do
Suez, no Egipto, em 17 de Novembro de 1869. Então com apenas 23 anos, foi um
dos raros portugueses a assistir ao acontecimento, a convite e na companhia do
amigo e futuro cunhado, Luís de Castro Pamplona (Conde de Resende).
1919 - Começa a Conferência de Paz de Versalhes, no pós
I Grande Guerra (1914-18), sendo a delegação portuguesa chefiada pelo médico
Egas Moniz (n. 29/11/1874 - m. 13/12/1955), à época ministro dos Negócios
Estrangeiros, que veio a ser Prémio Nobel da Medicina em 1949.
1943 - O Exército Vermelho lança o ataque contra as
forças alemãs em Leningrado, atual São Petersburgo. É o início do fim do cerco
imposto pelas forças nazis em 8 de Setembro de 1941, que terminou no dia 27 de
Janeiro, após 900 dias de sofrimento nunca visto, nem na II Guerra Mundial, nem
mesmo em nenhuma outra guerra, saldado em terríveis provações e fome e na morte
de perto de milhão e meio de pessoas.
1968 - Os Estados Unidos da América (EUA) e a União das
Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) chegam a acordo para estabelecer o controlo
sobre as armas nucleares, dando origem ao Tratado de Não-Proliferação de Armas
Nucleares, que veio a ser assinado em 1 de Julho desse ano e progressivamente
alargado a outros países.
1969 - Começa em Cartum, no Sudão, a Conferência
Internacional de Solidariedade com os Povos das Colónias Portuguesas e África
Austral, com a participação de mais de uma centena de delegados de países de
África e Ásia e de organizações internacionais.
A conferência, que chega a discutir a criação de
um exército regular dos movimentos de libertação de Angola, Guiné e Moçambique,
cria o Comité de Mobilização e Apoio aos Povos das Colónias Portuguesas e
reclama o reconhecimento dos movimentos de libertação daqueles países e de
África do Sul e Rodésia.
Foto: Presos da Marinha Grande/ANTorre do Tombo
