Na dobadoira do mundo: 23 de Janeiro

Neste dia 223 de Janeiro, em 1949, realiza-se o impressionante comício do Centro Hípico da Fonte da Moura, no Porto, que reúne dezenas de milhares de apoiantes do general Norton de Matos (n. 23/3/1867 - 2/1/1955), na maior acção de campanha eleitoral do candidato da Oposição Democrática à Presidência da República, contra o candidato do regime fascista, general Óscar Carmona.

Apoiado por uma ampla frente unitária, que reunia comunistas (o PCP desempenhou um papel decisivo na mobilização popular), republicanos, socialistas, anarco-sindicalistas, católicos e maçons, Norton de Matos, era um republicano histórico de enorme prestígio.

Fora delegado à Conferência de Paz de Versalhes, era o presidente do Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF) e presidente honorário do Movimento de Unidade Democrática (MUD).

O seu programa previa a "abolição da polícia política", a "supressão do regime prisional que admite a tortura ou qualquer tratamento desumano", a extinção dos campos de concentração/colónias penais, a amnistia para todos os presos políticos e o regresso dos exilados, a abolição do regime de censura e a liberdade de organização e de actuação dos partidos políticos.

Apesar do forte apoio popular, a candidatura é retirada a 7 de Fevereiro, a apenas seis dias das eleições, marcadas para o dia 13, que o ditador, António de Oliveira Salazar, no rescaldo da II Guerra Mundial, prometia como "tão livres como na livre Inglaterra", pois, na realidade, estavam longe de serem livres e não passavam uma farsa.

 

Outras efemérides neste dia

1905 – Morre, em Lisboa, Rafael Bordalo Pinheiro (n. Lisboa, 21/03/1846), pintor, caricaturista, escultor, fundador e diretor dos jornais Mappa de Portugal, Os Pontos nos ii e O António Maria e criador do “Zé Povinho” e de outras figuras.

1963 – Um ataque de guerrilheiros do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) ao quartel de Tite, a sul de Bissau, e emboscadas a tropas portuguesas na região de Bedanda, iniciam a luta armada pela libertação da Guiné, goradas as expectativas do líder independentista Amílcar Cabral (n. 12/9/1924 – m 20/1/1973), de que a Organização das Nações Unidas persuadiria Portugal a ceder.

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