Na dobadoira do mundo: 19 de Janeiro

 

Neste dia 19 de Janeiro, em 1923, nasce, no Fundão, José Fontinhas, que viria a adoptar o pseudónimo, como poeta, Eugénio de Andrade, autor de uma vasta obra e tendo granjeado um amplo prestígio nacional e internacional e inúmeros prémios, no país e no estrangeiro, de entre os quais se destacam o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e o Prémio Camões (2001). 

Tendo-se revelado em 1948 com o livro As Mãos e os Frutos, publicou, entre muitos outros, Os Amantes sem Dinheiro (1950), As Palavras Interditas (1951), Até Amanhã (1956), Mar de Setembro (1961), Obscuro Domínio (1971), Escrita da Terra e Outros Epitáfios (1974), Limiar dos Pássaros (1976), Matéria Solar (1980), Branco no Branco (1984), Outro Nome da Terra (1988), Ofício de Paciência (1994), O Sal da Língua (1995), Pequeno Formato (1997) e Os Sulcos da Sede (2001).

Para crianças, publicou, por exemplo, História da Égua Branca (1977) e Aquela Nuvem e Outras (1986). Em prosa, escreveu Os Afluentes do Silêncio (1968), Rosto Precário (1979) e À Sombra da Memória (1993).

Morreu no Porto, em 13 de Junho de 2005.

 

As amoras

O meu país sabe às amoras bravas

no verão.

Ninguém ignora que não é grande

nem inteligente, o meu país,

mas tem esta voz doce

de quem acorda cedo para cantar nas silvas.

Raramente falei do meu país, talvez

não goste dele, mas quando um amigo

me traz amoras bravas

os seus muros parecem-me brancos,

reparo que também no meu país o céu é azul.

 

In O Outro Nome da Terra  


Foto: Visão, com a devida vénia

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