Notas de campanha (7)


1. O dia-seguinte-ao-debate televisivo João Oliveira vs. Rui Rio foi um festim mediático. Não pelo conteúdo das intervenções, muito menos pela confirmação de que PSD e PS estão claramente unidos para barrar o caminho aos aumentos de salários e das pensões de reforma, por exemplo, propostos pela CDU. Mas pelo que esse frente-a-frente serviu para "lançamento" do debate de hoje, entre Rui Rio e António Costa. Notícias e comentários sobre o primeiro foram preparados essencialmente na perspectiva da promoção do segundo, impropriamente apresentado como "o debate decisivo". Um espesso caudal de sucessivos directos e painéis de comentário foi propagando a falsa ideia de que destinam a promover a "eleição do primeiro-ministro" (mistificação que os dois dirigentes alimentam), quando o que está em causa, no próximo dia 30, é a eleição de 230 deputados para a Assembleia da República. Isso legitimaria a concessão de condições aos dois líderes que a nenhum outro foi ou será proporcionado: debate simultâneo, nos três canais generalistas, com a duração de uma hora e beneficiando de uma promoção esmagadora.

2. Pela manhã, contacto com a população na feira de Pedras Rubras. O recinto está uma pequena amostra do bulício de outras acções (em épocas de eleições e fora delas) da CDU. "Que quer?, a vida está mais cara. Bem fazem os senhores em propor aumentos que se vejam!", dispara uma senhora, quando lhe perguntamos razões. Uma conhecida que se cruza com ela a caminho das compras atira, com uma gargalhada: "Já levas papéis?". Que sim: "é para ver se aprendo alguma coisa". Um homem visivelmente a caminho da reforma rejeita com algum acinte o desdobrável da candidatura distrital do Porto, com a imagem da deputada e primeira candidata, Diana Ferreira, na capa. "Não voto nesta, porque deitou abaixo o governo, por votar contra o orçamento!" Procuramos esclarecê-lo: que o Governo bem podia, mas não quis, aumentar as reformas e o salário mínimo nacional. "Mas o Governo não podia, com esta crise", contrariou ele. "É por isso que o PS vai ganhar, ou o Rui Rio, que é do meu." Então veja como o Rio está de acordo connosco: ainda ontem disse que a culpa de haver eleições é do PS. O homem ficou  quedo e mudo, perdido de repente nos escombros das suas certezas.
(À noite, no debate com Rio, Costa daria a resposta definitiva, ao sacar debaixo da mesa um exemplar do Orçamento de Estado para 2022, muito justamente chumbado em Outubro, afirmando sem corar: "Está aqui o orçamento que apresentaremos no mesmo dia em que o Parlamento aprovar o Programa de Governo". Quem tem agora dúvidas?)

3. À tarde, sessão de esclarecimento com cidadãos eleitores em reclusão. Muito participado, muito vivo e a experiência de campanha mais extraordinária que já vivi. Da condição de recluso e processos de reinserção social à reivindicação de consignação de 1% do Orçamento de Estado para a Cultura, passando pelos efeitos dos aumentos dos salários, pelas respostas sociais à famílias (creches e jardins de infância e centros de dia e lares para idosos), foram tão diversos e tão gratificantes os assuntos e tão enriquecedoras as abordagens que confirmam a importância da profunda ligação do PCP à vida, aos trabalhadores e ao povo.

4. À noite, sessão pública em Matosinhos (foto). Sala do Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta cheio de gente e de simpatia, na convicção de que "outro caminho é possível, o caminho da valorização do trabalho e dos trabalhadores" (Tiago Oliveira, dirigente sindical e candidato da CDU), pois "a verdade tem um caminho e esse caminho é a CDU" (Renata Freitas, docente universitária e também candidata). Mas uma condição é indispensável: "termos mais força e mais condições" (Diana Ferreira, deputada a cabeça de lista). "Não desperdiçamos nenhuma oportunidade para garantir avanços", assegurou.    

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