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Amanhã, participar é preciso - todos à ponte e à Alcântara!

Dia 19 de Outubro, participar é preciso! A proposta de Orçamento do Estado para 2014 confirmou as piores notícias. Os trabalhadores em geral, mesmo doentes ou desempregados, vão continuar a pagar mais impostos e a sofrer o aumento do custo de vida. Os trabalhadores da Administração Pública e do sector empresarial do Estado, RTP e Lusa incluídas, vão sofrer os cortes salariais mais vastos de sempre – e que desta vez podem ser definitivos! No OE de 2014, a RTP e a Lusa continuam especialmente visadas por uma estratégia de asfixia financeira – a primeira agora sem indemnização compensatória; a segunda com uma dotação insuficiente.  Com mais um pacote de brutal austeridade, vai continuar a destruição da economia, a redução drástica do poder de compra de largas camadas da população e o empobrecimento de largos milhares de famílias. Também os jornalistas e outros trabalhadores da comunicação social – um sector muito dependente da economia real – vão continuar a sofrer (duplame...

Já não há vergonha

A leitura da Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2014 e do respectivo Relatório é um exercício muito deprimente e angustiante. Na frieza objectiva das normas e das "fundamentações", confirma-se a crueldade das opções.  Este Governo e a maioria parlamentar que o suporta escolheram um caminho claro - o de sacrificar ainda mais os mesmos, incluindo os reformados e pensionistas, indiferentes à tragédia do sacrifício das suas esperanças, da sua sobrevivência e do futuro das suas famílias. Mais deprimente ainda é assistir ao cortejo de justificações e desculpas, entre a gaguez comprometida e a sobranceria idiota, em que se têm desdobrado alguns membros dessa pandilha que gere as nossas vidas sem qualquer legitimidade política. A mais irritante e a mais humilhantes de todas essas desculpas e justificações é a tão confortavelmente invocada "intransigência da troika" - ou do irrevogável protectorado - que, insatisfeita com a desonrosa capitulação, nos ma...

A rifa dos caça-facturas

A proposta de Orçamento do Estado hoje apresentada é mais um violentíssimo ataque aos mesmos de sempre, representa mais e mais gravosa austeridade e vai fazer sofrer ainda mais as famílias. Se alguém achava que este Governo e a maioria que o suporta tinham uma gota de credibilidade, ficou esclarecido: não têm. Mas se alguém achava que ao menos uma aparência de seriedade haveria por ali, desiluda-se: a ideia da criação de um prémio a sortear pelos caçadores de facturas, espécie de bufos fiscais é inenarrável. Está visto que esta gente não tem emenda. Só há um remédio: fora com eles! .  

Interessante

Há um ano, não faltaram imagens, multiplicadas até à náusea, incluindo nos meios de informação em linha, de uma certa bandeira desastradamente hasteada de pernas para o ar. Hoje, também na cerimónia comemorativa do 5 de Outubro, na varanda da Câmara Municipal de Lisboa, a bandeira foi hasteada a preceito e foi tocado o Hino Nacional. Consta, porém, que completamente - ou quase, pronto... - "abafado" por gritos de manifestantes, que repetiam a invectiva "Demissão!" . O curioso é não haver imagens - pelo menos que eu tenha visto (confesso, não pude ver televisão, mas consultei os meios em linha)... .  

Vai uma aposta?

A entrevista que o assim chamado independente Rui Moreira dá hoje ao "Jornal de Notícias" conduz a uma conclusão, entre outras: a tróica nacional vai alargar-se ao Porto. Como diria o meu amigo Manuel, até posso apostar singelo contra dobrado... .

De que riem eles?

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Das patranhas e mentiras com que nos desgovernam? De irrevogável desgraça para que nos empurram? (A foto, com a devida vénia, é de Gerardo Santos e foi publicada no sítio do JN em linha) .

O desespero

O cidadão Aníbal Cavaco Silva poderá chamar-nos masoquistas, ou outra coisa qualquer, porque não acreditamos em nenhuma das patranhas que o Governo e a maioria parlamentar que o Presidente da República mantém artificialmente. Mas o Presidente da República não deve proferir as palavras que proferiu hoje na Suécia, pois comprometeu a aparência de independência que deve manter. O desespero justifica tudo?  .

RTP: e se os ouvissem?

O Governo e a Administração planeiam o desmantelamento da RTP e dos Serviços Públicos de Rádio e de Televisão que a empresa presta. Os trabalhadores voltaram hoje exigir serem ouvidos . Será desta? .  

Quando o clube é "a 100 à hora"...

... não pode parar uns minutinhos a pensar nos disparates que vai fazer ? .

Breves notas de rescaldo das eleições autárquicas

No rescaldo das eleições autárquicas, há dois dados fundamentais que não podem passar em claro: Primeiro - O importante reforço eleitoral da CDU, não apenas em número de maiorias em câmaras municipais, mas também em número de eleitos em câmaras e assembleias municipais e assembleias de freguesia. E não só no Alentejo "vermelho" e na região de Lisboa, pois também no Norte, e em particular no Grande Porto, esse reforço se verifica. Segundo - O entusiasmo, já delirante, especialmente entre comentadores, analistas, editorialistas e dirigentes partidários mal resolvidos, com vitórias das pretensas candidaturas independentes encerra um risco muito preocupante, incluindo para o futuro próximo. A moda anti-partidária que apadrinha os ressabiados com disputas internas de partidos e as soluções de recorte ideológico indisfarçável mas dissimuladas em listas de independentes é muito menos saudável para a Democracia do que querem fazer crer. .

Feudo??!!!

Oh camaradas!, "Feudo" ?!!! Como é que, em 2013, 37 anos depois da instauração do Poder Local Democrático, jornalistas se referem a municípios conquistados democraticamente como "feudos"??!!! .

SJ exige apuramento de responsabilidades em incidente com Manso Preto

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) quer ver apuradas todas as responsabilidades no incidente ocorrido ontem, dia 27, em Vila Praia de Âncora, em que o jornalista Manso Preto foi atingido por uma viatura da Câmara Municipal de Caminha, quando fazia uma reportagem sobre a montagem de equipamentos para uma iniciativa partidária por funcionários da autarquia. Ler mais aqui . .

SJ saúda acção inspectiva aos media

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) saudou hoje a acção inspectiva levada a cabo pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) junto de vários órgãos de comunicação social, mas lamenta que a mesma tenha sido prejudicada pelo recurso a estratégias de ocultação e dissimulação de provas de infracções graves por parte das empresas. .

Da paz social e do respeitinho

(...) Art. 5.º  Os indivíduos e os organismos corporativos por êles constituídos são obrigados a exercer a sua actividade com espírito de paz social e subordinando-se ao princípio de que a função da justiça pertence exclusivamente ao Estado. (...) Art. 9.º  É acto punível a suspensão ou perturbação das actividades económicas: (...) 2.º  Pelos técnicos, empregados ou operários, com o fim de conseguir novas condições de trabalho ou quaisquer outros benefícios ou ainda de resistir a medidas de ordem superior conformes com as disposições legais. do Estatuto do Trabalho Nacional, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 23 048, de 23 de Setembro de 1933 . Passam hoje 80 anos. Para que a memória não se apague. Nesse mesmo dia, foram publicados os diplomas que regulam a organização corporativa do Estado assente especialmente nos grémios patronais ( DL n.º 23 049 ), nos sindicatos nacionais ( DL n.º 23 050 ) e no Instituto Nacional do Trabalho e Previdência ( DL n.º 23 0...

As pressões sobre o Tribunal Constitucional têm autoria

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É o capital financeiro puro e duro. Pedro Passos Coelho e o seu governo são o rosto político; António Mexia e uma certa estirpe de gestores, empresários e economistas com acesso aos media são o rosto "empresarial". Veja-se, por exemplo, a entrevista publicada hoje no "Dinheiro Vivo". Um exemplo muito claro de pressão sobre o Tribunal Constitucional. .

Impertinência, ameaça e riscos: atenção ao futuro da RTP na Madeira

São conhecidas impertinência, as diatribes e a má-criação do presidente do Governo Regional da Madeira contra os jornalistas. Talvez haja quem as relativize, assobie para o lado e faça de conta de que as coisas que o dr. Alberto João diz não têm importância. Mas é preciso levar a sério ameaças como a que fez ontem. Se o governo central lhe entregar poderes sobre a RTP-Madeira, não tenhamos dúvidas de que não hesitará em saneamentos e perseguições.  Quem avisa , amigo é. .

Uma pergunta

Por que razões, nas notícias, nunca - ou raramente... - se apresenta, com as devidas ligações político-partidárias, os economistas cujas opiniões sobre a situação do país e as medidas políticas e económicas? .

"Hipocrisia institucional"

A frieza e a indiferença com que os funcionários da tróica internacional estão a impor o programa de empobrecimento dos portugueses e de agressão à economia e à soberania portuguesa é tão gritante que nem o PSD, pela voz que suponho autorizada do seu vice-presidente Marco António Costa, esconde o incómodo perante a "hipocrisia institucional" do FMI. Mas não nos iludamos. Que o Governo e a maioria que o suporta não vão deixar de cumprir os ditames do FMI, do BE e da Comissão Europeia, é assunto para não ter dúvidas. .

Mas há uma lei destas?...

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O "Público" lançou hoje (suponho) um inquérito em linha com uma estranha, inesperada e inexplicável pergunta: "A lei sobre a cobertura jornalística deve ser alterada?". E que tal se fossem verificar primeiro se há mesmo uma tal "lei sobre a cobertura jornalística" e não um simples artigo, um artigozinho, (o 49.º) da Lei Orgânica n.º 1/2001, de 14 de Agosto, em cujo n.º 1 se lê que "os órgãos de comunicação social que façam a cobertura da campanha eleitoral devem dar um tratamento não discriminatório às diversas candidaturas"? .    

Obscenidades

As agências, os jornais em linha, as rádios, as televisões abriram noticiários ou interromperam o alinhamento programado dos noticiários para anunciar a renovação do contrato de um jogador de futebol, que passa a ganhar 17 milhões de euros por ano. Por mais "genial" que o jogador seja, e por mais milhões que a indústria do futebol de alta competição movimente, a quantia é obscena. .

Quando o desemprego desmente

É oficial, o desemprego agrava-se. Segundo o Instituto do Emprego e Formação Profissional , no final de Agosto, entre os 879.113 pedidos de emprego, havia 695.065 inscritos nos centros de emprego, mais 21.644 (3,2%) do que no mês homólogo do ano passado, e o desemprego de longa duração registou um aumento anual de 23,6%. Bem me parecia que as notícias da retoma eram um bocadinho exageradas... .

SJ contra asfixia da RTP e destruição do Serviço Público

O Sindicato dos Jornalistas acaba de divulgar um apelo ao Conselho Económico e Social, aos deputados na Assembleia da República e aos cidadãos: é necessário garantir o financiamento, pelo Estado, dos Serviços Públicos de Rádio e de Televisão e assegurar a viabilidade da empresa concessionária destes serviços - a Rádio e Televisão de Portugal. Em comunicado, o SJ considera que as propostas relativas à RTP constantes no anteprojecto de Grandes Opções do Plano (GOP) para 2014, apresentado pelo Governo ao Conselho Económico e Social, confirmam que o Executivo mantém em curso um plano de desmantelamento da empresa. O documento encontra-se aqui .

As televisões e as autárquicas: Direito a informar, dever de informar e direito dos cidadãos à informação

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) manifestou hoje profunda preocupação com a anunciada decisão das direcções de informação de operadores de televisão - e especialmente da RTP - de não assegurar a cobertura da campanha eleitoral autárquica. O que está em causa é o direito dos cidadãos à informação, a qualidade da Democracia e a credibilidade dos próprios meios de informação, considera o SJ em comunicado .

Péssimo sinal de Vilnius

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 28 países-membros da União Europeia terão garantido hoje em Vilnius, na Lituânia, o apoio a "uma resposta forte" ao alegado ataque com armas químicas das Forças Armadas sírias, que a Organização das Nações Unidas ainda está a investigar. Esta fuga da UE para a frente representa um péssimo sinal que é necessário contrariar com toda a força. .

Só porque sim?...

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Uma versão no "Público", por exemplo Uma versão em "The Guardian", outro exemplo Anda grande discussão por causa desta fotografia do senhor Fraçois Hollande, com um sorriso patético estampado presidencial rosto, como se fosse coisa sacrílega. Vai-se a ver - basta escrever o nome de S. Ex.ª num qualquer motor de busca - e abundam fotos tão ou mais, digamos, patética, do que esta e não consta que alguma delas tenha levantado tamanha celeuma. Eis um exemplo: No sítio da TF1 Vai-se a ver - e novamente basta folhear os jornais e revistas ou introduzir o nome de uma qualquer personagem da vida pública - e logo brota uma torrente infindável de imagens - patéticas, ridículas, comprometedoras, chatas, etc. - pespegadas nas suas páginas, por desatenção e descuido dos editores ou devidas a mais ou menos discutíveis critérios editoriais (lá tinha de ser...).  Sendo certo que, especialmente no que diz respeito aos homens e às mulheres investidos de cargos...

Limitação de mandatos e problemas de coerência

O Tribunal Constitucional pronunciou-se, em sede de recurso do primeiro caso que lhe chegou, sobre o magno problema das candidaturas de presidentes de câmara cessantes de pelo menos três mandatos consecutivos a novo mandato noutro município. Por agora, conhece-se apenas o comunicado , não o acórdão, cujo conteúdo se espera interessante e servir para reflexão dos partidos que não quiseram, tendo podido, esclarecer em tempo útil o que pretendiam afinal impedir com tão atamancada lei  e corrigir o diploma a tempo de servir as eleições do próximo dia 29. Compreende-se o regozijo da força partidária - o PCP - que, tendo votado contra esta lei apresentou várias candidaturas de risco. Mas já não se pode aceitar o embandeirar em arco do PSD nem o formalismo serôdio do PS nos comentários à deliberação do TC. O caso mostra colmo é difícil ser coerente...

SJ exige financiamento dos Serviços Públicos de Rádio e Televisão

O Sindicato dos Jornalistas apelou ontem, 2 de Setembro, ao ministro Poiares Maduro para que faça inscrever no Orçamento do Estado de 2014 a indemnização compensatória devida à empresa Rádio e Televisão de Portugal (RTP) em cumprimento da lei do financiamento dos Serviços Públicos de Rádio e Televisão, segundo anunciou hoje em comunicado .

A quem pertencem as armas químicas na Síria?

Será assim tão descabida a, digamos, hipótese de as armas químicas que os Estados Unidos acusam as Forças Armadas Sírias de terem usado contra civis serem afinal, de grupos rebeldes, como revelou uma jornalista freelance habitual da agência norte-americana Associated Press (AP), mas, em exclusivo, através da agência Mint Press News ? Note-se: a notícia é do dia 29 de Agosto, parece não ter tido eco na grande imprensa internacional - nem portuguesa. Mas a edição de hoje do "i", também em versão em linha , e do diário espanhol "ABC", pelo menos na versão electrónica , dão conta dela. .    

Se tinham dúvidas

Obama adoptou sem reservas o discurso e a prática belicista da Casa Branca. Sem o suporte das Nações Unidas, sem qualquer legitimidade, contra o coro de protestos que cresce e se alarga, mesmo eventualmente sem o apoio do próprio Congresso dos Estados Unidos, anuncia que tomou a decisão de desencadear o ataque militar contra a Síria. Em nome dos interesses dos EUA, disse ele. O resto nada conta. .

"Do outro lado"??!!

Recomendação aos organizadores da chamada "universidade de Verão" do PSD, ou da JSD ou lá o que é: na próxima edição, façam o favor de inscrever o dr. Pedro Passos Coelho como aluno e de incluir no programa uma prelecção - por alguém que saiba uns rudimentos de organização política do Estado e de Direito Constitucional - sobre a Constituição da República, a separação de poderes num Estado de Direito Democrático, as funções e concretos limites do Governo e as atribuições e competências do Tribunal Constitucional. Uma versão minimalista também serve, desde que ensine a S. Exa. que o Tribunal Constitucional não é "uma entidade do outro lado", como hoje o dr. Coelho afirmou na sua prelecção,aliás douta, de encerramento da dita "universidade". Nota : Esta dica é oferecida de borla aos ditos organizadores, não devendo IVA ao Estado nem acarretando qualquer espécie de custo ou encargo, para poupar S. Exa. da dor de cabeça da dívida pública. .

Só há um remédio

O discurso de encerramento do seminário de formação de jovens quadros do PSD terminou com mais um ataque do primeiro-ministro e do seu Governo à Constituição. Como se a Constituição fosse o mal de tudo. Só há um remédio: ou a maioria parlamentar consegue mudar a Constituição no Parlamento, ou há mudança de maioria no Parlamento. Como são o Governo e a maioria parlamentar quem está mal, só temos mesmo de mudar de maioria. Ponto. .  

O mau perder da Maioria

O Tribunal Constitucional pronunciou-se hoje pela inconstitucionalidade da lei da chamada requalificação na Administração Pública. O PSD reagiu discordando e considerando um contratempo na sua obsessiva ofensiva do Governo e da Maioria parlamentar para despedir sem justa causa milhares e milhares de trabalhadores e na ofensiva ainda mais ampla contra a Constituição. Um mau perder da Maioria. .  

Luther King, Obama e a Síria

Declaração prévia de interesses: Martin Luther King é um herói irrevogável da minha adolescência e da minha juventude; faz parte do quadro de referências de valores éticos e de ideais justos que ajudaram a moldá-las.  Isto dito, Assinala-se hoje o 50.º aniversário do célebre discurso do pastor protestante e líder da emancipação dos negros norte-americanos, proferido, a 28 de Agosto de 1963, na decisiva marcha de Washington pelos direitos cívicos.  Se olharmos bem para as imagens desse comício, e em especial para a moldura que enquadra King, lá encontraremos uma dimensão mais ampla da segregação racial de então que, hoje, em larga medida, se perpetua na sociedade norte-americana. O famoso discurso - "Eu tive um sonho", em tradução livre - foi proferido numa altura muito complexa e decisiva da emancipação dos povos colonizados, com uns Estados Unidos colocados na encruzilhada histórica das suas próprias origens, de antiga colónia britânica, de potência mundial...

Inversão do ónus do voto

O PSD considerou hoje "mau perder" da oposição o necessário e exigível pedido de fiscalização sucessiva da constitucionalidade da lei que impõe aos trabalhadores da Função Pública. Mau ganhar tem o PSD. .

As potências e a Síria: atacar primeiro, apurar depois

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas insistiu hoje que a missão de inspecção da ONU ainda não tem resultados que confirmem as imputações de uso de armas químicas pelas Forças Armadas da Síria.  Mas os Estados Unidos e a Grã-Bretanha afirmam ter já "provas credíveis" para justificar a agressão internacional a um país soberano.  A pressa em atacar justifica tudo, até a falta de memória. E o Iraque ali tão perto... .

Síria, como o Iraque: no essencial, estão de acordo

A "comunidade internacional" do costume assumiu ao longo do dia de hoje uma escalada verbal justificativa da agressão internacional que os potentados militares-industriais do planeta preparam contra a Síria. O democrata Obama, que a imprensa dominante insiste em apresentar como "de esquerda", e o "socialista" Hollande lá rebuscam "provas" e enunciam justificações da punição que preparam à revelia da ONU. Infelizmente, já vimos este filme muitas vezes e com demasiadas vítimas. No essencial, a rapaziada alternante na Casa Branca, no Eliseu e outros palácios está toda de acordo. .    

Quando a crueza dos números desmente os discursos

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Não é por ser do contra, mas bem me parecia que as notícias da retoma eram um bocadinho exageradas. Assim como dou razão a todas as críticas ao bizarro discurso do líder do PSD no serão algarvio anual, quase anunciando um futuro imediato de leite e mel.  Sem ter sido encomendado, suponho, pela oposição, o Boletim Estatístico do Banco de Portugal (fica aqui a ligação electrónica , para que bebam directamente da fonte, sem a minha incompetente mediação), revela hoje, com inteira objectividade e clareza, que a dívida pública correspondia, no final de Junho, a 131,4% do Produto Interno Bruto (PIB).  E para que não restem dúvidas sobre a crueldade das estatísticas nem sobre o seu significado, permito-me "picar" do sítio do "Expresso" em linha um significativo gráfico que ilustra muito bem como "a coisa" tem vindo a piorar. Ei-lo: .    

Grátis total, jornalismo fatal

El periodismo vive tiempos convulsos. Una de las cuestiones que se debate es el acceso gratuito a los contenidos en la red. Es importante estudiar las posiciones adoptadas por diferentes sectores sociales, los intereses en torno a ellas y - lo más importante - sus consecuencias en los contenidos. Por  Pascual Serrano . .  

Quando as notícias podem ser um bocadinho exageradas...

Tendo em conta que o Produto Interno Bruto (PIB) registou, no segundo trimestre deste ano, uma quebra de 2%, relativamente ao período homólogo do ano passado, não serão um bocadinho exageradas as notícias da retoma, só porque o PIB cresceu 1,1% em relação ao primeiro trimestre deste ano? Ver o boletim do INE aqui . .

No limiar da constitucionalidade

É manifesto que o Governo continua a desafiar os limites da Constituição ou pelo menos a legislar no perigoso e muito desconfortável - para os cidadãos - limiar da constitucionalidade, perseguindo objectivos muito evidentes de consumar a sua brutal reforma contra os direitos dos trabalhadores. A alteração táctica no suporte presidencial à governação, que consiste em enviar para o Tribunal Constitucional os diplomas que possam comprometer a próxima Lei do Orçamento, como este , parece mais justificada com a preocupação em minimizar danos da "execução" desses planos do que em proteger os mais fracos. .

Uma disputa judicial hipócrita e evitável

Começou a evitável disputa judicial em torno da hipócrita lei da limitação dos mandatos autárquicos, transferindo para os tribunais o que poderia e deveria ter sido esclarecido a tempo e horas pelo PSD e pelo PS (vá lá, também pelo CDS...), se estes partidos do chamado arco da governação tivessem tido um pingo de decência para vir dizer, preto no branco, que alcance pretendiam efectivamente dar à atamancada lei que pariram, apresentando em tempo útil um projecto de lei de cuja redacção já não restasse agora nem a menor ambiguidade semântica nem a mais ínfima hesitação ética.

Uma provocação escusada

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Monumento ao cónego Melo, contra todos os avisos e todas as prudências. A foto foi copiada do 5 dias , com a devida vénia Contra vozes razoáveis e a avisada abstenção dos dois partidos da Direita, o assim chamado partido de esquerda Partido Socialista fez passar na autarquia a aprovação de uma escusada provocação - a implantação, em Braga, em pedestal tamanhudo, de uma estátua ao cónego Eduardo Melo. Consta que a inauguração está marcada para depois das  eleições autárquicas. Melhor será que jamais aconteça. E que a próxima maioria camarária dê a volta quanto antes ao escusado imbróglio. .   

Do chapelino do S. Bento de Ermelo

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No mosteiro de Ermelo, Arcos de Valdevez, forçosamente há que reparar na estátua de S. Bento, apesar das suas escassas dimensões: um surpreendente chapelinho resguarda a tonsura do patrono, tão venerado naquelas paragens minhotas e redondezas. "Era  assim que o santo andava quando andava a pregar na selva!”, explicou-se, de forma breve e definitiva,  uma espécie de zelador pouco dado a conversas. .

Na morte de Urbano Tavares Rodrigues

No dia em que é conhecida a morte de Urbano Tavares Rodrigues, escritor, ensaísta, professor universitário, intelectual profunda e consequentemente empenhado na transformação social, cultural, política e económica do país , é importante recordar que, enquanto jornalista que também foi, foi um camarada solidário de que nos podemos orgulhar. .  

Era o que faltava!

Numa desesperada manobra de diversão, parece que até à Entidade Reguladora para a Comunicação Social o Ministério das Finanças quer passar a batata quente da "investigação" da misteriosa origem da celebérrima "apresentação" do Citigroup, constando que pretenderá que o Regulador mande revelar fontes de informação dos jornalistas.  Bem me custa gastar mais tempo e desgastar as meninges com esta trapalhada e parecer contribuir para escamotear outros e mais graves problemas pátrios, mas não posso deixar de declarar que espero que tamanha desfaçatez não tenha passado pela cabeça de ninguém. .  

Um esclarecimento que se impunha...

As direcções da SIC e da "Visão" esclareceram, esta noite , que a versão da famigerada apresentação do Citigroup, com a proposta de maquilhagem da dívida pública, que usaram para os seus trabalhos sobre o agora demissionário secretário de Estado dos Swap, é a que "foi entregue (...) ao Governo do então primeiro-ministro José Sócrates". Esta afirmação, que aliás não reveste a formalidade de um comunicado ou de uma nota conjuntos das direcções daqueles órgãos de informação, ajuda a esclarecer melhor o primeiro destaque no que aqui abaixo escrevo . .  

O que está mesmo em causa

Muito bem dito . As questões e os problemas de fundo são mesmo estes. .

Xeque-mate ao bispo

Como era de esperar, o secretário de Estado dos Swaps demitiu-se ao fim de manhã de hoje. Era manifesto que não tinha condições para continuar no lugar, como o parceiro de coligação já considerava ontem à noite, através do seu líder parlamentar; sendo também muito claro que não deveria ter sido nomeado. Já agora, no seu derradeiro acto, poderia ter-nos poupado ao salazarento auto-elogio do pretenso sacrifício pessoal e às despropositadas considerações sobre a prática política...  .

Xeque ao bispo

Em relação a esta reflexão , os jornalistas Paulo Pena ("Visão") e José Gomes Ferreira (SIC) acabam de sublinhar, na SICNotícias (12 horas), vários pontos fundamentais quanto à veracidade do documento usado por vários órgãos de informação versus o original do Citigroup  alegado pelo Governo. Destaco três: O facto de haver duas versões não significa que uma seja falsa; podem ter sido usadas em momentos diferentes. Apesar das trapalhadas e contradições em que caiu, o secretário de Estado dos Swaps confirmou (i) a veracidade do documento e (ii) ter participado em várias reuniões com elementos do gabinete do ex-primeiro-ministro. O facto de o comunicado do Ministério das Finanças sustentar que, no documento usado pelos jornalistas, foi introduzido um organograma que não consta do "original" não ilude nem afasta um facto essencial: todo o restante conteúdo é exactamente o mesmo. Conclusão: no xadrez da credibilidade, o Jornalismo fez xeque ao bispo e mantém a ...

O caso dos swaps, os poderes e o poder do Jornalismo

O caso dos governantes swap há-de vir a ser um interessante caso de estudo sobre a problemática das mais ou menos consistentes relações entre os poderes económico e político e a comunicação social, ou melhor, o Jornalismo. Em primeiro lugar, é surpreendente - a menos que eu ande ainda mais distraído do que supunha - que este tipo de negócios, especialmente com empresas públicas e o próprio Governo, não tenham sido objecto de escrutínio jornalístico, de simples notícias. Porém, veio a conhecer-se - ainda bem, mais vale tarde do que nunca. Em segundo lugar, uma vez reorientadas as antenas jornalísticas para essas práticas, é evidente o confronto entre o Poder (pois, o económico e o político, vice-versa e os dois amancebados) e o Jornalismo, parecendo-me claro que, de um modo geral, este tem cumprido a sua missão e não tem ido na cantiga do primeiro. Para ilustração, veja-se a sucessão de trapalhadas nas declarações e explicações que tem prestado o secretário de Estado dos Swaps ...

Então, esse esclarecimentozinho?!

À medida que as horas passam e o Governo não faz o esclarecimento público, prometido para "ainda hoje", sobre as novas trapalhadas com os swaps , cresce a consistente certeza de que o seu problema essencial é de decência. E quando a decência falta... .  

Fotobiografia de Álvaro Cunhal

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Agenda, obviamente a não perder: .

Corridas e entorses

Terminou hoje o prazo para a entrega das candidaturas aos órgãos das autarquias locais. Começou a pré-corrida eleitoral. Alguns candidatos correm contra a auto-censurada consciência de alguns dirigentes dos seus partidos, numa entorse oportunista às regras que criaram. Coerentes são os que votaram contra essas regras quando foi tempo. E o resto é cantiga! .

Não cuspo onde?

Entre as frases reaccionárias que mais abomino está aquela que um jogador de futebol de grandes nomeada e rendimentos usou por estes dias: "não cuspo no prato em que como".  Explico em breves e directas palavras: associo-as à subserviência vil e rasteira por pessoas "prontas para o preciso", como dizia um velho amigo meu. Desculpem lá a embirração. Espero que seja mais feitio do que defeito... .

"Eles"continuam a organizar-se

Insisto numa nota de reflexão que já fiz noutras ocasiões, designadamente aqui , já não sobre a mera emergência de respostas alternativas aos meios de informação capitalistas, mas já de completa afirmação e consolidação da revolta dos escravos contra o sistema que os exclui ou que os hostiliza. Proponho uma primeira leitura sobre o "fenómeno" dos assim chamados repórteres ninja , sugerindo que as abordagens não se fiquem por aqui. E insisto que estes fenómenos não são um problema para o jornalismo e para os jornalistas; são um desafio.      .

Incompatibilidades

Um camarada meu, recém-licenciado em Direito, perguntava-me há dias se a profissão de jornalista é incompatível com a de advogado. Repeti-lhe o que várias outras vezes tenho respondido à mesma pergunta: não há qualquer incompatibilidade formal - legal - entre uma e outra actividades, nem penso que seja razoável instituí-la, ainda por cima para duas profissões com um apego tão comum à liberdade e aos direitos das pessoas. No entanto, recordei-lhe o evidente risco de algum conflito de interesses - seja porque o advogado pode ser tentado a defender como jornalista os interesses de um cliente do escritório; seja porque o jornalista pode vir a ser confrontado com a necessidade de noticiar algum incidente com o cliente do advogado... Nada que não possa ser resolvido com com senso e sobretudo tendo bem presente o "velho" preceito do Código Deontológico dos jornalistas segundo o qual "o jornalista não deve noticiar assuntos em que tenha interesses". Se o mesmo valer ...

Inimigos comuns

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Rua do Almada, Porto, Agosto de 2013 .

O individualismo é tramado

Em “Terra de Catarina – Do Latifúndio à Reforma Agrária, Ocupação de Terras e Relações Sociais em Baleizão” (Celta, Oeiras, 2006), Margarida Fernandes discute, entre outros aspectos interessantes, as razões pelas quais a colectivização “falhou”, propondo-nos também uma reflexão sobre o problema do individualismo, muito útil para a abordagem à falência de outras experiências colectivas. No essencial, resulta a noção de que a acção colectiva, designadamente através das cooperativas e que talvez pudéssemos estender aos sindicatos, só é válida e importante na medida em que permite concretizar e satisfazer objectivos e anseios individuais, e enquanto estes durarem. Nesse sentido, a dimensão colectiva resulta meramente instrumental da satisfação de necessidades e objectivos individuais imediatos e transitórios, circunstancialmente comuns a um de indivíduos. Uma vez colocados perante uma ameaça externa ou na expectativa de que os fins individuais serão alcançados, estarão na dispos...

Aluga-se estufa,

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em Lisboa, apropriada para plantas tropicais, muito espaçosa e versátil. Pode ser usada também como estação terminal de caminho-de-ferro. Trata: REFER 

Uma incógnita para lamentar

Em benefício da dúvida, ainda gostaria de saber quantos deputados da maioria parlamentar votariam logo à tarde, se pudessem fazê-lo em verdadeira e sã consciência ética e realmente dotados de real independência intelectual,  esta peça mal amanhada a que o Governo chama moção de confiança . .

Até parece que fazia falta

A Dona Fonte Governamental está de regresso  depois de amanhã. E que tal se a deixássemos a palrar sozinha? .

O novo cerco

Ainda mal acabou de ser recauchutado, o Governo sofre a acometida de um novo cerco à ainda ministra de Estado e das Finanças, por causa dos swaps e, sobretudo, da sua palavra - e do efectivo valor da sua palavra - nesta enorme trapalhada. Aceitam-se apostas: quanto dura no lugar? .  

Um sonho fatal e outras narrativas em défice nos jornais

Já vos falei do Augusto Baptista algures , lá para trás desta apressada e tantas vezes desorientada nave.  Sou suspeito - é meu amigo - , mas gostava de voltar ao assunto, a propósito de mais um notável "arrincanço" de um desperdiçado repórter que só alguém com a sua sensibilidade, a sua atenção e o seu talento seria capaz de trazer-nos.  Um retrato assim tão despojado, quase cru, e tão doce do quotidiano da gente real que habita uma cidade real e um país real faz-nos lembrar quanta falta fazem repórteres assim, com histórias com gente dentro, e de quão a leste da vida real estão tantas redacções. Já agora, há que ler igualmente: O homem do garrafão O   Boneco   de Maria Três milhões de degraus por amor aos gatos O camarada doutor O retrato do retratista Um ás da sobrevivência Um homem do TEP Mestre Pedrosa O seringador A árvore de pé descalço O tocador de trombone E depois não digam que não tenho razão quando falo do desperdício...

Leonardo Boff e o papa Francisco

Por razões culturais e políticas, e independentemente das opções religiosas, não é possível deixar de prestar atenção, nem que seja ao correr do débito diário de noticiário, à existência da Igreja Católica e, em particular do seu chefe, e das intervenções deste no espaço público. Nesse sentido, não se pode ignorar que o pontificado do papa Francisco está a ser marcado por diferentes e mais ousadas - para os cânones habituais - formas de aparecer e de estar. Uma amiga minha dizia-me hoje que, antes de mais, já não restam dúvidas de que é pelo menos uma pop star . Falava da forma. Quanto à substância, ao conteúdo concreto da mensagem e da actuação, não é sequer líquido que ouse descolar do essencial em relação aos seus antecessores. Talvez mais uma razão para acompanharmos com atenção as leituras que vai fazendo o teólogo brasileiro Leonardo Boff, que, por estes dias, nos surpreendeu com esta (súbita?) análise da missão de Francisco . .

Crise de iniciativa presidencial (9)

Dizem que amanhã  (re)começa um novo ciclo. Vicioso. .

Crise de iniciativa presidencial (8)

O Presidente da República optou por salvar o governo e os interesses dos credore s.  O país pode esperar pelo menos até ao Orçamento de 2014. E continuar a afundar-se.

Crise de iniciativa presidencial (7)

PS, PSD e CDS-PP não chegaram a acordo para salvar a iniciativa presidencial. As justificações do PS servem para o próprio PS perceber por que razões o PCP e o BE não poderiam alinhar na mascarada de negociações em que o país derreteu mais uma semana de crise. A única iniciativa séria que Cavaco Silva pode ter agora é devolver a palavra ao povo. Sem demora. .

Crise de iniciativa presidencial (6)

Mal acabou a votação da moção de censura apresentada pelo PEV, os deputados do PSD e do CDS-PP aplaudiram de pé a rejeição, olhando e sorrindo na direcção das bancadas da oposição, PS incluído.  Boa parte dos deputados do PS abandonou o hemiciclo de imediato, suponho que em protesto. Não foi um quadro bonito. E talvez tenha sido um sinal para clarificar as hesitações.  Consta que amanhã é o dia decisivo, mas hoje continuou o crescendo de pressões sobre o proclamado "diálogo entre os partidos", com o próprio Presidente da República a pronunciar-se em directo, nas televisões, sobre o "entendimento" com o qual ele quer salvar o pacto das tróicas, sabendo nós muito bem que este pacto está a destruir o país.

Crise de iniciativa presidencial (5)

Ao quarto dia de negociações em torno dos três pilares sagrados da crise de iniciativa presidencial para salvar o pacto de agressão, o cerco do consenso aperta-se: um manifesto de 20 empresários e personalidades para que os partidos se entendam; um apelo das confederações patronais com a UGT atrelada, para que os partidos se entendam; os sinais dos mercados, exigindo o entendimento. E a noite vai entrando e consumindo a ansiedade mediática... São 23h30, os jornais estão a fechar, os telejornais da meia-noite não tardam, e não há uma luzinha que brote de S. Caetano à Lapa. Será desta? Ruptura ou consenso? Consenso ou ruptura? E nem o sítio do PS na Rede debita a prometida informação transparente. Ruptura ou consenso? Consenso ou ruptura? Amanhã, discute-se no Parlamento a moção de censura apresentada pelo PEV.    

Crise de iniciativa presidencial (4)

Engano-me muito ou o PS já escolheu mesmo o lado para o qual (Onde é que está a surpresa?...), ao escrever isto? Dia 16 de Julho 20:31 horas O PS recebeu hoje o BE, a pedido deste último partido. A reunião entre o PS e o BE ocorre num momento de emergência nacional, onde todos os diálogos interpartidários são essenciais para encontrarmos soluções para os graves problemas que o país atravessa. O PS não recusa nenhum diálogo, nem excluiu nenhum partido nesse diálogo. Sobretudo, quando a situação do país exige o contributo de todos. Iniciou-se um processo de diálogo. O PS insistiu que nesse processo participassem todos os partidos políticos. O PCP e o BE excluíram-se desse diálogo. Fizeram mal. Agora, em competição, cada um deles lança o seu processo. O PCP com a Intervenção Democrática, Os Verdes e o BE.  O BE com o PCP. O País dispensa este jogo partidário. O PS não entra neste jogo partidário. O PS está empenhado no processo de diálogo, lamenta uma vez mais...

Crise de iniciativa presidencial (3)

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O Partido Socialista (PS) inaugurou uma nova prática de comunicação, disponibilizando no seu sítio na Rede um espaço nobre com a cronologia do "Compromisso de Salvação Nacional". Fá-lo, segundo justifica, " em prol da transparência, do combate à especulação no espaço público e por respeito aos portugueses ". De acordo com aquela cronologia, às 22h50 de ontem, dia 13, o PS " transmitiu ao Presidente da República a disponibilidade imediata do PS para iniciar o processo de diálogo com vista ao compromisso de salvação nacional, assente nos três pilares propostos" por Cavaco Silva .  Ora muito bem, em nome da transparência, é importante que o PS clarifique sem demora de que modo é que a sua aceitação dos famosos três pilares é coerente com a sua exigência de eleições. .  

Crise de iniciativa presidencial (2)

Em fase disto "Os líderes dos referidos partidos manifestaram a disponibilidade para iniciarem, o mais brevemente possível, conversações com vista a um compromisso de salvação nacional que permita a conclusão, com sucesso, do Programa de Assistência Financeira e o regresso aos mercados" , suponho que o Partido Socialista deve, sem demora, explicar muito bem afinal qual é a sua posição em relação ao compromisso com que Cavaco Silva nega a palavra ao povo, pois é por demais evidente que o comunicado da Presidência da República o amarra ao processo que o PS dizia que não iria integrar... :

Crise de iniciativa presidencial

A crise de iniciativa presidencial ganha rapidamente corpo: o PSD e o CDS acusam o murro no estômago dizer que vão pensar no que Cavaco Silva disse esta noite; o PS pensou mais rapidamente e já disse a única coisa que poderia dizer - que só há uma maneira de clarificar a situação, que é a realização de eleições.    

Cavaco dá mais um empurrão à crise

O Presidente da República acaba de agravar a crise política e de dar mais um empurrão à instável aliança PSD/CDS-PP. O Compromisso de Salvação Nacional, comprometendo o PSD, o PS e o CDS-PP, que advoga é uma tentativa de restaurar a tróica nacional e de amarrar o PS à agenda da Direita. Tudo isto é feito, não em nome dos interesses dos portugueses e do País, mas dos mercados e dos credores internacionais, subordinando a estes - e exclusivamente a estes - a soberania nacional. E tudo isto foi anunciado com uma inaceitável e salazarenta reserva mental quanto à democracia, ao seu funcionamento e à soberania popular. Aguarda-se a todo o momento que o PS se pronuncie sobre a comunicação de Cavaco Silva , mas só podemos exigir que recuse qualquer compromisso. O PSD e o CDS também ainda não falaram, mas adivinha-se que baixarão respeitosamente a voz, mas lá no seu íntimo também não o querem. Aguarda-se a todo o momento a dissolução da Assembleia da República. . ...

Uma perguntinha apenas

Há uma pergunta, uma pergunta simples, uma perguntinha, a que S. Exa. o irrevogavelmente demissionário ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros não respondeu na audição de hoje no Parlamento: quais foram as razões ou "considerações técnicas" que levaram o Estado Português a recusar o direito de aterragem ao avião que transportava o Presidente da República Plurinacional da Bolívia? A resposta a esta pergunta é muito mais importante que os floreados que o ministro derramou com o seu dissimulado sorriso e que parece terem ganho primazia no espaço público... .  

Uma leitura actual

Para recordar/reler (ou ler mesmo, recomendando-se vivamente...), nos tempos que correm, também para para o "círculo da razão" que vai pululando e se vai impondo no pequeníssimo mundo mediático português: Convivendo apenas com "decisores", convertendo-se numa sociedade de corte e de dinheiro, transformando-se em máquina de propaganda do pensamento de mercado, o jornalismo encerrou-se numa classe e numa casta. Perdeu leitores e crédito. Serge  Halimi, "Os Novos Cães de Guarda", Celta, Oeiras, 1998* * Como se fosse hoje.  .  

O verdadeiro imperativo nacional

Eles bem tentam fazer passar a mensagem de que a manutenção do governo, com maior ou menor recauchutagem, é uma imposição do Presidente da República e um imperativo nacional para ultrapassar a crise. Mas a verdade é que a manutenção deste governo corresponde ao imperativo das forças de ocupação e da operação de esbulho à nossa economia e de captura da nossa soberania. Cavaco Silva, Passos Coelho e Paulo Portas não podem deixar de cumprir o seu papel de serventuários dos mercados e dos credores. É por isso que o verdadeiro imperativo nacional consiste em dar realmente um novo rumo ao país e romper com o pacto de agressão..  

Regressado do país real

Ao cabo de algumas horas mergulhado no país real, liguei de imediato o telemóvel e regressei ao país de opereta: consta que o ainda primeiro-ministro foi ao Presidente da República dizer que há um acordo para salvar o governo e que amanhã os presidentes dos dois partidos da coligação governamental falam ao país mediático. O país real continua sem soluções. .

O 3.º dia

O terceiro dia da magna crise chega ao fim com dois preocupantes sinais: 1.º - A patética incógnita sobre a situação da coligação e do governo, apesar das notícias que davam nota de que os chefes dos dois partidos haviam chegado a um acordo antes da reunião do primeiro-ministro com o Presidente da República. 2.º - A desconvocação do congresso do CDS-PP anunciada na noite da antevéspera da sua realização, o que diz muito da noção de democraticidade interna do dito (se fosse com um partido que eu cá sei, que nomes feios não lhe chamariam...). E assim vai a pátria... .  

Corda esticada ou espectáculo penoso

Passos Coelho encostou Portas à parede e Portas e o CDS decidiram fazer de conta que estão a esticar a corda, ao propor a renegociação do acordo de coligação. Tanto trabalho e tanto drama a prolongar a agonia.... Consta que amanhã o espectáculo penoso continua. .

Em que ficamos?

18h30 - A grotesca opereta que o PSD e o CDS terá conhecido uma nova alteração ao libreto, agora com o CDS e o seu líder a dizerem que ainda querem salvar a desastrosa coligação. Na plateia, só podemos ficar pasmados. O primeiro-ministro disse em Berlim que não se demite porque não vê razões para se demitir; os ministros do CDS não se demitem, porque têm razões para se demitir. Perante este indecoroso espectáculo de degradação e a manifesta falta de credibilidade política e moral (a legitimidade já a perderam há muito), não outra saída: dissolução da Assembleia da República, já! Antes que seja tarde.  .

Devolver mesmo a palavra ao povo

Há uma lição muito clara desta gravíssima crise: Portugal e a Europa têm de reflectir muito seriamente se querem salvar a democracia ou soçobrar sob a pata dos mercados. O primeiro-ministro e o PSD não podem continuar iludir-se sobre a inevitabilidade da queda do Governo e a levar a teimosia a um estado paranóico. Se não sabem olhar e ouvir o que acontece à sua volta, definitivamente nada sabem e jamais deveriam ter merecido o favor dos votos que lhes confiaram. O CDS-PP não pode deixar de assumir uma ruptura que já o é sem margem para dúvidas. A decisão "irrevogável" de Paulo Portas não é um acto pessoal. Paulo Portas não é apenas um ministro; é o líder do partido que permitiu a formação deste governo. Os outros ministros e secretários de Estado do CDS não têm outro caminho senão demitir-se também. A menos que o CDS continue a caucionar este Governo e a pantomina ridícula de ontem. O Presidente da República não pode continuar a fingir que o que está a acontecer é muit...

Como era de esperar

...Os briefings do ministro Maduro caíram de verdes . Mais logo cai o resto... .

Daqui não saio

O menino Pedro Amuado Coelho está tão amuado, tão amuado, tão amuado que já não vê que os outros meninos desistiram de brincar com ele ... .

A gota de água de Portas. E o resto?

As manchetes electrónicas noticiam que o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, se demitiu hoje por causa da escolha do primeiro-ministro para o Ministério das Finanças. Sim, a nomeação de Maria Luís Albuquerque contra a sua opinião foi a gota de água. Mas basta ler o pequeno comunicado de Portas para dar com este penúltimo ponto Ao longo destes dois anos protegi até ao limite das minhas forças o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no Governo torna, efectivamente, dispensável o meu contributo. que diz tudo sobre a inevitabilidade da saída de todos os ministros e secretários de Estado do CDS-PP. Hoje mesmo. Ou amanhã?...    

Antena Aberta, corações abertos

Acabei de escutar hoje, com mais atenção do que é habitual, o Antena Aberta da RDP (Antena 1), dedicado, como parece que não podia deixar de ser, à demissão, ontem, do ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar. Falaram muitos idosos entre os ouvintes tele-participantes. Percebe-se que apreciam a ordem e a estabilidade. Mas desta vez o coração abriu-se. Que vá embora porque anda a roubar-nos, até as reformas leva; que vá ele e vão os outros... .  

Já agora, ...

... não podiam aproveitar e seguir todos o exemplo de Vítor Gaspar? .

A Bem da Nação

O Governo inaugurou hoje uma nova prática comunicacional - um "briefing" diário (quase, porque às quintas-feiras, sábados e domingos não há) - porque acha que o problema do Governo não é governar mal, como todos nós achamos, mas comunicar mal. Não que a culpa seja do Governo, já se vê, pois esta há-de ser de outros. "A informação correta e explicada é o caminho certo para evitar a desinformação. O acesso à informação correta, limpa e simples é uma das bases fundamentais da democracia", declarou S. Exa.  o Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Pedro Lomba. Presente na jornada inaugural do novo sistema da propaganda governamental, esteve a ainda sua colega e poucas horas depois futura ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque , que perorou sobre uns produtos financeiros manhosos aos quais os tecnocratas e a chamada comunicação social preferem ir chamando "swaps", mas sem deixar tudo clarinho como deveria...

SJ saúda contributo dos jornalistas na greve geral

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) saudou todos os trabalhadores que participaram hoje na greve geral, destacando o contributo dos jornalistas para esta demonstração expressiva da necessidade de um novo rumo para o país. Em comunicado , a Direcção do SJ destacou especialmente a forte adesão na Agência Lusa, que inviabilizou a distribuição de notícias e considerou uma provocação aos trabalhadores em greve a visita do ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional à sede da empresa.  .

A melhor notícia da greve...

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... é não haver notícias. Os jornalistas ao serviço da Agência Lusa levam o preceito a peito: o serviço noticioso está suspenso desde as 8h45 de hoje, devido à adesão maciça à Greve Geral. .

A Greve Geral explicada ao primeiro-ministro

Senhor Dr. Pedro Passos Coelho, Os jornais em linha, as rádios e as televisões, incluindo a Rádio e a Televisão que o Governo de V. Exa. quer desmantelar, deram-me hoje boa nota da repetição até à náusea - agora por V. Exa. - de que a "greve é um direito inalienável" dos trabalhadores portugueses. Segundo as narrações que li, vi e ouvi, V. Exa. veio dizer que, porém, que é necessário que se trabalhe mais e se faça menos greves. Pois fique ciente V. Exa., senhor ainda primeiro-ministro, de que a greve que daqui a minutos se inicia se destina, precisamente, a contribuir para que seja travado o caminho trágico de destruição da economia e do emprego em que V. Exa. e o seu governo estão empenhados, e para que a malta tenha mesmo emprego e trabalho (e, já agora, se não for pedir muito, trabalho com direitos).   

Porto Campanhã, 22h45

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A Greve Geral já vem a caminho: .

Sobre os resultados da luta dos professores, para já

Os sindicatos dos professores e especialmente a Federação Nacional dos Professores (FENPROF) e a Federação Nacional da Educação (FNE) e outros  chegaram hoje a acordo sobre algumas matérias que têm justificado uma luta histórica. Haverá quem se abalance a fazer balanços da luta e dos seus resultados. Uns, estarão satisfeitos; outros, nem por isso; uns terceiros, talvez fizessem melhor. Suponho que poucos quereriam estar na pele - mesmo na pele, entendem?! - dos negociadores: é mais fácil ser treinador de bancada... Com uma certeza, porém: é que, quinta-feira, dia 27 de Junho, é dia de outra luta. .  

Não se deixem iludir!

Muito importante. Façam o favor de não se deixarem iludir com tiradas como esta: "A CAP, CCP, CIP e CTP vão empenhar-se para convencer o governo, a reconhecer que o programa que  resgatou a vida e a alegria dos portugueses falhou, e que é preciso urgentemente tomar medidas para  salvar o país da recessão, e do abismo que se adivinha se nada for feito com celeridade.".  A malta sabe muito bem o que a CIP, a CAP, a CCP e a CTP querem ... .

Professores em luta histórica

Os sindicatos dos professores prosseguem, ainda durante a noite, um esforço para que as divergências sejam ultrapassadas e sejam alcançados resultados satisfatórios naquela que é já considerada uma luta histórica. A acompanhar com interesse. .

Comunicação e inconclusões

O Governo realizou hoje, em Alcobaça, um assim chamado Conselho de Ministros extraordinário.  De extraordinário teve o facto de realizar-se fora da sua sede habitual, no edifício da Presidência do Conselho de Ministros, em Lisboa.  De ordinário, teve as vaias habituais sempre que um ou mais membros do Governo põem o pé fora de casa.  De rotina nestas reuniões fora da rotina semanal das quintas-feiras, teve o carácter inconclusivo (o ministro Poiares Maduro explicou que, como previsto, não houve conclusões, segundo os meios de informação em linha). Num dia para o qual se anunciava uma remodelação comunicacional do Governo, só faltou mesmo responder àquela pergunta óbvia: se estava previsto que não haveria conclusões, para que é que chateiam a rapaziada? .

Ainda sobre a conspiração secreta em reunião pública

Como era de esperar, o Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (CR da ERC) deu provimento à participação do Sindicato dos Jornalistas sobre as restrições ilegítimas à cobertura jornalística da reunião promovida pelo primeiro-ministro para "discutir" a reforma do Estado. Sobre a deliberação do CR da ERC, de 23 de Maio, mas divulgada hoje pelo SJ , cinco breves notas, para já: É uma boa deliberação, mas talvez pudesse ir pouco mais longe. Demonstra a evidência da ilegitimidade das restrições impostas . É pena não ter sido aprovada por unanimidade. Lamento que haja quem entenda que uma cobertura condicionada desta forma seja tolerável à lus da CRP e do Estatuto do Jornalista. Lamento que haja quem entende que a garantia do direito à informação se resume às "reportagens" baseadas apenas nas intervenções públicas dos governantes e às declarações de oradores e outros circunstantes.   Já escrevera sobre este assunto aqui . .