1. De repente, uma mulher aproximou-se, levantou o punho direito e gritou “Agora é a vez do Partido Comunista Português!” A voz da oradora que intervinha na tribuna pública da CDU sobre trabalho, entre o acesso à estação de ferroviária de Campanhã e o acesso ao Metro, sobrepunha-se à da estranha. Mas ela repetiu, determinada, puxando pela voz: “Agora é a vez do Partido Comunista Português!” A pequena multidão de participantes na iniciativa irrompeu em aplausos. Ela aplaudiu também, feliz, creio, e partiu como chegou, engolida pela fila incessante que se dirigia para o Metro. Estamos a caminhar para o final do dia e, na tribuna, sucedem-se testemunhos tocantes sobre problemas dos trabalhadores. Retenho em particular o recitativo comovente do Eduardo Andrade, técnico de manutenção, dirigente sindical, candidato na lista da CDU, a contar os dias e as noites dos “filhos dos turnos”, crianças privadas do convívio, do jantar, das histórias da escola, com os pais, das notas dos testes partilh...