Mensagens

Motivos fúteis

Os números impressionam sempre nas notícias. Por exemplo, o número de vezes que alguém faz algo negativo. E impressionam mais ainda se há alguma desproporção de números e de razões. Está sendo notícia, hoje, que, na tarde de sexta-feira passada, num jardim de Mem Martins, Sintra, uma rapariga de 17 anos golpeou 17 vezes, com um x-acto, uma amiga de 14 anos, deixando-a em estado grave. Um jovem de 21 anos tentou socorrer a vítima e foi também agredido. Tudo isto, consta, por causa de um telemóvel.  Antigamente, os autos de notícia da Polícia, registariam os motivos da agressão usando uma fórmula de estilo simples – “motivos fúteis”. Hoje, percebe-se que a fórmula é, como seria então, demasiado simplista. . 

Em defesa da água pública

Ao tomar conhecimento deste importante apelo em defesa da água pública , que também se decide no próximo dia 5 de Junho, ocorreram-me estas sábias palavras do Chefe Seattle: "Como se pode comprar ou vender o firmamento, ou ainda o calor da terra? Tal ideia é-nos desconhecida. Se não somos donos da frescura do ar nem do fulgor das águas, como poderão comprá-los?" Resposta do Chefe Seattle ao Grande Chefe Branco (1854), divulgada em 1977 pela Comissão Nacional do Ambiente sob o título "...Por Fim, Talvez Sejamos Irmãos!" (Versão de opúsculo sob o mesmo título, edição do antigo Instituto Nacional do Ambiente, s/data)   .

Balsemão já ameaça com novas leis laborais

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) acusou hoje a Administração da SIC de estar a pressionar os trabalhadores para conseguir adesões ao "Programa de Rescisão Amigável" que está em vigor até 17 de Junho, com a ameaça de recorrer a "soluções previstas nas anunciadas alterações da legislação laboral", se o resultado não for o desejado. .

Lamento, mas não sei o que é um senador da Democracia

Acabo de ouvir da boca do presidente do Movimento Esperança Portugal (MEP), Rui Marques, na RTP2, uma afirmação estranha em Democracia, que vou citar de memória mas creio fiel ao que ouvi: "O Eng.º Roberto Carneiro é um dos grandes senadores da Democracia em Portugal". A expressão "senador" vulgarizou-se em certas alturas e em certos meios, mas nunca percebi a sua legitimidade nem o que significa concretamente numa Democracia. Desconfio, porém, do significado que pretendem atribuir-lhe junto do povo. Aparentemente, serve para apresentar certas pessoas que, num determinado período da sua vida, tiveram uma intervenção política (ou político-partidária) e que foram tratar das suas vidas mas que, volta e meia, ressurgem (ou são recuperadas...) debitando opinião sobre assuntos importantes e cuja opinião - aparentando pairar acima de tudo e de todos, correntes ideológicas e partidos incluídos - nos querem incutir como decisiva e definitiva. .

Casino Portugal

CASA SEM SORTE Costumam chamar à Tríade Arco GovernaMental Anda a Roda Anda a Roda No Casino Portugal CIDADÃO-CHIP Diz-se que tem um País Teve direito a um Cartão Conseguiu ser Eleitor Nunca foi um Cidadão À BOCA DAS URNAS Na Morte tens uma Urna P`ra recolher os ossos Vê o que metes na Urna Quando és chAmado a votos EVITAR O SUPLÍCIO Atenção ao Edital Um Eleitor Avisado Põe a cruz no Sítio Certo P`ra não ser Crucificado ALERTA DA CNE Convirá Não Esquecer Os Eleitores são Culpados Escolhem Filhos da Puta Em vez de Bons Deputados De "Poemas de Megafone", de César Príncipe .

"Governo irritado"

Segundo o "Expresso" de hoje, o "Governo irritado" chamou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros o embaixador alemão em Lisboa, para manifestar o seu " desprazer e a surpresa" com as exigências da chanceler alemã, de que os trabalhadores portugueses (e os gregos e  espanhóis também) tenham menos férias e reformem-se mais tarde. Reza a notícia que o diplomata terá recebido, das mãos de não se sabe quem, um quadro comparativo sobre a idade da reforma no conjunto de países da OCDE. Sabe a pouco, não sabe? .

Acordo das tróicas não é inevitável

Ainda a tempo, e antes que seja tarde, a Resolução aprovada nas importantes manifestações realizadas anteontem pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP-In): RESOLUÇÃO O ACORDO NÃO É INEVITÁVEL E NÃO É LEI! O programa imposto pela troika (FMI-UE-BCE), com submissão ou apoio do Governo PS, do PSD, do CDS, e do Presidente da República, consubstancia-se como um golpe de estado constitucional, um ataque fortíssimo à democracia e à soberania nacional, uma clara capitulação perante a ingerência externa, uma negação do desenvolvimento do país, um autêntico atentado aos trabalhadores (as) e ao povo. Este “Acordo” não é inevitável e jamais pode ser entendido como lei. Tal como aconteceu na Grécia e na Irlanda, este compromisso, agora ratificado pelo ECOFIN (Ministros da Economia e Finanças da UE), não só não responde a nenhum dos problemas estruturais do país, como os ignora e agrava ostensivamente.

Uma dúvida televisiva

Ainda não percebi por que razões os debates entre líderes partidários em período pré-eleitoral acabam sempre com um minuto de propaganda concedido a cada um dos contendores, mas calculo que tenha uma enorme importância, porque os senhores põem aquele ar grave e sério bustos falantes e aparece uma voz off a dar um recado como se fosse a última verdade derramada sobre as cabeças dos incréus espectadores.  .

Jornalistas, redes sociais e liberdade de expressão (2)

Tal como o Sindicato dos Jornalistas portugueses, já em Novembro de 2009 , o Sindicato dos Jornalistas de S. Paulo, Brasil, emitiu ontem  uma nota contestando a adopção de manuais para jornalistas nas redes sociais, que é uma moda que parece pegar de estaca e que importa combater.   .

Um abraço à Dalila

Mais um problema prático de jornalismo: o risco de largar repórteres à fúria de multidões. Aconteceu ontem à noite, em Braga: uma jornalista ao serviço da TSF foi insultada e intimidada por presumíveis adeptos do clube local, apenas porque estavam desagradados com o trabalho que a estação fez. Como sublinha o Sindicato dos Jornalistas, solidário com a repórter Dalila Monteiro , nada justifica o comportamento dos prováveis adeptos, que é evidentemente condenável. O meu abraço solidário à Dalila e à malta da TSF, certo de que procuraram fazer o melhor e mais imparcial trabalho. .

De joelhos em terra

Os patrões lusos já salivam tanto com o recado da chanceler alemã, falando num comício partidário, "exigindo" menos férias e reformas mais tardias para os trabalhadores portugueses, que meteram a soberania no saco e nem sequer esperaram um bocadinho, a ver se o Estado português, pela voz de quem de direito, lembrasse à senhora Merkel que Portugal não é coutada sua. É o que faz estar de joelhos em terra, venerador e obrigado... .

Uma sugestão no Dia Internacional dos Museus

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Celebrando-se hoje o Dia Internacional dos Museus , este ano subordinado ao tema "Museu e Memória", gostaria de deixar uma sugestão de visita a um dos museus de minha predilecção e que muito tem a ver com a memória que vai rareando, ou que se branqueia e apaga... - o Museu da Paz de Gernika . .

Sobre o que é um jornal

A propósito disto , há quase uma semana, disse isto: Pode discutir-se se podemos falar de verdadeiras publicações periódicas no caso de modelos de produção informativa em linhas de fabrico centralizadas para ser disponibilizada ao público sob chancelas distintas - ou "marcas", como sói dizer-se -, pondo em crise a sua própria identidade e arriscando a relação com os leitores.   Não será que, além de causas educativas, culturais e económicas que certamente estão na origem das quebras de vendas de publicações, a descaracterização e a despersonalização dos jornais – e falo da sua alma e não do seu espelho – estarão a contribuir também para afastar os leitores?   Um jornal não é uma mera e ocasional justaposição de textos e imagens, mas sim uma obra colectiva que tem identidade própria e com a qual os leitores se identificam.   Um jornal, como uma revista, é um ente único, irrepetível, com personalidade própria, cujo pulsar quotidiano flui da respiração e do sangue daqueles q...

SJ preocupado com fusão de secções na Global Notícias

A fusão das secções de Economia do "Jornal de Notícias" e do "Diário de Notícias" numa estrutura centralizada destinada a produzir a informação económica para diferentes órgão da empresa Global Notícias preocupa o Sindicato dos Jornalistas (SJ) . .

É melhor ouvi-los, pá!

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Pelos vistos, actuam pela calada da noite atingindo alvos muito determinados e sabem como transformar o seu valor simbólico em mensagem política. Não sei quem são, nem eles se importam (pelo menos para já) muito com isso. Mas convinha ler ao que vêm . Esta madrugada actuaram em 30 centros de emprego de vários pontos do país e deixaram uma mensagem inequívoca e justa: “Não queremos subsídios, queremos emprego!”: Exigimos dignidade. Exigimos que os Centros de Emprego sejam aquilo que o seu nome anuncia: locais que centralizam as ofertas de trabalho, onde os processos de selecção são efectuados por conselheiros de orientação profissional, públicos e qualificados, onde o cumprimento da legislação laboral impera, onde podemos encontrar apoio para a construção de um projecto de emprego e formação. Não aceitamos que sejam locais onde somos ameaçados, vigiados e fiscalizados como se não ter emprego fosse um crime que nos devesse ser imputado. Ler aqui o manifesto da acção de hoje. (Com ...

Não, não se pode andar nas dunas, mas...

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.. ... o pessoal não resiste a deixar a sua pegada na areia... .

Timor - olhos nos olhos - visto pelo JPCoutinho

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Agenda: até 17 de Junho, na Galeria Colorfoto , no Porto, uma exposição de fotografia de um repórter dos grandes e com quem tive o prazer e o proveito de fazer reportagens inesquecíveis, João Paulo Coutinho.  O JPC pode ser visitado  aqui , aqui , aqui e aqui . .

Efeitos do acordo com a tróica para ter em atenção

Revendo e agravando o PEC4, se for concretizado, o acordo com a “troika” vai: ü   T ornar ainda mais fácil e muito mais barato o despedimento, seja individual seja colectivo, prevendo o alargamento de motivos para o despedimento individual e reduz os valores das indemnizações; ü   Generalizar e agravar ainda mais a precariedade, expondo os jovens em início de carreira ao risco do despedimento fácil e barato e engrossando brutalmente o vasto exército de precários com trabalhadores despedidos; ü   Reduzir à pobreza largos milhares e milhares de pessoas, a maior parte das quais sem alternativas durante muito tempo (há mais de 200 mil desempregados de longa duração), pois limita a 18 meses o subsídio de desemprego e reduz o seu valor em pelo menos 10% a partir do sexto mês; ü   Passar a tributar em sede de IRS os subsídios de desemprego e por maternidade; ü   Congelar o salário mínimo nacional; congelar salários e pensões de reforma, diminuindo brutalmente os salári...

O consenso como problema de cidadania

Um problema prático da cidadania – e também do jornalismo – é o consenso. O consenso não é necessariamente bom; pode ser desastroso. Sobretudo o consenso implícito: já tudo aparece tão inevitável que nem nos detemos um bocadinho a pensar na remota possibilidade de haver mais hipóteses, mais alternativas. E muito menos temos consciência da utilidade cívica de, pelo contrário, as colocarmos todas em discussão e de dessa discussão resultar uma síntese, uma solução melhor do que aquela que nos querem impor. É por isso que a Democracia vai fenecendo…

SJ volta a repudiar privatização da RTP e da Agência Lusa

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) voltou hoje a repudiar a privatização da RTP e da Agência Lusa anunciada no programa eleitoral do PSD, e sublinha importância estratégica para o país daqueles órgãos de comunicação social. .

Uma dúvida eleitoral

Se alguém fizer o favor de explicar, agradeço muito, pois ando muito confuso. Depois do dia 5 de Junho, vamos ter um governo ou uma comissão de aplicação do plano das tróicas ? Agradecido. .

Como boicotar "conferências de imprensa sem direito a perguntas"

Brevíssimo manual para boicotar "conferências de imprensa sem direito a perguntas": a) Não comparecer nas conferências de imprensa anunciadas com interdição de perguntas; b) Abandonar de imediato do local, se os jornalistas forem informados de que não poderão fazer perguntas; c) Não publicar as declarações que não possam ser objecto de perguntas ou, em alternativa, publicar as perguntas que os jornalistas pretendiam fazer e para as quais não puderam obter respostas; d) Não publicar qualquer foto, nem mesmo de arquivo e muito menos cedidas pelos organizadores das “conferências de imprensa”, se tiver sido impedido o acesso de repórteres fotográficos, deixando em branco o espaço a ela destinado. Ver as explicações aqui .  Ver .

A síndrome da gorjeta

Por princípio, por razões ideológicas e éticas não dou gorjetas. Se fiquei a gostar de determinado restaurante (por exemplo), é natural que o frequente mais vezes ou que o recomende. E é natural que o dono do restaurante se sinta compensado porque há mais pessoas a frequentar mais frequentemente e há outras a recomendar que o frequentem. Também me parece justo que os empregados ao seu serviço tenham a devida compensação – com salários justos, quero dizer, e condizente carreira contributiva para a Segurança Social, e subsídio de baixa adequado ao salário declarado, etc. etc., e, se for o caso, indemnização por despedimento, calculada em função do salário real, e subsídio de desemprego calculado pela mesma fórmula. Escuso de acrescentar, para esclarecer, que as gorjetas nada contam para as garantias enunciadas no parágrafo anterior e que, pelo contrário, diminuem a capacidade reivindicativa dos trabalhadores. .

Consenso alargado a quem?

Última hora (13h25): o ministro da Presidência acaba de saudar o "consenso alargado" sobre o acordo da tróica nacional com a tróica da ingerência a que alguns chamam ajuda. "Alargado"?! .

E se lhes troicássemos as voltas?

Tudo visto e lido, resumindo e concluindo: a tróica da usura internacional trocou as voltas e a tróica do Poder habitual em Portugal vai aplicar o PEC 4, revisto, aumentado e agravado, como estava previsto. A coisa é séria e não vale a pena fazer de conta que não sabíamos, quanto mais não fosse pelas imediatas declarações do líder do actual segundo partido da tróica do Poder alternante, instantes depois de o primeiro-ministro anunciar urbi et orbi o “pedido de ajuda”. A coisa é séria e também não vale a pena fazer de conta que não sabemos que há soluções alternativas. Há, mas só no dia 5 de Junho é que se sabe se o povo está disposto a trocar as voltas à tróica do costume. .      

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

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Hoje é o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Proclamada em 1993 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, acolhendo a recomendação adoptada pela 26.ª sessão da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a celebração serve para alertar os cidadãos para as violações à liberdade de imprensa e para recordar aos governos os seus compromissos na defesa desta garantia, que radica no Art.º 19.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem: Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão. Este direito inclui o de não ser inquietado por causa das suas ideias; o de procurar e receber e difundir, sem limitação de fronteiras, informações e ideias por qualquer modo de expressão . O dia 3 de Maio foi escolhido para assinalar o aniversário da “Declaração de Windhoek” , adoptada em 3 de Maio de 1991, no seminário sobre promoção de uma imprensa africana pluralista e independente realizado pela UNESCO em Windhoek, na Namíbia, mas ...

Vamos dar uma oportunidade ao pluralismo

O Sindicato dos Jornalistas difundiu hoje a sua habitual mensagem alusiva ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se comemora amanhã, 3 de Maio. Trata-se de um importante documento, que concita mais uma vez as atenções para problemas que afectam as condições de produção dos media (como a concentração e a precariedade), e que chama a atenção para um problema a que a convocação de eleições legislativas antecipadas conferiu uma especial actualidade - a contribuição dos jornalistas para a democracia: Dia Mundial da Liberdade de Imprensa - Uma oportunidade para o pluralismo 1. Ao assinalar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa deste ano, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) sublinha a necessidade de reafirmação dos compromissos assumidos pelos estados-membros em matéria de liberdade de expressão, tanto através dos meios de comunicação social “clássicos” como através dos meios digitais. 2. Vinte anos depois da Declaração de Winhoek (Namíbia...

O SJ saúda 1.º de Maio, pela defesa e reforço das conquistas de Abril

Mensagem do Sindicato dos Jornalistas para o 1.º de Maio:  O SJ saúda 1.º de Maio, pela defesa e reforço das conquistas de Abril 1. Os trabalhadores portugueses comemoram hoje o seu dia – o Dia Mundial do Trabalhador – que voltou a ser celebrado em plena liberdade há 37 anos, poucos dias depois da Revolução de 25 de Abril de 1974 que permitiu restaurar as liberdades e criar as condições para o reforço e a conquista de amplos direitos sociais e laborais – a dignificação da negociação colectiva, a criação do salário mínimo nacional e dos subsídios de desemprego, de férias e de Natal, o direito a férias e à reforma para os trabalhadores agrícolas, a instituição do Serviço Nacional de Saúde, entre muitos outros. 2. Trinta e sete anos depois de Abril, os trabalhadores portugueses estão porém ameaçados por novos e mais graves ataques, aprofundando a ofensiva contra os seus direitos realizada ao longo dos últimos anos, da qual são expressão maior o Código do Trabalho, o desemprego...

Telefonia, telefones e... trabalho

Estrela Serrano teria completamente razão (e, no essencial do problema que coloca, tem) se não fosse o pequeno problema de, à hora a que decorrem os programas de "antena aberta", haver uma data de gente que trabalha, que está a trabalhar e não pode usar o telefone - nem para apoiar, nem para contestar, nem simplesmente para fazer perguntas -, a menos que tenha acesso fácil ao telefone da empresa e tempo bastante para usar essa prerrogativa da "participação". Problemas da vida real... .

Poupem a minha digestão sff!

Sabem o que faz almoçar num restaurante com televisores, à espera de ver como vai o Mundo real e o País real? Resposta do dia: levar com uma congestão "Real"! .

Delírio real ao minuto; a crise segue depois da boda

Vai delirante a manhã mediática. Até jornais de referência se afadigam a relatar, nas edições em linha, "minuto-a-minuto", o enlace londrino de dois jovens. Já trocaram alianças, já são casados, já se chamam duque e duquesa de tal, blá-blá-blá. É provável que até os gélidos enviados do trio da usura internacional estejam a seguir a coisa pela Rede e lá tenham rolado uma ou outra lagriminha enternecidas, interrompendo a fria análise das finanças lusas e a congeminação da consumação da intervenção externa que há-de furtar a milhares de jovens casais o direito a uma boda feliz. A crise segue dentro de momentos. Declaração de interesses: Viva a República! .

"Jardim, a Grande Fraude"

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Ribeiro Cardoso conseguiu apresentar hoje, na Livraria Bertrand – Dolce Vita, no Funchal, Madeira, o seu livro “Jardim, a Grande Fraude”, depois de ter sido adiada, por alegada falta de sala de última hora, a sessão marcada para o dia 12 de Abril, num hotel da cidade. Sobre a obra e o autor, duas notas: Primeira – O livro, que pretende radiografar e analisar o jardinismo, na sua génese, na sua circunstância e nas suas consequências, é obra de oficina honesta. Honesta, porque cuida de deixar clara a origem dos materiais utilizados no seu laboratório, abundantemente constituído por recortes de imprensa e bibliografia diversa, além do recurso a dezenas de entrevistas com personalidades, embora nem todas identificadas por razões de prudência. E honesta também porque não ilude ninguém: “não persigo a isenção nem a objectividade absolutas, mito e quimera que por aí correm para acalmar consciências, enganando-as”, anuncia na “declaração prévia”. Segunda – Este livro só poderia ser escrito por...

Casamento "real" e excitação mediática

Tenho acompanhado com indiferença republicana o delírio mediático em torno de um casamento entre um jovem e uma jovem britânicos – ele apresentado como príncipe, ela apresentada como plebeia-porém-futura-rainha – que vai celebrar-se um dia destes em Londres. Eu julgava que havia coisas muito mais importantes e muito mais interessantes para ocupar o precioso tempo das televisões e para mobilizar os seus dispendiosos meios, assim como para preencher espaço tão escasso nos jornais. Mas engano-me, pelos vistos. Ontem à noite, num canal que não me ocorre qual seja, numa daquelas sessões em que os jornalistas derretem o espaço de antena mostrando intermináveis imagens da aldeia (ou seria uma cidade?!) mediática montada à volta do local destinado ao enlace dos prometidos e entrevistando-se uns aos outros, uma enviada de um canal de algures do Planeta dizia esta coisa singela: “são os media que estão excitados com o casamento real, porque os ingleses que eu ouvi nem por isso”. Ora muito bem, ...

Retrocesso civilizacional à Idade Média ou, vá lá, à Revolução Industrial

Em aditamento a este postal : Segundo adiantava a TSF esta tarde, o chamado grupo “Mais Sociedade” (ou um dos seus cérebros) também propõe que se acabe com os tribunais de trabalho e que os diferendos laborais se resolvam numa entidade independente.   E eu que julgava que não havia coisa mais independente do que um tribunal! Acrescentava a TSF que o grupo de cérebros económicos no qual o líder do PSD descansa a maçada de pensar as coisas políticas também propõe acabar com os recibos verdes e com os contratos a prazo. Como??!!... Como quando a esmola é grande, o pobre desconfia, lá desconfiei e a TSF explicou o truque: haveria um contrato único, sim senhor, mas o patrão poderia despedir quando quisesse, mesmo invocando uma figura que os patrões inventaram, que é a das razões económicas, para despedir individualmente. Estão a ver?! Resumindo e concluindo: se estas ideias passarem ao programa do PSD, significa que o poder económico dá mais uma passada no processo de captura do poder p...

As vítimas do costume

Uma das notícias do dia é a revelação, na edição de hoje do “Jornal de Negócios”, de que o “think tank” chamado “Mais Sociedade”, através do qual o PSD externaliza a discussão do seu programa eleitoral, tenciona propor mais um brutal ataque ao Estado social. Segundo antecipa o referido diário, esse grupo de discussão criado a convite de Passos Coelho e financiado pelo PSD, pretende propor que as pensões de reforma sejam penalizadas de acordo com o tempo em que os trabalhadores tenham estado desempregados. O objectivo é reduzir as despesas com subsídios de desemprego, explica o jornal. Tal proposta, que não aparece acompanhada por qualquer medida de protecção do emprego e de efectiva dificultação do despedimento, parece partir de uma premissa que de todo não se verifica – a de que o desemprego resulta da vontade do trabalhador. Mais: por desconhecimento indesculpável ou por cinismo condenável, ignora que, com muita frequência, inúmeros trabalhadores são despejados pelas empresas no dese...

Não se faz perguntas chatas, viu?!

Outro! Parece que virou moda deputado tirar gravadores a jornalista... .

A Assembleia Nacional há 37 anos

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Há 37 anos, já o poder fascista estava em desgraça havia longas horas e ainda a Assembleia Nacional teimava na sua encenação institucional, tentando reunir-se como se nada se passasse. Só não teve quórum: O Sr Presidente: - Responderam à chamada 49 Srs. Deputados Não há número para a Assembleia funcionar em período de antes da ordem do dia. Antes de encerrar a sessão, nada acho de melhor para dizer a VV. Ex.ªs. do que recordar-lhes uma frase eterna. «Tal como noutra terra e noutras circunstâncias, muita gente espera de nós que cumpramos o nosso dever». Nesta confiança, nesta certeza, e na esperança que ma dita, marco sessão para amanhã, à hora regimental, tendo como ordem do dia a ordem do dia fixada para a sessão de hoje. Está encerrada a sessão. Eram 15 horas e 43 minutos Fonte: Diário das Sessões da Assembleia Nacional n.º 56, de 26 de Abril de 1974, relativo à sessão de 25 d Abril .

Abril na Avenida

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Agenda. .

Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor

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Hoje é o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. Proclamado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e comemorado desde 1996, no dia em que se assinala a morte de dois dos mais importantes vultos da literatura universal – Miguel de Cervantes e William Shakespeare, a 23 de Abril de 1616. Com a celebração, a UNESCO pretende prestar homenagem ao livro e aos seus autores e incentivar todos, especialmente os mais jovens, a descobrir o prazer da leitura e a respeitável a insubstituível contribuição dos criadores para o progresso social e cultural. Assinalada numa época de profundas transformações tecnológicas que estão metamorfoseando as formas de apresentação do livro, a efeméride reveste um importante significado também num mundo que se agita e confronta com as suas contradições. Justamente, os livros “são os melhores mensageiros da tolerância”, observa a directora-geral da UNESCO, Irina Bokova, na sua mensagem alusiva ao Dia Mundial ...

"A Flor de Abril"

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Agenda. A flor de Abril, já se sabe, convencionou-se, é o cravo. Falo de Abril da Revolução. Portanto, é o cravo, mas é o cravo vermelho. Insisto no pormenor pelo significado profundo do símbolo e pelo ponto de partida da novidade editorial que amanhã dia 23, aliás, Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, pelas 16 horas, é apresentada na FNAC de Santa Catarina (Porto). "A Flor de Abril" assim se intitula a estreia literária do jornalista ("Jornal de Notícias") Pedro Olavo Simões, destinada a contar às crianças o 25 de Abril e a lembrar aos pais que, afinal, a revolução sempre aconteceu e que trouxe muitas coisas importantes de que às vezes esquecemos...   .

SJ denuncia contratos espoliadores dos direitos de autor

Por ocasião do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, que se assinala no dia 23 de Abril, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) associa-se à campanha europeia de denúncia dos contratos espoliadores dos direitos de autor e exige remunerações justas para os jornalistas . .

Dormência pascal e Revolução

O país entrou em dormência pascal. Os intrusos do trio FMI-BCE-CE talvez gozem as delícias da Lisboa solar no aparente remanso polítco e na aparente demissão cívica. Deixai-os... Domingo à noite e segunda-feira durante o dia, é preciso encher as ruas, é preciso encher as praças, é preciso encher as avenidas. Nessa noite e nesse dia, o povo estará a festejar Abril – e a exigir que Abril se cumpra, sempre!   

Depois da troika, Schwarzenegger?

Transcrevo, sem comentários (desculpem o título...) e não replicando a fotografia da personagem referida infra (por respeito pelos direitos de autor), uma mensagem viral de correio electrónico que recebi de correspondente credível: Dio mio, come siamo cadutti in basso! (Meu Deus, como caímos tão baixo!) Schwarzenegger à la tête de l’Union Européenne ? Arnold Schwarzenegger aurait des vues sur la présidence de l’Union Européenne, rapportent les médias américains. À 63 ans, l’ancien « Monsieur Univers », d’origine autrichienne, s’interroge toujours sur son avenir politique et son entourage lui conseillerait de revenir en Europe pour se présenter à la présidence de l’UE, selon le magazine Newsweek. «Dans les prochaines années, l’Union Européenne va devoir se trouver un président de plus grande envergure, quelqu’un capable d’unifier l’Europe », a déclaré au magazine Terry Tamminen, l’ancien chef de cabinet de M. Schwarzenegger. «Les Français ne voudront pas d’un Allemand, et les Alle...

"Ajuda externa" e neutralidade jornalística

Reparem bem: a generalidade dos media refere-se à intervenção do trio constituído pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela Comissão Europeia (CE) como a "ajuda externa". Basta acompanhar superficialmente as notícias para perceber que, no arco político, nem todas as forças consideram tal coisa uma “ajuda” e que, pelo contrário, pelo menos dois dos partidos representados na Assembleia da República qualificam tal coisa como uma ingerência e não uma ajuda. Este pequeno exemplo mostra com que eficácia os discursos dominantes ganham terreno num terreno – o jornalístico - cada vez mais acrítico e cada vez menos neutral do que pretende fazer crer. Como me ensinaram há já muitos anos, as palavras têm o seu significado, têm o seu peso, e têm as suas consequências… Ou seja, não há neutralidades grátis. .

Sim, há alternativas!

Sim, há alternativas! Renegociação imediata da dívida externa, quanto aos prazos, aos juros e aos montantes; Diversificação das fontes de financiamento; Concertação da acção com outros países vítimas da especulação financeira e do Euro; Aposta na produção nacional, na agricultura, nas pescas e na indústria, produzindo mais; Redução das importações, a par do aumento das exportações e da diversificação das relações comerciais. Não temos de capitular perante o trio da ingerência externa nem de obedecer à rendição do trio de cúmplices da “salvação nacional”! .

Ainda é preciso fazer mais entrevistas a Fernando Nobre?

Cheguei junto de um televisor, esta noite, no precioso instante em que Fátima Campos Ferreira (RTP) perguntava a Fernando Nobre se tinha decidido votar no PSD antes de Pedro Passos Coelho o convidar para encabeçar a lista (já agora, o que quer que isso signifique...) pelo círculo de Lisboa às próximas eleições legislativas. A resposta foi "não". Está tudo dito, ou é preciso esperar por mais entrevistas para perceber a dimensão cívica deste senhor que ameaça ser a segunda figura do Estado? .

Sobre as tretas antidemocráticas

Há muitos anos que perdi a pachorra para dar troco à conversa da treta antidemocrática segundo a qual não vale a pena votar, os políticos e os partidos são todos iguais, não fazem nada, blá-blá-blá… , e lastimo ouvi-la da boca de pessoas qualificadas e ocupando certas profissões. Vem isto a propósito de declarações de duas pessoas muito na ordem do dia – uma, Fernando Nobre, confirmando que tem uma visão muito estranha de democracia e de intervenção política; outra, António Marinho Pinto, revelando, confesso, uma noção de punição democrática que não esperava nele. O primeiro aceitou ser cabeça-de-lista por um partido (para o caso, não importa qual) com a condição de ser o próximo Presidente da República. Depois de ter afirmado categoricamente (“categoricamente, não!”, dissera) que jamais concorreria por um partido a um cargo político, veio agora dizer (entrevista ao “Expresso”) que aceitou sê-lo com a condição única e exclusiva de que será o próximo Presidente da Assembleia da Repúblic...

Um hospital de mão estendida à caridade

Quando se está fora do país por uns dias, poucos que sejam, o primeiro impulso é procurar sintonizar o rádio do carro numa estação portuguesa à medida que nos aproximamos da fronteira. Como irá o país? Que notícias da crise e da penhora gigantesca ferrada pelo FMI, BCE & C.ª?... Esta noite, a primeira notícia que ouvi falava de um hospital público - a Maternidade Alfredo da Costa - que estendeu a mão à caridade dos utentes. Ao que chegámos! .     

Mensagem da Islândia a Portugal

Há uma mensagem viral sobre a nossa crise que convém ler. Aqui . .

A "Abrilada" de Botelho Moniz foi há 50 anos

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Há meio século, o país viveu sem saber, silenciada nos jornais, uma tentativa de golpe de Estado dentro do próprio regime que talvez tivesse mudado o rumo da guerra colonial que ainda estava no início. O pronunciamento do ministro da Defesa, Botelho Moniz, e outros governantes acabou no ridículo e o presidente do Conselho proferiu o decisivo grito de guerra. “Andar rapidamente e em força (para Angola) é o objectivo que vai pôr à prova a nossa capacidade de decisão”, declarou Oliveira Salazar numa comunicação via rádio e televisão, após a Emissora Nacional anunciar, pouco depois das 15 horas do dia 13 de Abril de 1961, a exoneração dos ministros da Defesa, general Botelho Moniz, cuja pasta foi assumida pelo próprio presidente do Conselho, e do Exército, coronel Almeida Fernandes, do subsecretário de Estado do Exército, tenente-coronel Costa Gomes, e do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Beleza Ferraz, e outras altas figuras. Enquanto começava a posse dos novos mem...

Jornalistas, redes sociais e liberdade de expressão

Volta e meia, volta à superfície a tentação de refrear a liberdade de expressão dos jornalistas que utilizam as redes sociais para expor opiniões sobre assuntos que lhe interessam ou que interessam colectivamente outros jornalistas, outros trabalhadores e os cidadãos. Este caso mostra como vai a tentação de reprimir a livre defesa de direitos. A acompanhar. .

"Terminou o seu tempo, senhor deputado"

Consta que Fernando Nobre encerrou a sua página no Facebook por não aguentar a enxurrada de críticas à sua cambalhota. Ainda não foi eleito e já corta a palavra... .

A Democracia, "os principais partidos" e os discursos dominantes

Não queria ser aborrecido nem causar enfado escusado às minhas leitoras e aos meus leitores, às cidadãs e aos cidadãos em geral e às eleitoras e aos eleitores em particular. Mas gostaria de tomar-lhes uma breve porção do tempo precioso para chamar a atenção para uma estranha inovação semântica nos discursos e na narrativa da crise que muito me incomoda e que, salvo melhor e mais qualificada opinião, me parece nada democrática. Consiste, essa inovação, na introdução de uma figura política chamada “os principais partidos”, sem que alguém viesse autorizadamente explicar que figura é essa, com que critérios e com legitimidade tal figura nos é imposta no discurso dominante, seja no discurso dos políticos dominantes, seja no discurso dominante nos media . Felizmente, as tecnologias do capitalismo – que a gente pode pôr ao serviço da luta de classes (valha-nos ao menos isso!) – ainda nos permitem um arrimo para mostrarmos sem grandes delongas ao que vimos. Basta, para o caso, escrever entre a...