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Diário Off (4)

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Desinfectante. “Qualquer substância, como o creosoto ou o álcool, aplicada em objectos inanimados para matar microrganismos. Desinfectantes e anti-sépticos são idênticos, já que ambos são germicidas, mas os anti-sépticos são aplicados principalmente em tecidos vivos”, reza a Enciclopédia Britânica (em linha), num verbete que suponho ao alcance do inglês rudimentar de Donald Trump. Os norte-americanos, que pregam democracia e ciência por todos os cantos da Terra, tiveram a desdita de eleger como presidente um tosco ignorante e atrevido e louco que, embora não estando sozinho (desenganem-se os que pensam que o programa e as decisões da Casa Branca são obra solitária e insana de Trump), se permite as intervenções mais estapafúrdias e perigosas. Dá-se o caso de, tendo ouvido da boca de um cientista notas relativamente animadoras sobre a inactivação do coronavírus responsável pela pandemia de Covid-19 pela acção das radiações solares e de desinfectante (referindo-se certam...

Diário Off (3)

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Futuro. “Que vai acontecer ou existir no tempo que há-de vir”. Cito do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea , da Academia das Ciências de Lisboa, obra de fiar. As crises, especialmente as pandémicas, como esta, têm este duplo efeito – de retrospectiva, convocando as pestes e epidemias do passado; e de prospectiva, cuidando de apurar, cientificamente, bem entendido, o que virá lá longe. A muito significativamente Comissão para o Futuro do Homem, da Universidade Nacional da Austrália, acaba de publicar um novo relatório avisando para dez riscos globais potencialmente catastróficos para a espécie humana e pedindo um plano de acção para que a Humanidade possa sobreviver-lhes e oferecer-nos um futuro menos sombrio. Eis o elenco, a frio e sem comentários: Alterações climáticas Declínio ambiental e extinção de espécies Armas nucleares Escassez de recursos Insegurança alimentar Novas tecnologias perigosas Sobrepopulação Poluição química global Doenças pandé...

Diário Off (2)

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Confinamento. “Acto de efeito de confinar(-se)”, ou “acto ou efeito de isolar(-se) em dado lugar < monges vivem em c. nas suas celas >”, ensina o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa . Portanto, vai em 40 dias que me confinei, que me confinaram. Porém, deixaram por minha conta e risco os elevadores dos estores, os manípulos das janelas e da porta da varanda e os interruptores e comandos de toda a quinquilharia tecnológica posta ao alcance da humanidade para que possa observar-se universalmente ao espelho quer que viva um átomo de gente. É assim que vejo o mundo à minha volta e muito mais do que vai além da barreira dos prédios em redor, que alcanço incomensuráveis léguas de distância para lá dos montes que julgam limitar-me a Nascente e percorro incontáveis milhas sobre o mar que consigo enxergar a Poente.   O olhar, à vista desarmada, e os sentidos em geral detectam sinais de vida anormal. Há – ouve-se, vê-se, sente-se – crianças a brincar mais. O parque ...

Diário Off (1)

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Lay-off . Grafa-se em itálico e leva hífen. Escapou do reduto lexical exclusivo de juristas, dirigentes patronais e sindicais em que vivia, e irrompeu com toda a força no quotidiano jornalístico, chegou ao vulgo e anda na boca de toda a gente – uma espantada, outra aflita. Não há dia sem um ror de notícias em abundantes referências ao termo. Na Internet, engrossam uma torrente inesgotável e avassaladora, estimada em pelo menos 713 milhões de “entradas”, segundo me devolveu há minutos o mais popular motor de busca. Com estas e com outras, lay-off rivaliza com coronavírus, pandemia e Covid na disputa pelo título de palavra do ano. O dicionário em linha da Porto Editora já registou o neologismo , no caso, incorporando directamente um estrangeirismo. Significa – abreviemos – a suspensão ou a redução do horário de trabalho, que é como quem diz cortar no rendimento de quem trabalha. Mais de um milhão de trabalhadores foi já atingido e a ameaça intensifica-se. Tal ...

A simplificação absoluta do poder do patronado

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É urgente não perder de vista a defesa dos direitos dos trabalhadores e o reforço das suas organizações A presente pandemia de Covid-19 pôs muito bem à vista o quanto o Governo PS agasalha de forma muito cuidadosa os interesses do capital e do patronato, deixando bem a descoberto direitos dos trabalhadores e das suas organizações representativas. A pretexto da emergência e da necessidade de medidas urgentes de apoio às empresas, as comissões sindicais e trabalhadores estão impedidas, na realidade, de obter informação rigorosa, de discutir e de contrapor às medidas de suspensão ou redução do horário normal de trabalho em largos milhares de empresas. O chamado regime do “ lay-off simplificado” demonstra-o bem, ao simplificar absolutamente, e em prejuízo exclusivo dos trabalhadores, preterindo de facto as importantes formalidades impostas pelo Código do Trabalho (artigos 299.º e 300.º) e banalizando, sem qualquer escrutínio, o que deveria ser excepção. Onde o Código d...

Vergastadas pascais em nome da "tradição"

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Chibatadas de mariolas checos a jovem rapariga, em nome da "tradição". A foto é da AFP, via BBC Conta a BBC que, graças à pandemia de Covid-19, foi suspensa, nesta Segunda-feira de Páscoa, uma antiga "tradição popular" nos meios rurais da República Checa, que consiste num bando de mariolas perseguir raparigas e mulheres vergastando-as nas pernas e nas nádegas. Diz que essa "tradição", que aliás é referida nalgumas informações em linha sobre turismo, que essa inacreditável violência e essa humilhação são um ritual de fertilidade. É lamentável que tenha sido necessária uma tragédia para "suspender" tamanha ofensa às mulheres. Mas é exigível que se lhe ponha termo de uma vez por todas.

O vírus do oportunismo

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Estou a matutar no modo mais eficaz de enviar um pedido à OMS, para que encarregue um consórcio científico internacional de estudar um novo e perigoso vírus - o do oportunismo da Saúde privada.  Explico: a ministra da Saúde está fartinha de explicar que apenas serão pagas pelo Estado aos hospitais privados as despesas com doentes com Covid-19 para eles encaminhados pelo Serviço Nacional de Saúde.  Lido de outro modo: as pessoas que optarem por acorrer aos hospitais privados por sua própria e livre vontade e iniciativa pagarão - elas ou os seus seguros - as despesas que ali forem feitas.  Sucede que há uma estranha dificuldade em compreender este raciocínio tão cristalino. Numa conferência de imprensa, perguntada sobre este estranho tema e sobre como farão as pessoas que vão à privada sem dar cavaco prévio ao SNS, Marta Temido respondeu com uma pergunta muito singela: "Como é que faziam antes?" É preciso fazer um desenho?   

Tempos estranhos. Títulos obrigatórios

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Uma determinada exige, como requisito imprescindível, que se preencha obrigatoriamente, num formulário electrónico para fazer uma simples pergunta, o campo relativo ao "título".  Para além do ridículo da exigência (não, o formulário não "segue"!), o dito apresenta apenas três hipóteses: "Sr.", "Sra." e "Dr.".  Se for engenheiro, como aquele ministro que repreendeu o jornalista - "não sou doutor, sou engenheiro" -, ou arquitecto, ou enfermeiro, ou... "Dra", bem fica sem comunicação. Este capricho digital é muito curioso, quando campeia por estes tempos, não sei se na mesma empresa, mas conheço outras, o tratamento muito tu-cá-tu-lá: o Alfredo isto, o António aquilo... Para concluir, não levem a mal, mas que tem a sua laracha, tem.

Uma Constituição "tão justa que seja digna dos trabalhadores de Portugal"

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Exemplar da Assembleia da República Passam hoje 44 anos sobre a aprovação da Constituição da República Portuguesa, a 2 de Abril de 1976. Iniciados em pleno “Verão Quente” e prolongados para além do 25 de Novembro, os trabalhos da Assembleia Constituinte constituíram um desafio extraordinário que em boa medida corresponderam à vibrante exortação do Presidente da República, General Costa Gomes, na sessão inaugural, em  2 de Junho de 1975 : “É tarefa para génios gizar uma Constituição revolucionária, tão avançada que não seja ultrapassada, tão adequada que não seja flanqueada, tão inspirada que seja redentora, tão justa que seja digna dos trabalhadores de Portugal. “Srs. Deputados: Em nome dos mais humildes, das classes mais desfavorecidas, que desejam, na luta do trabalho diário, o avanço da nossa revolução, vos peço que minimizeis os vossos interesses partidários, subordinando-os à consciência afinada pelos interesses maiores da Pátria e do povo de Portugal”.  ...

Pela adesão de Portugal ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares

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No mês em que se assinalam os 70 anos do lançamento do Apelo e Estocolmo pelo fim das armas atómicas, o Conselho Português para a Paz e Cooperação, em conjunto com outras organizações, lança uma nova petição "Pela adesão de Portugal ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares - Defender a paz é defender a vida", que convidamos todos a subscrever e a divulgar. A subscrição pode ser efetuada em https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=ProibirArmaNuclear Pela adesão de Portugal ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares Defender a paz é defender a vida As armas nucleares são uma das mais graves ameaças que pendem sobre a Humanidade. O desarmamento geral, simultâneo e controlado defendido na Constituição da República Portuguesa – e, neste âmbito, o desarmamento nuclear – constitui um importante passo para a salva...

Teletrabalho: cuidado com a ratoeira!

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À força de tanta urgência e de tanta inexperiência, instalou-se e generalizou-se, até no discurso oficial e mesmo de sindicatos, a ideia de que os trabalhadores que foram colocados em casa a prestar serviço com recurso a tecnologias de informação e de comunicação (TIC) se encontram em teletrabalho. Salvo melhor entendimento, creio que seria mais ajustado falar-se em prestação de trabalho por meios remotos, num compromisso temporário imposto pelas condições sanitárias adversas e aceites tacitamente por empregadores e empregados ao seu serviço. Sucede, em boa parte dos casos, que os computadores, demais equipamentos e eventuais consumíveis, assim como os dados, são propriedade e encargo do trabalhador. Ora, se bem o entendo, o regime jurídico do teletrabalho implica, entre outros requisitos, incluindo em termos de horário de trabalho, que se convencione por escrito a propriedade dos instrumentos de trabalho, o responsável pela respectiva instalação e manutenção, bem co...

O jornal de greve "JN Em Luta", em memória de Paulo F. Silva

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Exemplares do jornal de greve "JN Em Luta" e "provas de página" Sempre discreto, sereno e generoso, o Paulo F. Silva foi um activista sindical de grande eficácia, especialmente nos momentos em que era necessário dar corpo às ideias e concretizar em acções os propósitos de luta. Das lutas que travámos no JN, recordo de forma muito particular a greve de 9 e 10 de Junho de 2006, decidida pelos jornalistas para forçar a Administração da Global Notícias (controlada, desde Setembro de 2005, pela Olivedesportos) a negociar um conjunto de reivindicações de natureza salarial. Conduzida pela Direcção e pelos delegados do Sindicato dos Jornalistas, a jornada incluiu a produção de um jornal de greve - o "JN Em Luta" - pelos profissionais empenhados na paralisação. Foi uma aventura extraordinária, de verdadeiro jornalismo de combate, de causa - a nossa causa - com um propósito muito claro: explicar de viva voz aos leitores do JN que objectivos nos an...

Paulo F. Silva

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Um sorriso luminoso, único, irrepetível. A foto é do grande João Paulo Coutunho, a quem peço emprestada  Quando o telefone toca e do outro lado chega um fio de voz tolhido pela comoção que começa por perguntar "estás bem?", uma súbita suspeita assoma. Estou, por quê? "Já sabes?... O Paulo Silva..." Também tu, Paulo! Também tu nos deixas, assim, atarantados nestes desorientados dias de crise, à míngua de sorrisos como os teus, daqueles que desarmavam o desânimo dos momentos difíceis e ajudavam a recomeçar - a pensar, a agir? Obrigado pelo teu exemplo de camaradagem - no jornal e no sindicalismo - e sobretudo pela enorme lição com tanta, e tanta resistência!

Impulso infantil ou fanfarronada de propaganda

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Vão muito estranhos, estes tempos. Eu suponha que, sobretudo em tempos de crise, os líderes políticos devem estar firmes nos respectivos postos, precisamente chefiando os seus partidos na contribuição para a sua resolução e na fiscalização das medidas decididas. Sem querer julgar o carácter do líder do CDS, o que parece é que ou Francisco Rodrigues dos Santos não resistiu ao impulso infantil de mostrar o sangue da guelra militar que lhe circula nas veias por ascendência castrense, ou transformou em fanfarronada de propaganda a generosidade de um voluntariado anónimo de que as Forças Armadas estavam certamente à espera. Aguarda-se, em todo o caso, o desenvolvimento da notícia.

Cofina desiste da compra da Media Capital

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Paragem de emergência A Cofina  anunciou hoje a desistência da compra do grupo Media Capital . Trata-se de uma muito boa notícia. Infelizmente, as autoridades que o deviam não se opuseram à hidra de múltiplas cabeças que representaria o grupo Cofina superconcentrado de meios de comunicação social. Foi necessário um percalço do próprio capitalismo para o evitar. Veremos entretanto o significado concreto e o alcance desta decisão.

Os adversários naturais do CDS

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Ainda a tempo, suponho, duas ou três notas sobre a pequena entrevista concedida ontem pelo presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, à RTP (Telejornal) . A primeira, quanto ao anúncio de que, à maneira de ponto prévio e assinalando a seu modo o Dia Internacional da Mulher, cumpria a sua palavra ao escolher para porta-voz do partido uma mulher, numa “aposta do CDS nas mulheres com mérito e com talento”. Havendo apenas duas mulheres numa comissão executiva de 18 membros (de resto em minoria muito evidente nos órgãos nacionais ), significa que o CDS tem tão poucas mulheres “com mérito e talento”? A segunda, sobre a resposta do líder do CDS-PP, quando perguntado se receia o crescimento de partidos à sua direita, esclarecendo (cerca das 20:45) que o “preocupa muito mais o crescimento à esquerda”. “Os nossos adversários situam-se do Partido Socialista para a sua esquerda”, precisou. Quanto ao mais, “não estou preocupado com nenhum dos outros fenómenos”. ...

O JN e a Trindade, confrades da comunicação

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Passando hoje 32 anos sobre o meu primeiro dia de trabalho no “Jornal de Notícias”, estou a pensar que aquelas a que hoje chamamos “velhas instalações” do JN, construídas de raiz para o jornal (as segundas no Porto, depois das de “O Comércio do Porto”), tinham sido inauguradas havia “apenas” 18 anos. Por outras palavras, a “torre do JN” domina a “baixa do Porto” há já cinco décadas. É um fósforo na história da cidade, é muito na vida de uma pessoa. Mas tem um peso institucional (do tempo em que as instituições da cidade tinham vida e influência…) e um significado muito grandes na memória do Porto, tanto no tecido cultural como na paisagem urbana. Em redor da torre cinquentenária, a paisagem transformou-se, nalguns pontos quase radicalmente, mas nem em todos os casos funcionalmente. Veja-se o caso da estação da Trindade, que nesta imagem, dissimulada por um pano de árvores, quase a oculta. De gare terminal do caminho-de-ferro em via estreita (linhas de Guimarães e Póvoa...

Encontro com Frei Bento Domingues

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Isabel Camarinha, trabalhadora e sindicalista

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Isabel Camarinha no encerramento do XIV Congresso da CGTP (foto: sítio CGTP)  A escolha da nova secretária-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN), Isabel Camarinha, despertou nos media um interesse inusitado pela origem da dirigente, com alguns autores a questionarem, mais ou menos abertamente, de forma mais ou menos capciosa, a legitimidade da eleição. Uma primeira acusação – muito injusta e incompreensível – sustenta que Isabel Camarinha nunca trabalhou numa empresa, privada ou pública, ou sequer num serviço ou organismo público, procurando reduzi-la à condição, que pelos vistos consideram menos adequada, de “funcionária sindical”, sem qualquer ligação ao mundo do trabalho. Acrescentam que toda a vida uma foi uma funcionária do aparelho sindical, sem nunca ter tido um patrão no sentido clássico do termo – nem público nem privado – pelo que a sua ascensão ao lugar de topo da direcção da central quebra uma tradi...

Marega também joga na Palestina e na Venezuela e no Iémen…

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Há uma semana, um jogador de futebol, Moussa Marega de seu nome, abandonou um importante jogo em protesto contra os insuportáveis insultos racistas com que uma horda de adeptos da equipa adversária o visava desde o início do aquecimento antes da partida. O caso deu brado, no país e no estrangeiro, impulsionado pela indignação de inúmeros cidadãos e da própria Imprensa, que se multiplicou em comentários e editoriais, além de primeiras páginas comprometidas e interpeladoras, convergindo na inequívoca condenação do comportamento indigno e intolerável dos espectadores. O “incidente” convocou também debates de naturezas várias, sobretudo nos media , acerca de como conter a onda de racismo e de xenofobia que se apropria do território desportivo e do espaço público em geral, já com afloramentos visíveis e violentos, inclusivamente por parte de elementos de forças policiais, isto é, trazendo ostensivamente à luz do dia o que parecia apenas larvar – e já não era pouco. Não ta...