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Crenças

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Rua de Belém do Pará, Aveiro, Julho de 2012 .

Prémio Porta-estandarte da Democracia

"Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal" Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro, in discurso aos deputados eleitos pelo PSD, 23/7/2012). .

A obscenidade contra o Estado social

O discurso, cada vez mais recorrente entre a direita neoliberal, especialmente a que suporta o Governo, segundo o qual o Estado social em Portugal e na Europa deixou de ser sustentável roça a obscenidade. Apesar das circunstâncias, produz-se riqueza suficiente para a redistribuir de forma mais justa e sustentar efectivamente o chamado Estado social. As conclusões de um estudo para a  Tax Justice Network  sobre as colossais fortunas dos super-ricos escondidas em paraísos fiscais mostram apenas uma parte das origens inexploradas de recursos que poderiam torrnar mais felizes e mais realizados milhões de seres humanos. .     

Peditórios

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Não, não dou para os seguintes peditórios do dia de hoje: O do Presidente da República, que diz (entrevista ao "sol" de amanhã mas com trechos divulgados hoje) que se compreende muito bem que as pessoas andem aborrecidas com o desemprego e com os cortes aos subsídios de férias e de Natal, mas promulgou a Lei do Orçamento com tais cortes e promulgou o novo Código do Trabalho que torna mais fáceis e mais baratos os despedimentos; O do presidente da Comissão parlamentar de Educação, José Ribeiro e Castro, que se fartou de admoestar os professores que protestavam com justa veemência e justificável estardalhaço (com faixa negras e tudo!) nas galerias da Sala do Senado da Assembleia da República contra o ministro da Educação, alegando o dito deputado que eles, professores, haviam quebrado o pacto de lealdade (portar-se bem nas galerias...), mas esquecendo que quem quebrou primeiramente o pacto com os professores foram os dois partidos da maioria e do Governo. .  

Desemprego oficial agrava-se em quase 25%

É fatal como o destino que as tróicas nos querem impor: em Junho passado havia mais 127.250 pessoas inscritas nos centros de emprego do que no mês homólogo do ano passado. Ou seja, o agravamento do desemprego foi de 24,5%. Por outras palavras, as palavras do próprio Instituto do Emprego e Formação Profissional, "no fim de Junho de 2012, estavam registados nos Centros de Emprego do Continente e Regiões Autónomas 645 955 desempregados, representando 81,7% de um total de 790 199  pedidos de emprego" . .

Espreme, espreme, espreme...

Com o habitual e comprometido silêncio do costume da parte da Tróica nacional, a Tróica internacional continua a espremer Portugal e os portugueses. Insatisfeita com as malfeitorias já feitas no rincão lusitano, como as recentes alterações ao Código do Trabalho e os cortes em prestações sociais e nos rendimentos dos trabalhadores do sector público, ainda quer mais cortes nos salários e nos direitos. E assim vai, até ao tutano. Deixaremos que continue a espremer-nos? .  

Voluntários à força do RSI e o negado direito ao trabalho

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Como dizia o Eduardo Guerra Carneiro, isto anda tudo ligado. Estava eu acabar a actualização do meu Código do Trabalho, colando as devastadoras alterações aprovadas pela Lei n.º 23/2012 , de 25 de Junho, quando li, no JN de hoje, o elogio governamental do “voluntariado” como condição para ter o rendimento social de inserção (RSI). Esmiúça-se, e o que se vê?  Os beneficiários do RSI serão obrigados a prestar 15 horas de trabalho semanal numa “actividade socialmente útil”. Eu pensava que ser socialmente útil era ter trabalho, produzir riqueza, pagar impostos e descontar para a Segurança Social. Pelos vistos estava errado. Ser “socialmente útil” é continuar excluído do emprego, auferir um subsídio de sobrevivência e entregar ao suserano dos tempos modernos uma determinada porção de trabalho. Ser “socialmente útil”, não é ter direito a um verdadeiro programa de inserção social, com acesso a formação profissional e valorização das competências efectivamente adquiridas e consequente re...

As obsessões e os cálculos de Portas

O discurso que o presidente do CDS-PP  fez, ontem, na Madeira, mostra mais do que um parceiro de coligação a demarcar-se da ameaça de generalização dos cortes nos subsídios de férias e de Natal que o primeiro-ministro fez, no primeiro comentário à declaração de inconstitucionalidade dos cortes aos subsídios dos trabalhadores da Administração Pública e do Sector Empresarial do Estado. O discurso de Paulo Portas confirma a obsessão contra o Estado e os trabalhadores que o servem; e contra as empresas do sector público e os trabalhadores ao seu serviço. Declarando que não será com ele que “Portugal vai diabolizar a função pública”, ele alimenta realmente essa estratégia que há largos anos tem servido para retirar direitos a estes trabalhadores e afrontar os seus direitos. E não colhe o argumento de que a culpa da dívida pública é do Estado para justificar o sacrifício dos rendimentos dos funcionários públicos e dos trabalhadores do sector público. Em primeiro lugar, porque é mais...

Porto: asseio elementar, precisa-se

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Rua de Sá da Bandeira, junto do cruzamento com a Rua de Guedes de Azevedo, esta tarde O Porto dos dias cinzentos é um Porto triste, mas a gente habitou-se. Não se habitua é à decadência do edificado da cidade nem a ruína larvar da "Baixa", que vai corroendo a auto-estima e prenunciando um fim funesto da urbe que já perdeu o orgulho e é uma gigantesca montra de desmazelo municipal. Não basta à autarquia mandar plantar árvores pelas ruas do centro e alardear uma "nova baixa" no arsenal de propaganda. Bem poderia começar pelo asseio elementar e por simples medidas de salubridade pública, erradicando a recorrente imagem de contentores abarrotando ostensivamente de lixo e conspurcando os passeios - até "na Baixa". .   

Não, não é bonito

Não tive ocasião de ouvir a entrevista que o presidente do Tribunal Constitucional concedeu à Antena 1 (Maria Flor Pedroso), na qual procura explicar o acórdão do TC sobre os cortes de subsídios aos trabalhadores da Administração Pública e do Sector Empresarial do Estado, sobre o qual escrevi sumariamente isto . Pelo eco que tenho da mesma, fiquei porém com a convicção de que o juiz conselheiro Rui Moura Ramos partilha a ideia de que o Estado pode obter mais receitas tributando os lucros e as mais-valias, sustentando - e bem - que os rendimentos tributáveis não são - não podem ser - apenas os rendimentos do trabalho, deixando de fora os rendimentos do capital. Isso é bom. Registo, por outro lado, o tom crispado, verdadeiramente zangado, do primeiro-ministro ao comentar a entrevista do ainda presidente do TC, não resistindo a dar remoques típicos de mau perdedor (classificativo há dias usado por outro membro do Governo, noutro contexto...), ao explicar a posição de Moura Ramos por ...

Prémio Requinte de Oratória Política

"Não estamos a pôr porcaria na ventoinha e a assustar os portugueses." (Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro, no debate do estado da Nação, Assembleia da República, 11/07/2012) .

A greve dos médicos do SNS ouvida numa clínica privada

Já vou falei várias vezes do meu amigo Manuel. Encontrei-o há dias ensimesmado e cheio de ideias de reflexões profundas sobre o interesse laboratorial, para a Sociologia, dos espaços colectivos de Saúde (urgências hospitalares, salas de espera de centro de saúde, etc.), nos quais se vertem e decantam os mais variados problemas e as mais diversificadas e inesperadas angústias das pessoas. Dá-se o caso de o Manuel andar a fazer fisioterapia numa clínica da especialidade que presta tal serviço tanto a doentes "da privada" como municiados do indispensável "P1" do serviço Nacional de Saúde. Atento e inquieto, anda contente como um grilo com a inesperada expressão democrática desses espaços, tal a variedade de personagens que tem conhecido, observado e minuciosamente registado ("tenho material em barda, menino!", exulta). Voltei a encontrá-lo hoje, primeiro dia de uma fantástica greve dos médicos do SNS. Nem de propósito, disse-me o Manuel. E logo tr...

Alerta para cortes nas dotações da RTP e da Lusa

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou hoje "demagógicos e perigosos" os esclarecimentos do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, prestados ontem na Assembleia da República sobre novos cortes nas dotações estatais da RTP e da Agência Lusa e voltou a condenar a privatização (ainda parcial) da RTP. .

Demagogia e sobranceria

O presidente da Comissão Liquidatária dos Serviços Públicos de Comunicação Social*, Miguel Relvas, levou hoje longe de mais a demagogia do Governo relativamente à RTP e à Lusa, ao tentar comparar os custos da primeira com os custos de hospitais de capital importância (de Santa Maria, em Lisboa, e de S. João, no Porto), e ao valorar as transferências do Estado para a segunda. Pelo caminho, ao responder, na Comissão para a Ética, a Sociedade e a Cidadania da Assembleia da República, a uma pergunta de uma deputada da oposição** sobre se tem condições para liderar o processo de privatização da RTP, o ministro evidenciou uma intolerável sobranceria ao responder-lhe que não foi a ela nem ao respectivo partido que os portugueses escolheram para liderar tal processo. A mim, que sou incompetente em Ciência Política, sempre me parece que os parlamentares foram todos escolhidos pelos portugueses que votaram, ainda que eu tenha pena que os resultados não fossem diferentes e que inúmeros po...

As pessoas sérias não se metem em política?

A propósito de situações várias que escuso de aqui nomear, pessoa que muito estimo dizia-me hoje, mais ou menos por estas palavras: "É por isso que as pessoas sérias não se metem, ou não deviam meter-se, na política". Discordei. Pela comprovada seriedade de muitas pessoas que conheço na Política e também porque, a ser assim, a Política estaria irremediavelmente entregue a um bando de malfeitores e as nossas vidas estariam de tal modo transformadas num inferno que só emigração para outra galáxia poderia salvar-nos. .

Confirma-se: salários estão a baixar

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O "Jornal de Notícias" dá hoje a manchete - 147 mil trabalhadores recebem menos de 310 euros por mês - a uma evidência muito clara: os rendimentos dos trabalhadores são realmente baixos, a ponto de dois em cada três ganharem menos de 900 euros. E se alguém duvidava da degradação, isto é, da redução real dos salários, o gráfico publicado no trabalho de Ilídia Pinto mostra os patrões detêm um desmesurado poder para esmagá-los: Depois destes dados, resta perguntar, por que "gorduras" salariais vai o Governo cortar agora. .  

As confirmações de um acórdão do TC

Como era de esperar, o Acórdão n.º 353/2012 do TribunalConstitucional e as declarações e os acontecimentos que lhe sucederam virem confirmar várias coisas. Por exemplo:  1. A evidente contaminação do Tribunal Constitucional pela inaceitável ideologia da inevitabilidade e da resignação ao imperativo do cumprimento das nossas “obrigações”. 2. A suspensão dos direitos constitucionais dos portugueses, despudoradamente secundados e subjugados sob o peso da suprema e definitiva autoridade do directório da finança internacional. 3. A clamorosa cedência da soberania nacional. 4. O Governo e a maioria parlamentar, não obstante as aparentes dissensões no PSD e na coligação PSD/CDS-PP, não se desviarão um milímetro dos seus objectivos. 5. Serão sempre os trabalhadores e jamais os patrões e os ricos a pagar a factura, que obviamente está e continuará a estar endossada aos trabalhadores. 6. O PS bem pode fazer as suas diatribes de circunstância, mas não vai desviar-se do eixo de p...

Relvas e o suposto mau perder dos outros

O ministro Miguel Relvas sustentou, esta noite, que "há quem tenha mau perder" para querer continuar a discutir a inacreditável decisão da Entidade Reguladora para a Comunicação Social sobre as gravíssimas suspeitas que recaem sobre si. Segundo noticiam os meios de informação em linha, citando ou transcrevendo um despacho da Agência Lusa, Miguel Relvas disse: "A ERC foi muito clara. O relatório é claro e objectivo e sempre estive tranquilo". Pois fique S. Exc.ª sabendo que a decisão da ERC não é nada clara nem objectiva . .  

Vaias

As vaias a membros do Governo somam em seguem. São sinais. .

O deputado dos gravadores foi condenado

O deputado Ricardo Rodrigues, do Partido Socialista, foi hoje condenado por se ter apropriado ilicitamente dos gravadores de dois jornalistas ao serviço da "Sábado" que o entrevistavam, em Maio de 2010, no que foi considerado um atentado à liberdade de informação. A pena pode não ser pesada, mas, como comentou o Sindicato dos Jornalistas , sinaliza junto dos cidadãos que, afinal, ao contrário do que tantas vezes se pensa, ninguém está acima da Lei. Quanto mais não fosse, por isso já valeu a pena. .  

Dos livros e da margem para a austeridade

Há muito tempo que não o via. Cruzei-me hoje com o meu amigo Manuel, na entrada de uma livraria que gostamos de frequentar. Estava ele de saída e eu de entrada. Mas isto não é novidade. A novidade é que ele não levava um único livro. Foi então que percebi o alcance da vaga e misteriosa afirmação desta madrugada do senhor Fernando Ulrich, a fazer fé nas notícias do dia , segundo a qual ainda há por aí muita margem de manobra para a austeridade.  .

Prognóstico político

O debate e os sentidos de voto da discussão de hoje da moção de censura ao governo proposta pelo Partido Comunista Português confirmam que o Partido Socialista pouco ou nada aprendeu com um ano de governo de direita e as suas políticas de violentação sobre os trabalhadores e o povo. É muito provável que o PS ganhe as próximas eleições legislativas, cuja antecipação não se descarta, tendo em conta a carga cada vez mais insuportável que pesa sobre os ombros dos cidadãos. Mas não ganhará por mérito próprio, mas sim porque o condicionamento reinante confirmará o "bipartidismo" como alternativa artificial à real alternativa à alternância que nos governa há mais de três décadas. .

Portugal-mesmo

O Presidente da República foi recebido, hoje, em Guimarães, por protestos populares contra a promulgação do Código do Trabalho e a cumplicidade de Cavaco Silva com a violenta política de austeridade que está a destruir o país. Com os seus habituais dotes acrobáticos, escusou-se comentar o facto, nas declarações aos jornalistas, e preferiu elogiar os feitos de Guimarães-cidade-capital-europeia-da-Cultura-e-cidade-fundadora-de-Portugal. O pior é que, se não nos pomos a pau, lá se vai o Portugal-mesmo... .  

Não é preciso ser génio em Finanças Públicas

O primeiro-ministro bem pode andar pelo mundo a pregar a ilusão da recuperação e a lenga-lenga do "respeito" com que "outros países e os mercados" olham para esta nação de cócoras, mas a evidência dos números - da Direcção Geral do Orçamento, não os da oposição! - não deixa margens para dúvidas quanto ao afundamento rápido e dramático do país: o défice do Estado aumentou; diminuíram as receitas fiscais especialmente de empresas e aumentaram os encargos com os subsídios de desemprego, etc. Não é preciso sem mago nem um génio em Finanças Públicas para antever o desastre em que a Tróica Nacional lançou Portugal e do qual não quer tirar-nos.  .  

Caso Relvas: apure-se até ao limite

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) anunciou hoje que vai requerer a reapreciação da deliberação do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (CR da ERC) relativa à denúncia, pelo Consellho de Redacção do "Público", de ameaças, pelo ministro Miguel Relvas, de boicote informativo do Governo ao jornal e de divulgação de dados da vida privada da jornalista Maria José Oliveira. Em concreto, o SJ considera que o CR da ERC não esgotou os meios de prova ao seu alcance para ultrapassar a contradição de testemunhos entre o ministro Miguel Relvas e a editora de Política do "Público", Leonete Botelho, pelo que deve promover uma acareação entre ambas as testemunhas decisivas no caso. .

As decisivas 72 horas do Planeta

"Tenho 17 anos, sou uma criança - a vossa criança", apresentou-se. Brittany Trifold, estudante neozelandesa escolhida por 350 organizações não governamentais para falar na primeira sessão plenária da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que decorre no Rio de Janeiro até sexta-feira, enfrentou os senhores do Planeta (193 países participam no Rio+20), olhos nos olhos, para pedir-lhes contas das promessas feitas há 20 anos (Cimeira da Terra, 1992): "Fizeram enormes promessas, que eu li e me fizeram ter esperança". De facto, "os senhores e os vossos governos prometeram reduzir a pobreza e tornar o ambiente sustentável; prometeram combater as alterações climáticas; assegurar água limpa e segurança alimentar...", enfim, promessas que "nem sequer foram quebradas, mas estão esvaziadas", ia dizendo, o olhar claro enfrentando com firmeza a plateia, interpelando-a. "Nós, a próxima geração, exigimos mudanças, exi...

Rio + 20 = Eco-desilusão

Algumas chancelarias podem estar exultantes e muitos delegados à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável podem estar a respirar de alívio, mas o "consenso" sobre a proposta de texto a apresentar formalmente à cimeira de alto nível representa a mais completa desilusão, ao: Não estabelecer objectivos e metas concretas; Confirmar que não será aceite a criação do fundo para o desenvolvimento sustentável; Confirmar a rejeição de criação de uma agência da ONU para o Ambiente. Só não se percebe por que razões o Brasil canta vitória - com a "vitória do multilateralismo" - quando os resultados não chegam, para já, e não se crê que venham a chegar, à sombra dos de há 20 anos... .

Pilatos não faria melhor

Sem que constitua novidade, o Presidente da República promulgou hoje a revisão do Código do Trabalho. Cavaco Silva torna-se assim cúmplice num brutal ataque aos trabalhadores, mas a nota da Presidência da República , que vale a pena ler ponto por ponto, procura alijar as responsabilidades e larga-as sobre os ombros de outros - a Tróica, que é quem realmente manda no país; e o PS, que se absteve - sem deixar de referir que "apenas 15% dos deputados" votaram contra. Pilatos não faria melhor.  .

A paciência lusitana

O primeiro-ministro elogiou esta noite a "extrema paciência dos portugueses" que suportam a canga dos sacrifícios cujo peso tem sido severamente aumentado pelo Governo. E julga que nos leva com palavrinhas mansas... .

Novos recados da Tróica internacional

Portugal gaba-se de ser bom vassalo da Tróica internacional, mas a Tróica do capital quer um vassalo ainda mais obediente, de joelhos irremediavelmente em terra, a destruir a economia nacional e o tecido social e os direitos dos trabalhadores e por aí fora. No recado que hoje deixou, lá vem declarar que as suas consignas têm sido levadas mais do que à risca - mesmo que deixem o país de tanga, mais do que à rasca - mas que, "contudo, são urgentemente necessárias mais medidas para melhorar o funcionamento do mercado laboral" Tais medidas, acrescenta um comunicado do Fundo Monetário Internacional , "incluem reformas institucionais que permitam às empresas maior flexibilidade para ajustarem os custos do trabalho e a produtividade". .

Os salários do Dr. Borges

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Há um senhor, português, António Borges de seu nome, volta e meia quase idolatrado pelos media  nacionais, que voltou à ribalta porque se soube, poucos dias depois de o mesmo ter defendido a redução dos salários miseráveis dos portugueses, que, entre Novembro de 2010 e Novembro de 2011, ganhou a ninharia de 225 mil euros, ou seja, 16 mil euros por mês (contanto 14 meses, admitindo que ganhe subsídios de férias e de Natal), evidentemente livres de impostos. Há um Governo, liderado pelo partido do Dr. Borges, que contratou o propriamente dito para consultor do Governo para a área das privatizações e das parcerias público-privadas mas que, segundo o "Correio da Manhã" de hoje, que revela aliás o estranho caso dos vencimentos do Dr. Borges, não revela quanto ganha o dito Dr. Borges ao serviço do Estado para, pelos vistos, debitar as dicas agora na ordem do dia. Há demasiada pouca-vergonha nisto tudo. Mas a culpa, como ainda esta tarde ouvi de um velho tipógrafo, não é d...

Longa vida à capital do Mundo e do Bife

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À atenção do senhor Ministro da Dissolução das Autarquias Locais e do senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros:  Por evidentes razões de soberania gastronómica, roga-se a Ss. Exas. que a freguesia de Alvarenga, concelho de Arouca, distrito de Aveiro, jamais seja extinta ou fundida e que todas as missões diplomáticas, estáticas ou móveis, passem a representar os superiores interesses da raça... arouquesa. Agradecidos. .

Juventude SMN

O Governo está apostado em pôr o Estado a financiar as empresas e nem se importa de descapitalizar a Segurança Social, nem de amesquinhar os jovens que legitimamente aspiram a ter um emprego, nem de fazer figura de parvo. Se dúvidas havia, veja-se a proposta, "em cima da mesa", de reduzir a taxa social única às empresas que contratem jovens a ganhar o salário mínimo nacional. O que será que dizem desta violência e deste cinismo as jotas do PSD e do CDS? .

Delegações da Lusa, uma causa justa

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No calendário da Administração da Lusa - Agência de Notícias de Portugal, hoje será o último dia das delegações da agência em Coimbra, Évora e Faro.  Apoiada pelo silêncio e pelas omissões do Governo , ela quer levar à prática o que todos sabemos  ser um erro - e ainda por cima com violação de   direitos dos jornalistas e com violação da própria lei, como fartamente tem alertado o Sindicato dos Jornalistas, e contrariando um extenso, significativo e diversificado movimento de cidadãos e de instituições, especialmente em Coimbra. É por isso que justo continuar a defender uma causa justa.

Repugnante

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou hoje "repugnante" e "própria da PIDE-DGS" a espionagem ao jornalista Ricardo Costa, director do semanário "Expresso", e exige aos poderes constitucionalmente constituídos - o judicial incluído - o apuramento de responsabilidades e a tomada de medidas.  Em comunicado , o SJ considera que " trinta e oito anos depois do 25 de Abril, os jornalistas têm razões de sobra para recear que as suas vidas e as vidas dos seus familiares e dos seus amigos estejam a ser monitorizadas, espiadas, controladas ilegalmente – sabe-se lá por quem, a soldo de quem ou de que interesses" "Nunca como desde há quase um ano, quando foi espoletado o caso da listagem de comunicações do jornalista Nuno Simas, a Democracia esteve tão dramaticamente em causa", acrescenta. .  

Caso Relvas vs "Público": dez importantes perguntas

Aqui estão dez importantes perguntas para ajudar a esclarecer a fundo o caso Miguel Relvas versus "Público". .  

Ameaças inadmissíveis

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas exigiu esta noite o esclarecimento urgente e cabal de graves imputações feitas ao ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, segundo as quais o responsável governamental pela área da Comunicação Social ameaçou o "Público" de boicote informativo por parte da generalidade dos ministros e de publicar na Internet dados sobre a vida privada de uma jornalista. Evidentemente que, se forem compradas as acusações, o Dr. Miguel Relvas deixa de ter condições para continuar a ser ministro, ainda para mais da Comunicação Social. É o mínimo que se pode exigir. .

Oficialmente, 819,3 mil desempregados

Pelo menos 819,3 mil pessoas - 14,9% da população activa - estavam desempregadas no primeiro trimestre deste ano, segundo as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE) publicadas hoje. Oficialmente, há mais 130,4 mil desempregados do que no primeiro trimestre do ano passado e mais 48,3 mil do que no trimestre anterior, pagando um violento e desumano tributo às políticas de austeridade, de destruição da economia e de empobrecimento acelerado dos portugueses. Esta situação - e a tendência para agravar-se - tem causas e responsáveis e os responsáveis têm rostos. Não finjamos que não os conhecemos. .  

Jornalistas contra neonazis

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A crise grega

Confirma-se: o povo grego vai voltar a votar. "Fracassaram" as tentativas do presidente da República para que os três partidos mais votados formassem governo; e fracassou a sua tentativa para que os partidos aceitassem a nomeação de um governo de tecnocratas - não políticos, disse ele - para assegurar o cumprimento dos pactos de agressão internacional. Consta, segundo as agências noticiosas internacionais, que certos dirigentes/partidos chegaram a achar a ideia digna de apoio. Suponho que ainda não perceberam o que aconteceu nas últimas eleições e que ainda não perceberam o que pode acontecer nas próximas. .

O homem pensa mesmo assim, percebem?

Não se percebe por que razões tanta gente se admira por o primeiro-ministro não ter corrigido nem pedido desculpas pelo que disse acerca do desemprego como "oportunidade para mudar de vida". Ainda não perceberam que Passos Coelho e a gente que o formatou e a trupe que ele lidera pensam mesmo assim? .

"Estou disponível"

Fixemos a afirmação  "Estou disponível para ir para a rua à frente de qualquer manifestação". A afirmação não foi feita por uma pessoa qualquer, foi proferida pelo líder do chamado maior partido da Oposição, António José Seguro, em tom de ameaça de recurso à acção de massas para salvar "as funções sociais do Estado" (entrevista ontem na TVI).  "Estou disponível", que é como quem diz, pronto, se me convidarem, se alguém mobilizar a coisa e achar que serei útil na frente da manifestação, então não me farei rogado e lá estarei. Mas, até lá, não vou mexer uma palha, não vou fazer nada para me opor e, hoje mesmo, vou abster-me na votação final na generalidade do tenebroso Código do Trabalho. .

Porque a crise não é uma fatalidade

Sobre a actualidade de um manifesto. As eleições de domingo passado na Grécia alteraram a aritmética parlamentar e lançaram a inquietação nos mercados - essa entidade suprema que gere, enquanto deixarmos, os destinos da Humanidade. De essencial, não mudou o que deveria ter mudado. O essencial não se muda com terramotos destes. Foi por isso que me lembrei de um manifesto, com quase um ano, que me orgulho de ter assinado e que mantém uma significativa actualidade. Começa assim:  "A crise não é uma fatalidade. Tem causas, responsáveis, soluções. Resulta, em primeira instância, de um sistema económico e social iníquo, gerador de crises cíclicas que só a superação do próprio sistema pode erradicar e não as panaceias do momento, ou os devastadores conflitos bélicos que, ontem como hoje, à escala planetária ou de âmbito regional, servem por vezes de saída para as crises económicas e sociais. No quadro internacional, é, porém, sabido que a responsabil...

Amplo movimento cívico em defesa das delegações da Lusa

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Um amplo e muito significativo movimento cívico em defesa das delegações da Agência Lusa, em particular em Coimbra, mas com efeitos também expectáveis em Évora e Faro, está em crescimento, segundo noticia o sítio do Sindicato dos Jornalistas . Espera-se que a interpelação à Administração da empresa, ao ministro da tutela e aos grupos parlamentares na Assembleia da República obtenha os resultados esperados: uma inversão na decisão tomada. .   

Talvez fosse útil pensarmos um pouco nisto

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Rua de Santa Catarina, Porto, Abril de 2012 .

Um bem público inestimável

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A Direcção do Sindicato dos Jornalistas acabou de divulgar o seguinte comunicado: A informação é um bem público inestimável (Mensagem do Sindicato dos Jornalistas no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa) 1. A informação é necessária, imprescindível e tem um valor inestimável. A informação habilita os cidadãos a conhecer melhor a realidade em que vivem. Uma informação livre permite-lhes fiscalizar melhor os poderes e as políticas públicas; dá-lhes voz e espaço para propor e exigir. Uma informação livre, de qualidade e pluralista faz saber o que propõem e o que realizam as organizações cívicas, as forças políticas, as instituições económicas, os sindicatos, os movimentos sociais, as universidades e centros de investigação, as instituições culturais e desportivas; promove o interesse pelo saber e pelo conhecimento, a fruição dos bens e serviços culturais, do património material e imaterial; reflecte o que pensam, o que anseiam e o que propõem os cidadãos e as suas or...

As chocantes provocações da Jerónimo Martins

O que se passou hoje nos supermercados Pingo Doce é uma chocante provocação da Jerónimo Martins aos trabalhadores dos seus supermercados e aos trabalhadores em geral.  Aos primeiros, fez do trabalho extraordinário imposto no Dia Mundial do Trabalhador um insuportável inferno; aos segundos, mostrou como se espezinha um direito tratando os trabalhadores, em gozo de feriado mas com graves dificuldades económicas, como uma suave carneirada sedenta das ilusórias oferendas. Mas é também uma grosseira provocação ao Governo e à ASAE. Mas esta ficará impune: a cerviz do poder está há muito debaixo da biqueira do sapato do capital. .     

1.º de Maio

CANÇÃO DO COOPERARIADO       Coopera o opErário Esse imenso operaDor Sem ele não temos ópera nem opeRações sem dor Opera todas as máquinas É muito cooperativo Opera computaDores Supõe-se um executivo Funda cooperativas Busca coopeRação Coopera em cantigas Paga as letras da canção Pertence ao operariado muitas vezes sem saber Porque tanta coopeRação não dá bem para entender Pertence ao operariado muitas vezes sem querer Porque tanta coopeRação só dá para empobrecer Já foi herói proletário Termo meio bolCHEvique O tratamento moderno é telecomando-chip Diz-se profissional Técnico e funcionário Também recurso huMano Unidade de trabalho Mas afinal (ele) é um grande operacional Ele opera e coopera Sem ele ponto final Fica assente Meus Senhores O que é um operário Sem gravata e com gravata Morre a viver do salário Peça da engrenagem Produto da produção Faz o carro e faz a estrada Faz a mesa e faz a cama Coopera até na morte fabricando o seu caixão Uns chama...

Talvez os subsídios de férias de Natal sejam repostos em 2019, se forem

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O ministro Gaspar explicando o calendário dos deslizes (Foto retirada do portal oficial do Governo, com a devida vénia, claro)  É importante estar atento à forma como a propaganda do Governo despudoradamente tentar enganar-nos. Quando a nota "informativa" do portal oficial do Governo nos diz que:    "A reposição dos subsídios de férias e de Natal na Administração Pública e empresas públicas, deverá começar a ser feita em 2015, a um ritmo de 25% ao ano", quer dizer exactamente os ditos subsídios estarão repostos no ano de 2019. Mas isso é se correr bem, pois, e aqui vai a citação do ministro Gaspar,  "relativamente à questão dos cortes temporários, a posição política é exactamente a que foi expressa pelo Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, isto é, a reposição do subsídio de Natal e de férias, bem como a reposição do corte efectuado em 2011 terão de ser feitos gradualmente a partir de 2015 e o ritmo será condicionado pela existência de ...

Os jornalistas e o 1.º de Maio

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) apelou hoje à participação dos jornalistas nas iniciativas comemorativas do 1.º de Maio que o Movimento Sindical realiza amanhã em todo o país, especialmente nas capitais de distrito. Em comunicado , o SJ salienta a importância da participação dos jornalistas na festa unitária e solidária de todos os trabalhadores que, celebrando as conquistas numa luta já secular, enfrentam hoje graves retrocessos que é necessário contrariar.     .

Delegações da Lusa: uma causa justa

Um importante conjunto de 300 personalidades de todos os quadrantes políticos, encabeçado pelo advogado e escritor António Arnaut, e um significativo rol de docentes da Licenciatura em Jornalismo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra divulgaram nestes dias importantes e relevantes posições contra o encerramento da Delegação da Lusa - Agência de Notícias em Coimbra.  Trata-se de uma causa muito justa, que o Sindicato dos Jornalistas tem vindo a manter na ordem do dia, que já tinha aliados importantes, nomeadamente em autarquias e comunidades intermunicipais, que não se limita à representação física de Coimbra, pois também em Évora e Faro estão ameaçadas as delegações, e que agora ganha novo e decisivo impulso. .

A noção de amor já teve melhores dias

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Rampa da Escola Normal, Porto, Abril de 2012 .

25 de Abril 2012: Razões para estarmos aqui

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Desfile da Liberdade, observado na Rua de Fernandes Tomás, no cruzamento com a Rua do Bom Jardim, estendendo-se para além do cruzamento com a Rua da Alegria  Por que estamos aqui? * Aqui estamos, de novo, reunidos diante do monumento a Virgínia Moura, para homenagear todas e todos os resistentes antifascistas que tornaram possível este dia há 38 anos: Aquelas e aqueles que poderiam ter vivido no conforto da indiferença, mas viveram de olhos e ouvidos e coração bem abertos para os problemas do seu Povo; Aquelas e aqueles que poderiam ter sido cúmplices por omissão, mas denunciaram as injustiças e a opressão; Aquelas e aqueles que poderiam ter vivido na resignação, mas sofreram provações, foram perseguidos, foram torturados e foram até mortos; Aquelas e aqueles que poderiam conformar-se com a realidade, mas ousaram lutar pela sua transformação; Aquelas e aqueles que foram voz e grito de esperança e de alternativas, quando poderiam ter sido silêncio;...

Caça às bruxas na Madeira

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O PSD-Madeira convive mal com a Democracia e com a liberdade de imprensa. Na última edição do seu órgão oficial, o jornal "Madeira Livre", elege como inimigos cinco jornalistas que, naquela Região Autónoma, trabalham para órgãos de informação nacionais. Esta provocação, escalada perigosa da catalogação dos "inimigos da Madeira" é inaceitável e deve ser repudiada com firmeza, como fez hoje o Sindicato dos Jornalistas , rejeitando qualquer caça às bruxas. .

Ajuda externa e independência jornalística

Um problema prático de jornalismo ao qual já me referi, aqui, algures: a "retranca" da notícia que assume uma posição. É o caso da famosa "ajuda externa", consubstanciada no empréstimo que o FMI, o BCE e a CE concederam a Portugal. Para uns - o Governo, a maioria parlamentar alargada, o Presidente da República... - será essa tal "ajuda externa"; para outros é um "pacto de agressão". Não será suficiente um extremar tão significativo de posições sobre o mesmo assunto para que os jornalistas passem a pesar melhor a expressão a usar de forma imparcial? .

Uma porta da Pátria, o estado da

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Rua de Santa Catarina, Porto, Fevereiro de 2012 .