1. Arrimada a uma bengala, a velhota observava com atenção as manobras do carteiro, de aproximação milimétrica às caixas do correio e a destreza e rapidez com que depositava as cartas sem apear-se da motoreta. "O que vós precisais é de uma coisa destas, para andar mais depressa", comentou, provavelmente com pena pela estafa da nossa caminhada a distribuir a propaganda. Mas se calhar não poderíamos parar a conversar com as pessoas... "Pois não! E a gente precisa de falar sobre as coisas", concordou, com os panfletos firmes na outra mão. "Logo, com o meu filho e os meus netos, vamos ver bem isto". 2. Afiança o camarada que conhece bem a zona: "Fulano tem isto controlado, é tudo a votar no XX". Ninguém muda? E convoca para a conversa um velho conhecido entretido a limpar o quintal. "Este ano, como vai ser?!", interpela. E o outro: "Já sabes que fui sempre do XX..." Está bem, mas este ano?! E o amigo: "Bem, desta vez... Olhem...