Há uma semana, um jogador de
futebol, Moussa Marega de seu nome, abandonou um importante jogo em protesto
contra os insuportáveis insultos racistas com que uma horda de adeptos da
equipa adversária o visava desde o início do aquecimento antes da partida. O caso deu brado, no país e no
estrangeiro, impulsionado pela indignação de inúmeros cidadãos e da própria
Imprensa, que se multiplicou em comentários e editoriais, além de primeiras
páginas comprometidas e interpeladoras, convergindo na inequívoca condenação do
comportamento indigno e intolerável dos espectadores. O “incidente” convocou também debates
de naturezas várias, sobretudo nos media,
acerca de como conter a onda de racismo e de xenofobia que se apropria do
território desportivo e do espaço público em geral, já com afloramentos
visíveis e violentos, inclusivamente por parte de elementos de forças
policiais, isto é, trazendo ostensivamente à luz do dia o que parecia apenas larvar
– e já não era pouco. Não tardou a contra-respost…
Na vertente da montanha que dominava a Samardã, havia um fojo - uma cerca de muro tosco de calhaus a esmo onde se expunha à voracidade do lobo uma ovelha tinhosa. O lobo, engodado pelos balidos da ovelha, vinha de longe, derreado, rente com os fraguedos, de orelha fita e o focinho a farejar. Assim que dava tento da presa, arrojava-se de um pincho para o cerrado. A rês expedia os derradeiros berros fugindo e furtando as voltas ao lobo que, ao terceiro pulo, lhe cravava os dentes no pescoço e atirava com ela escabujando sobre o espinhaço; porém transpor de salto o muro era-lhe impossível, porque a altura interior fazia o dobro da externa. A fera provavelmente compreendia então que fora lograda; mas em vez de largar a presa, e aliviar-se da carga, para tentar mais escoteira o salto, a estúpida sentava-se sobre a ovelha e, depois de a esfolar, comia-a. Presenciei duas vezes esta carnagem em que eu - animal racional- levava vantagem ao lobo tão-somente em comer a ovelha assada no forno com…
Quase
um ano depois do primeiro debate, a 8 de Março de 2019, sobre este mesmo tema,
cujas intervenções estão reunidas nos Cadernos
de Abril editados pela Associação Conquistas da Revolução, estamos de
regresso a um assunto que ganha redobrada actualidade – e não pelas melhores
razões[1]. Correndo
o risco de maçar alguns, mas tendo ainda alguma esperança de contribuir para
despertar de uma espécie de dormência cívica, na qual medra a indiferença pelo
que vai ocorrendo em seu redor, com implicações seríssimas nas vidas de todos nós,
é forçoso insistir num problema nodal para a qualidade do nosso viver comum a
que gostamos de chamar democracia – o galopante défice de pluralismo
informativo (e de opinião), mas também no entretenimento. O estranho caso da super-concentração da Cofina No
penúltimo dia do ano transacto, a Autoridade
da Concorrência (AdC) anunciou ter decidido não se opor à operação de
concentração Cofina/Media Capital. Embora tenha concluído que “a entidade
resultante da opera…