Espanha: dois anos de Memória Democrática

Dois anos depois da publicação, em 19 de Outubro de 2023, no Boletim Oficial do Estado, da Lei da MemóriaDemocrática, as autoridades espanholas conseguiram realizar 600 acções, com a exumação de cerca de 5 600 corpos e a concessão e entrega de 572 declarações de reconhecimento e reparação a vítimas de perseguições, condenações e outras violências da ditadura franquista.

Entre essas vítimas estão Lluis Companys (presidente catalão fuzilado em 15 de Outubro de 1940 pela repressão franquista), Pau Casals (famoso violoncelista catalão e prestigiado republicano forçado ao exílio em 1928), Maria Teresa León (escritora republicana e antifascista forçada ao exílio), Pablo Picasso (pintor, autor da célebre pintura-manifesto Guernica, produzida no exílio) e Nicolás Sánchez-Albornoz (historiador, encarcerado pela repressão franquista).

Em desenvolvimento da Lei da Memória Histórica, de 2007, que consagrou o reconhecimento às vítimas e a remoção dos símbolos (incluindo na toponímia) do franquismo de todas as localidades espanholas (tarefa ainda incompleta…), a Lei da Memória Democrática estabelece o compromisso do Estado espanhol na procura de desaparecidos durante a Guerra Civil (1936-1939) e a ditadura franquista (1939-1975).

A ressignificação do Vale dos Caídos, agora designado Vale de Cuelgamuros e a sua transformação em centro de interpretação, contra os quais tem lutado a tralha franquista, a par da criação da figura legal de Lugar de Memória Democrática para a classificação de locais onde ocorreram factos relevantes e simbólicos foram outras passos muito importantes já dados. 


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