Mensagens

Tréguas...

O Peter Pin e a burguesinha do Caldas bolçam diariamente as mais disparatadas e demagógicas críticas ao Governo, como se não tivessem muitas, graves e cúmplices responsabilidades no governo anterior. Marcelo Rebelo de Sousa propõe aos partidos um pacto para uma “trégua eleitoral”, pelo menos na região dos grandes incêndios, e continua a transpor em muito a fronteira das competências presidenciais. Depois não digam que isto não está tudo ligado…

Cumplicidades dos media com o golpismo na Venezuela

A República Bolivariana da Venezuela iniciou neste domingo a campanha para a eleição, no próximo dia 30, dos 545 representantes à Assembleia Nacional Constituinte, que vão elaborar o texto de revisão da Constituição, aprofundando o processo bolivariano em curso. Não admira que a direita neoliberal e revanchista, apoiada em larga escala pelos media nacionais e internacionais, se oponha violentamente à nova Assembleia Constituinte, cujos objectivos passam, entre outros, pelo aperfeiçoamento do sistema económico nacional, pela constitucionalização das missões criadas pela Revolução Bolivariana e das comunas e conselhos comunais, instrumentos essenciais à participação popular. Desde a convocação, a 1 de Maio, pelo Presidente da República, sectores reaccionários venezuelanos tentam por todos os meios, incluindo a Imprensa nacional e internacional, boicotar e desacreditar tal processo, bem como a ingerência estrangeira, nomeadamente dos Estados Unidos e da Colômbia, pondo em causa a...

"Utilidade informativa"

Revendo o filme do dia, estou a pensar na cenaça que Marcelo Rebelo de Sousa foi fazer ao polígono militar de Tancos, levando atrás chefias militares, um ministro e um secretário de Estado e uma catrefada de figurantes, incluindo elementos da Polícia Judiciária Militar, pelos vistos todos participantes numa reunião que o Presidente da República quis fazer para tirar a limpo o estranho e grave caso do roubo de material de guerra. Estou a pensar sobretudo na "utilidade em termo s informativos" que Marcelo diz que a coisa teve, sobretudo porque me pareceu uma encenação excessiva de um poder que o Presidente na realidade não tem e passar uma deplorável imagem de reuniões à "molhada", mas que faz o povo embasbacar perante tamanho desembaraço presidencial e aplaudir o "engrossar da voz" a exigir responsabilidades. "Utilidade informativa" terá tido a dita cenaça, tamanha a procissão de microfones e de câmaras que acompanhou S. Exa., na sua arremet...

Predadores

«Tenho conhecimento de vítimas indirectas deste processo, de pessoas que puseram termo à vida, em desespero». Não sabemos por quanto tempo a afirmação, peremptória, do presidente do PSD ficará na história do Jornalismo e da Política, nem se algum dia será caso de estudo por algum praticante de ciências da comunicação e/ou de ciência política. Pronunciada ontem, após uma visita aos Bombeiros Voluntários de Castanheira de Pera, a afirmação de Pedro Passos Coelho ficará seguramente na memória de muitos como uma chocante expressão do cinismo predador de sentimentos e da mais descarada mentira, explorando a dor alheia para exclusivo proveito mediático. Estiveram bem os jornalistas que lhe pediram que fosse mais específico em tão graves declarações – quantos?, onde? – e cumpriram o seu dever de cotejar a afirmação e buscaram informações junto de outras fontes, incluindo autarquias e Segurança Social. Mas o gravíssimo incidente, que não teve de Passos Coelho a exigível retractação, a...

Comércio de frivolidades

Nos últimos dias, alguns meios de informação têm dedicado devotada atenção a uma das vedetas mais frequentes da galáxia mediática, desta vez com a excitante notícia do nascimento – assegurado pela SIC, de imediato seguida pelas edições em linha de vários jornais e revistas – de dois filhos gémeos, pelos vistos nos Estados Unidos e através de uma gestante de substituição. Que houve de relevante no facto para justificar a notícia? A avaliar pelo publicado, apenas o facto de, pela segunda vez, a vedeta, solteira, ter recorrido ao mesmo método, no mesmo país e fazer segredo da identidade da mãe, condimentado com um, pelos vistos relevante, «grito de guerra» da dita pessoa largado numa farra de piscina entre amigos e uma frase proferida em Inglês pelo petiz, que os media mais habilitados em decifrações asseguram tratar-se de uma saudação - «Bem-vindos Fulana e Sicrano », segundo um vídeo que o famoso progenitor publicitou num media social. Nasceram! Vêm a caminho da Europa, exultam...

Na morte de Alípio de Freitas

Estou a pensar nessa idiossincrasia, que me ensinaram ser característica das notícias, que consiste em valorizarem, as mais das vezes, os acontecimentos negativos. Entre as de hoje, surpreendeu-me a triste nova da morte do Alípio de Freitas – um resistente antifascista e um camarada como poucos.   Li hoje tantas coisas, tão belas e tão acertadas sobre o Alípio, que não me atrevo a aditar mais do que:  a) um sumaríssimo mas sincero registo da saudade da fala suave e doce com que o Alípio encantou os momentos – muitas vezes vezes breves – dos nossos encontros e da serenidade sábia com que participava nas reuniões do Conselho Geral do Sindicato dos Jornalistas;  b) a expressão pública da gratidão imensa por o Alípio ter integrado, como membro do Conselho Geral, quase todos os mandatos dos órgãos do SJ nos quais tive a honra de ser eleito como cabeça de lista (faltou o último, porque estava algures no Brasil quando era necessário assinar a declaração de aceitação d...

Camada de protesto

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Barreto e os editocratas

A colecção de entrevistas concedidas por António Barreto é um caso de estudo muito sério. Os editocratas acham que ele deve ser entrevistado porque tem algo de realmente novo, interessante e estimulante para dizer, ou porque necessitam que ele diga o que eles gostam que diga e gostariam que os leitores, ouvintes e espectadores pensassem?

Anatomia de uma calúnia

N o dia 3 de Maio, as centrais sindicais reagiram com justa indignação a afirmações da presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, no encerramento das jornadas parlamentares da sua bancada, realizadas em Ílhavo, distrito de Aveiro, a propósito das notícias sobre a publicação do regime jurídico transitório para a inserção de trabalhadores precários na Administração Pública e no sector empresarial do Estado. A julgar pelas notícias, as jornadas pouco terão produzido digno de destaque e Assunção Cristas estava sem assunto que produzisse eco noticioso suficiente para assegurar a «presença» mediática do seu partido ao longo do dia (edições em linha, rádios e televisões) e nos jornais do dia seguinte. Da memória dessa alocução, o que fica são afirmações segundo as quais os sindicatos passam a ter um poder de seleccionar e defender a integração dos trabalhadores precários que bem entendam – os que são sindicalizados, diz ela – e que estaríamos mesmo perante a «apropriação ilegítima da máqu...

Abílio Marques PInto

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Pensando nas apaixonadas advertências do Abílio Marques Pinto sobre o modo correcto de segurar na mão uma medalha, estou para aqui a matutar até que ponto muito do que somos devemos ao que foram as pessoas que fizeram parte da nossa vida.  O A. Marques Pinto foi o meu primeiro chefe – primeiro, coordenador, que corresponde ao moderno cargo de editor de secção; mais tarde, chefe de Redacção – quando entrei no Jornalismo, ainda no velho “O Primeiro de Janeiro”, há mais de 36 an os. Devo-lhe algumas coisas essenciais, como os reparos francos aos meus textos iniciais, o incentivo sincero aos meus progressos e a camaradagem luminosa das nossas jornadas de trabalho, com a partilha das suas memórias e experiências e as cavaqueiras sobre livros.  Nunca esquecerei uma das suas recomendações para valer toda a vida: “um repórter nunca abandona o local da reportagem sem ter na cabeça o ‘lead’ da notícia”. E tenho uma imensa saudade das gargalhadas que coroavam as “larachas” qu...

Recordando o Oscar Mascarenhas

"A liberdade de que nós, jornalistas, desfrutamos não é um privilégio para nossa fruição exclusiva, é um serviço aos outros.  (…) “Nestas coisas do jornalismo, tenho uma intransigência verdadeiramente ideológica: quero que me contem, do mundo, pelo menos duas versões - e deixem-me escolher em paz.” Oscar Mascarenhas (1949-2015) Que grande falta nos fazes, Oscar!

Mobília quase completa

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Rua do Bonjardim, Porto, Maio de 2017

Sabáticas

Estou aqui a pensar se deveria enternecer-me com o surpreendente anúncio da intenção da burguesinha do Caldas de propor medidas que permitam aos trabalhadores tirar licencas sabáticas para melhorarem a sua formação. Não descarto. Mas, para começar e dar provas de franqueza, o CDS-PP poderia começar por propor medidas realmente depressivas para os patrões que violam o estatuto do trabalhador-estudante e apresentar um projecto de revisão do Código do Trabalho que melhore esse estatuto, acabe com a adaptabilidade e o banco de horas e reduza a jornada de trabalho. Para já, era isto.

Securitarismo e Jornalismo

Nos últimos dias, a Imprensa portuguesa tem publicado uma série de notícias sobre uma iniciativa legislativa do Governo, prevista «para breve», com vista a garantir ao Serviço de Informações de Segurança (SIS) e ao Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) o acesso àquilo a que alguém convencionou chamar «metadados» das comunicações. De que falam os media quando escrevem «metadados»? De uma ampla gama de dados de comunicações que vai da identificação do titular de um telefone (fixo ou móvel) à localização, data, hora e duração de uma comunicação, passando pelas identidades internacionais do subscritor (IMSI) e do equipamento (IMEI), o endereço de correio electrónico, o endereço do protocolo IP, entre vários outros elementos. Na posse de tais dados, que os operadores de comunicações electrónicas já são obrigados a conservar por um ano, as «secretas» estariam em condições de saber exactamente quando, onde se encontrava, a que horas e durante quanto tempo é que o cidadão...

Para que servem as imagens da super-bomba?

Estou a pensar no problema ético que levanta a divulgação, hoje, pelos media, das imagens fornecidas pelo Pentágono relativas ao lançamento, ontem, da super-bomba norte-americana sobre um suposto alvo do auto-proclamado Estado Islâmico no Afeganistão. É evidente que a divulgação das imagens do suposto alvo a ser atingido, a par de imagens da agora famigerada bomba divulgadas ontem, só tem um propósito: mostrar o poder destrutivo e intimidar - não o "EI", mas sim a Síria, a Rússia, a Coreia do Norte. Perseguindo a divulgação objectivos de pura e dura propaganda belicista, talvez fosse aconselhável os media pensarem duas vezes (ou três, ou quatro, as que forem necessárias) antes de se prestarem a esse papel. .

EUA declaram guerra à Síria

O chamado "conflito sírio" corre há muito o risco de atingir uma escalada de magnitude imprevisível. O ataque norte-americano, esta madrugada, a uma base aérea síria é um acto de guerra contra um país soberano. Receio que as coisas não fiquem por aqui.  E não venham invocar a alegada "impreparação" ou a "loucura" de Donald Trump para tentar justificar esse acto. Trump é apenas o testa de ferro do insaciável complexo militar industrial e o rosto de turno do imperialismo norte-americanos. .

A Síria e a diabolização nos media

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Bashar al-Assad na entrevista concedida à Europe1 e TF1 (Foto: agência SANA) Numa entrevista concedida, em Fevereiro, pelo Presidente da República Árabe Síria às estações francesas Europe1 e TF1, um dos jornalistas pergunta a Bashar al-Assad: «(…) Há muitas pessoas, no nosso país em particular, que dizem que o Estado Islâmico, de um lado, e o seu regime, de outro, são as duas faces de um mesmo mal, que procura reprimir toda a forma de expressão democrática livre no país. Que lhes responde?» Sem deixar de responder, Assad atalha com um esclarecimento prévio: «Em primeiro lugar, nós não somos um regime. Somos um Estado com instituições.» Tal expressão, sustenta o presidente, reeleito em 2014 por sufrágio universal e directo, corresponde à «demonização» da Síria e do governo e do Exército sírios «pelos principais media e os meios políticos ocidentais». O incidente ilustra bem os processos de diabolização de governos através dos media , de que Bashar al-Assad é um dos alvo...