Na dobadoira do mundo: 8 de Fevereiro

Neste dia 8 de Fevereiro, em 1867, nasce o Império Austro-Húngaro, na verdade uma união de dois países independentes – a Áustria e a Hungria – unidos pela vassalagem a um mesmo soberano, o imperador da Áustria Francisco José.

No rescaldo das ofensivas napoleónicas, a família Habsburgo colhe os frutos da resistência e constitui um império em pleno coração da Europa.

No ano anterior, Francisco José, derrotado pela Prússia, renunciara às pretensões sobre a Alemanha e volta-se para a Hungria (embora já sob a coroa dos Habsburgos desde o século XVI), diz-se que graças à influência da mulher, a princesa Isabel da Baviera, celebrando um acordo de compromisso com os dirigentes húngaros.

O compromisso, simbolicamente assinalado com a colocação, sobre as cabeças do casal imperial, da coroa de Santo Estêvão (primeiro rei e padroeiro da Hungria), estabelece sistemas políticos próprios, mas tendo em comum o imperador e o seu poder executivo com sede alternante entre Viena e Peste, mantendo sob seu controlo as pastas soberanas da Marinha, da Guerra, das Finanças e dos Negócios Estrangeiros.

O império austro-húngaro resistiu pouco mais de meio século, com muitas dificuldades às tensões, e correspondentes revoltas, resultantes do descontentamento de mais de uma dezena de povos, correspondentes a mais de 52 milhões de almas que viviam sob o seu domínio, nomeadamente na Croácia, Transilvânia, Eslováquia, Roménia, etc. – alemães, checos, eslovacos, polacos, ucranianos, romenos, sérvios, croatas, eslovenos e italianos – e aspiravam à autonomia, desde logo para o uso das suas línguas, inclusivamente nas universidades.

No termo da I Guerra Mundial (1914-1918), ou guerra dos impérios, prevalecendo o princípio do direito dos povos a disporem deles próprios defendido pelos presidentes norte-americano, Woodrow Wilson, e francês, Georges Clemenceau, o império é dissolvido e a Áustria e a Hungria tornam-se verdadeiramente independentes e contidas nos seus “limites étnicos”.

Recorde-se que a guerra, saldada em mais de 20 milhões de mortos, foi desencadeada pelo herdeiro do trono austro-húngaro, o arquiduque Francisco Fernando, num atentado durante uma visita a Sarajevo, por um nacionalista sérvio, em 28 de Junho de 1914.

O conflito colocou, de um lado, as potências centrais – os impérios alemão, austro-húngaro, turco-otomano e a Bulgária – e, do outro, as potências da “Entente” – França, Inglaterra, Rússia (até à Revolução Socialista de 1917), Itália, Estados Unidos da América (após a saída da Rússia da guerra) e outros países, entre os quais Portugal.

Em 1938, com a expansão nazi-fascista, a Áustria foi anexada pela Alemanha. Embora recuperando a sua independência após a II Guerra Mundial, em 1945, manteve-se sob ocupação dos Aliados até Maio de 1955, quando subscreveu um tratado com os Estados Unidos, a União Soviética, a Grã-Bretanha e a França, que a obrigava a uma política externa de neutralidade permanente.    

 

Outras efemérides nesta data

1825 – Nasce, em Nantes, o escritor francês Júlio Verne (m. 24/3/1905), autor prolixo e visionário que, com a sua ficção científica, antecipou muito do que veio a ser realidade mais de um século depois, como as deslocações subaquáticas ou as viagens à lua.

Enquanto estudante de Direito (em que se formou) em Paris, privou em tertúlias literárias com escritores como Victor Hugo e Alexandre Dumas Filho, com os quais se teria iniciado na escrita, mas seguiu um percurso muito singular.

De entre as suas obras destacam-se: Viagens Extraordinárias (1962), Cinco Semana em Balão (1863), Viagem ao Centro da Terra (1864), Da Terra à Lua (1865), À Volta da Lua (1870), Vinte Mil Léguas Submarinas (1870), Volta ao Mundo em 80 Dias (1872) e A Ilha Misteriosa (1874).

1943 – O Exército Vermelho reocupera a cidade de Kursk, ocupada pelas forças nazis desde 11 de novembro de 1941, dando um impulso muito importante no esforço soviético para a derrota do nazi-fascismo na II Guerra Mundial, que culminaria com a tomada de Berlim, a capital da Alemanha, pouco mais de dois anos depois (Maio de 1945). 

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