Na dobadoira do mundo: 7 de Fevereiro

Neste dia 7 de Fevereiro, em 1992, é assinado, na cidade holandesa de Maastricht, o Tratado da União Europeia, também conhecido por Tratado de Maastricht, que institui a União Europeia e "extingue" a velha Comunidade Económica Europeia, fundada em 25 de Março de 1957 pelo Tratado de Roma.

O novo Tratado, que entrou em vigor em 1 de Novembro de 1993, assenta em  três pilares: Comunidades Europeias, Política Externa e de Segurança Comum (PESC) e Justiça e Assuntos Internos (JAI).#

O primeiro pilar agrupou a Comunidade Económica Europeia (CEE); a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA); e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (Euratom).

Visou o estabelecimento das bases para uma união económica e monetária, a moeda única (o euro) e os critérios para a sua utilização; o fornecimento de uma base legal para políticas comuns da EU em novos domínios; o reforço dos poderes do Parlamento Europeu; e a introdução do conceito de cidadania europeia.

Entre outras consequências, os estados-membros cederam muito da sua soberania em áreas fundamentais como a política agrícola e até a prevalência do direito europeu sobre as suas próprias leis, incluindo em vários aspectos das respetivas constituições, assim como das suas políticas económicas, monetárias e orçamentais, especialmente com a imposição de limites ao défice orçamental e restringem os apoios dos Estados às empresas públicas.

Também com sacrifício da soberania nacional, passa a caber à UE a responsabilidade nos domínios das redes transeuropeias (RTE); política industrial; proteção dos consumidores; educação e formação profissional; juventude e cultura.

Entre outras críticas que se apontam ao Tratado, que não foi objecto de consulta aos cidadãos particularmente em Portugal, destacam-se os benefícios para os grandes grupos económicos da construção de um enorme mercado único (500 milhões de consumidores), baseado na liberdade de circulação de capitais (útil aos fluxos de capital entre países onde se instalaram multinacionais), bens, serviços e pessoas, para o escoamento da sua produção a baixos custos e beneficiando da mão-de-obra barata dos Estados-membros mais frágeis.

Outras críticas apontam os efeitos negativos da moeda única, controlada pelos mercados financeiros e agências de notação financeira, a imposição do ajustamento económico sobre o investimento público, a contenção dos salários e das pensões e reformas, assim como as privatizações, e a degradação dos serviços públicos.

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