Na dobadoira do mundo: 1 de Fevereiro
Neste
dia 1 de Fevereiro, em 1908, o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro, Luís
Filipe, são mortos a tiro no Terreiro do Paço, à entrada na Rua do Arsenal, por
dois conjurados republicanos. Ferido, D. Manuel II, que veio a ser deposto com
a implantação da República, em 5 de Outubro de 1910, é aclamado rei de Portugal.
O
Regicídio, obra de conjurados republicanos, ocorreu no dia seguinte à
promulgação por D. Carlos, a partir do Paço de Vila Viçosa, com a família real estanciara,
do decreto de deportação para as colónias africanas dos autores e implicados do
fracassado golpe republicano de 28 de Janeiro, conhecido por “Intentona do
Elevador” – Afonso Costa, Egas Moniz, dos viscondes da Ribeira Brava, de
Pedralva e do Ameal, bem como de João Chagas, António José de Almeida e de Luz
de Almeida, chefe da Carbonária.
Na
mira da intentona estavam João Franco, que sobretudo sectores militares queriam
assassinado ou raptado, e a sua ditadura, instaurada pelo presidente do
Conselho de Ministros com a dissolução da Câmara dos Deputados, em Maio de 1907,
com o beneplácito de D. Carlos (que gozava também da indignação dos que o
acusavam de apropriar-se do Orçamento), à qual se opunham os republicanos e
sectores monárquicos regeneradores e a própria rainha D. Amélia.
Passavam
vinte minutos das cinco da tarde desse dia 1 de Fevereiro quando o landau,
transportando a família real, chegada ao Terreiro do Paço no vapor D. Luís, que
a colhera no Barreiro do comboio vindo do Alentejo, entrava na Rua do Arsenal.
Nesse
instante, o militante republicano maçónico Manuel Buíça, munido de uma carabina
saiu detrás do quiosque onde se ocultava na arcada do Terreiro do Paço, alvejou
D. Carlos com um primeiro disparo. Logo um segundo conjurado, Alfredo Luiz da Costa,
trepou para o veículo e disparou com um revólver sobre o monarca e os príncipes
Luís Filipe e Manuel.
O
primeiro não resistiu a uma bala no crânio. O segundo sobreviveu apenas com
ferimentos num braço. Os atacantes morreram também, na resposta da polícia. Há
um terceiro morto na multidão, João Sabino, por uma bala perdida, que nada tem
a ver com o atentado.
A
ordem dos disparos e dos alvos de Buíça e Costa divergem nalguns relatos e há
quem defenda que o massacre da família real ou foi um acidente ou foi uma
alternativa por os conspiradores, conhecidos militantes republicanos maçónicos,
não terem conseguido localizar João Franco para o matar.
Morto
o rei, proclamado D. Manuel II, João Franco apresenta-se à rainha disposto a
manter-se no poder com uma declaração do Ministério do Reino segundo a qual o
governo se mantinha em funções. D. Amélia e o filho têm outras intenções: no
dia seguinte, o Conselho de Estado rejeita-o.
Outras efemérides nesta data
1587 – A rainha
Isabel I de Inglaterra assina a ordem de execução de Maria Stuart, da Escócia,
condenada à morte por envolvimento na rebelião de Balington de 1586 e na
conspiração para a matar. Foi decapitada no dia 8 de Fevereiro de 1587 no
Castelo de Fotheringhay, Northamptonshire, Inglaterra, onde vivera sob a
protecção de Isabel I.
1991 – O presidente da África do Sul, Frederik de Klerk,
proclama o fim das leis raciais no país e do sistema de segregação racial
Apartheid – aliás alvo de sucessivas condenações na ONU e no mundo – e para o
qual ele próprio contribuíra, quando foi ministro da Educação, entre 1984 e
1989, com o sistema "Bantu", que limitava as aspirações educativas
dos negros.
Último
presidente pelo Partido Nacional, da minoria branca, que detinha o poder desde
1948, em 2 de Fevereiro de 1990 tirou o Congresso Nacional Africano (ANC) da
ilegalidade, imposta desde 1960, e ordenou a libertação do seu líder, Nelson
Mandela, e de outros presos políticos.
