Libertai-vos da depressão, incréus!!

Andava o povo distraído das coisas públicas e do estado dos negócios do Estado - uns, prostrados numa letárgica esperança de que a tempestade amaine e os não perturbe; outros, atormentados com as consequências dos temporais que têm assolado o solo pátrio (confortáveis cidades incluídas) geradas por uma inesperada e grave depressão atmosférica - , quando os senhores governantes, sorridentes e enigmáticos, lá vieram anunciar boas-novas. A saber: 
A primeira, que, contrariando todas as juras-a-pés-juntos, figas e desmentidos e fazendo ruir a sólida muralha da resistência do ministro plenipotenciário das tróicas e dos interesses da agiotagem internacional, lá foi o Governo estender a mão, a ver se, enfim, se estica um bocadinho o prazo de pagamento da sinistra dívida que nos tolhe e destrói a economia nacional.
A segunda, que, depositando fundada (?) crença nos mercados na nossa propalada "credibilidade", e desfazendo em pó o pessimismo, o pé-atrás, mesmo a desconfiança do povo ignaro nas virtudes e prendas dos que nos governam, o Governo deu ordens ao aparelho financeiro internacional para nos fazer "voltar aos mercados".
O povo, cativo deste torpor de incréu e deprimido colectivo que todos somos, há-de dar-se conta do verdadeiro significado das ditas boas-novas, assim como do seu resultado...
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