Não, não somos "praticamente todos"!



Ouvi, há momentos, no Telejornal da RTP1, que "praticamente todos os partidos, excepto o PS, PSD e CDS, querem ouvir o Presidente da República" na Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso do medicamento Zolgensma.

Posso afirmar, com inteiríssimo conhecimento dos factos, que o PCP não requereu tais depoimentos e que indicou apenas a audição do presidente do Infarmed. Logo, o PCP não pode ser incluído numa figura chamada "praticamente todos os partidos".

Acresce que não se pode afirmar que três - no caso, quatro - partidos em oito são "praticamente todos os partidos".

E muito menos é aceitável o uso do artigo definido plural para afirmar que "os partidos decidiram". Primeiro, porque nada decidiram ainda (a CPI tem reunião apenas amanhã...). Segundo, porque é expectável que se dividam sobre quem querem ouvir.

Sendo um defensor militante do Serviço Público de Televisão, custa-me ver/ouvir destas coisas.

Aditamento - Nas minhas contas, a audição do Presidente da República foi requerida por três partidos.  

Mensagens populares deste blogue

Na morte do pintor António Fernando

Notas parlamentares (45)

Em defesa do jornalista Bruno Amaral de Carvalho