Espontaneidades


Estou a pensar no problema do significado das palavras e do seu alcance e efeitos em Jornalismo. 
Vem a propósito do que escutei de uma repórter enviada a Barcelona, cobrindo a manifestação de apelo ao diálogo. É "espontânea", dizia ela. 
Basta observar as imagens por breves instantes, atentar um pouco na uniformidade estilística e gráfica de materiais - palavras de ordem e respectivos suportes - ostentados em grandes quantidades. Percebe-se, logo de relance, que de nada de espontâneo tem a iniciativa.
Estou a pensar também nas razões pelas quais jornalistas gostam tanto de apresentar como espontâneo - e não haveria qualquer mal se o fosse - o que revela aturada preparação.
E receio poder vir a chegar à conclusão de que correm nas veias de certo jornalismo concepções de democracia um pouco, digamos, retorcidamente preconceituosas.

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