sábado, 5 de maio de 2018

Sobre o sentido actual de Marx

Pensando no sentido da pergunta que circula por aí – “Que sentido faz Karl Marx hoje?” –, estou a pensar no sentido que, ainda hoje, milhões e milhões de homens e de mulheres encontram na luta organizada que conduzirá à derrota dos opressores e ao fim da exploração do homem pelo homem.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Opções contra classe


Estou ainda a pensar, matutando na actualidade de Marx, nascido passarão amanhã 200 anos, numa recente troca de cumprimentos de circunstância.
— Então, esse 1 de Maio?
— Lá tive de trabalhar... Na fábrica, fizemos um protocolo para trocar o feriado pela passagem de ano. Ainda esteve para ser o S. João, mas a maioria não quis...


sexta-feira, 27 de abril de 2018

Brasil: agora, um golpe contra o pluralismo

EBC 2

Chama-se a isto mais um golpe, e um golpe muito duro contra o direito à informação pluralista. É preciso recordar que a Agência Brasil foi criada pelo Governo de Lula Silva para garantir exactamente esse direito, rompendo a hegemonia dos grandes meios, obviamente privados e comprometidos com a Direita.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Sobre o 25 de Abril e o Poder Local Democrático


Intervenção, em nome do Grupo Municipal da CDU na Assembleia Municipal da Maia, na sessão solene comemorativa do 44.º aniversário da Revolução de 25 de Abril, realizada hoje:

Da Liberdade

Foto de Maia Alfredo.

No 44.º dia 25 de Abril em que os jornalistas portugueses podem escrever em liberdade, a minha enorme gratidão aos militares que o realizaram e a todas as mulheres e a todos os homens que, durante quase meio século, lutaram e sofreram os mais inimagináveis sacrifícios, criando condições para que a Revolução fosse possível.

terça-feira, 24 de abril de 2018

No 44.º aniversário do 25 de Abril


Intervenção proferida no Jantar-convívio comemorativo do 44.º aniversário do 25 de Abril, por amável convite da Associação Conquistas da Revolução - Porto

  


sexta-feira, 23 de março de 2018

Catalunha: Espanha joga o seu futuro

Não sabemos o que acontecerá amanhã no Parlament da Catalunha, nem que passos - inclusivamente o recurso da decisão do juiz Pablo Llarena para o pleno do Supremo Tribunal espanhol, entre outras iniciativas no plano jurídico - vão ser dados a seguir.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Uma varanda também serve para o cervo mostrar-se à cidade


Passeio de S. Lázaro, Porto, Março de 2018 

Da democracia ensinada pelos veteranos


Eis como os veteranos de Coimbra ensinam aos novos para que serve a democracia. Consta que é desta massa que saem os jovens quadros das juvenis camadas do arco do poder - esse mesmo, o que está apenas suspenso, mas que dura, e dura, e dura...

quarta-feira, 21 de março de 2018

Do ridículo e do preocupante


Ao fazer apenas um número ridículo para as televisões e os jornais, a presidente do CDS acaba de passar uma péssima e irresponsável mensagem: qualquer pessoa, até a burguesinha do Caldas!, é capaz de usar uma moto-roçadora e empenhar-se na patriótica "limpeza de matos".... Ao que isto chegou!
Um ponto fica, no entanto, por discutir: de quem será a culpa - de Cristas, a própria, ou do seu "staff", que inventam estes números e lhos impõem, ou, pior, dos próprios media, que dão gás ao jornalismo giro? 

segunda-feira, 19 de março de 2018

Das mudanças na RTP


Vai por aí um sururu de reacções a "reveladas" alterações nas direcções da RTP - Serviço Público de Televisão, especialmente a substituição do Director de Informação, entre a estranheza pelo timing do anúncio, pois a Administração está incompleta, a justa crítica à forma como o Director, pelos vistos cessante, foi tratado, e também felicitações mais ou menos públicas à eventual "nova Direcção".

quinta-feira, 15 de março de 2018

Dos pormaiores omissos


Nos últimos dias, forças do Exército Árabe Sírio alcançaram significativos avanços em Ghouta Oriental, nos arreadores da capital, Damasco, reconquistando Doume e outras localidades importantes e dividindo o enclave, que estava controlado sobretudo por grupos terroristas, que muitos media e «especialistas» insistem em designar, de forma simplista, como «rebeldes» e «opositores» ao que sistematicamente classificam como «regime de Bashar al-Assad».

segunda-feira, 5 de março de 2018

Sobre o ascenso do fascismo

Em Itália, confirma-se uma deriva muito perigosa. O populista M5Estrelas, que não é nem quer ser um partido, e a extrema-direita dominam os resultados das eleições legislativas de ontem. E o líder da neofascista Liga Norte reclama o direito de governar. A esquerda sem rumo e com vergonha do nome tem culpas. E agora?

sábado, 3 de março de 2018

Catalunha em tempos de incerteza

Parlament empossado em 17 de Janeiro. A foto é de Job Vermeulen, com a devida vénia

A inépcia dos grandes partidos espanhóis e a força real do franquismo lançaram a Catalunha numa incerteza e numa instabilidade que justificam amplo e profundo estudo. Da legitimidade das aspirações independentistas aos direitos humanos, dos fundamentos históricos da Constituição espanhola à análise dos interesses em confronto, da robustez das estratégias à ingenuidade das tácticas, da firmeza das convicções às hesitações e ambiguidades, há um manancial imenso a explorar.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Ainda é preciso travar a Altice!


É certo que a Autoridade da Concorrência está a fazer uma investigação aprofundada, etc., etc., mas não devemos baixar a guarda. Toca a assinar a petição em linha. É mesmo necessário travar a Altice!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Ambiguidade moral dos media

Nas últimas semanas, as denúncias públicas e o debate em todo do assédio e da violência sexual, designadamente nos mundos do espectáculo e do desporto, mas até contra pessoal ao serviço da Organização das Nações Unidas (ONU), ganharam uma projecção mediática nunca vista.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Dos rankings


Uma resposta (da Professora Doutora Carlinda Leite, FPCE-UP) ao "Expresso", que diz tudo sobre a mitologia dos rankings e que deveria fazer reflectir os media.

domingo, 28 de janeiro de 2018

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

As emoções como mercadoria


Apesar dos impressionantes progressos científicos e tecnológicos operados ao longo dos anos, com avanços extraordinários em meios de diagnóstico e tratamento, estratégias e protocolos terapêuticos, bem como dos assinaláveis êxitos de cura e melhoria da qualidade de vida, as doenças oncológicas continuam a infundir o maior receio nas populações.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Antipartidarite

Esta nota da Presidência, publicada à hora dos telejornais e bem a tempo de a habitual trupe de editocratas debitar a sua antipartidarite militante, mostra muito das técnicas de Marcelo Rebelo de Sousa para manter-se na babugem das notícias. 
Poderia ter esperado por amanhã para dar devida publicidade à mensagem do Presidente à Assembleia da República. Mas não seria a mesma coisa. Quando for possível dissecar os argumentos de S. Exa., já a sentença estará inapelavelmente lavrada pelos media.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O sobressalto da Altice e a embaraçosa agonia da ERC


Há pouco mais de um ano, o mercado dos media foi tomado pelo sobressalto do anúncio da intenção da multinacional de origem francesa Altice de adquirir o importante grupo Media Capital, e muito especialmente a estação de televisão TVI, a produtora de conteúdos Plural e o respectivo grupo de rádios, de grande audiência.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Uma questão de língua

Nos comícios para as eleições de quinta-feira na Catalunha (impostas pelo Governo espanhol), os líderes das organizações regionais do Partido Popular e do Ciudadanos falam em Castelhano. Não há coincidências, nem equívocos.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A morte de um empresário


Os obituários, em geral, e os grandes destaques, em particular, são espécies que justificam estudos e reflexões sobre as opções e práticas jornalísticas. Não apenas pelo que retêm e cristalizam dos aspectos conhecidos ou ignorados da biografia dos defuntos, mas também pelo consenso que constroem sobre boa parte das figuras desaparecidas e, sobretudo, pela glorificação em que redundam, por vezes, os registos editoriais, num exercício de independência no fio da navalha.
Por exemplo, a morte recente do empresário Belmiro de Azevedo, que ocupou em pleno os noticiários aos audiovisuais e dos meios de informação em linha de 29 e 30 de Novembro, bem como foi assunto principal dos jornais deste último dia, constitui um interessante caso que seria útil analisar com detalhe crítico – tarefa que não cabe neste artigo, nem a tal se propõe, mas que se sugere a académicos.
Um voo rasante sobre o conteúdo, os ângulos de abordagem e os qualificativos evidenciam, em geral, uma atitude encomiástica e uma dificuldade de descomprometido distanciamento dos media. Não está em causa a relevância da personagem, inegável na história económica, social, política e cultural do país, assim como é inegável que o acontecimento teria de ser forçosamente notícia. A pergunta legítima consiste em saber se houve exagero no espaço e no «tom»…
Os jornais impressos, por exemplo. Os diários generalistas nacionais não regatearam as honras de primeira página com grandes destaques – a totalidade da mancha impressa, no caso do Público; cerca de 75% no caso do i; 60% no do Jornal de Notícias; 36% no do Correio da Manhã; e 34% no do Diário de Notícias.
Também não foram parcos em páginas noticiosas – 18 no Público, nove no JN, seis no i e quatro no DN e no CM (embora, nestes últimos, com um anúncio numa delas). Justificava-se? Pelo menos o facto de todos eles publicarem editorais (ou artigos de opinião do diretor ou de um adjunto) avaliza a importância transcendente conferida ao acontecimento.
É comum ouvir-se que, quando morre alguém, a imprensa não diz senão bem, ou pelo menos é comedida nas críticas, ou adia-as para outras oportunidades. Terá o vulgo razão? Em 57 peças (incluindo editoriais e artigos de opinião/depoimentos solicitados a personalidades), 38 citações/frases no discurso directo, seleccionadas de declarações antigas do próprio Belmiro de Azevedo, e 34 extraídas de reacções de personalidades, são raríssimas as expressões menos favoráveis.
O JN menciona a queixa de «desrespeito» do falecido em relação à viúva do banqueiro Pinto de Magalhães. O Público acrescentou, citando-a, naquela que é a única crítica em todas as peças publicadas nos cinco diários: «É uma pessoa dura, não tem coração». Ainda o JN menciona um reparo de um ex-eleito na freguesia natal do empresário ao que poderia ter feito pela terra e não fez. Já o CM inseriu, na sua selecção de frases do próprio: «Se não for a mão-de-obra barata, não há emprego para ninguém». E ficamos por aqui.
O consenso editorial em torno da figura segue em abundância de encómios e elogiosas referências ao percurso, ao carácter, à determinação, à coragem, às virtudes, tudo bem temperado de adjectivos e virtudes do empresário – «Mais do que um empresário, Belmiro foi um exemplo de exigência permanente, um homem livre e corajoso, amigo do risco, da disciplina interior, da educação pela vida fora, da “ética rigorosa”», escreve o Público – um dos mais ricos do país, digno de figurar no catálogo obsceno de fortunas da Forbes.
Na glorificação mediática do empresário («O maior empresário português no pós-25 de Abril», disse Daniel Bessa, no Público), assinale-se o singular destaque para a sua sobranceira relação com «os políticos», a que os media preferiram chamar «coragem» e «independência», como se tal «independência» não residisse de facto de estar, precisamente, no topo do poder económico.
«Belmiro de Azevedo / O Empresário que desafiou os políticos», titula o DN na primeira página, abrindo a peça principal, no interior, com este título «Belmiro de Azevedo: o empresário que reprovou todos os governantes». Os políticos, cita dele o JN, «falam do que não sabem, do que não tem a ver com a realidade e prometem o que não podem cumprir», pois «a sua postura na política foi sempre de “contrapoder”, como fazia questão de assumir».
Ao longo dos textos, emerge a colecção de ditos caricaturizantes, alguns mesquinhos, de Belmiro sobre personalidades da vida política, incluindo o actual Presidente da República – que aliás não lhe poupou rasgadas loas –, como quem fixa na memória dos leitores uma espécie de herói que até ousou pôr na ordem os deputados da nação, «obrigando-os» a madrugarem em certa manhã parlamentar e a recebê-lo às 8 horas em comissão.
Se algum dia for realizado um estudo rigoroso, ou alguma reflexão aprofundada, sobre os obituários em geral e os destaques dos media à morte de poderosos, talvez compreendamos melhor essa espécie de fascínio pelo poder económico e um certo desdém por essa realidade democrática a que tantas vezes se referem como «os políticos»…

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Jerusalém do capital

Os Estados Unidos, por intermédio de Donald Trump, confirmaram a sua decisão de "reconhecer" Jerusalém como a capital unificada de Israel. Trump leva o ónus do discurso bronco e de uma decisão irresponsável, mas não nos fixemos demasiado nele, para não perdermos o fio à meada dos interesses que velam antes, durante e depois dele...

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Filões e agendas


1. Por estes dias, corre nas redes sociais uma insistente torrente de interpelações aos media, questionando-os sobre a ausência – ou pelo menos a insuficiência – de notícias aprofundadas e sistemáticas sobre os processos relativos a alegada fraude com fundos europeus na Tecnoforma, envolvendo duas altas figuras do PSD; de alegada corrupção para a atribuição de «vistos gold», com a participação de figuras do topo da Administração do Estado e até um ministro do PSD; e de alegada corrupção na compra de submarinos à Alemanha tutelada pelo anterior presidente do CDS-PP.
Não é que as notícias não existam, como demonstra, por exemplo, uma investigação publicada há duas semanas pelo Público, mas as inúmeras mensagens veiculadas evidenciam uma insatisfação com a cobertura jornalística conferida àqueles assuntos, em contraste com a prolongada, e nalgumas fases intensa, divulgação de elementos, mesmo que por vezes irrelevantes, do processo da «Operação Marquês». A comparação sugere que certas personagens do teatro político são mais penalizadas pelo escrutínio mediático do que outras, o que suscita perplexidades ao público.
Haverá nos media uma agenda selectiva – sabe-se lá por que razões –, que fixa um alvo e não o larga até deixá-lo exangue, neutralizado e sobretudo morto civicamente, enquanto outros gozam de uma quase condescendência, para não dizer de uma espécie de imunidade mediática? E por que será que alguns meios dedicam uma atenção sistemática, quase militante, a certos alvos, mas praticamente negligenciam outros? Que razões justificarão uma e outra práticas?
Uma explicação possível, percepcionada do lado de dentro do aparelho mediático, será talvez o facto de um determinado processo constituir um filão de tal maneira suculento, mesmo antes de a acusação estar deduzida, e de circunstâncias nem sempre claras terem facilitado a fuga, a violação do próprio segredo de justiça, terem tornado irreprimível a vontade de noticiar e incontrolável o fluxo das notícias. Em contrapartida, outros filões esgotaram-se mais rapidamente e os processos terão caído em certa rotina. Será assim tão simples?
Quaisquer que sejam as justificações, parece evidente que os cidadãos estão longe de compreender o fenómeno, permanecendo uma nebulosa que alimenta uma percepção de parcialidade dos media e até de existência de agendas próprias, ora de denúncia, ora de ocultação. Talvez seja altura de arrepiar caminho e tornar mais transparentes as opções editoriais.
2.  Há uma semana, a Impresa Publishing, de Francisco Pinto Balsemão, aproveitou a alienação das suas revistas para despedir – ainda que sob a capa da fórmula, igualmente violenta, mas muito eufemística, da «rescisão por mútuo acordo» - um conjunto de jornalistas e outros trabalhadores que não seriam transferidos para o novo empregador, encetando mais um processo de «reestruturação».
O acompanhamento dado pelos media ao assunto foi escasso e contido, como acontece com frequência com os «emagrecimentos» nas empresas do grupo Balsemão, reduzido ao indispensável e sem qualquer esforço sistemático de acompanhamento do caso, em contraste com o que acontece em relação a outras empresas, sobretudo quando estas são «da concorrência». Também neste caso, os cidadãos indagarão as razões desta espécie de bipolaridade corporativa.
É provável que, na conjuntura económica e laboral dos media, funcione algum mecanismo de contenção, mais ou menos em razão do temor de que o mal alastre a outras empresas e atinja – ou volte a atingir – outras redacções, induzindo uma prudência frágil que consiste em desvalorizar (e silenciar…) o mal dos outros para o que o nosso se não ponha a caminho. Mas também não se descarta a hipótese de uma certa acomodação à ideia da inevitabilidade das «reestruturações» e das suas consequências para os jornalistas e outros trabalhadores do sector.
Talvez os leitores, os ouvintes e os espectadores mais atentos sejam levados a reflectir sobre este problema, bem como a questionar-se sobre a falta de consciência crítica entre os jornalistas, a ponto de quase desistirem de manter – ou mesmo colocar – na agenda dos media os problemas da sua própria profissão e das suas empresas.
É certo que, ao contrário do que pensam muitos cidadãos, os jornalistas não detêm o poder definitivo sobre o conteúdo dos órgãos de informação aos quais vendem a sua força de trabalho, e que é sempre mais fácil publicar notícias sobre as fragilidades da «concorrência» directa do que garantir um acompanhamento sistemático do sector que ponha em evidência, perante o público, os problemas do sector. Mas é grande o risco de se limitarem mais a fazer o «jornalismo do patrão» do que o jornalismo para os cidadãos.
3. Na passada sexta-feira, vários órgãos de informação alimentaram, em paragonas e repetidas peças, a ideia de que «os salários no privado vão descer em 2018», devido ao fim do pagamento dos subsídios de férias e de Natal em duodécimos. Várias delas enredaram-se nas mais bizarras acrobacias de aritmética na tentativa de demonstrar que tal medida «vai retirar rendimento mensal»[1] aos trabalhadores do sector privado (e do público, não?).
O raciocínio, muito colado à posição do PSD, que se opôs à justa medida proposta pelo PCP, assenta numa convicção tão errada quanto perigosa – a de que os trabalhadores «deixam de receber em duodécimos», como se esse fosse o direito a preservar.
O raciocínio escamoteia os factos essenciais:
- Os subsídios de férias e de Natal estão fixados na lei para serem pagos por forma a que os trabalhadores possam satisfazer as despesas inerentes ao gozo daquele período e das festividades sem sacrifício do seu rendimento mensal, tendo assim durante décadas, e essa é que é a normalidade;
- Em 2013, o Governo PSD/CDS-PP, depois de ter roubado aos trabalhadores da Administração Pública e do sector empresarial do Estado, os subsídios de férias e de Natal, impôs o pagamento em duodécimos aos trabalhadores do sector privado;
- Se pretendessem receber os subsídios nas alturas devidas e não em duodécimos, teriam de notificar expressamente (aliás em prazos muito curtos) as empresas, constituindo indesmentível maioria esmagadora (entre 2% e 20%, segundo as fontes) aqueles que optaram por manter a «normalidade»;
- Aquela imposição tinha por objectivos gerar nos trabalhadores a ilusão de que os seus «rendimentos mensais» não estavam a ser afectados pelas medidas fiscais gravosas, nomeadamente a sobretaxa do IRS, e, a prazo, acomodá-los à ideia da «desnecessidade» de tais subsídios e à sua extinção.
O raciocínio adere muito à agenda da direita e do patronato, em relação à qual os media estão demasiado sensíveis, tão largo e profundo é o seu divórcio em relação ao mundo do trabalho e aos problemas dos trabalhadores. Talvez seja útil aos editores e aos proprietários de meios de informação reflectir por que razões os trabalhadores se vão divorciado deles…  


[1] Um exemplo extraído do Correio da Manhã, cuja manchete era exactamente «Salário do privado desce em Janeiro»

sábado, 25 de novembro de 2017

A ilusão em duodécimos


Estou a pensar, a propósito desta estranha "polémica" desencadeada pela resistência do PSD à proposta do PCP de extinção do pagamento em duodécimos dos subsídios de férias e de Natal, em quanto é curta a memória e em como foram quase eficazes os ataques aos direitos dos trabalhadores feitos pelo governo PSD/CDS.
A imposição daquela forma de pagamento - na realidade, para iludir os trabalhadores e disfarçar o agravamento fiscal de então, bem como para ir os preparando para a extinção a prazo daqueles subsídios - data de 2013. Mas em tão escassos anos tornou-se a normalidade, pelos vistos para muitos!


Esta manchete é uma descarada mentira