Mensagens

Barreto e os editocratas

A colecção de entrevistas concedidas por António Barreto é um caso de estudo muito sério. Os editocratas acham que ele deve ser entrevistado porque tem algo de realmente novo, interessante e estimulante para dizer, ou porque necessitam que ele diga o que eles gostam que diga e gostariam que os leitores, ouvintes e espectadores pensassem?

Anatomia de uma calúnia

N o dia 3 de Maio, as centrais sindicais reagiram com justa indignação a afirmações da presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, no encerramento das jornadas parlamentares da sua bancada, realizadas em Ílhavo, distrito de Aveiro, a propósito das notícias sobre a publicação do regime jurídico transitório para a inserção de trabalhadores precários na Administração Pública e no sector empresarial do Estado. A julgar pelas notícias, as jornadas pouco terão produzido digno de destaque e Assunção Cristas estava sem assunto que produzisse eco noticioso suficiente para assegurar a «presença» mediática do seu partido ao longo do dia (edições em linha, rádios e televisões) e nos jornais do dia seguinte. Da memória dessa alocução, o que fica são afirmações segundo as quais os sindicatos passam a ter um poder de seleccionar e defender a integração dos trabalhadores precários que bem entendam – os que são sindicalizados, diz ela – e que estaríamos mesmo perante a «apropriação ilegítima da máqu...

Abílio Marques PInto

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Pensando nas apaixonadas advertências do Abílio Marques Pinto sobre o modo correcto de segurar na mão uma medalha, estou para aqui a matutar até que ponto muito do que somos devemos ao que foram as pessoas que fizeram parte da nossa vida.  O A. Marques Pinto foi o meu primeiro chefe – primeiro, coordenador, que corresponde ao moderno cargo de editor de secção; mais tarde, chefe de Redacção – quando entrei no Jornalismo, ainda no velho “O Primeiro de Janeiro”, há mais de 36 an os. Devo-lhe algumas coisas essenciais, como os reparos francos aos meus textos iniciais, o incentivo sincero aos meus progressos e a camaradagem luminosa das nossas jornadas de trabalho, com a partilha das suas memórias e experiências e as cavaqueiras sobre livros.  Nunca esquecerei uma das suas recomendações para valer toda a vida: “um repórter nunca abandona o local da reportagem sem ter na cabeça o ‘lead’ da notícia”. E tenho uma imensa saudade das gargalhadas que coroavam as “larachas” qu...

Recordando o Oscar Mascarenhas

"A liberdade de que nós, jornalistas, desfrutamos não é um privilégio para nossa fruição exclusiva, é um serviço aos outros.  (…) “Nestas coisas do jornalismo, tenho uma intransigência verdadeiramente ideológica: quero que me contem, do mundo, pelo menos duas versões - e deixem-me escolher em paz.” Oscar Mascarenhas (1949-2015) Que grande falta nos fazes, Oscar!

Mobília quase completa

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Rua do Bonjardim, Porto, Maio de 2017

Sabáticas

Estou aqui a pensar se deveria enternecer-me com o surpreendente anúncio da intenção da burguesinha do Caldas de propor medidas que permitam aos trabalhadores tirar licencas sabáticas para melhorarem a sua formação. Não descarto. Mas, para começar e dar provas de franqueza, o CDS-PP poderia começar por propor medidas realmente depressivas para os patrões que violam o estatuto do trabalhador-estudante e apresentar um projecto de revisão do Código do Trabalho que melhore esse estatuto, acabe com a adaptabilidade e o banco de horas e reduza a jornada de trabalho. Para já, era isto.

Securitarismo e Jornalismo

Nos últimos dias, a Imprensa portuguesa tem publicado uma série de notícias sobre uma iniciativa legislativa do Governo, prevista «para breve», com vista a garantir ao Serviço de Informações de Segurança (SIS) e ao Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) o acesso àquilo a que alguém convencionou chamar «metadados» das comunicações. De que falam os media quando escrevem «metadados»? De uma ampla gama de dados de comunicações que vai da identificação do titular de um telefone (fixo ou móvel) à localização, data, hora e duração de uma comunicação, passando pelas identidades internacionais do subscritor (IMSI) e do equipamento (IMEI), o endereço de correio electrónico, o endereço do protocolo IP, entre vários outros elementos. Na posse de tais dados, que os operadores de comunicações electrónicas já são obrigados a conservar por um ano, as «secretas» estariam em condições de saber exactamente quando, onde se encontrava, a que horas e durante quanto tempo é que o cidadão...

Para que servem as imagens da super-bomba?

Estou a pensar no problema ético que levanta a divulgação, hoje, pelos media, das imagens fornecidas pelo Pentágono relativas ao lançamento, ontem, da super-bomba norte-americana sobre um suposto alvo do auto-proclamado Estado Islâmico no Afeganistão. É evidente que a divulgação das imagens do suposto alvo a ser atingido, a par de imagens da agora famigerada bomba divulgadas ontem, só tem um propósito: mostrar o poder destrutivo e intimidar - não o "EI", mas sim a Síria, a Rússia, a Coreia do Norte. Perseguindo a divulgação objectivos de pura e dura propaganda belicista, talvez fosse aconselhável os media pensarem duas vezes (ou três, ou quatro, as que forem necessárias) antes de se prestarem a esse papel. .

EUA declaram guerra à Síria

O chamado "conflito sírio" corre há muito o risco de atingir uma escalada de magnitude imprevisível. O ataque norte-americano, esta madrugada, a uma base aérea síria é um acto de guerra contra um país soberano. Receio que as coisas não fiquem por aqui.  E não venham invocar a alegada "impreparação" ou a "loucura" de Donald Trump para tentar justificar esse acto. Trump é apenas o testa de ferro do insaciável complexo militar industrial e o rosto de turno do imperialismo norte-americanos. .

A Síria e a diabolização nos media

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Bashar al-Assad na entrevista concedida à Europe1 e TF1 (Foto: agência SANA) Numa entrevista concedida, em Fevereiro, pelo Presidente da República Árabe Síria às estações francesas Europe1 e TF1, um dos jornalistas pergunta a Bashar al-Assad: «(…) Há muitas pessoas, no nosso país em particular, que dizem que o Estado Islâmico, de um lado, e o seu regime, de outro, são as duas faces de um mesmo mal, que procura reprimir toda a forma de expressão democrática livre no país. Que lhes responde?» Sem deixar de responder, Assad atalha com um esclarecimento prévio: «Em primeiro lugar, nós não somos um regime. Somos um Estado com instituições.» Tal expressão, sustenta o presidente, reeleito em 2014 por sufrágio universal e directo, corresponde à «demonização» da Síria e do governo e do Exército sírios «pelos principais media e os meios políticos ocidentais». O incidente ilustra bem os processos de diabolização de governos através dos media , de que Bashar al-Assad é um dos alvo...

Equador

O campo progressista na América Latina continua a contar com o Equador. Resistindo à poderosa ofensiva da direita revanchista na região, Lenín Moreno e o Movimento Aliança País têm a incumbência de prosseguir e aprofundar o processo de transformação em curso no país. . .

Por um serviço noticioso público

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A convite da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto da Assembleia da República, participei hoje numa conferência parlamentar sobre o modelo de agência noticiosa e informativa de interesse público, com referência ao caso e à situação da Agência Lusa. Na minha intervenção, defendi, em síntese, que a Lusa deve ser uma empresa de capitais exclusivamente públicos; que o papel do Conselho de Redacção é fundamental e deve ser reforçado e protegido; que é necessário criar um Conselho de Opinião; e que é essencial submeter a agência às efectivas supervisão e regulação. A comunicação integral é a que se segue: Conferência Parlamentar MODELO DE AGÊNCIA NOTICIOSA E INFORMATIVA DE INTERESSE PÚBLICO – O CASO DA AGÊNCIA LUSA Assembleia da República | 28 de Março de 2017 Por um serviço noticioso público Alfredo Maia 1. Introdução Qualquer discussão, que se pretenda proveitosa, sobre o modelo de agência noticiosa nacional de serviço públi...