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Dilma Rousseff, um discurso para a História

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Dilma depondo hoje (Foto: Geraldo Magela/AgênciaSenado) A menos que a lucidez e o amor à verdade alterem o rumo dos dramáticos acontecimentos, a aritmética conspirativa no Senado - é golpe, sim!!! - vai condenar a Presidente da República do Brasil por crimes de responsabilidade que não cometeu. Mas a História já está a absolver Dilma Rousseff. O texto integral do depoimento inicial na inquirição como acusada no processo de destituição, hoje no Senado, está aqui .

Na crista da onda divertida

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A burguesinha do Caldas foi divertir-se numa pescaria ao largo de S. Miguel com a candidata do CDS por esse círculo às eleições regionais açorianas. É isso que se depreende desta reportagem na SICNotícias, na qual apenas o repórter faz perguntas ao pescador. Ou vi mal?

Critérios

Se não for pedir muito, alguém estará em condições de explicar as razões pelas quais o Jornal da Tarde da RTP enfia um plano de um edifício com os dizeres "Justiça Federal" nas imagens com que "pinta" uma peça sobre o início do julgamento de Dilma Rousseff no Senado brasileiro?  Agradecido. PS: Não é birra; apenas gostaria de compreender o "critério jornalístico" da coisa.

Que fazer com estas labaredas?

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Com a devida vénia, a foto é do AbrilAbril A finalizar uma entrevista – algo tensa – à ministra da Administração Interna, na “21.ª Hora”, na TVI, do passado dia 11 [1] , a pivô remata, num tom um pouco agreste: «O que lhe posso dizer é que têm sido as televisões a mostrar o que vai acontecendo de Norte a Sul do país e também na ilha da Madeira; a mostrar o drama que milhares de pessoas estão a enfrentar neste momento». Nos pouco mais de dois minutos anteriores, Constança Urbano de Sousa esforçara-se por furtar-se à insistência para que expusesse a sua opinião sobre uma petição, que então fazia furor nos Media, visando o aumento da pena máxima, para 25 anos, pelo crime de incêndio florestal. Declinando pronunciar-se de forma «prematura» e fora de uma discussão do «quadro penal como um todo», a ministra procurava investir o tempo na chamada de atenção para os efeitos do excesso reiterado de imagens de incêndios nas televisões. Funcionando como estímulo para incendiários, «f...

Camarada

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Estou a pensar no significado, ou no propósito que terão as aspas empregues para grafar a palavra "camarada" neste texto da "Revista" do "Expresso" do passado dia 6. Mas julgo que o meu camarada Eduardo Gageiro não esperava, ao proferi-la, que lhe pespegassem essa espécie de preservativo. Porque, nos jornais, um camarada é um camarada - sem aspas nem receios.

Proibições e auto-determinação

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A foto pertence à notícia ligada A islamofobia das autoridades francesas , mal disfarçada ora com alegações de “segurança”, ora com a invocação da laicidade, levada ao extremo com o patrulhamento das praias à caça de mulheres muçulmanas com burquinis só dará resultados péssimos. Além de restringir inaceitavelmente direitos, liberdades e garantias e aumentar a tensão xenófoba, agrava a segregação de uma comunidade, particularmente das mulheres.   A norma é tão estúpida que, longe de garantir-lhes condições de autodeterminação, incluindo para usar ou não usar tais vestes, expulsa-as de lugares – e logo a praia! – onde essa autodeterminação se pode ir adquirindo e afirmando.

Fidel Castro, 90 anos!

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Longa vida ao Comandante!

Proibini

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E se fosse um burkini desenhado por um reputado criador de moda, poderia ser usado? (A propósito desta notícia ) O que procuro colocar em discussão é a sustentação dos preconceitos. Por isso propunha que equacionássemos uma hipótese limite: é se um estilista mais ou menos famoso - ou uma marca de vestuário conhecida - transformassem em moda o que é estranho à cultura dominante? Arrisco uma resposta: talvez o vestuário tão criticado fosse aceite, sem que isso signifique necessariamente um avanço da tolerância e do convívio entre povos. A questão das proibições é de facto crucial, por atingir direitos. A proibição do burquini, cujo uso é muitas vezes imposto, não contribui para a emancipação das mulheres. Proibidas de ir à praia, ficam ainda mais isoladas.

Proibini

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E se fosse um burkini desenhado por um reputado criador de moda, poderia ser usado? (A propósito desta notícia ) O que procuro colocar em discussão é a sustentação dos preconceitos. Por isso propunha que equacionássemos uma hipótese limite: é se um estilista mais ou menos famoso - ou uma marca de vestuário conhecida - transformassem em moda o que é estranho à cultura dominante? Arrisco uma resposta: talvez o vestuário tão criticado fosse aceite, sem que isso signifique necessariamente um avanço da tolerância e do convívio entre povos. A questão das proibições é de facto crucial, por atingir direitos. A proibição do burquíni, cujo uso é muitas vezes imposto, não contribui para a emancipação das mulheres. Proibidas de ir à praia, ficam ainda mais isoladas.

Mobiliário urbano

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Rua do Bonjardim, Porto, Agosto de 2016

Convenientes narrativas de terror

No dia 1 deste mês, vários órgãos de informação portugueses repercutiram, nas respectivas edições em linha, uma notícia do diário espanhol El Mundo [1] , segundo a qual o auto-proclamado Estado Islâmico (EI) publicara, em Junho, nas redes sociais, um anúncio para o recrutamento de tradutores de Português e de Castelhano, entre outras informações, designadamente sobre os alegados «progressos» e as «ameaças» do EI. Entre as participações nas caixas de comentários avultam, além de recorrentes manifestações de xenofobia, intolerância e de inspirações «humorísticas» mais ou menos forçadas, reações muito críticas de leitores. «Esta notícia é direcionada para aqueles que não tenham tido conhecimento do recrutamento ficarem a saber!», comenta um leitor do Diário de Notícias [2] . Outra leitora pergunta se «o DN pode ser processado por apoio ao terrorismo», questionando se tal informação é notícia «só porque o El Mundo também faz», concluindo: «Que falta de sentido ético! Que falta de...

Atitude HCESAR

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Estou a pensar na eventualidade de estar a manter uma atitude excessivamente analógica, quando proponho alguma reflexão sobre os riscos de o jornalismo instantâneo, impulsionado pelo ritmo twitter, tornar os jornalistas reféns das redes sociais e arrumar de vez com a sua função mediadora. Nessa altura, será outra coisa, mas não poderá chamar-se Jornalismo. Suponho. Esse jornalismo d e vertigem alimenta-se, e alimenta, a alta velocidade, de inúmeras informações parcelares, não confirmadas, de meias-verdades, de insinuações e rumores. Por muito que corrija, lá para diante, os erros, não consegue evitar que sejam aqueles a permanecer na memória dos internautas acríticos, ou simplesmente apressados. .

Natureza-morta expectante

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Estou a pensar, olhando para os suportes das colecções de jornais que aguardam os exemplares diários deste mês, nas fascinantes naturezas-mortas da pintura que, desde Pompeia, convocam o regozijo com a renovação da vida. Talvez os jornais impressos não acabem tão cedo como prognosticam por aí. .

Brasil: para memória futura do golpe

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Para que conste desde já: "Os senadores que vão votar a favor (da destituição) vão ficar na História como golpistas"; "Tenho a certeza de que a Presidente Dilma Rousseff vai ser absolvida pela História" (Senador Lindbergh Farias, eleito pelo Partido dos Trabalhadores, hoje na Comissão Especial do Senado do Brasil) .

Do golpismo apressado

Os golpistas são tão golpistas que querem forçar a antecipação do início do julgamento final, no Senado, da Presidente da República do Brasil, Dilma Rousseff. O presidente do Senado, Renan Calheiros, é tão descarado que já marca datas e tudo, mesmo sabendo que a prerrogativa para tal pertence ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. Vale tudo. Vale? .

Da ruptura dos Media com o mundo do Trabalho

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Num editorial recente [1] , o jornal “i” interrogava-se, em título: “Afinal, os estivadores tinham razão?”. Afinal, não havia razões para o longo “braço de ferro” no Porto de Lisboa, que fazia perder 100 mil euros por dia, quando “um dos pontos centrais era um ordenado mínimo – e penso que muito justo – de 850 euros” e era “legítimo que os atuais trabalhadores se recusassem a aceitar a concorrência de novos empregados com remunerações bem mais baixas”. O caso remete-nos para o problema da ruptura dos Media com o mundo do Trabalho e a vida sindical, muito importante na batalha ideológica da qual os meios de comunicação social são um instrumento decisivo. Tal ruptura traduz-se na omissão sistemática de problemas, anseios, lutas, propostas e conquistas dos trabalhadores e das suas organizações, bem como na construção e alimentação de preconceitos, distorções e manipulações acerca da importância, do papel e da acção dos sindicatos. Tal ruptura manifesta-se desde logo na ...

A semântica armadilhada dos Media

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Na edição de 30 de Junho, o jornal "i" conseguiu fazer duas páginas sobre a "guerra" entre o PCP e o BE sem mencionar uma única vez a "geringonça" - facto raro... Na semana passada, na véspera e no dia do debate do “estado da nação” na Assembleia da República, a generalidade dos órgãos de comunicação social utilizou copiosamente o termo “geringonça”, fosse para referir-se à solução parlamentar de suporte ao Governo, fosse para esmiuçar o estado da própria maioria, mais do que o da nação. Não é novidade. Nos últimos meses, num crescendo desde Fevereiro, o termo tem vindo a generalizar-se nos Media, a tal ponto que quase não há dia em que não surja em pelo menos um título, uma ou mais vezes num texto e numas quantas legendas, pretendendo alcandorar-se a um estatuto de seriedade jornalística que não tem. Os jornalistas sabem – ou deveriam saber – que as palavras têm significados muito concretos e que a clareza, o critério e a transparê...

Os media e o despertar dos cidadãos

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A recente discussão sobre a cobertura que o jornal “Público” fez das manifestações dos colégios privados e da marcha pela Escola Pública colocou em evidência um facto inelutável: os jornalistas e os media já não detêm o privilégio e o monopólio da intervenção no espaço público, ainda que a desigualdade de armas seja manifesta e a desproporção de forças e de meios seja gritante. Sem querer insistir demasiado na tónica dos números, que conduz ao risco de um enviesamento estéril do debate sobre as práticas jornalísticas, vale a pena reflectir um pouco sobre alguns elementos essenciais comparados das narrações em causa. Na reportagem sobre a manifestação dos colégios (29 de Maio), para cuja mobilização o “Público” e outros órgãos de informação muito contribuíram, ressalta, logo no primeiro parágrafo, a valoração qualitativa do factor quantitativo, com recurso a notas impressivas: um “mar de gente” que “inunda o largo da Assembleia da República” a tal ponto que os organizadores t...

Limites

Independentemente das apreciações críticas que possamos fazer acerca da forma como este ou aquele órgão de informação cobre determinado tema ou acontecimento, há uma coisa que não podemos fazer - exigir ou "sugerir" o despedimento do jornalista autor da cobertura. Eu supunha que esse ponto não tinha discussão entre cidadãos. Na boca ou no teclado de um deputado da República, é absolutamente inaceitável. .

Momentos públicos de televisão

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Breves apontamentos em directo do directo da RTP3 na marcha em defesa da Escola Pública, hoje em Lisboa. Sensacional momento de serviço público de televisão. A reportagem em directo na RTP3 arranca com uma graçola sobre o jogo da selecção portuguesa de futebol. A minutos tantos, outra repórter diz que se preparam "gritos de guerra"! Alguém fará o favor de explicar a esta repórter da RTP que a manifestação que está a cobrir nao é "pró-governo", mas em defesa da Escola Pública? Agradecido. Diz agora esta repórter da RTP que esta manifestação "também parece Uma manifestaçao da Esquerda contra a Direita".  E insiste, pela enésima vez, com visível excitação, no argumentário dos colégios privados. A repórter da RTP a questionar o secretário-geral do PCP sobre a ameaça de despedimentos nos colégios e Jerónimo de Sousa a dizer que mais de 30 mil perderam o posto de trabalho na Escola Pública com o governo P...