Saudades da Rádio Activa


Esta manhã, ouvindo na Antena 2 discorrer sobre livros, dei-me a matutar que muito do que somos devemos aos livros que lemos, às palavras que escutamos dos outros e à música (claro!) que ouvimos.
Dei-me a matutar nisto justamente - e por feliz coincidência - no Dia Mundial da Rádio, que é o meio que sintetiza as múltiplas dimensões do manejo da palavra, desde logo a de a escrever, a de a dizer e a de a escutar.



Entre as diversas experiências profissionais que vivi em mais de 38 anos de Jornalismo que levo, trabalhei - há-de perfazer três décadas em Setembro - num projecto extraordinário que respondia pelo nome "Rádio Activa", no horário da madrugada/manhã.

No Porto e para o Porto (foi a fase de legalização das rádios locais, posteriormente pervertida com a complacência e a acção de sucessivos governos e maiorias parlamentares de turno, rendidas à concentração da propriedade de meios de comunicação social), a Rádio Activa interpretava a cidade, a região, o país e o mundo com uma abordagem progressista, mas profissionalmente rigorosa.

Penso muito especialmente nessa experiência muito exigente, quando escuto hoje em rádios (e vejo em televisões...), durante horas e horas, a repetição dos mesmos alinhamentos, dos mesmos textos, dos mesmos registos sonoros. 

É que, nessa Rádio (onde, vindo de jornais e revistas, aprendi vivendo que não há fronteiras para a palavra escrita), apesar de emitirmos noticiários breves de meia em meia hora, um pouco mais desenvolvidos de hora a hora e um "jornal" alargada de meia hora ao meio dia, nunca ou raramente se repetia um texto ou um "RM" (registo magnético). Acontecia mesmo quando a actualidade se atropelava.

E acontecia também na área da Programação, onde a "devoção" pela palavra escrita e dita e o cuidado na preparação dos conteúdos da "animação de antena" nos enriqueciam igualmente.

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