Afinal em que ficamos?



Há anos, décadas mesmo, que a elite editorial alinha na ideia, e faz muito para alimentá-la, de que os sindicatos, e concretamente a CGTP, são controlados pelo partido suspeito do costume.

Essa ideia lançou raízes tão fundas que essa elite não tem maneira de ocultar a sua ignorância sobre o mundo sindical, a sua actividade, programas de acção, lutas. E muito menos de disfarçar o seu incómodo perante a coerência da agenda sindical nomeadamente da CGTP, apresentando a sua perplexidade perante um facto irrefutável - o da justeza das reivindicações dos trabalhadores.
O argumento central é este: uma vez que o PCP, o BE e o PEV dão suporte parlamentar ao governo PS, a CGTP devia estar queda e muda.
Há factos singelos que põem em evidência as contradições. Por exemplo, o "Público" de ontem afirmava que a CGTP trocou a palavra de ordem "A luta continua, o Governo para a rua" por uma nova: "A luta continua, nas empresas e na rua". Ora, eu, que terei a memória menos sólida do que dos arquivos do periódico, posso garantir que tal slogan é usado não sei há quantos anos nas manifestações da CGTP.

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