Em tempo de encarniçamento moral

Um médico – na circunstância, o director da delegação do Porto do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM – está a ser julgado no tribunal da opinião publicada porque decidiu mandar administrar a onze cidadãos que trabalham numa confeitaria vizinha daquela estrutura, e talvez noutras lojas das imediações, outras tantas doses da vacina contra a covid-19 que sobraram da imunização dos profissionais do INEM e que, segundo alega, não teriam outro destino senão o lixo, se não tivesse feito essa opção. Ouvi-o e vi-o garantir que o fez na plena noção e consciência de que, moral e deontologicamente, era essa a única opção possível, com a vantagem de contribuir para imunizar um conjunto de cidadãos que a sua estrutura continuaria a monitorizar. Outros (muitos outros?) discordam e há quem o critique com a severidade condenatória que nestes dias de inquietação pandémica muito se tolera e da qual a imprensa se nutre – eu pecador me confesso. Não sei de ciência certa quem tem razão e muit...