"Está?! Fala Fulano. Gostava de falar-lhe sobre este assunto .... Se tiver tempo e paciência, agradeço que me ligue. Um abraço." Haverá poucas outras arrelias maiores do que ligar-se para um telefone e não sermos atendidos, ou sermos remetidos para um impessoalíssimo sistema de correio de voz, para o qual é suposto debitarmos um recado: quem somos, ao que vimos, o que pretendemos... Dou-me a reflectir especialmente sobre essa circunstância comunicacional quando eu próprio, vítima do sistema quando não consigo contactar a pessoa que procuro, sou também o alvo da procura de outrem. O recado acima transcrito, real, deixado no meu telefone, transmite várias mensagens. A primeira, sem dúvida, sobre a delicadeza de trato da pessoa que ma deixou (delidadeza que afianço, do longo e agradável convívio com ela). A segunda tem a ver com um problema bem contemporâneo: a falta de disponibilidade nas suas múltiplas vertentes - de tempo, psicológica, etc - para ouvir o outro. E há outras, ...