Denunciar as armas do fascismo*

Eis-nos aqui, de novo chamados à celebração dessa madrugada redentora de há 47 anos, o momento inaugural da extraordinária Revolução cujos momentos exaltantes a memória dos que os viveram evoca com redobrada alegria, transcorrido já quase meio século, e cujas conquistas as gerações dos que se lhes seguiram reclamam como aquisições imprescritíveis. Ao saudarmos essa madrugada que Sophia de Mello Breyner Andresen “esperava” – “O dia inicial inteiro e limpo // Onde emergimos da noite e do silêncio”, no belo dizer da poeta – transborda dos nossos corações um sentimento de profunda gratidão para com os jovens oficiais, sargentos e praças que, nesse dia 25 de Abril de 1974, pegaram em armas e romperam a longa noite do fascismo, franqueando as portas luminosas da liberdade sem o derramamento de sangue que tamanha ousadia arriscava. Embora tenha na sua génese um movimento de natureza meramente corporativa, o Movimento dos Capitães que veio a transformar-se no Movimento das Forças Armadas...