A última semana foi marcada pela greve dos trabalhadores da Autoeuropa, que os órgãos de comunicação social não se cansaram de rotular «histórica», mas não necessariamente pelas melhores razões segundo a leitura prevalecente nos próprios media . Foi uma greve tão histórica que pelo menos dois jornais [1] guindaram a «figura da semana», não o líder sindical ou a organização sindical que conduziu a importante jornada de luta, mas, de forma exaltante, nada menos que a pessoa – o antigo coordenador da Comissão de Trabalhadores – que mais se destacou no ataque ostensivo e ofensivo aos sindicatos e aos próprios trabalhadores que massivamente votaram e cumpriram a greve. Com o fervor anti-sindical dos editocratas e para gáudio dos patrões [2] , que vêem reflorescer o divisionismo entre os trabalhadores, os media , que abandonaram há quase três décadas a «rotina» informativa sobre trabalho e sindicalismo, mostraram sem pudor o lado obscuro da captura do campo jornalístico pelos intere...