Da ruptura dos Media com o mundo do Trabalho

Num editorial recente [1] , o jornal “i” interrogava-se, em título: “Afinal, os estivadores tinham razão?”. Afinal, não havia razões para o longo “braço de ferro” no Porto de Lisboa, que fazia perder 100 mil euros por dia, quando “um dos pontos centrais era um ordenado mínimo – e penso que muito justo – de 850 euros” e era “legítimo que os atuais trabalhadores se recusassem a aceitar a concorrência de novos empregados com remunerações bem mais baixas”. O caso remete-nos para o problema da ruptura dos Media com o mundo do Trabalho e a vida sindical, muito importante na batalha ideológica da qual os meios de comunicação social são um instrumento decisivo. Tal ruptura traduz-se na omissão sistemática de problemas, anseios, lutas, propostas e conquistas dos trabalhadores e das suas organizações, bem como na construção e alimentação de preconceitos, distorções e manipulações acerca da importância, do papel e da acção dos sindicatos. Tal ruptura manifesta-se desde logo na ...