Os media e o despertar dos cidadãos

A recente discussão sobre a cobertura que o jornal “Público” fez das manifestações dos colégios privados e da marcha pela Escola Pública colocou em evidência um facto inelutável: os jornalistas e os media já não detêm o privilégio e o monopólio da intervenção no espaço público, ainda que a desigualdade de armas seja manifesta e a desproporção de forças e de meios seja gritante. Sem querer insistir demasiado na tónica dos números, que conduz ao risco de um enviesamento estéril do debate sobre as práticas jornalísticas, vale a pena reflectir um pouco sobre alguns elementos essenciais comparados das narrações em causa. Na reportagem sobre a manifestação dos colégios (29 de Maio), para cuja mobilização o “Público” e outros órgãos de informação muito contribuíram, ressalta, logo no primeiro parágrafo, a valoração qualitativa do factor quantitativo, com recurso a notas impressivas: um “mar de gente” que “inunda o largo da Assembleia da República” a tal ponto que os organizadores t...