sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Mobilização de jornalistas em marcha

É agora ou nunca! Os jornalistas estão a ser chamados a tomar a palavra - sobre o Jornalismo e as suas condições, sobre a situação nas empresas e no país. Além das reuniões já convocadas pelo Sindicato para o próximo dia 27 de Outubro (de amanhã a oito dias) e de outras iniciativas, o SJ convocou hoje uma grande Conferência Nacional dos Jornalistas, a realizar no dia 24 de Novembro, abrindo caminho à realização, também pelo SJ, do 4.º Congresso dos Jornalistas Portugueses.
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Notícia da solidariedade nas greves

O Sindicato dos Jornalistas saudou hoje o enorme êxito das greves na Agência Lusa e no jornal "Público" e enalteceu o espírito fraterno e as acções concertadas entre os jornalistas e outros trabalhadores das duas empresas, considerando que a solidariedade activa demonstrados mostram que é possível fazer um caminho mais longo e mais largo.
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Notícia das greves

O silêncio na linha de serviço noticioso da Lusa é uma excelente notícia: a greve continua a ser um êxito. Oxalá este silêncio seja escutado por quem de direito.
Na trincheira do "Público" a malta está firme: até ao início da tarde, a esmagadora maioria dos jornalistas não estava a trabalhar. Outra boa notícia.
Estive toda a manhã no duplo piquete da Lusa/Público no Porto e tenho boas notícias das concentrações conjuntas e móveis - primeiro na Assembleia da República; depois no "Público"; depois na Lusa.
Isto vai, camaradas! 
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Homenagem a quem (re)descobre a sua dignidade e força interiores

Um oportuno e necessário panfleto. Poemas de resistência, pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (II):



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Por que vai paralisar o "Público"

Amanhã, 19, outra Redacção deve parar: os trabalhadores ao serviço do "Público" vão cumprir uma greve de 24 horas em protesto contra um despedimento colectivo que não se pode aceitar, como aqui se explica mais uma vez.
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Uma greve justa e exemplar

Não me consta que haja greves não justas. Mas é importante sublinhar que a greve que os jornalistas e os outros trabalhadores da Agência Lusa estão a cumprir desde as 00h00 de hoje é justa. E está a ser cumprida de forma exemplar, como sublinhou ao fim da tarde de hoje o Sindicato dos Jornalistas.
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Notícia da greve


A melhor notícia da greve é não haver notícias. 
O serviço noticioso da Agência Lusa está suspenso até às 24 horas do próximo dia 21. 
A generalidade dos meios de informação ressente-se. Vejam bem como a Lusa faz falta à Democracia.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Povo, não pares a tua tempestade!

Um oportuno e necessário panfleto. Poemas de resistência, pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (I):

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Não é só a Lusa que está em causa


Os trabalhadores ao serviço da Lusa - Agência de Notícias de Portugal iniciam às 00h00 de amanhã, dia 18, uma greve de quatro dias. Não é uma greve qualquer e não é uma greve só por causa da Lusa. O que está em causa ultrapassa o que possa supor-se como interesses particulares dos jornalistas e dos outros trabalhadores que nela ganham o seu honrado sustento, como o Sindicato dos Jornalistas chama atenção aqui, apelando naturalmente à solidariedade.
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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Quando os jornalistas também são chamados

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) publicou hoje um importante comunicado, convocando os jornalistas a tomar posição e a passar à acção. Há uma ofensiva brutal contra os trabalhadores - portanto, jornalistas incluídos - tanto nas empresas como na acção governativa: os patrões despedem-nos e privam-nos de rendimentos; o Governo e a maioria parlamentar empobrecem-nos ainda mais e não hesitam em ameaçar com o caos.
O que está a passar-se no "Público", onde decorre já um processo de despedimento colectivo envolvendo 48 trabalhadores, 28 dos quais jornalistas, na Agência Lusa, onde um corte de mais de 30% das dotações do Estado ameaçam a sua sobrevivência, na Impresa, que quer encerrar cinco revistas e despedir 50 trabalhadores, na Cofina, etc., são ofensivas muito severas no sector da comunicação social que urge parar.
Para quinta e sexta-feira, o SJ apela à expressão da solidariedade para com as greves convocadas na Lusa e no "Público", mas a organização sindical dos jornalistas considera importante ir mais longe e exorta os jornalistas a reflectir sobre a necessidade de uma greve nacional do sector, envolvendo todas as empresas e todos os jornalistas.
Desta vez, também é mesmo com os jornalistas.
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Alvíssaras pelo paradeiro do Dr. Paulo Portas


Por favor!, alguém sabe por anda o Dr. Paulo Portas que escreveu que "o nível dos impostos já atingiu o seu limite"? Ou será outro Paulo Portas?
Agradecido.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A ideia é mesmo essa, senhor ministro!

O ministro das Finanças lá nos quis convencer hoje que "não há alternativa" ao violento Orçamento de Estado que o o Governo teimou em entregar e que "quem estiver coma este Orçamento estará contra o programa de ajustamento" (cito de memória).
Ora, a ideia é mesmo essa, senhor ministro! É mesmo rejeitar o programa de empobrecimento dos portugueses e do país e rejeitar de imediato um orçamento de Estado que insuspeitas personalidades não hesitaram classificar com os adjectivos mais dramáticos.
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domingo, 14 de outubro de 2012

As eleições nos Açores e o resto do país


Os resultados eleitorais de hoje na Região Autónoma dos Açores devem ter uma leitura também nacional.
Mostram sinais claros à Direita, incluindo ao PSD, apesar de até ter reforçado o número de deputados, mas especialmente ao CDS e a Paulo Portas.

sábado, 13 de outubro de 2012

Receitas para resolver a crise: mais quatro propostas da CGTP

Depois de quatro importantes propostas para obter mais seis mil milhões de euros de receitas do Estado sem sacrificar os trabalhadores, a CGTP-IN apresentou hoje, no final de uma significativa marcha de uma semana contra o desemprego mais quatro propostas, agora para "eliminar a má despesa do Estado": 
1.ª Proposta: Exigimos que o Governo português, em conjunto com outros, exija a revisão do Regulamento do BCE, para que este passe a financiar directamente os Estados a 0,75%, tal como hoje faz ao sector financeiro.

Num quadro em que em 2012, os juros da dívida atingem os 7,5 mil milhões de euros, a concretização desta medida levaria a que Portugal pagasse apenas 3 mil milhões de euros, poupando mais de 4.500 milhões de euros.
2.ª PropostaExigimos que se ponha termo aos benefícios fiscais injustificados que conduzem à chamada “despesa fiscal” do IRC. Foi através deste e outros expedientes que ficaram por cobrar 9 mil milhões de euros de IRC, segundo os últimos dados disponíveis da Autoridade Tributária (em 2010).
3.ª Proposta – Exigimos que o Sector Financeiro deixe de beneficiar de descontos em sede do IRC e que se implementem medidas que impeçam a “contabilidade criativa” da banca! A situação que se verifica faz com que a taxa de IRC efectiva paga pelos bancos, segundo dados do Banco de Portugal, seja de apenas 15,4%. A aplicação da taxa de 25%, permitirá ao Estado reduzir a despesa fiscal e obter uma poupança de 689 milhões, em 2013!
4.ª Proposta: Exigimos o fim das Parcerias Público-Privadas e a renegociação dos contratos daquelas que existem! São inaceitáveis estes contratos, onde os prejuízos vão todos para o Estado e os lucros para o privado.
São obscenos os lucros garantidos, que variam entre os 5 e os 17%. A CGTP-IN propõe a renegociação dos contratos de forma a reduzir estas margens. Esta medida representaria um valor superior a 500 milhões de euros.


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Prendam todos!

O Dr. Bagão Félix, conhecido militante do Partido Comunista Português, declarou à SICNotícias, se não me engano ou não me enganam os motores de busca, todos pertencentes aliás ao tenebroso aparelho de propaganda comunista, que o violento agravamento dos impostos decidido pelo Governo é um verdadeiro "napalm fiscal", ou um "terramoto de magnitude 8 na Escala de Richter", que tudo devasta.
Fontes geralmente bem informadas indicaram que as declarações bombásticas de Bagão Félix fazem parte do arsenal verbal terrorista de instigação à violência de que o PCP foi acusado hoje pelo primeiro-ministro. 
Vai tudo preso!
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Bem me parecia que estavam a tramar-nos

Bem me parecia que não estavam a fazer coisa boa e que estavam mesmo a tramar-nos:


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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Certamente não estiveram a fazer boa coisa...

A notícia ecoa na Rede: o Governo esteve reunido 20 horas a ultimar (a suavizar, dizem...) o Orçamento de Estado, depois de já se ter reunido outras 13 horas a prepará-lo. Portanto, 20 + 13 = 33 horas... Tanto tempo?! Como dizem os antigos, boa coisa não estiveram a fazer...
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Despedimentos no "Público": o que está em causa

Como era de prever, depois de ter criado uma atmosfera - interna e externa - propícia às más notícias, a Administração do "Público", detido pelo poderoso grupo Sonae, jogou hoje a sua cartada, comunicando o início de um processo de despedimento colectivo abrangendo 48 trabalhadores.
A Administração alega quebra contínua de receitas. Mas a verdade é que o "Público" é um pequeno segmento do negócio da Sonaecom, holding da Sonae que, em plena crise, obteve um aumento de lucros de quase 20% no primeiro semestre do ano, depois de um aumento de 51,7% em 2011.
"O que está em causa não é a sobrevivência de uma pequena empresa", considerou hoje o Sindicato dos Jornalistas. "O que se passa é que a Sonaecom e a Sonae não querem diminuir os seus lucros e não hesitam em sacrificar quase meia centena de trabalhadores, lançando mão de um despedimento colectivo no quadro de uma gravíssima crise económica e social, e rejeitando a função social que as empresas devem assumir especialmente em épocas como esta", sustenta o SJ em comunicado distribuído esta tarde.
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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Não, não são apenas mais 50 mil para o desemprego

Para além das evidentes consequências sociais directas do despedimento de 50 mil trabalhadores das administrações públicas  - em primeiro lugar, as consequências pessoais e familiares sobre os próprios; em segundo lugar, a dramática redução da qualidade dos serviços onde trabalham - a violenta "medida" anunciada pelo Governo implica consequências indirectas muito, mas mesmo muito, inquietantes.
Em primeiro lugar, o "sinal" que o Governo dá às empresas privadas quanto à resolução do escandaloso problema da precariedade. Se o Estado, que deve ser a primeiríssima pessoa-de-bem e dar o exemplo de corrigir a brutal exploração do trabalho precário, é o principal praticante da arte de descartar-se do problema, que poderão os pobres mortais dos empresários fazer senão seguir impunemente na sua peugada?
Em segundo lugar, o despedimento de 50 mil trabalhadores não tem a "vantagem" da redução da despesa que os seus salários representam, pois esta "dispensa" maciça representa, desde logo: 
a) a renúncia a contribuições que eles estariam a pagar; 
b) o consumo de recursos da segunda social no caso daqueles que tenham direito a subsídio de desemprego; 
c) mais uma contribuição de peso para a diminuição da capacidade de consumo; 
d) mais uma significativa contribuição para engrossar as hordas crescentes de pessoas à procura de ajudas múltiplas - das consultas de psiquiatria e dos psicofármacos à sopa dos pobres.
Em terceiro lugar, confirma que o Governo continua a ser forte, aliás, a ser mesmo muito forte e brutal com os fracos e fraquinho e obediente com os fortes, em cujo pê-lo não só não ousa tocar mas também continua a afagar, aliás com indesmentível desvelo...
Desiludam-se os que pensam que com mais 50 mil para o desemprego, menos 50 mil para o desemprego, a pátria vai continuar a suportar serenamente o jugo de uma austeridade impiedosa.  
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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Homenagem a Nuno Grande

É assim que vamos ficando mais pobres.
Hoje, morreu o Professor Nuno Grande. Tinha 80 anos e uma vida muito cheia e muito intensa. Como médico, como cientista, como pedagogo e, sobretudo, como cidadão inteiro. Fazia jus à memória, ao exemplo, às acções consequentes e à coerência daquele que foi o patrono da sua escola, Abel Salazar, cujo lema "Um médico que só sabe medicina nem de medicina sabe" dominou, numa larga legenda, o átrio do Instituto de Ciências Biomédicas (já lá não vou há que tempos, não sei se ainda existe depois das remodelações).
Tendo tido o privilégio de ouvi-lo tantas vezes discorrer, ora sobre a evolução da Medicina e das ciências médicas e as suas respostas às necessidades e anseios da Humanidade, ora sobre a própria natureza desta actividade discutindo o problema de saber se a Medicina é uma ciência ou uma arte, ora sobre as exigências de saber universal, disponível e tolerante que impendem sobre o médico; 
tendo acompanhado entusiasmantes e proveitosas visitas à Casa-Museu Dr. Abel Salazar (cientista insígne, perseguido pelo fascismo*, artista plástico de vulto mas que receio esquecido); 
tendo testemunhado o seu empenhamento intelectual e cívico em diversas causas, destacando, de entre estas, a dinamização desse importante movimento ibérico (essencialmente) de universitários por uma Nova Cultura da Água, em defesa da sustentabilidade dos recursos,
presto homenagem ao homem, ao cientista e ao cidadão de corpo inteiro.      

* Aos que visitem a Casa-Museu, recomendo vivamente que atentem numa enorme fotografia que documenta o momento em que Abel Salazar, expulso da Universidade pelo ditador António de Oliveira Salazar, empilha numa carroça os seus "frascos" e utensílios do laboratório
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Tragédia social agrava-se

A TSF noticiou hoje que pelo quase 300 mil inscritos nos centros de emprego, correspondendo a 46 do total de inscritos no final de Agosto, já não recebem subsídios de desemprego ou Rendimento Social de Inserção.
O número, que pode pecar por defeito, uma vez que o número de inscritos no final de Agosto era realmente de 673.421 desempregados (entre 807.157 pedidos de emprego), segundo o relatório mensal do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IFP), ilustra dramaticamente a tragédia social galopante e à qual o Governo não está disposto a debelar.
É certo que mais tarde ou mais cedo - e tudo indica que vai ser mais cedo do que pensam - os partidos que suportam o Governo vão pagar caro nas urnas o preço da sua imensa insensibilidade social. Mas a pungente agonia que empurra o país para o desaire social não será evitada se não se mudar, rapidamente e com firmeza, de rumo e de políticas.
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sábado, 6 de outubro de 2012

Mas é claro que não poderemos ir para aí

"Nós sabemos para onde vamos."
(Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal, 6 de Outubro de 2012)

Mas é claro que não poderemos ir por aí!
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O bispo da Internet falou assim

José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda (foto oficial)

"Há pessoas que comunicam constantemente, no seio de uma família, através das redes sociais, sejam elas de telemóvel, da Internet ou do Facebook, do Twitter ou de outras formas, e depois já aconteceu estar com essas pessoas à mesa e não havia comunicação entre elas.". Estas palavras são de José Cordeiro. 
Apresentadas assim, não assumem qualquer relevância. Qualquer um de nós poderia proferi-las e isso não seria seguramente notícia. Mesmo que lhe acrescentássemos o tratamento honorífico Dom para passarmos a escrever "D. José Cordeiro", ou que precisássemos que este Dom se refere a um bispo, pouco acrescentaríamos de relevante. Qualquer padre, mesmo bispo, medianamente atento à dobadoira do mundo e às quotidianas coisas chãs do seu tempo saberia fazer tão sábia advertência, incorrendo porém no naturalíssimo risco de virem acoimá-lo de de geronte e outros nomes até menos simpático.
Dá-se o caso de esse tal José Cordeiro, sendo - já se percebeu - um bispo católico, não é um bispo qualquer. E não foi acaso que o título escolhido na versão em linha do "Diário de Notícias" o apresentou como o "bispo da Internet". É sabido: José Cordeiro, 45 anos, bispo de Bragança-Miranda, o mais jovem prelado português (foi ordenado há um ano, no dia 2 de Outubro), é um confesso e praticante entusiasta da Internet e das redes sociais e suponho (não confirmei) que é o único bispo católico português seguido no Facebook e o único a indicar um endereço pessoal de correio electrónico. O que me leva a supor que sabe do que fala.
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Estado da República e incidentes simbólicos

Hasteamento da bandeira, hoje, na Câmara Municipal de Lisboa
(foto: Natacha Cardoso/Global Imagens)

No plano do simbólico, há que reter mais dois aspectos das cerimónias da manhã de hoje comemorativas do 102.º aniversário da Implantação da República: 
Primeiro: o incidente da bandeira nacional hasteada ao contrário, que não escapou aos repórteres de imagem (com a devida vénia, uso a feliz imagem de Natacha Cardoso, da Global Imagens), remetendo-nos para o significado diplomático-militar do hasteamento de estandartes em tais condições: o pedido de socorro internacional.
O simbolismo não reside necessariamente nesse significado, pelo facto de o país estar sob "assistência internacional", porque, nesse caso, estaria aqui a discutir, não a propalada "ajuda internacional", mas a ocupação internacional e a capitulação constitucional que ela representa. Reside especialmente no facto de nenhum dos operadores do hasteamento nem nenhum circunstante mais afoito ter tido a coragem de suspendê-lo pelos instantes necessários à recolocação da bandeira na posição correcta.
Leio algures que essa emenda seria pior do que o soneto e a bronca seria maior. Se assim foi, só mostra a nossa (atávica?) dificuldade em reconhecer os erros logo que os detectamos e corrigi-los de imediato e a nossa sistemática e irresponsável habilidade em ocultá-los, dissimulá-los ou ignorá-los até ostensivamente.
Segundo: a cerimónia "à porta fechada", quando deveria ser aberta ao povo, como tem sido. O "Público" fez um título significativo: "Feriado da República despede-se à porta fechada" e o presidente da Câmara de Lisboa alegou com a necessidade do corte de despesas e argumentou que, apesar de decorrer num espaço fechado, as portas estavam abertas a quem quisesse entrar. Mas não haveria uma solução tanto ou mais barata, talvez dispensado o luzido cerimonial, mas realmente aberta ao povo, ou, como comentava o Procurador Geral da República cessante, Pinto Monteiro, "rodeada pelo povo"?
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Luísa e Ana: dois nomes para a História da República

Pela primeira vez, os ecos noticiosos e os comentários das cerimónias oficiais das comemorações do aniversário da Implantação da República - este ano, o 102.º - estão longe de resumir-se ao conteúdo, ao "tom", à oportunidade, aos labirintos das secretas intencionalidades dos fraseados ou ao tacticismo retórico dos discursos da praxe - o do Presidente da República e o do presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
Pela primeira vez, duas mulheres - e logo haveriam de ser mulheres, feminino é o ícone da República, na fragilidade das suas pessoas e no dramatismo dos seus gestos, uma que gritando o desespero da sua sobrevivência impossível, outra cantando a "Firmeza"* como protesto - interromperam sem-cerimónia o protocolo, nos momentos finais da alocução de Cavaco Silva, e retiraram o brilho formal do seu encerramento (suponho que faltou cantar o hino nacional).
Não consta que tivessem pessoalmente algo a ver uma com a outra, ou que tivessem concertado os gestos, irrompendo pela sala bem-comportada a fazer ouvir as suas vozes singelas. Luísa, 57 anos, quis que as mais altas individualidades percebessem o drama que não é apenas seu; Ana Maria (segundo retive), quis que percebêssemos todos a urgência da firmeza contra esta opressão travestida de austeridade.
Luísa e Ana Maria protagonizaram um momento-sinal carregado de simbolismo, que acrescenta aos sinais de revolta e não-resignação que vão crescendo e estão lavrando. Não há cerimónia, deslocação ou presença oficial de governante e do próprio Presidente da República que não seja "incomodada" ou "perturbada". Mostram que a resistência se faz também pela perturbação da "ordem estabelecida" e evidenciam os sentimentos de revolta que estão inflamando...

* Firmeza
(poema de João José Cochofel, música de Fernando Lopes Graça)

Sem frases de desânimo,
Nem complicações de alma,
Que o teu corpo agora fale,
Presente e seguro do que vale.

Pedra em que a vida se alicerça,
Argamassa e nervo,
Pega-lhe como um senhor
E nunca como um servo.

Não seja o travor das lágrimas
Capaz de embargar-te a voz;
Que a boca a sorrir não mate
Nos lábios o brado de combate.

Olha que a vida nos acena
Para além da luta.
Canta os sonhos com que esperas,
Que o espelho da vida nos escuta.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"Assalto", "Brutal", "Enorme" - gritam os jornais

Para a memória do Jornalismo e da crise - manchetes e as primeiras páginas dos jornais de hoje (e não consta que sejam o "Avante!"):

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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Confirma-se a tentativa de roubo

Confirma-se que o Governo julga que somos parvos e que quer mesmo roubar-nos, surripiando mais uns 30% do IRS e por aí fora.
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Impaciência em Jornalismo


Problema prático de Jornalismo: o telefonema em cima da hora do fecho da edição por um jornalista impaciente.
Estando nos "dois lados", sei bem os riscos excessivos para a credibilidade do jornalista e do Jornalismo que comporta a pressa impaciente do jornalista que telefona ao final do dia para obter um comentário, um esclarecimento, uma reacção sobre um assunto que já toda a gente leu num jornal da manhã, mas não tem a delicadeza, a decência e a serenidade para conceder ao solicitado declarante os 15 ou 30 minutos por este pedidos para concluir uma tarefa urgente ou ininterrompível naquele instante...

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A capitulação parlamentar explicada por jovens deputados

Acabo de ver, no Porto Canal, num interessante de debate político que se apresenta sob o título "Parlamento Regional", conduzido com a pachorra provocatória de Fernando Tavares, dois jovens deputados da ainda maioria parlamentar explicar a capitulação da Assembleia da República sob as botas "dos nossos credores".
Além de termos perdido a "nossa soberania fiscal", explicavam os jovens parlamentares, "é óbvio" que o Governo tem de "negociar com os credores externos" (óbvio eufemismo que significa submeter à aprovação prévia) medidas como as alterações à TSU ou as alternativas às ditas alterações. Tudo coisa normal, asseveram os moços, dando ares de extensa experiência nos negócios parlamentares.
E, pondo um ar sério, suponho eu que acreditando piamente no que afirmavam, os deputados Amadeu Albergaria e Michael Seufert lá vieram observar que a única coisa inédita - pasme-se! - é que o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, se terá permitido ser ele a anunciar que a dita comissão "já aprovou as medidas alternativas que o Governo apresentou para compensar o recuo nas mudanças na Taxa Social Única", conforme noticiou a Agência Lusa.
Dito por outras e mais directas palavras: os senhores deputados estão-se nas tintas para a ostensiva  violação do princípio do escrutínio democrático dos actos do Governo pela via parlamentar, desde que a coisa não dê nas vistas, que não se saiba, que não soe nada cá para fora...
Honra, dignidade, independência nacional e coisas assim nada lhes dizem, pois não?
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O patrão do Doutor Borges e o Jornalismo

Peça de abertura da secção de Economia do "Jornal de Notícias" de hoje
É sabido: ontem, o coro de críticas contra a, digamos assim, boutade do Ministro Oculto das Privatizações foi tão grande e tão amplo, que o patrão do Doutor António Borges teve necessidade de vir a terreiro defender o empregado.
Não que o dito ministro oculto, às vezes apresentado como consultor do Governo, não tenha sido feliz, reconhece o patrão. Mas, que diabo, acrescentou Alexandre Soares dos Santos, o presidente do Grupo Jerónimo Martins, "vamos ter respeito por um homem que foi director do FMI, não é um tipo qualquer"!
Pois não: além de consultor do Governo para as privatizações, o Doutor Borges (re)integra desde 30 de Março deste ano o Conselho de Administração do Grupo Jerónimo Martins (onde esteve entre 2001 e 31 de Dezembro de 2010), como bem informava um take da Agência Lusa datado de ontem.
Trata-se de uma informação de extrema relevância, que a Lusa não deixou de veicular e que uma boa parte dos jornais de hoje usou.
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