terça-feira, 25 de setembro de 2012

Atenção aos barris de pólvora

Sumaríssimas notas sobre o estado do paiol social em que a Europa, e em particular a Península Ibérica, se estão transformando:
  • Em Portugal, o Governo, mais troikista do que a troika, está a desenvolver um impiedoso e quase fanático ataque aos rendimentos do trabalho, pondo os mesmos de sempre a pagar a crise que aproveita aos membros de sempre.
  • A cegueira neoliberal do PSD e do CDS é indiferente ao drama e às consequências do empobrecimento da classe média e está a anos-luz de perceber a gravíssima situação de miséria que grassa cada vez mais. 
  • O Parlamento espanhol está cercado, há confrontos violentos e o Partido Popular borrifa-se para os protestos e para as leituras sociais e políticas da nova erupção de contestação social.
  • A Catalunha rebela-se e reclama a independência.
  • O problema é que a Europa só perceberá o que está a acontecer quando a batalha social nas ruas alastrar a França e...
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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Não, não somos parvos!

Bem me parecia que a boa nova não era de fiar: pela boca do próprio primeiro-ministro e usando fonte oficialíssima, lá vem a confirmação da outra face - mais aumento de impostos. Será que Passos Coelho julga que somos parvos?
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Jornalismo e desesperança

Sempre que me perguntam sobre o futuro da Imprensa, tenho procurado responder, não sei se convencendo, que a Imprensa está longe de estar esgotada e que são pelo menos três as frentes da sua resistência e da sua evolução possíveis:
a) A da Imprensa de qualidade, de referência, embora talvez destinada a uma elite mais exigente que não se conforma com o info-entretenimento que poderá absorver o grosso da Imprensa;
b) A da Imprensa de nichos especializados, procurando responder a franjas mais ou menos importantes, mais ou menos numerosas, de cidadãos com necessidades e exigências específicas e/ou que não estão satisfeitas pela grande Imprensa generalista; e
c) A da Imprensa local/regional, de proximidade, se conseguir empenhar-se mais em responder melhor às necessidades, anseios e expectativas dos cidadãos e constituir-se em agente decisivo do desenvolvimento cultural, social e económico.
Lembrei-me destas recorrentes reflexões a propósito de um amargo desabafo de um camarada de profissão: "Se for despedido, procurarei outra actividade, porque já perdi a paixão romântica pelo Jornalismo e já não penso que haja alternativas". 
Perderemos todos a esperança?
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domingo, 23 de setembro de 2012

Quatro propostas muito claras para pagar a crise

A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP) apresentou ontem quatro propostas muito concretas, muito claras e muito bem fundamentadas para evitar mais sacrifícios aos trabalhadores, reformados e pensionistas e conter e inverter a destruição da economia nacional.

São elas: 



A criação de um novo imposto, com uma taxa de 0,25%, a incidir sobre todas as transacções de valores mobiliários independentemente do local onde são efectuadas (mercados regulamentados, não regulamentados ou fora de mercado), excepcionando o mercado primário de dívida pública. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 2.038,9 milhões de euros.


A criação de mais um escalão de 33,33% no IRC para empresas com volume de negócios superior a 12,5 milhões de euros, de forma a introduzir o critério de progressividade no imposto. A incidência deste aumento é inferior a 1% do total das empresas. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.099 milhões de euros


A criação de uma sobretaxa média de 10% sobre os dividendos distribuídos, incidindo sobre os grandes accionistas (de forma a garantir um encaixe adicional de 10% sobre o total de dividendos distribuídos), com a suspensão da norma que permite a dedução constante sobre os lucros distribuídos (art. 51º do CIRC), o que permite às empresas que distribuem dividendos deduzir na base tributável esses rendimentos desde que a entidade beneficiária tenha uma participação na sociedade que distribui pelo menos 10% do capital. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.665,7 milhões de euros.


A fixação de metas anuais para a redução da economia não registada, com objectivos bem definidos e a adopção de políticas concretas para a sua concretização. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.162 milhões de euros.


CGTP-IN APRESENTA PROPOSTAS PARA EVITAR SACRIFÍCIOS E A DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA
Receita fiscal adicional (milhões de euros)
Criação de uma taxa de 0,25 sobre as transacções financeiras
2.038,9
Criação de um novo escalão na taxa de IRC
1.099,0
Tributação adicional dos dividendos
1.665,7
Combate à Fraude e Evasão Fiscal
1.162,9
Total
5.966,5

sábado, 22 de setembro de 2012

TSU: talvez não seja bom lançar foguetes...

Talvez não seja bom lançar foguetes antes da festa nem acreditar que simplesmente o Governo "deixou cair" completamente as alterações à Taxa Social Única na reunião do Conselho de Estado, e muito menos crer que desistiu de agravar a afensiva contra os trabalhadores, os reformados e pensionistas e até os desempregados.
"O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única", é o que se lê no comunicado final da reunião.  
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Há sete horas...

São 00h15 em Lisboa: O Conselho de Estado está reunidos há sete horas.
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Porto: abandono e ruína como atracção turística


O casal espanhol olha espantado a Rua Formosa. Dispara as câmaras fotográficas em várias direcções: há prédios antigos em ruína, construções inacabadas, abandono. É a "Baixa" do Porto em pleno estertor.
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

PSD e CDS: reconciliação conjugal

Ora aqui está como o PSD e o CDS, como dois cônjuges em ruptura larvar e amuos públicos vários, renovam publicamente votos de fidelidade mútua, obediência à tróica e aparecem reconciliados na missão de destruir o país.
O que será que o CDS vai fazer a seguir para fazer valer as suas juradas promessas de alternativas a mais um assalto aos trabalhadores com o agravamento da Taxa Social Única?

PS - Alguém sabe a que dias é que se realizam as reuniões do novel "Conselho Coordenador da Coligação" - antes ou depois das reuniões do Conselho de Ministros?, Antes ou depois de o primeiro-ministro se dirigir ao país?
Agradecido. 
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Tipo, um telefonema ou um sms não chegam?

Talvez haja por aí um piedoso e paciente leitor que seja capaz de explicar por que razões as direcções do PSD e do CDS, dotadas de tão recatadas e discretas artes da negociação e da diplomacia, necessitam de trocar publicamente convites para reuniões e anuências a convites para as ditas reuniões e expectativas de que os convites para as reuniões se concretizem, quando os seus mais destacados membros e respectivos ajudantes se cruzam todos os dias nos corredores do poder, ou pelo menos telefonam-se, ou pelo menos trocam uns SMS se estão sem paciência recíproca para ouvir as respectivas vozes, podendo muito bem tratar as coisas mais ou menos assim: 
 – Está? É o Paulo (ou o Pedro, pronto, conforme a ordem da iniciativa)? Está(s) bom?... Pá ("Sr. Dr.", "Paulo/Pedro", confirme o nível de intimidade e a origem da iniciativa), precisamos de falar...
 – Estou, obrigado, e tu/você/o senhor/o Pedro/o Paulo?... Pois... Precisamos, quem?
  Nós, os líderes, as direcções dos partidos da coligação, e tal e coisa...
  Acho bem, pois, e tal e coisa, e coisa e tal...
  Óptimo (ou "porreiro", também pode ser, ainda que tratamento mais apropriado a clima menos crispado). Onde?, a que horas?
  Então, que tal se fosse em tal-sítio-assim-assim?
  Hhuummm.. esse não me dá grande jeito. Então se fosse no sítio-tal-e-tal?
  .... bem... OK. Lá estaremos. Às xx horas?
  Pode ser. Lá estaremos. Abraço (facultativo)
  Até lá (lá está, o "Abraço" é facultativo...)
Haverá?
Agradecido. É que a coisa faz-me cá uma grande confusão: ou já não há relações institucionais e corteses como antigamente, ou a crispação atingiu o máximo e num nível sem retorno...
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Governo PSD/CDS: de entalanço em entalanço, até à ruptura final

A Comissão Política Nacional do Partido Social Democrata "deliberou convidar o CDS para uma reunião conjunta das direções partidárias, a ter lugar com a maior brevidade possível, com o intuito de obter a indispensável manifestação de apoio ao Acordo Político de Coligação, celebrado a 16 de Junho de 2011, assim como às decisões e estratégia do Governo em matéria de consolidação orçamental e ajustamento estrutural, visando uma trajetória de crescimento sustentável", segundo o comunicado daquele órgão divulgado esta madrugada.
Ou seja, por outras palavras e abreviando razões: de entalanço em entalanço, até à ruptura final, ou, mais dia menos dia, confirma-se a queda do Governo.
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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

TSU: recuo táctico ou endrominação?

Alguns editorialistas, colunistas, comentaristas e comentadores chamaram "um erro" ao novo roubo aos trabalhadores que o primeiro-ministro anunciou, no passado dia 7, comunicado ao país que "o Governo decidiu aumentar a contribuição para a Segurança Social exigida aos trabalhadores do sector privado para 18 por cento", ou seja, um aumento real de 63,6%, que é o que o acréscimo de sete pontos percentuais representa.
O clamor da flagrante injustiça do esbulho foi de tal ordem, tal a abrangência de posições contra (até os patrões estiveram, digamos, ao lado dos sindicatos!) que a trupe governamental e a pandilha parlamentar ficaram atarantadas, o Presidente da República achou por bem chamar o ministro da Austeridade ao Conselho de Estado, o parceiro da ainda coligação fez de conta que falou grosso e até o padrinho do, por assim dizer, primeiro-ministro veio hoje aconselhar o dito a recuar. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém...
Vai daí, o ministro Álvaro lá veio dizer ao povo que o assunto ainda é coisa para generosa abertura do Governo, assim se fale com os parceiros, que a dialogar, já se vê, é que a gente se entende e que a procissão ainda vai no adro e, quando a contenda acabar, ainda haveremos de rir todos do mau bocado - e por aí fora.
Não me levem a mal, mas desconfio das generosidades aos rompantes, julgo topar recuos tácticos à distância e não engulo simulações de diálogo. Como diz o povo cá de cima: eles estão a endrominar-nos... Se fosse homem de apostar, apostaria já singelo contra dobrado como a coisa não acabará em bem!
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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Honra e recusa

A escritora Maria Teresa Horta sentiu-se honrada pela atribuição do Prémio D. Dinis, instituído pela Fundação Casa de Mateus, pelo júri que a decidiu e pelos laureados que a antecederam. Honrou-se ao recusar recebê-lo das mãos de Pedro Passos Coelho.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

RTP: uma vigília pelo futuro


Vigílias de trabalhadores e cidadãos assinalaram esta noite, em Lisboa e Porto, mais um importante momento na jornada de luta em defesa da RTP e dos Serviços Públicos de Rádio e de Televisão. Na RTP/Porto (foto), duas centenas de pessoas, na maioria trabalhadores, mas também cidadãos anónimos, com o apoio de dirigentes e deputados do PS e do PCP e da União dos Sindicatos do Porto, reforçaram aquele objectivo com o da defesa deste importante centro de produção. Com este movimento e esta força, vamos barrar o caminho ao Governo e à maioria parlamentar.
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Hoje, vigílias em defesa da RTP e da Rádio e Televisão públicas

Estão marcadas para hoje, a partir das 19h30, duas importantes vigílias em defesa da RTP e dos Serviços Públicos de Rádio e de Televisão:
  • Lisboa - residência oficial do primeiro-ministro
  • Vila Nova de Gaia - RTP/Porto (Monte da Virgem)
Aprovada em plenário de trabalhadores, a iniciativa convoca também todos os cidadãos empenhados em defender a Rádio e a Televisão públicas, contra o desmantelamento e a privatização da RTP, contra a irresponsabilidade governativa e em defesa de serviços públicos de qualidade.

Participem, passem a palavra e levem amigos: é preciso dizer que a última palavra é dos cidadãos e não do Governo!
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domingo, 16 de setembro de 2012

RTP: um Seguro demasiado inseguro


Há duas ou três semanas, o secretário-geral do Partido Socialista, António José Seguro, jurava a pés junto que, logo que o PS fosse governo, voltaria a repor o canal de serviço público de televisão que o governo PSD/CDS quer privatizar. É uma promessa com significado, aliás reforçada sendo ele subscritor deste importante manifesto.
Hoje, em entrevista ao “Público” recua claramente. Perguntado sobre a hipótese da concessão, diz que quando for primeiro-ministro “haverá um serviço público, prestado por uma estação de televisão pública”.
Questionado sobre se veria com bons olhos a RTP entregue a empresas angolanas, insistiu no desígnio “fundamental” de uma televisão do Estado e acrescentou: “Depois temos de ver quantos canais, que canais, TDT, etc. (…)”.
As respostas revelam-nos afinal um Seguro demasiado inseguro.
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15.09.12: que fazer com estas manifestações?



1. As manifestações realizadas ontem em dezenas de cidades do país representaram uma gigantesca expressão de protesto e de indignação com a violenta espiral de recessão que empobrece Portugal, destrói a economia, lança para a pobreza e a miséria largos milhares de portugueses, definha a esperança e condena o futuro de gerações.
Mas, para que os protestos se transformem em luta e a luta seja consequente, é necessário se consequente com os protestos: a luta não acabou ontem à noite; está em marcha e vai continuar. O dia 15 de Setembro não terá significado sem o dia 29 de Setembro e sem os dias que se lhe seguirão.
2. Muitos esforçam-se em destacar, mais uma vez, o carácter “não partidário” e “não sindical” das manifestações de ontem – uns na ingénua suposição de que é esse o caminho do “aprofundamento da democracia” e das “novas formas de participação”; outros em continuado preconceito contra os partidos e os sindicatos; outros em cruzada mais ou menos confessa contra as organizações democráticas por motivos consabidamente inconfessáveis; e uns últimos desiludidos com experiências negativas e iludidos com alternativas ilusórias. Como se o povo não partidário e o povo não sindical fosse o dono das ruas e das praças com legitimidade exclusiva, houve quem ocultasse, condenasse ou criticasse a participação de destacados militantes e dirigentes partidários e até deputados.
Apesar da ausência de “bandeiras” (exigida?, necessária?...), as manifestações mostraram que a unidade pode ir sendo construída nas ruas e nas praças e que amanhã uma plataforma de reivindicações e objectivos claramente assumidos tornará possível que cada um se exprima sob o estandarte do seu colectivo ou vendo respeitada a sua individualidade.
3. O Governo está cercado, pelo povo, nas ruas (dia 29 de Setembro, lá estaremos!); por destacadas personalidades dos próprios partidos que o suportam, na imprensa, nos salões e reuniões; e pelo presidente da República que convocou finalmente o Conselho de Estado. É evidente que o Governo e a maioria parlamentar não aguentarão por mais tempo se não mudarem de políticas e que nas suas hostes já há clarins a tocar a retirada.
Mas é necessário que não fique tudo na mesma e que não se insista no ciclo do castigo alternante: sancionar os que lá estão agora com a entrega do poder aos que lá estiveram antes nada muda. Mas há alternativas reais e outro rumo é possível.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

RTP: a luta sai à rua

Os trabalhadores ao serviço da Rádio e Televisão de Portugal (RTP) aprovaram hoje a realização de vigílias, na próxima segunda-feira, dia 17, junto à residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, e dos estúdios do Monte da Virgem, no Porto, contra o desmantelamento dos serviços públicos de rádio e de televisão. O combate em defesa da RTP e dos serviços públicos regressa à rua. Lá estaremos!
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Vai sendo tempo de mudar de rumo

Vai grande a efervescência entre os partidos da Direita - e mesmo nas suas cúpulas - e até entre o patronato,  com as novas medidas de confisco e de empobrecimento anunciadas pelo primeiro-ministro e pelo ministro da Austeridade. Há protestos nas hostes do PSD e o CDS já nem sequer esconde mais o enorme desconforto que o atormenta e trocou a festa de reentrée do fim-de-semana por reuniões dos seus órgãos.
A coligação vacila e, como já previ por várias vezes, não durará até ao fim da legislatura, podendo ruir até mais cedo do que o esperado. Isso é bom, mas é preciso não ter ilusões: os problemas do país não se resolvem com a alternância que temos conhecido. E esta é uma altura para mudar de rumo.
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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Sobre a arenga do ministro da Austeridade

O ministro da Austeridade, Vítor Gaspar, arengou hoje à tarde aos jornalistas sobre as medidas cm que nos vai continuar a espremer, numa homilia suficientemente  deprimente para tornar insuportável a entrevista que deu, à noite, à SIC, dando respostas que insultaram a inteligência dos portugueses. 
Só para dar um exemplo, ficará para antologia a sua resposta quando o entrevistador, José Gomes Ferreira, lhe perguntou - e muito bem - como explica a transferência do confisco de dinheiro do trabalho para o capital com o agravamento das contribuições dos trabalhadores para a segurança social e o desagravamento das dos patrões, aliás, as grandes empresas.
Será que Vítor Gaspar acredita naquilo que diz, ou papagueia uma lenga-lenga encomendada? 
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Um vade-mécum da austeridade para totós

Segundo revela hoje a edição em linha do semanário "Expresso", o gabinete do primeiro-ministro (presume-se da notícia...) teria distribuído pelos ministérios uma cábula destinada a ajudar a "explicar" as novas e brutais medidas de austeridade anunciadas na sexta-feira por Pedro Passos Coelho.
Quando me soaram os primeiros acordes da secreta revelação, ainda caí na tentação de supor que estaríamos perante um vade-mécum sólido e consistente, conquanto sucinto e breve como convém a tal espécie, do qual talvez pudesse extrair um ou outro argumento digno de credibilidade.
Qual quê?! A coisa resume-se a um conjunto de lugares-comuns extraído do estafado argumentário governamental sem consistência nem credibilidade, própria para consumo de uso por totós.
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"Semanário A Manhã"

Já é oficial: depois de amanhã "nasce" em Gondomar, distrito do Porto, um novo jornal:



Longos dias ao "A Manhã"!!!

Declaração de interesses (e por aqui me fico): primeira, neste projecto está um conjunto de amigos meus, além de camaradas de ofício; segunda, este projecto é uma cooperativa de profissionais, essencialmente jornalistas, "sobrantes" de reestruturações, que afirma a coragem de avançar com alternativas para garantir o rendimento e exercer em liberdade o jornalismo, como aqui vai explicado, correspondendo a um modelo que tenho defendido.

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domingo, 9 de setembro de 2012

Cálculo matemático aplicado ao jornalismo. Ou, "é só fazer as contas"

Em tempos que já lá vão, o antigo primeiro-ministro António Guterres (ou ainda seria só líder do PS, já não me recordo) foi apanhado na ratoeira do jornalismo que pede números, estatísticas e percentagens por tudo e por nada. Em falando sobre a necessidade de reforço do orçamento da Educação, enunciou, se bem me recordo, uma determinada percentagem do Produto Interno Bruto (PIB).
Ágil como uma rapace, um repórter perguntou-lhe quanto é que isso representaria em termos de moeda - ao tempo, suponho que ainda em milhões de contos. Atrapalhado entre mil coisas em que pensar, Guterres, engenheiro de formação, arriscou fazer os cálculos, de cabeça, ali mesmo, entre a turba apressada de jornalistas e as pressas da deslocação. Como é sabido, a coisa deu para o torto: engasgou-se, errou e rematou com a célebre frase "enfim, é só fazer as contas".
Tem-me ocorrido muito este episódio, que sempre tive como compreensível em situações de pressão como aquela, a propósito do colossal disparate que tem sido repetido, anteontem, ontem e hoje, sobre o aumento da Taxa Social Única (TSU) para os trabalhadores anunciado pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, na sua comunicação ao país, ao entardecer de sexta-feira passada.
O (roubo) que o primeiro-ministro anunciou, no que tange à TSU, traduzir-se-á, se não for travado, num aumento de sete pontos percentuais em relação aos 11% que os trabalhadores pagam agora, ou seja, passa para 18%. Note-se: sete pontos percentuais e não, como se tem dito e escrito por aí (basta fazer uma busca na Rede...), sete por cento. Porque, na realidade, o aumento percentual é de 63,6% !!! e não de... 7%.
De facto, como temos de calcular o aumento percentual sempre a partir do número de partida, teremos  

                                                                          7   
                                                                        ___ X 100 = 63,6%

                                                                         11      

Vamos a um exemplo prático. Imaginemos o trabalhador Pedro Passos Coelho, que aufere, por hipótese, mil euros por mês. À taxa de 11%, paga 110 euros de TSU. Se, como o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho anuncia e nós deixarmos,  a taxa passar efectivamente para 18%, ele terá de pagar 180 euros. Assim, a diferença será de mais 70 euros, que correspondem a um acréscimo de 63,6% sobre aqueles 110 euros, pois

                                                                         70
                                                                       ____  X 100

                                                                        110

Estou certo?
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sábado, 8 de setembro de 2012

O estado da Pátria

Onde estes tipos nos estão a levar!


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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

SJ volta a repudiar privatização da RTP e da Agência Lusa

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) voltou hoje a repudiar a privatização da RTP e da Agência Lusa anunciada no programa eleitoral do PSD, e sublinhou importância estratégica para o país daqueles órgãos de comunicação social.
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Um roubo descarado e um mandato excedido

O primeiro-ministro confirmou hoje que o Governo tenciona prosseguir a ofensiva sem quartel aos trabalhadores, reformados e pensionistas, a beneficiar ainda mais o patronato e a aumentar a imunidade as grandes fortunas e os grandes lucros.
O que o primeiro-ministro anunciou é mais um roubo descarado a quem trabalha e mais uma machadada na economia nacional, agravando a espiral de recessão e a empurrando milhares e milhares de pessoas para a pobreza e a exclusão social.
Ao contrário do que o primeiro-ministro disse e do que vieram papaguear dirigentes dos dois partidos do Governo e da maioria parlamentar, há alternativas. Eles é que não querem pô-las em prática.
O PSD costuma encher a boca com o seu programa eleitoral sufragado pelos eleitores. Mas a verdade é que o que o PSD e o CDS estão a fazer excede em muito o mandato que os (seus) eleitores lhes deram!
Mais tarde ou mais cedo, o povo tomará a palavra novamente. Esperemos que seja desta que toma decisões mais acertadas. Será?
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Petições, jornalismo e transparência editorial


O "Diário Económico" lançou hoje uma petição pública abertamente contra novo aumento de impostos, ameaça que nos últimos vem tomando corpo na Imprensa.
A iniciativa não é completamente inédita: há tempos, o "Correio da Manhã" promoveu uma petição com vista à criminalização da corrupção, se bem me recordo. 
Há quem entenda discutível que um jornal adopte um pronunciamento público sobre estas matérias e que tome mesmo a iniciativa de constituir-se motor de uma iniciativa, digamos, popular.
Sem discorrer, agora, sobre o concreto conteúdo do texto da petição, em relação ao qual tenho várias discordâncias, gostaria de deixar claros três pontos que me parecem essenciais para um debate sobre esta iniciativa e os efeitos e consequências, a saber:
  • A assumpção de um pronunciamento e a liderança de uma iniciativa popular por parte de um jornal não é ilegítima, mas é arriscada,  na hipótese de este pretender afirmar uma imagem de neutralidade.
  • Há mais vantagens em declarar, pública e claramente, uma posição e em assumir abertamente um objectivo do que prosseguir um jornalismo de campanha sem assumi-la de forma transparente perante os leitores e o público em geral.
  • A circunstância de um jornal assumir uma causa - sob a forma de petição ou outra - não deve afunilar a abordagem editorial e noticiosa dos assuntos e muito menos limitar a liberdade e o pluralismo informativo, internos e externos.

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Cidadãos pela RTP e pelos serviços públicos de rádio e de televisão


Já está em linha o sítio do movimento Em Defesa do Serviço Público de Rádio e de Televisão, contra o desmantelamento da RTP, seja qual for a forma de privatização, contribuindo para uma frente cada vez mais ampla contra o desígnio neoliberal e demagógico deste Governo.
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A "brecha" da Lei Eleitoral Autárquica

A designada "nova brecha" na coligação parlamentar/governamental aberta com a ruptura das negociações entre o PSD e o CDS para a revisão da Lei Eleitoral Autárquica não deve ter uma leitura política limitada à circunstância de o projecto ser da autoria de um circunstancial ocupante de uma pasta ministerial. Ela traduz a luta do CDS para preservar o seu já muito acantonado espaço autárquico. Para um partido com outras aspirações e na expectativa de capitalizar uma ruptura mais definitiva, capitular agora seria suicídio.
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domingo, 2 de setembro de 2012

Uma hipótese

Hipótese: Os jornais deixam de fazer notícias sobre o conteúdo dos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa, aos domingos à noite na TV.
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A RTP na ordem do dia

A RTP e os serviços públicos de rádio e de televisão continuaram hoje na agenda dos Media, com algumas insistências na discussão sobre a forçadamente questão magna da concessão da empresa, "hipótese" legitimamente contestada (era o que faltava entregar o ouro ao bandido!), mas cuja discussão não pode afastar-nos da questão crucial - a do seu desmantelamento e privatização.
Apesar da aparente divisão entre o CDS e o PSD que significativamente surgiu. nos últimos dias, é preciso - é muito importante - não esquecer que estes dois partidos e os seus líderes estabeleceram um pacto para a privatização de um canal, pelos vistos o 1, e que esse objectivo não está descartado. E que é um objectivo que deve ser combatido com todas as forças.
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