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Televisão:Um testemunho e uma hipótese

Nas minhas viagens pelo país, há um elemento que me fascina tanto como inquieta – as ruínas de edifícios e estruturas abandonadas, ora pontuando paisagens como chagas pulurentas, ora agigantando-se tragicamente em zonas industriais, ora alastram em impotência em aldeias, vilas e cidades. Ao fascínio estético das leituras da luz, das cores e das sombras, dos desafios da desconstrução e da imaginação, alia-se a interpelação por vezes angustiada da memória: que homens e mulheres povoaram estes agora-destroços, o que se pensou e melhor ou pior se fez, que sonhos se construíram ou se frustraram, que riquezas se produziram ou se desmoronaram, que futuros se não cumpriram, neste chalé escanzelado entre pinheiros-mansos a olhar um mar antigo, nesta fábrica esventrada e chaminé periclitante e teimosamente hasteada, neste sanatório acometido de silvados e desespero, nesta estação de caminho-de-ferro enferrujada e destino único para o passado?... Deu-se o caso, há uma semana, de a RTP2 transmitir…

Apelo à participação dos jornalistas nas manifestações de 1 de Outubro

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas apelou hoje à participação dos jornalistas nas manifestações contra o empobrecimento e as injustiças convocadas para o próximo sábado, dia 1 de Outubro, em Lisboa e Porto. .

Este blogue apoia as manifestações de 1 de Outubro

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Televisão: Ver, comentar, criticar, sugerir

Numa das suas participações de ontem, no debate em Rede sobre a RTP que a Fundação Francisco Manuel dos Santos está a realizar, Eduardo Cintra Torres contou ter perguntado, numa das suas turmas de Estudos de Televisão na Universidade Católica, quem costumava ver programas de televisão com outros membros da família, mas que ninguém levantou o braço, a não ser uma jovem (os seus alunos têm entre 19 e 23 anos) para inquirir se “o Natal conta para a resposta...” Considero o episódio interessante e que vale a pena pensar nas conclusões a que Cintra Torres chega. Por mim, já lá escrevi o seguinte: O episódio singular das aulas de Eduardo Cintra Torres ontem descrito mereceria uma reflexão mais ampla sobre problemáticas que, podendo até ser conexas desta nossa discussão, infelizmente não poderão contribuir para alargar demasiado o âmbito deste debate. Sem querer formular juízos sobre o referido episódio e o seu contexto (social, cultural, económico…), permito-me observar que, quer constitua um…

O fim da taluda meritocrática escolar

O ministro da Educação bem pode esfalfar-se a explicar que, no lamentável episódio dos cheques-prémio para os melhores alunos das escolas secundárias, houve "um problema de comunicação", pois, argumenta, já no dia 13 de Setembro o ME tinha comunicado às escolas que, afinal, a taluda meritocrática instituída pela penúltima ministra não seria entregue. Mesmo admitindo que algumas escolas se desleixaram e não comunicaram atempadamente (?!) a abolição do cobiçado galardão de 500 euros que deveria ser entregue depois de amanhã, sempre se há-de concordar que mais semana menos semana de aviso não contam para um campeonato que - salvo erro - o presidente da associação de directores de escolas explicou esta manhã (ouvi-o na Antena 2), de forma muito simples e directa, ser o das expectativas dos alunos (legitimamente constituídas há muito) no referido prémio e da credibilidade das instituições. Dito de outro modo: quaisquer que sejam as razões da desistência do ofertante - e já lá irei …

O potencial da RTP e o precioso filão nacional por explorar

Tendo-me alongado na participação anterior, no debate a RTP que o sítio da Fundação Francisco Manuel dos Santos está a promover, não aflorei sequer algumas questões pertinentes tratadas pelos meus ilustres colegas e pelo magnífico moderador deste debate. É o que tento fazer agora. Atalho de imediato para a matéria que parece corresponder a uma urgência do Governo (em rigor, do PSD, mas do Governo por mera solidariedade intra-coligação) que é a privatização de um canal da RTP (e outro da RDP, não esqueçamos), para concordar com Pedro Norton na conclusão de que não há espaço para mais um operador privado de televisão. Mesmo quem não tem acesso às contas mais miúdas das empresas e às tabelas reais de publicidade praticadas pelos operadores de televisão, “percebe-se” quão violenta está sendo a disputa do magro bolo publicitário, não só entre eles, mas também entre o segmento televisão e outros – imprensa em particular. E não é uma questão de mera percepção ao alcance dos cidadãos. Ainda há…

Sobre a definição de serviço público de televisão

Compreende-se a inquietação dos cidadãos perante a (aparente) inexistência de uma definição de serviço público de televisão, pelo menos tão perceptível, tão tangível e tão mensurável como as relativas a outros serviços públicos. Se usarmos o exemplo dos serviços de águas invocado hoje por Eduardo Cintra Torres, no debate a RTP que o sítio da Fundação Francisco Manuel dos Santos está a promover, fica muito clara para o comum dos cidadãos a relação entre os preços e as taxas que estes pagam e a quantidade e a qualidade do bem que lhe é fornecido – a água de abastecimento – e do serviço que lhe é prestado com a drenagem das águas residuais. No entanto, nem todos têm a preocupação de informar-se sobre dados essenciais à formação de uma cidadania informada e esclarecida, como: (i) os níveis de atendimento, isto é, a percentagem de população servida; (ii) os parâmetros da qualidade da água de abastecimento na rede; (iii) os níveis de tratamento das águas residuais; (iv) a qualidade do meio hí…

RTP: pública ou privada? Pública, obviamente!

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Está a decorrer, até ao dia 10 de Outubro, no sítio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, um debate em linha sobre a privatização da RTP, no qual participo como convidado. O pretexto é o mais recente livro de Eduardo Cintra Torres - "A Televisão e o Serviço Público" - editado na colecção de ensaios da FFMS. O autor é aliás o convidado principal da iniciativa, na qual participa também o administrador do grupo Impresa Pedro Norton. Escuso de esclarecer que a resposta à pergunta "RTP: pública ou privada?" é, obviamente: pública!  .

Já um requiem pelo Poder Local democrático...

O Governo apresentou o seu "Documento Verde da Reforma da Administração Local", através do qual prepara o fim do Poder Local democrático como o conhecemos, que o Partido Socialista já saudou, segundo as edições em linha dos órgãos de comunicação social (reacção indisponível, às 23 horas, no sítio do PS), enquanto o Partido Comunista Português já condenou "o livro negro de subversão". Também aqui o Bloco Central funciona. Por enquanto. Vamos ver o debate que nos está reservado pelo país real fora nos próximos meses...

Recado da senhora Merkel sobre a soberania perdida

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, defende sanções para os países que não cumpram os critérios de estabilidade. Entre essas sanções, estaria a perda de soberania. Então já não a tínhamos perdidos?.