Mensagens

Consenso, disse ele

O Presidente da República reuniu hoje o seu Conselho de Estado, escutou-o, retirou-se para ponderar e para tomar uma decisão. Decidiu o que já estava previsto que decidisse e na direcção do que o presidencial Conselho unanimemente, segundo o próprio Cavaco Silva, se pronunciara – a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições legislativas para o dia 5 de Junho. Veio o Presidente, porém, falar à Nação, não apenas para anunciar a grave decisão que a Constituição da República lhe entrega, mas também para enunciar objectivos e estratégias e proclamar a via “consenso político e social” como salvação dos males nacionais. Como se o que nos tem acontecido não tivesse origem, precisamente, nesse consenso entre os principais partidos do costume – os do arco da governação mais o seu apêndice estratégico.

Ruptura de Salvação Nacional

Os patrões pedem um governo de salvação nacional; os trabalhadores precisam de uma ruptura de salvação nacional. Ou se muda, rompendo; ou se continua, mudando... .

Sobre a grande entrevista de Dilma

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Na véspera da chegada da Presidente da República do Brasil a Portugal, a SIC transmitiu aquilo que apresentou como a primeira grande entrevista de Dilma Rousseff após a sua eleição. Foi realmente uma entrevista muito interessante, reafirmando a visão clara e determinada de Dilma Rousseff sobre assuntos como a economia, o desenvolvimento, a paz, os direitos humanos e a política externa. Do trabalho da SIC, porém, um pormenor me intrigou, ignorante que sou em matéria de televisão (além de muitas outras), e que tem a ver com a disposição cénica da entrevista e os lugares (e os planos na tomada de imagens) que entrevistador (Miguel Sousa Tavares) e entrevistada (a Presidente do Brasil) ocupam. Nela, o entrevistador ocupa um maple individual e em vários planos parece dominar a cena. E a entrevistada ocupa a extremidade de um maple de vários lugares e, por vezes, parece dominada e isolada nessa vastidão simbólica. Já perceberam que nada sei de televisão e que sou completamente incompetente para…

"Ambiente Uma Questão de Ética"

Sugestão para a agenda de quarta-feira, dia 30, com um tema bem actual: Às 21:30, na sede da Associação Campo Aberto, na Rua de Santa Catarina, 730-2.º andar, Porto, Maria José Varandas continua a apresentação (2.ª parte) do seu livro “Ambiente Uma Questão de Ética” “O Princípio da Responsabilidade, Éticas Ambientais e sua relação com as políticas do ambiente, Ética da Terra e Movimento Conservacionista, Ética e políticas europeias para o ambiente, direito ambiental, são alguns dos temas em foco”, informa a Campo Aberto. Maria José Varandas, presidente da Sociedade de Ética Ambiental, é licenciada em Filosofia e Mestre em Filosofia da Natureza e do Ambiente, e investigadora do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa em ética e valores. Autora de várias obras como “O Valor do Mundo Natural” (2003) e “Vida: Propriedade do Organismo ou do Planeta?” (2004). .

Como se esperava

Como se esperava, “O Presidente da República convocou uma reunião do Conselho de Estado para o próximo dia 31 de Março, às 15:00 horas, para os efeitos do artigo 145.º, alínea a), primeira parte, da Constituição*”, anunciou hoje a Presidência em comunicado.
*Artigo 145.º
Competência
Compete ao Conselho de Estado: a) Pronunciar-se sobre a dissolução da Assembleia da República e das Assembleias Legislativas das regiões autónomas; b) Pronunciar-se sobre a demissão do Governo, no caso previsto no n.º 2 do artigo 195.º; c)Pronunciar-se sobre a declaração da guerra e a feitura da paz; d)Pronunciar-se sobre os actos do Presidente da República interino referidos no artigo 139.º; e)Pronunciar-se nos demais casos previstos na Constituição e, em geral, aconselhar o Presidente da República no exercício das suas funções, quando este lho solicitar.

"Pugilismo verbal", disse ele

O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, acusou o PS de "insistir numa atitude de pugilismo verbal". Coisas de período pré-pré-eleitoral. Depois das eleições, os dois voltarão a usar dos punhos de renda do costume. .

Três notícias do nuclear

Notícias do Nuclear: “The situation at the Fukushima Daiichi plant remains very serious”, segundo o comunicado de hoje da Agência Internacional da Energia Atómica. “A crise está longe do fim”, disse o director-geral da AIEA, Yukiya Amano, em entrevista telefónica ao diário norte-americano “The New York Times”. Um milhar de japonses manifestou-se em Toquio e Nogoya contra a manutenção da opção nuclear. O partido democrata cristão alemão (CDU) poderá perder o poder no estado federado de Baden-Württemberg, segundo a sondagem à boca das urnas nas eleições regionais de hoje. Uma coligação formado pelos Verdes e pelo SPD (social-democrata) deverá vender as eleições numa região onde a maioria da população exige o encerramento das centrais nucleares. Ecologistas espanhóis e portugueses concentraram-se hoje junto da central nuclear de Almaraz, na Estremadura espanhola, a 100 quilómetros da fronteira portuguesa, para exigir o seu encerramento. .

Nuclear "seguríssima", diz ele...

A Agência Lusa distribuiu hoje um telegrama com declarações do engenheiro Pedro Sampaio Nunes, administrador de uma empresa que, desde 2005, pretende construir uma central nuclear em Portugal, segundo as quais com a crise da central japonesa de Fukushima “ficou provado que (a energia nuclear) é seguríssima”. Antecipando-se a garantias que nem a Agência Internacional de Energia Atómica consegue dar (“The situation at the Fukushima Daiichi plant remains very serious”, lê-se, logo a abrir, no comunicado do início desta tarde sobre o ponto de situação), o especialista ouvido pela Lusa garante que “a crise está controlada” e sustenta que “Fukushima é uma demonstração de capacidade, é uma ‘prova dos nove’”. Depois de mencionar as já consabidas condições a que a central foi submetida, superiores àquelas para que foi projectada (resistência a terramotos de grau sete quando o de 11 de Março foi de grau nove e tsunamis com ondas de cinco metros, quando as desse dia foram de dez), como se não tive…

Telepontos

As imagens das televisões nos noticiários da hora de almoço (o evento foi ontem à noite) confirmam que José Sócrates lê e interpreta bem o texto do teleponto. Mas não o suficiente para convencer-nos de que desejaria que as coisas pudessem ter sido realmente de outra maneira. Mas quem escreveu aquele há-de escrever outros.  .

Presenças recorrentes de “ex” nos media

Reparemos na recorrência de certas presenças políticas, chamemos-lhes assim, de “ex” nos media. Por exemplo, ainda ontem e hoje, a pretexto da crise política, lá vejo na televisão Pedro Santana Lopes, ex-líder do PSD e ex-fugaz-primeiro-ministro. Se não é PSL, é Luís Filipe Meneses, ex-fugaz líder do PSD. A questão é que os critérios das presenças não são apresentados de forma clara aos cidadãos. Por exemplo, não se percebe por que razões se valoriza tanto a opinião destes “ex” do PSD e não valoriza as opiniões de outros “ex” desse e de outros partidos – ou de outros ex-primeiro-ministros. E muito menos se explica por que razões se deu a palavra àqueles e não a outros. Pode ser que alguns “ex” não estejam pelos ajustes e resistam o assédio dos jornalistas à sua palavra (sei, por exemplo, que Marques Mendes tem declinado comentários). Mas seria útil ao escrutínio cidadão do funcionamento dos media que se explicasse a que propósito, a que pretexto e com que justificação se dá a palavra a…