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Austeridade, ainda mais, para os do costume

As notícias da noite são aterradoras: dizem que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças advertem que ainda podem vir aí mais e mais duras medidas de austeridade. Não há nada como ir anestesiando o povo com a inevitabilidade das medidas contra ele. As notícias foram obtidas com base nas intervenções dos supra referidos numa conferência da TSF e da Reuters, na qual desfilaram banqueiros e outros figuras da finança. Consta que essa coisa da inevitabilidade da austeridade agravada não é para eles.

Não há condições

Juro que já estou cansado de tretas como esta: "Não estão reunidas as condições para a realização do referendo sobre a regionalização nesta legislatura" (Sócrates, ontem, citado hoje na imprensa). E estou cansado do argumento recorrente, ora do PS, ora do PSD, ora dos dois, ora do Bloco Central, segundo o qual "as circunstâncias económicas e políticas, blá, blá, blá..." .

Disfarces policiais e profissões neutrais

A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar e o Sindicato dos Técnicos de Ambulância e Emergência contestaram a utilização, na noite da passada quarta-feira, de um casaco do uniforme do Instituto de Emergência Médica (INEM) por um agente por um agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) para dominar um homem que sequestrava e esfaqueara uma mulher numa caixa de multibanco. Em síntese, aquelas organizações alegaram, segundo conta a edição de hoje do “Jornal de Notícias”, que o uso de elementos identificativos da actividade dos seus representados poderia pôr em perigo, no futuro, a vida e a integridade física destes. E explicaram que, em situações futuras, envolvendo criminosos, verdadeiros profissionais de socorro e emergência podem ser confundidos com polícias disfarçados. Trata-se de um receio fundado e legítimo, de resto extensível a outras profissões cuja neutralidade insuspeita constitui um requisito essencial para o desempenho das respectivas missões e para a …

Estágios profissionais e jornalistas

O primeiro-ministro anunciou, hoje, na Assembleia da República, entre outras medidas sociais, um diploma proibindo a realização de estágios não remunerados. Não é uma novidade: o projecto de decreto-lei está em consulta pública desde 28 de Janeiro, data de publicação no Boletim do Trabalho e Emprego. O projecto de diploma apresenta um problema sério: consagra a realização de estágios à margem de uma relação de trabalho subordinado, submetendo-os a um mero contrato de estágio, cujo vínculo obrigacional não se confunde com o emergente de um contrato de trabalho. Além de alertar para esse problema, o Sindicato dos Jornalistas, num parecer entregue ontem no Ministério do Trabalho, considera que o regime a aprovar deve excluir expressamente o estágio dos jornalistas, previsto no respectivo Estatuto, numa portaria regulamentadora e nos instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho. É isso, em síntese, que é dito e explicado aqui.

O PSD, a ERC e o Bloco Central

O PSD apresentou um requerimento, na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República, para ouvir sete pessoas (“alguns membros da ERC e especialistas desta área”, lê-se) sobre a avaliação da experiência de regulação do sector constituída pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Também eu gostava de saber o que pensa o partido requerente sobre a criatura gerada pelo Bloco Central. Cá por coisas, e não é só por constar do rol dos designados “especialistas” a convocar pela Comissão, se o requerimento for aprovado no próximo dia 2 de Março.

Quatro desafios para os jornalistas

A convite (muito amável e que me honra) da Secção de Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, estive ontem, ao serão, na tertúlia “Conferências da Imprensa”. Propuseram-me que falasse dos “Desafios Actuais dos Jornalistas”. Discorri sobre quatro, dizendo, em síntese, o que segue de forma muito sumária. 1.º - Emprego – Está limitado por um mercado de trabalho e por um sector cujas dimensões se mostram incapazes de absorver o elevado número de diplomados debitados anualmente pelas escolas universitárias e politécnicas de Jornalismo, Ciências da Comunicação, Comunicação Social e afins. Mas não é só por isso que se verifica uma séria contracção nas contratações/recrutamento de jovens a iniciar a profissão: é também porque se agravam as tendências para o emagrecimento das redacções e para a precarização. 2.º - Credibilidade – As limitações do espaço informativo e do tempo destinado à recolha de informação e a erosão das redacções conduzem à superficialidade do tratament…

"Expresso & Avante!, Dois espelhos do mundo"

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Agenda, sem falta, depois de amanhã.


Do prefácio:
“… o autor traça linhas de comparação/colisão de Jornalismo de Sistema e de Contra-Sistema. Os textos em que se busca a prova de vida desta tese incidem sobre exemplares do Expresso e do Avante!. Os números de observatório poderiam ser outros, já que todos transportam o código originário, o selo de compromisso. Os conteúdos são hierarquizados segundo uma Agenda de Interesses. Os balizamentos doutrinários ressaltam, por mais que se encene isenção. A declaração de imparcialidade é um truque estilístico do persuasor para vender o seu produto, para nos capturar nas redes ou circularidades sistémicas/anti-sistémicas. As compulsações conduziram-nos, página a página, imagem a imagem, a um discurso organizado para nos atrair/alistar. O Expresso e o Avante! cumprem os seus papéis de reguladores do Espaço Público, com os meios que lhes foi possível ou permitido mobilizar nos campos de influência, no raio económico-social de cobertura. As vantagens…

Dos motins às revoluções

Agenda. Não posso assistir mas recomendo uma mesa-redonda bem actual – “Dos motins às revoluções, e vice-versa”, dia 19 de Fevereiro, às 15 horas, na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, em Lisboa, numa organização UNIPOP e revista imprópria Participam: Miguel Cardoso, Pedro Rita, José Soeiro, Manuel Loff, Paulo Granjo e Ricardo Noronha. Transcrevo o texto de apresentação da iniciativa: A partir dos mais diversos pontos, de Roma a Tunes, do Cairo a Oakland, de Londres a Beirute, de Buenos Aires a Atenas, de Maputo a Sana, um conjunto muito significativo de lutas, manifestações, greves, ocupações tem vindo a ter lugar. Um elemento comum, além da assinalável capacidade de mobilização, parece ser o facto de muitas destas acções assumirem, formal e substancialmente, o questionamento não só da ordem estabelecida, mas também do padrão normalizado da luta política legal e confinada aos limites do poder de Estado. Num contexto de crise do capitalismo global, a ordem pública é confrontada com …

TVI despede mas tenta disfarçar

A TVI despede mas tenta disfarçar. É o truque do costume em muitas empresas: quer reduzir pessoal, mas não abre um processo voluntário para que quem quiser ir embora se apresente se as condições lhe agradarem; aborda trabalhadores escolhidos e propõe a rescisão, método que o Sindicato dos Jornalistas tem considerado atingir a dignidade pessoal e profissional dos “convidados a rescindir”.
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O "Avante!" completa hoje 80 anos

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O semanário "Avante!", órgão do Partido Comunista Português (PCP) e único jornal que trata sistematicamente informação sobre as lutas dos trabalhadores, completa hoje 80 anos. O primeiro número, publicado já na clandestinidade e em pleno vigor do fascismo, ostenta a data de 15 de Fevereiro de 1931. O "Avante!" foi, como se sabe, uma imparável voz da resistência e da luta antifascista, cujo âmbito editorial abrangeu, e abrange ainda, muito mais do que a realidade do PCP, como facilmente se demonstra na invejável colecção de números aqui disponível, numa iniciativa aliás inédita, para proveito de todos, mesmo os não-militantes nem não-simpatizantes. Já agora, uma pequena nota para jornalistas e outros utilizadores de menções ao título do jornal: "Avante!" grafa-se sempre, mas sempre, com um ponto de exclamação. É uma interjeição, uma exortação. O actual pode ser encontrado nas bancas, nos centros de trabalho do PCP e aqui.  .