quinta-feira, 21 de junho de 2012

Caso Relvas: apure-se até ao limite

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) anunciou hoje que vai requerer a reapreciação da deliberação do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (CR da ERC) relativa à denúncia, pelo Consellho de Redacção do "Público", de ameaças, pelo ministro Miguel Relvas, de boicote informativo do Governo ao jornal e de divulgação de dados da vida privada da jornalista Maria José Oliveira.
Em concreto, o SJ considera que o CR da ERC não esgotou os meios de prova ao seu alcance para ultrapassar a contradição de testemunhos entre o ministro Miguel Relvas e a editora de Política do "Público", Leonete Botelho, pelo que deve promover uma acareação entre ambas as testemunhas decisivas no caso.
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quarta-feira, 20 de junho de 2012

As decisivas 72 horas do Planeta


"Tenho 17 anos, sou uma criança - a vossa criança", apresentou-se. Brittany Trifold, estudante neozelandesa escolhida por 350 organizações não governamentais para falar na primeira sessão plenária da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que decorre no Rio de Janeiro até sexta-feira, enfrentou os senhores do Planeta (193 países participam no Rio+20), olhos nos olhos, para pedir-lhes contas das promessas feitas há 20 anos (Cimeira da Terra, 1992): "Fizeram enormes promessas, que eu li e me fizeram ter esperança".
De facto, "os senhores e os vossos governos prometeram reduzir a pobreza e tornar o ambiente sustentável; prometeram combater as alterações climáticas; assegurar água limpa e segurança alimentar...", enfim, promessas que "nem sequer foram quebradas, mas estão esvaziadas", ia dizendo, o olhar claro enfrentando com firmeza a plateia, interpelando-a.
"Nós, a próxima geração, exigimos mudanças, exigimos acção, porque queremos ter futuro.". Nas calmas, como se fosse a síntese de milhões de desesperançados, Brittany fixa a agenda dos poderosos: "Têm 72 horas para decidir a sorte dos vossos filhos, dos meus filhos, dos filhos dos meus filhos. Inicio o relógio: tic, tac, tic..."
E também o mandato concreto: "Confiamos em vós" para que "nas próximas 72 horas ponham os nossos interesses antes de todos os outros interesses". Afinal, "estão aqui para salvar a face ou estão aqui para salvar-nos?".
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terça-feira, 19 de junho de 2012

Rio + 20 = Eco-desilusão

Algumas chancelarias podem estar exultantes e muitos delegados à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável podem estar a respirar de alívio, mas o "consenso" sobre a proposta de texto a apresentar formalmente à cimeira de alto nível representa a mais completa desilusão, ao:

  1. Não estabelecer objectivos e metas concretas;
  2. Confirmar que não será aceite a criação do fundo para o desenvolvimento sustentável;
  3. Confirmar a rejeição de criação de uma agência da ONU para o Ambiente.
Só não se percebe por que razões o Brasil canta vitória - com a "vitória do multilateralismo" - quando os resultados não chegam, para já, e não se crê que venham a chegar, à sombra dos de há 20 anos...
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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Pilatos não faria melhor

Sem que constitua novidade, o Presidente da República promulgou hoje a revisão do Código do Trabalho.
Cavaco Silva torna-se assim cúmplice num brutal ataque aos trabalhadores, mas a nota da Presidência da República, que vale a pena ler ponto por ponto, procura alijar as responsabilidades e larga-as sobre os ombros de outros - a Tróica, que é quem realmente manda no país; e o PS, que se absteve - sem deixar de referir que "apenas 15% dos deputados" votaram contra.
Pilatos não faria melhor. 
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terça-feira, 5 de junho de 2012

A paciência lusitana

O primeiro-ministro elogiou esta noite a "extrema paciência dos portugueses" que suportam a canga dos sacrifícios cujo peso tem sido severamente aumentado pelo Governo. E julga que nos leva com palavrinhas mansas...
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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Novos recados da Tróica internacional

Portugal gaba-se de ser bom vassalo da Tróica internacional, mas a Tróica do capital quer um vassalo ainda mais obediente, de joelhos irremediavelmente em terra, a destruir a economia nacional e o tecido social e os direitos dos trabalhadores e por aí fora.
No recado que hoje deixou, lá vem declarar que as suas consignas têm sido levadas mais do que à risca - mesmo que deixem o país de tanga, mais do que à rasca - mas que, "contudo, são urgentemente necessárias mais medidas para melhorar o funcionamento do mercado laboral"
Tais medidas, acrescenta um comunicado do Fundo Monetário Internacional, "incluem reformas institucionais que permitam às empresas maior flexibilidade para ajustarem os custos do trabalho e a produtividade".

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domingo, 3 de junho de 2012

Os salários do Dr. Borges

Há um senhor, português, António Borges de seu nome, volta e meia quase idolatrado pelos media nacionais, que voltou à ribalta porque se soube, poucos dias depois de o mesmo ter defendido a redução dos salários miseráveis dos portugueses, que, entre Novembro de 2010 e Novembro de 2011, ganhou a ninharia de 225 mil euros, ou seja, 16 mil euros por mês (contanto 14 meses, admitindo que ganhe subsídios de férias e de Natal), evidentemente livres de impostos.
Há um Governo, liderado pelo partido do Dr. Borges, que contratou o propriamente dito para consultor do Governo para a área das privatizações e das parcerias público-privadas mas que, segundo o "Correio da Manhã" de hoje, que revela aliás o estranho caso dos vencimentos do Dr. Borges, não revela quanto ganha o dito Dr. Borges ao serviço do Estado para, pelos vistos, debitar as dicas agora na ordem do dia.
Há demasiada pouca-vergonha nisto tudo. Mas a culpa, como ainda esta tarde ouvi de um velho tipógrafo, não é deles - é nossa, é do povo...
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sábado, 2 de junho de 2012

Longa vida à capital do Mundo e do Bife

À atenção do senhor Ministro da Dissolução das Autarquias Locais e do senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros: 
Por evidentes razões de soberania gastronómica, roga-se a Ss. Exas. que a freguesia de Alvarenga, concelho de Arouca, distrito de Aveiro, jamais seja extinta ou fundida e que todas as missões diplomáticas, estáticas ou móveis, passem a representar os superiores interesses da raça... arouquesa.
Agradecidos.
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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Juventude SMN

O Governo está apostado em pôr o Estado a financiar as empresas e nem se importa de descapitalizar a Segurança Social, nem de amesquinhar os jovens que legitimamente aspiram a ter um emprego, nem de fazer figura de parvo. Se dúvidas havia, veja-se a proposta, "em cima da mesa", de reduzir a taxa social única às empresas que contratem jovens a ganhar o salário mínimo nacional. O que será que dizem desta violência e deste cinismo as jotas do PSD e do CDS?
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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Delegações da Lusa, uma causa justa

No calendário da Administração da Lusa - Agência de Notícias de Portugal, hoje será o último dia das delegações da agência em Coimbra, Évora e Faro. 
Apoiada pelo silêncio e pelas omissões do Governo, ela quer levar à prática o que todos sabemos  ser um erro - e ainda por cima com violação de   direitos dos jornalistas e com violação da própria lei, como fartamente tem alertado o Sindicato dos Jornalistas, e contrariando um extenso, significativo e diversificado movimento de cidadãos e de instituições, especialmente em Coimbra.
É por isso que justo continuar a defender uma causa justa.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Repugnante

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou hoje "repugnante" e "própria da PIDE-DGS" a espionagem ao jornalista Ricardo Costa, director do semanário "Expresso", e exige aos poderes constitucionalmente constituídos - o judicial incluído - o apuramento de responsabilidades e a tomada de medidas. 
Em comunicado, o SJ considera que "trinta e oito anos depois do 25 de Abril, os jornalistas têm razões de sobra para recear que as suas vidas e as vidas dos seus familiares e dos seus amigos estejam a ser monitorizadas, espiadas, controladas ilegalmente – sabe-se lá por quem, a soldo de quem ou de que interesses"
"Nunca como desde há quase um ano, quando foi espoletado o caso da listagem de comunicações do jornalista Nuno Simas, a Democracia esteve tão dramaticamente em causa", acrescenta.
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terça-feira, 22 de maio de 2012

Caso Relvas vs "Público": dez importantes perguntas

Aqui estão dez importantes perguntas para ajudar a esclarecer a fundo o caso Miguel Relvas versus "Público".
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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Ameaças inadmissíveis

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas exigiu esta noite o esclarecimento urgente e cabal de graves imputações feitas ao ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, segundo as quais o responsável governamental pela área da Comunicação Social ameaçou o "Público" de boicote informativo por parte da generalidade dos ministros e de publicar na Internet dados sobre a vida privada de uma jornalista.
Evidentemente que, se forem compradas as acusações, o Dr. Miguel Relvas deixa de ter condições para continuar a ser ministro, ainda para mais da Comunicação Social. É o mínimo que se pode exigir.
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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Oficialmente, 819,3 mil desempregados

Pelo menos 819,3 mil pessoas - 14,9% da população activa - estavam desempregadas no primeiro trimestre deste ano, segundo as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE) publicadas hoje. Oficialmente, há mais 130,4 mil desempregados do que no primeiro trimestre do ano passado e mais 48,3 mil do que no trimestre anterior, pagando um violento e desumano tributo às políticas de austeridade, de destruição da economia e de empobrecimento acelerado dos portugueses.
Esta situação - e a tendência para agravar-se - tem causas e responsáveis e os responsáveis têm rostos. Não finjamos que não os conhecemos.
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terça-feira, 15 de maio de 2012

Jornalistas contra neonazis

A crise grega

Confirma-se: o povo grego vai voltar a votar.
"Fracassaram" as tentativas do presidente da República para que os três partidos mais votados formassem governo; e fracassou a sua tentativa para que os partidos aceitassem a nomeação de um governo de tecnocratas - não políticos, disse ele - para assegurar o cumprimento dos pactos de agressão internacional.
Consta, segundo as agências noticiosas internacionais, que certos dirigentes/partidos chegaram a achar a ideia digna de apoio. Suponho que ainda não perceberam o que aconteceu nas últimas eleições e que ainda não perceberam o que pode acontecer nas próximas.
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O homem pensa mesmo assim, percebem?


Não se percebe por que razões tanta gente se admira por o primeiro-ministro não ter corrigido nem pedido desculpas pelo que disse acerca do desemprego como "oportunidade para mudar de vida".
Ainda não perceberam que Passos Coelho e a gente que o formatou e a trupe que ele lidera pensam mesmo assim?

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sexta-feira, 11 de maio de 2012

"Estou disponível"

Fixemos a afirmação "Estou disponível para ir para a rua à frente de qualquer manifestação". A afirmação não foi feita por uma pessoa qualquer, foi proferida pelo líder do chamado maior partido da Oposição, António José Seguro, em tom de ameaça de recurso à acção de massas para salvar "as funções sociais do Estado" (entrevista ontem na TVI). 
"Estou disponível", que é como quem diz, pronto, se me convidarem, se alguém mobilizar a coisa e achar que serei útil na frente da manifestação, então não me farei rogado e lá estarei. Mas, até lá, não vou mexer uma palha, não vou fazer nada para me opor e, hoje mesmo, vou abster-me na votação final na generalidade do tenebroso Código do Trabalho.
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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Porque a crise não é uma fatalidade

Sobre a actualidade de um manifesto.
As eleições de domingo passado na Grécia alteraram a aritmética parlamentar e lançaram a inquietação nos mercados - essa entidade suprema que gere, enquanto deixarmos, os destinos da Humanidade. De essencial, não mudou o que deveria ter mudado. O essencial não se muda com terramotos destes.
Foi por isso que me lembrei de um manifesto, com quase um ano, que me orgulho de ter assinado e que mantém uma significativa actualidade. Começa assim: 
"A crise não é uma fatalidade. Tem causas, responsáveis, soluções. Resulta, em primeira instância, de um sistema económico e social iníquo, gerador de crises cíclicas que só a superação do próprio sistema pode erradicar e não as panaceias do momento, ou os devastadores conflitos bélicos que, ontem como hoje, à escala planetária ou de âmbito regional, servem por vezes de saída para as crises económicas e sociais.

No quadro internacional, é, porém, sabido que a responsabilidade pela actual situação decorre da actuação predadora, de procura do lucro a qualquer preço, que tem sido a pedra de toque da alta finança, da banca internacional, dos grandes grupos económicos (os sacrossantos «mercados», sem rosto nem escrutínio, cujo nervosismo faz tremer os países) e de todos os que, ao nível dos poderes executivos, continuam a representar os seus interesses: os directórios políticos nacionais e europeus."
O resto está aqui.
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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Amplo movimento cívico em defesa das delegações da Lusa

Um amplo e muito significativo movimento cívico em defesa das delegações da Agência Lusa, em particular em Coimbra, mas com efeitos também expectáveis em Évora e Faro, está em crescimento, segundo noticia o sítio do Sindicato dos Jornalistas.
Espera-se que a interpelação à Administração da empresa, ao ministro da tutela e aos grupos parlamentares na Assembleia da República obtenha os resultados esperados: uma inversão na decisão tomada.
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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Talvez fosse útil pensarmos um pouco nisto

Rua de Santa Catarina, Porto, Abril de 2012

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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Um bem público inestimável

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas acabou de divulgar o seguinte comunicado:

A informação é um bem público inestimável

(Mensagem do Sindicato dos Jornalistas no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa)


1. A informação é necessária, imprescindível e tem um valor inestimável.
A informação habilita os cidadãos a conhecer melhor a realidade em que vivem. Uma informação livre permite-lhes fiscalizar melhor os poderes e as políticas públicas; dá-lhes voz e espaço para propor e exigir.
Uma informação livre, de qualidade e pluralista faz saber o que propõem e o que realizam as organizações cívicas, as forças políticas, as instituições económicas, os sindicatos, os movimentos sociais, as universidades e centros de investigação, as instituições culturais e desportivas; promove o interesse pelo saber e pelo conhecimento, a fruição dos bens e serviços culturais, do património material e imaterial; reflecte o que pensam, o que anseiam e o que propõem os cidadãos e as suas organizações e fomenta o espírito crítico. 
Uma informação que valoriza a cidadania está sinceramente empenhada em conferir permanentemente saberes e competências aos cidadãos; torna-os mais capazes de conhecer, de analisar, de discutir e de decidir sobre as suas vidas e sobre a vida da colectividade; habilita-os a fazer escolhas informadas sobre os órgãos de soberania, as autarquias locais e sobre o seu futuro.
Sem informação livre, plural e de qualidade, não há verdadeira Democracia.

2. A informação como bem público necessita de jornalistas livres e com direitos
A informação livre, plural e de qualidade só pode ser assegurada por jornalistas vinculados a um corpo de normas éticas e deontológicas, a um património de leis da arte da profissão consolidado ao longo de décadas e décadas, e a um estatuto profissional que lhes impõe deveres imprescritíveis perante as fontes, as pessoas objecto do seu trabalho, e o público.
Por assumirem um tão elevado grau de exigência e por estarem submetidos ao mais amplo escrutínio dos seus actos profissionais e do seu trabalho, os jornalistas necessitam da correspondente protecção nos mais variados domínios – do direito de acesso à informação à protecção no emprego, da garantia de sigilo profissional à liberdade sindical, da cláusula de consciência ao direito a um salário justo.

3. A informação como bem público exige redacções capazes
Ao assinalar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o Sindicato dos Jornalistas chama a atenção dos cidadãos e dos poderes públicos para o continuado agravamento das condições de trabalho dos jornalistas em inúmeros órgãos de informação, em particular com os despedimentos de centenas de profissionais nos últimos anos, a depreciação do estatuto salarial, a intensificação do ritmo e da duração do trabalho, a redução dos espaços destinados à informação, a desvalorização da grande reportagem, o primado da superficialidade.
Neste contexto, são de particular gravidade as situações de precariedade, de contratados a recibos verdes ou a prazo, bastante generalizada entre os jovens jornalistas mas não só. Não é possível garantir a independência e a liberdade de informar de jornalistas que podem ser sumariamente despedidos no dia seguinte ou no mês seguinte.
O SJ alerta também para a preocupante degradação do próprio "mercado" da comunicação social, em particular ao nível da imprensa, com sucessivas quebras de vendas e de audiências, sem dúvida reflexo da crise económico-financeira que diminui o poder aquisitivo dos leitores, mas cujas raízes mergulham num problema já estrutural do país: a gritante diminuição dos hábitos de leitura de publicações periódicas.
A presente crise representa um extraordinário desafio aos jornalistas e às empresas. É necessário demonstrar – agora mais do que nunca – que a informação, de qualidade e feita por profissionais qualificados e exigentes consigo próprios, constitui uma alavanca essencial para sairmos dessa crise, colocando em discussão no espaço público as suas causas e promovendo as soluções para ela.

4. A informação como bem público exige serviços públicos de qualidade
É neste contexto que o SJ reafirma mais uma vez a decisiva importância dos serviços públicos de comunicação social – de agência noticiosa, de rádio e de televisão – que o Governo e a maioria parlamentar querem desmantelar, com o pretexto demagógico da crise, mas visando cumprir uma agenda neoliberal de privatizações a todo o custo.
O SJ sublinha que a existência de serviços públicos de comunicação social prestados por operadores de capitais exclusivamente públicos (RTP) e maioritariamente públicos (Lusa) representa uma garantia permanente para os cidadãos, as suas organizações e as mais variadas instituições, de que o pluralismo, a diversidade informativa e a cobertura da realidade e das iniciativas das comunidades – em todo o país e no mundo – são asseguradas.
Ao assinalar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o SJ salienta que a protecção e o desenvolvimento de serviços públicos de informação livres da influência dos poderes são imprescindíveis à democracia e que uma verdadeira democracia não subsiste sem eles.

Lisboa, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa 2012 

A Direcção
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terça-feira, 1 de maio de 2012

As chocantes provocações da Jerónimo Martins

O que se passou hoje nos supermercados Pingo Doce é uma chocante provocação da Jerónimo Martins aos trabalhadores dos seus supermercados e aos trabalhadores em geral. 
Aos primeiros, fez do trabalho extraordinário imposto no Dia Mundial do Trabalhador um insuportável inferno; aos segundos, mostrou como se espezinha um direito tratando os trabalhadores, em gozo de feriado mas com graves dificuldades económicas, como uma suave carneirada sedenta das ilusórias oferendas.
Mas é também uma grosseira provocação ao Governo e à ASAE. Mas esta ficará impune: a cerviz do poder está há muito debaixo da biqueira do sapato do capital.
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1.º de Maio

CANÇÃO DO COOPERARIADO
   
Coopera o opErário Esse imenso operaDor Sem ele não temos ópera nem opeRações sem dor Opera todas as máquinas É muito cooperativo Opera computaDores Supõe-se um executivo Funda cooperativas Busca coopeRação Coopera em cantigas Paga as letras da canção Pertence ao operariado muitas vezes sem saber Porque tanta coopeRação não dá bem para entender Pertence ao operariado muitas vezes sem querer Porque tanta coopeRação só dá para empobrecer Já foi herói proletário Termo meio bolCHEvique O tratamento moderno é telecomando-chip Diz-se profissional Técnico e funcionário Também recurso huMano Unidade de trabalho Mas afinal (ele) é um grande operacional Ele opera e coopera Sem ele ponto final Fica assente Meus Senhores O que é um operário Sem gravata e com gravata Morre a viver do salário Peça da engrenagem Produto da produção Faz o carro e faz a estrada Faz a mesa e faz a cama Coopera até na morte fabricando o seu caixão

Uns chamam-lhe ParafUso Outros GloBalização
  
Poema de César Príncipe, Correio Vermelho, 2008, Seara de Vento
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Talvez os subsídios de férias de Natal sejam repostos em 2019, se forem

O ministro Gaspar explicando o calendário dos deslizes
(Foto retirada do portal oficial do Governo, com a devida vénia, claro) 
É importante estar atento à forma como a propaganda do Governo despudoradamente tentar enganar-nos.
Quando a nota "informativa" do portal oficial do Governo nos diz que:   
"A reposição dos subsídios de férias e de Natal na Administração Pública e empresas públicas, deverá começar a ser feita em 2015, a um ritmo de 25% ao ano",
quer dizer exactamente os ditos subsídios estarão repostos no ano de 2019.
Mas isso é se correr bem, pois, e aqui vai a citação do ministro Gaspar, 
"relativamente à questão dos cortes temporários, a posição política é exactamente a que foi expressa pelo Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, isto é, a reposição do subsídio de Natal e de férias, bem como a reposição do corte efectuado em 2011 terão de ser feitos gradualmente a partir de 2015 e o ritmo será condicionado pela existência de espaço orçamental».
Ou seja, é mais que certo que, como este Governo está a levar a Economia ao descalabro, a promessazinha de hoje seja cumprida lá para as... calendas gregas.
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Os jornalistas e o 1.º de Maio


A Direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) apelou hoje à participação dos jornalistas nas iniciativas comemorativas do 1.º de Maio que o Movimento Sindical realiza amanhã em todo o país, especialmente nas capitais de distrito.
Em comunicado, o SJ salienta a importância da participação dos jornalistas na festa unitária e solidária de todos os trabalhadores que, celebrando as conquistas numa luta já secular, enfrentam hoje graves retrocessos que é necessário contrariar.   
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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Delegações da Lusa: uma causa justa

Um importante conjunto de 300 personalidades de todos os quadrantes políticos, encabeçado pelo advogado e escritor António Arnaut, e um significativo rol de docentes da Licenciatura em Jornalismo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra divulgaram nestes dias importantes e relevantes posições contra o encerramento da Delegação da Lusa - Agência de Notícias em Coimbra. 
Trata-se de uma causa muito justa, que o Sindicato dos Jornalistas tem vindo a manter na ordem do dia, que já tinha aliados importantes, nomeadamente em autarquias e comunidades intermunicipais, que não se limita à representação física de Coimbra, pois também em Évora e Faro estão ameaçadas as delegações, e que agora ganha novo e decisivo impulso.
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quinta-feira, 26 de abril de 2012

A noção de amor já teve melhores dias

Rampa da Escola Normal, Porto, Abril de 2012
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quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril 2012: Razões para estarmos aqui

Desfile da Liberdade, observado na Rua de Fernandes Tomás, no cruzamento com a Rua do Bom Jardim, estendendo-se para além do cruzamento com a Rua da Alegria 
Por que estamos aqui?*

Aqui estamos, de novo, reunidos diante do monumento a Virgínia Moura, para homenagear todas e todos os resistentes antifascistas que tornaram possível este dia há 38 anos:
Aquelas e aqueles que poderiam ter vivido no conforto da indiferença, mas viveram de olhos e ouvidos e coração bem abertos para os problemas do seu Povo;
Aquelas e aqueles que poderiam ter sido cúmplices por omissão, mas denunciaram as injustiças e a opressão;
Aquelas e aqueles que poderiam ter vivido na resignação, mas sofreram provações, foram perseguidos, foram torturados e foram até mortos;
Aquelas e aqueles que poderiam conformar-se com a realidade, mas ousaram lutar pela sua transformação;
Aquelas e aqueles que foram voz e grito de esperança e de alternativas, quando poderiam ter sido silêncio;
Aquelas e aqueles que levaram muito para além dos limites do sofrimento a sua recusa em render-se e fizeram das fraquezas força, e da sua coragem e da sua determinação um exemplo; 
A todas aquelas e a todos aqueles que, ao longo da tenebrosa noite de 48 anos de fascismo, foram abrindo caminhos para que, nessa madrugada redentora, os militares de Abril pudessem hastear a bandeira da liberdade.

Há por aí quem diga que já não faz sentido comemorar Abril, porque as gerações mais novas já nem sabem o que isso foi, pretendendo remeter essa data para os arquivos mais obscuros da memória – e talvez apagá-la de vez.
Mas nós aqui estamos, uma vez mais, reunidos diante deste edifício, que é a memória da repressão fascista, para reafirmar que não esquecemos, que nunca esqueceremos e que tudo faremos para que as gerações futuras jamais esqueçam, que atrás destes muros muitos homens e mulheres sofreram, estiveram presos, foram seviciados, ou foram mortos por ousarem lutar contra a tirania.
Estamos aqui sem pedir licença a quem quer desmemorizar a História; estamos aqui para reafirmar o valor e os fundamentos da liberdade reconquistada há 38 anos: a liberdade para reunir e manifestar-se, para pensar e propor, para agir e exigir.
Estamos aqui convocados pela urgência da memória dos que foram e são o exemplo de dedicação, de coragem e de determinação, lembrando-nos o dever de prosseguir pelos nossos pés a caminhada de gerações e gerações rumo a um futuro mais justo e mais fraterno.
Quase quatro décadas passadas, essa memória interpela-nos, questionando-nos sobre se, no presente histórico que somos,  seremos capazes de agir e de transformar;
Se teremos coragem para abandonar o conforto da resignação e a carapaça da indiferença;
Se teremos força para ousar rasgar o medo que nos tolhe a solidariedade;
Se ousaremos romper o cerco da inevitabilidade que querem impor-nos;
Se queremos dar força às nossas organizações sindicais e lutar nas empresas e em todos os locais onde os direitos dos cidadãos e dos trabalhadores são atacados;
Se seremos capazes tornar as nossas colectividades centros de resistência cultural e cívica à cultura do conformismo e do egoísmo;
Se seremos determinados para fazer da luta um esforço colectivo continuado, organizado e consequente.
É também por isso que aqui estamos a saudar fraternalmente os que continuam a acreditar que há alternativas e que, enfrentando toda a sorte de dificuldades, incompreensões e preconceitos, se batem todos os dias, nas empresas e nos sindicatos, nas fábricas, nos escritórios e nas escolas, nas colectividades e nas organizações políticas, por uma sociedade melhor, mais justa e mais fraterna.    

Estamos aqui reunidos sem remorsos do valioso património das conquistas de Abril que nos foi legado e que uma poderosa ofensiva está a destruir, impondo-nos um dramático retrocesso civilizacional em matéria de direitos fundamentais – ao trabalho digno e com direitos; ao salário justo e à protecção social no desemprego e na reforma; à habitação digna; à saúde e à escola públicas de qualidade; à cultura e ao lazer.
Estamos aqui porque nos recusamos a aceitar que sejam destruídos direitos que custaram a liberdade, sofrimentos e vidas de tanta gente;
Porque não podemos deixar sem resposta aqueles que nos dizem que o mundo mudou e que já não vale a pena lutar por ideais – o mundo mudou, sim, mas para pior, e é urgente mudá-lo para melhor!;  
Estamos aqui, porque não aceitamos o discurso da falência do Estado Social dos que só acreditam no negócio e no lucro;
Porque não aceitamos ameaças de tragédia dos que brandem a espada da crise sobre as nossas cabeças para nos impor sacrifícios que destroem a nossa economia, nos levam à pobreza e empurram os mais fracos para a miséria;
Porque não aceitamos os ralhetes cínicos dos que dizem que andamos a gastar a mais mas continuam a apresentar a factura da crise apenas aos trabalhadores e a encher os cofres de quem mais tem;
Porque não aceitamos a promessa hipócrita dos que prometem melhores dias se aceitarmos, calados e obedientes, a brutal agressão do pacto das tróicas ao serviço da agiotagem da banca e do capital financeiro;
Estamos aqui, enfim, porque não nos rendemos, porque não nos renderemos.

Estamos aqui em festa – em luta, mas também em festa – para reafirmar que o 25 de Abril valeu a pena, mas também para dizer que são muitas e duras as tarefas que nos esperam, mas que as aceitamos com a alegria e a convicção de que a razão e a justiça estão do nosso lado.
E não, não é necessário outro 25 de Abril: o que é preciso é que Abril se cumpra e a sua Primavera refloresça em esperança todos os dias!

Viva o 25 de Abril!
Fascismo nunca mais!
A luta continua!

* Alocução proferida hoje no Porto, na homenagem aos resistentes antifascistas, junto da antiga delegação da PIDE e do busto de Virgínia Moura

quinta-feira, 1 de março de 2012

Caça às bruxas na Madeira


O PSD-Madeira convive mal com a Democracia e com a liberdade de imprensa. Na última edição do seu órgão oficial, o jornal "Madeira Livre", elege como inimigos cinco jornalistas que, naquela Região Autónoma, trabalham para órgãos de informação nacionais. Esta provocação, escalada perigosa da catalogação dos "inimigos da Madeira" é inaceitável e deve ser repudiada com firmeza, como fez hoje o Sindicato dos Jornalistas, rejeitando qualquer caça às bruxas.
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