quinta-feira, 31 de maio de 2012

Delegações da Lusa, uma causa justa

No calendário da Administração da Lusa - Agência de Notícias de Portugal, hoje será o último dia das delegações da agência em Coimbra, Évora e Faro. 
Apoiada pelo silêncio e pelas omissões do Governo, ela quer levar à prática o que todos sabemos  ser um erro - e ainda por cima com violação de   direitos dos jornalistas e com violação da própria lei, como fartamente tem alertado o Sindicato dos Jornalistas, e contrariando um extenso, significativo e diversificado movimento de cidadãos e de instituições, especialmente em Coimbra.
É por isso que justo continuar a defender uma causa justa.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Repugnante

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou hoje "repugnante" e "própria da PIDE-DGS" a espionagem ao jornalista Ricardo Costa, director do semanário "Expresso", e exige aos poderes constitucionalmente constituídos - o judicial incluído - o apuramento de responsabilidades e a tomada de medidas. 
Em comunicado, o SJ considera que "trinta e oito anos depois do 25 de Abril, os jornalistas têm razões de sobra para recear que as suas vidas e as vidas dos seus familiares e dos seus amigos estejam a ser monitorizadas, espiadas, controladas ilegalmente – sabe-se lá por quem, a soldo de quem ou de que interesses"
"Nunca como desde há quase um ano, quando foi espoletado o caso da listagem de comunicações do jornalista Nuno Simas, a Democracia esteve tão dramaticamente em causa", acrescenta.
. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Caso Relvas vs "Público": dez importantes perguntas

Aqui estão dez importantes perguntas para ajudar a esclarecer a fundo o caso Miguel Relvas versus "Público".
.  

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Ameaças inadmissíveis

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas exigiu esta noite o esclarecimento urgente e cabal de graves imputações feitas ao ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, segundo as quais o responsável governamental pela área da Comunicação Social ameaçou o "Público" de boicote informativo por parte da generalidade dos ministros e de publicar na Internet dados sobre a vida privada de uma jornalista.
Evidentemente que, se forem compradas as acusações, o Dr. Miguel Relvas deixa de ter condições para continuar a ser ministro, ainda para mais da Comunicação Social. É o mínimo que se pode exigir.
.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Oficialmente, 819,3 mil desempregados

Pelo menos 819,3 mil pessoas - 14,9% da população activa - estavam desempregadas no primeiro trimestre deste ano, segundo as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE) publicadas hoje. Oficialmente, há mais 130,4 mil desempregados do que no primeiro trimestre do ano passado e mais 48,3 mil do que no trimestre anterior, pagando um violento e desumano tributo às políticas de austeridade, de destruição da economia e de empobrecimento acelerado dos portugueses.
Esta situação - e a tendência para agravar-se - tem causas e responsáveis e os responsáveis têm rostos. Não finjamos que não os conhecemos.
. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Jornalistas contra neonazis

A crise grega

Confirma-se: o povo grego vai voltar a votar.
"Fracassaram" as tentativas do presidente da República para que os três partidos mais votados formassem governo; e fracassou a sua tentativa para que os partidos aceitassem a nomeação de um governo de tecnocratas - não políticos, disse ele - para assegurar o cumprimento dos pactos de agressão internacional.
Consta, segundo as agências noticiosas internacionais, que certos dirigentes/partidos chegaram a achar a ideia digna de apoio. Suponho que ainda não perceberam o que aconteceu nas últimas eleições e que ainda não perceberam o que pode acontecer nas próximas.
.

O homem pensa mesmo assim, percebem?


Não se percebe por que razões tanta gente se admira por o primeiro-ministro não ter corrigido nem pedido desculpas pelo que disse acerca do desemprego como "oportunidade para mudar de vida".
Ainda não perceberam que Passos Coelho e a gente que o formatou e a trupe que ele lidera pensam mesmo assim?

.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

"Estou disponível"

Fixemos a afirmação "Estou disponível para ir para a rua à frente de qualquer manifestação". A afirmação não foi feita por uma pessoa qualquer, foi proferida pelo líder do chamado maior partido da Oposição, António José Seguro, em tom de ameaça de recurso à acção de massas para salvar "as funções sociais do Estado" (entrevista ontem na TVI). 
"Estou disponível", que é como quem diz, pronto, se me convidarem, se alguém mobilizar a coisa e achar que serei útil na frente da manifestação, então não me farei rogado e lá estarei. Mas, até lá, não vou mexer uma palha, não vou fazer nada para me opor e, hoje mesmo, vou abster-me na votação final na generalidade do tenebroso Código do Trabalho.
.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Porque a crise não é uma fatalidade

Sobre a actualidade de um manifesto.
As eleições de domingo passado na Grécia alteraram a aritmética parlamentar e lançaram a inquietação nos mercados - essa entidade suprema que gere, enquanto deixarmos, os destinos da Humanidade. De essencial, não mudou o que deveria ter mudado. O essencial não se muda com terramotos destes.
Foi por isso que me lembrei de um manifesto, com quase um ano, que me orgulho de ter assinado e que mantém uma significativa actualidade. Começa assim: 
"A crise não é uma fatalidade. Tem causas, responsáveis, soluções. Resulta, em primeira instância, de um sistema económico e social iníquo, gerador de crises cíclicas que só a superação do próprio sistema pode erradicar e não as panaceias do momento, ou os devastadores conflitos bélicos que, ontem como hoje, à escala planetária ou de âmbito regional, servem por vezes de saída para as crises económicas e sociais.

No quadro internacional, é, porém, sabido que a responsabilidade pela actual situação decorre da actuação predadora, de procura do lucro a qualquer preço, que tem sido a pedra de toque da alta finança, da banca internacional, dos grandes grupos económicos (os sacrossantos «mercados», sem rosto nem escrutínio, cujo nervosismo faz tremer os países) e de todos os que, ao nível dos poderes executivos, continuam a representar os seus interesses: os directórios políticos nacionais e europeus."
O resto está aqui.
.


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Amplo movimento cívico em defesa das delegações da Lusa

Um amplo e muito significativo movimento cívico em defesa das delegações da Agência Lusa, em particular em Coimbra, mas com efeitos também expectáveis em Évora e Faro, está em crescimento, segundo noticia o sítio do Sindicato dos Jornalistas.
Espera-se que a interpelação à Administração da empresa, ao ministro da tutela e aos grupos parlamentares na Assembleia da República obtenha os resultados esperados: uma inversão na decisão tomada.
.   

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Talvez fosse útil pensarmos um pouco nisto

Rua de Santa Catarina, Porto, Abril de 2012

.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Um bem público inestimável

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas acabou de divulgar o seguinte comunicado:

A informação é um bem público inestimável

(Mensagem do Sindicato dos Jornalistas no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa)


1. A informação é necessária, imprescindível e tem um valor inestimável.
A informação habilita os cidadãos a conhecer melhor a realidade em que vivem. Uma informação livre permite-lhes fiscalizar melhor os poderes e as políticas públicas; dá-lhes voz e espaço para propor e exigir.
Uma informação livre, de qualidade e pluralista faz saber o que propõem e o que realizam as organizações cívicas, as forças políticas, as instituições económicas, os sindicatos, os movimentos sociais, as universidades e centros de investigação, as instituições culturais e desportivas; promove o interesse pelo saber e pelo conhecimento, a fruição dos bens e serviços culturais, do património material e imaterial; reflecte o que pensam, o que anseiam e o que propõem os cidadãos e as suas organizações e fomenta o espírito crítico. 
Uma informação que valoriza a cidadania está sinceramente empenhada em conferir permanentemente saberes e competências aos cidadãos; torna-os mais capazes de conhecer, de analisar, de discutir e de decidir sobre as suas vidas e sobre a vida da colectividade; habilita-os a fazer escolhas informadas sobre os órgãos de soberania, as autarquias locais e sobre o seu futuro.
Sem informação livre, plural e de qualidade, não há verdadeira Democracia.

2. A informação como bem público necessita de jornalistas livres e com direitos
A informação livre, plural e de qualidade só pode ser assegurada por jornalistas vinculados a um corpo de normas éticas e deontológicas, a um património de leis da arte da profissão consolidado ao longo de décadas e décadas, e a um estatuto profissional que lhes impõe deveres imprescritíveis perante as fontes, as pessoas objecto do seu trabalho, e o público.
Por assumirem um tão elevado grau de exigência e por estarem submetidos ao mais amplo escrutínio dos seus actos profissionais e do seu trabalho, os jornalistas necessitam da correspondente protecção nos mais variados domínios – do direito de acesso à informação à protecção no emprego, da garantia de sigilo profissional à liberdade sindical, da cláusula de consciência ao direito a um salário justo.

3. A informação como bem público exige redacções capazes
Ao assinalar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o Sindicato dos Jornalistas chama a atenção dos cidadãos e dos poderes públicos para o continuado agravamento das condições de trabalho dos jornalistas em inúmeros órgãos de informação, em particular com os despedimentos de centenas de profissionais nos últimos anos, a depreciação do estatuto salarial, a intensificação do ritmo e da duração do trabalho, a redução dos espaços destinados à informação, a desvalorização da grande reportagem, o primado da superficialidade.
Neste contexto, são de particular gravidade as situações de precariedade, de contratados a recibos verdes ou a prazo, bastante generalizada entre os jovens jornalistas mas não só. Não é possível garantir a independência e a liberdade de informar de jornalistas que podem ser sumariamente despedidos no dia seguinte ou no mês seguinte.
O SJ alerta também para a preocupante degradação do próprio "mercado" da comunicação social, em particular ao nível da imprensa, com sucessivas quebras de vendas e de audiências, sem dúvida reflexo da crise económico-financeira que diminui o poder aquisitivo dos leitores, mas cujas raízes mergulham num problema já estrutural do país: a gritante diminuição dos hábitos de leitura de publicações periódicas.
A presente crise representa um extraordinário desafio aos jornalistas e às empresas. É necessário demonstrar – agora mais do que nunca – que a informação, de qualidade e feita por profissionais qualificados e exigentes consigo próprios, constitui uma alavanca essencial para sairmos dessa crise, colocando em discussão no espaço público as suas causas e promovendo as soluções para ela.

4. A informação como bem público exige serviços públicos de qualidade
É neste contexto que o SJ reafirma mais uma vez a decisiva importância dos serviços públicos de comunicação social – de agência noticiosa, de rádio e de televisão – que o Governo e a maioria parlamentar querem desmantelar, com o pretexto demagógico da crise, mas visando cumprir uma agenda neoliberal de privatizações a todo o custo.
O SJ sublinha que a existência de serviços públicos de comunicação social prestados por operadores de capitais exclusivamente públicos (RTP) e maioritariamente públicos (Lusa) representa uma garantia permanente para os cidadãos, as suas organizações e as mais variadas instituições, de que o pluralismo, a diversidade informativa e a cobertura da realidade e das iniciativas das comunidades – em todo o país e no mundo – são asseguradas.
Ao assinalar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o SJ salienta que a protecção e o desenvolvimento de serviços públicos de informação livres da influência dos poderes são imprescindíveis à democracia e que uma verdadeira democracia não subsiste sem eles.

Lisboa, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa 2012 

A Direcção
.

terça-feira, 1 de maio de 2012

As chocantes provocações da Jerónimo Martins

O que se passou hoje nos supermercados Pingo Doce é uma chocante provocação da Jerónimo Martins aos trabalhadores dos seus supermercados e aos trabalhadores em geral. 
Aos primeiros, fez do trabalho extraordinário imposto no Dia Mundial do Trabalhador um insuportável inferno; aos segundos, mostrou como se espezinha um direito tratando os trabalhadores, em gozo de feriado mas com graves dificuldades económicas, como uma suave carneirada sedenta das ilusórias oferendas.
Mas é também uma grosseira provocação ao Governo e à ASAE. Mas esta ficará impune: a cerviz do poder está há muito debaixo da biqueira do sapato do capital.
.     

1.º de Maio

CANÇÃO DO COOPERARIADO
   
Coopera o opErário Esse imenso operaDor Sem ele não temos ópera nem opeRações sem dor Opera todas as máquinas É muito cooperativo Opera computaDores Supõe-se um executivo Funda cooperativas Busca coopeRação Coopera em cantigas Paga as letras da canção Pertence ao operariado muitas vezes sem saber Porque tanta coopeRação não dá bem para entender Pertence ao operariado muitas vezes sem querer Porque tanta coopeRação só dá para empobrecer Já foi herói proletário Termo meio bolCHEvique O tratamento moderno é telecomando-chip Diz-se profissional Técnico e funcionário Também recurso huMano Unidade de trabalho Mas afinal (ele) é um grande operacional Ele opera e coopera Sem ele ponto final Fica assente Meus Senhores O que é um operário Sem gravata e com gravata Morre a viver do salário Peça da engrenagem Produto da produção Faz o carro e faz a estrada Faz a mesa e faz a cama Coopera até na morte fabricando o seu caixão

Uns chamam-lhe ParafUso Outros GloBalização
  
Poema de César Príncipe, Correio Vermelho, 2008, Seara de Vento
.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Talvez os subsídios de férias de Natal sejam repostos em 2019, se forem

O ministro Gaspar explicando o calendário dos deslizes
(Foto retirada do portal oficial do Governo, com a devida vénia, claro) 
É importante estar atento à forma como a propaganda do Governo despudoradamente tentar enganar-nos.
Quando a nota "informativa" do portal oficial do Governo nos diz que:   
"A reposição dos subsídios de férias e de Natal na Administração Pública e empresas públicas, deverá começar a ser feita em 2015, a um ritmo de 25% ao ano",
quer dizer exactamente os ditos subsídios estarão repostos no ano de 2019.
Mas isso é se correr bem, pois, e aqui vai a citação do ministro Gaspar, 
"relativamente à questão dos cortes temporários, a posição política é exactamente a que foi expressa pelo Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, isto é, a reposição do subsídio de Natal e de férias, bem como a reposição do corte efectuado em 2011 terão de ser feitos gradualmente a partir de 2015 e o ritmo será condicionado pela existência de espaço orçamental».
Ou seja, é mais que certo que, como este Governo está a levar a Economia ao descalabro, a promessazinha de hoje seja cumprida lá para as... calendas gregas.
.

Os jornalistas e o 1.º de Maio


A Direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) apelou hoje à participação dos jornalistas nas iniciativas comemorativas do 1.º de Maio que o Movimento Sindical realiza amanhã em todo o país, especialmente nas capitais de distrito.
Em comunicado, o SJ salienta a importância da participação dos jornalistas na festa unitária e solidária de todos os trabalhadores que, celebrando as conquistas numa luta já secular, enfrentam hoje graves retrocessos que é necessário contrariar.   
.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Delegações da Lusa: uma causa justa

Um importante conjunto de 300 personalidades de todos os quadrantes políticos, encabeçado pelo advogado e escritor António Arnaut, e um significativo rol de docentes da Licenciatura em Jornalismo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra divulgaram nestes dias importantes e relevantes posições contra o encerramento da Delegação da Lusa - Agência de Notícias em Coimbra. 
Trata-se de uma causa muito justa, que o Sindicato dos Jornalistas tem vindo a manter na ordem do dia, que já tinha aliados importantes, nomeadamente em autarquias e comunidades intermunicipais, que não se limita à representação física de Coimbra, pois também em Évora e Faro estão ameaçadas as delegações, e que agora ganha novo e decisivo impulso.
.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A noção de amor já teve melhores dias

Rampa da Escola Normal, Porto, Abril de 2012
.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril 2012: Razões para estarmos aqui

Desfile da Liberdade, observado na Rua de Fernandes Tomás, no cruzamento com a Rua do Bom Jardim, estendendo-se para além do cruzamento com a Rua da Alegria 
Por que estamos aqui?*

Aqui estamos, de novo, reunidos diante do monumento a Virgínia Moura, para homenagear todas e todos os resistentes antifascistas que tornaram possível este dia há 38 anos:
Aquelas e aqueles que poderiam ter vivido no conforto da indiferença, mas viveram de olhos e ouvidos e coração bem abertos para os problemas do seu Povo;
Aquelas e aqueles que poderiam ter sido cúmplices por omissão, mas denunciaram as injustiças e a opressão;
Aquelas e aqueles que poderiam ter vivido na resignação, mas sofreram provações, foram perseguidos, foram torturados e foram até mortos;
Aquelas e aqueles que poderiam conformar-se com a realidade, mas ousaram lutar pela sua transformação;
Aquelas e aqueles que foram voz e grito de esperança e de alternativas, quando poderiam ter sido silêncio;
Aquelas e aqueles que levaram muito para além dos limites do sofrimento a sua recusa em render-se e fizeram das fraquezas força, e da sua coragem e da sua determinação um exemplo; 
A todas aquelas e a todos aqueles que, ao longo da tenebrosa noite de 48 anos de fascismo, foram abrindo caminhos para que, nessa madrugada redentora, os militares de Abril pudessem hastear a bandeira da liberdade.

Há por aí quem diga que já não faz sentido comemorar Abril, porque as gerações mais novas já nem sabem o que isso foi, pretendendo remeter essa data para os arquivos mais obscuros da memória – e talvez apagá-la de vez.
Mas nós aqui estamos, uma vez mais, reunidos diante deste edifício, que é a memória da repressão fascista, para reafirmar que não esquecemos, que nunca esqueceremos e que tudo faremos para que as gerações futuras jamais esqueçam, que atrás destes muros muitos homens e mulheres sofreram, estiveram presos, foram seviciados, ou foram mortos por ousarem lutar contra a tirania.
Estamos aqui sem pedir licença a quem quer desmemorizar a História; estamos aqui para reafirmar o valor e os fundamentos da liberdade reconquistada há 38 anos: a liberdade para reunir e manifestar-se, para pensar e propor, para agir e exigir.
Estamos aqui convocados pela urgência da memória dos que foram e são o exemplo de dedicação, de coragem e de determinação, lembrando-nos o dever de prosseguir pelos nossos pés a caminhada de gerações e gerações rumo a um futuro mais justo e mais fraterno.
Quase quatro décadas passadas, essa memória interpela-nos, questionando-nos sobre se, no presente histórico que somos,  seremos capazes de agir e de transformar;
Se teremos coragem para abandonar o conforto da resignação e a carapaça da indiferença;
Se teremos força para ousar rasgar o medo que nos tolhe a solidariedade;
Se ousaremos romper o cerco da inevitabilidade que querem impor-nos;
Se queremos dar força às nossas organizações sindicais e lutar nas empresas e em todos os locais onde os direitos dos cidadãos e dos trabalhadores são atacados;
Se seremos capazes tornar as nossas colectividades centros de resistência cultural e cívica à cultura do conformismo e do egoísmo;
Se seremos determinados para fazer da luta um esforço colectivo continuado, organizado e consequente.
É também por isso que aqui estamos a saudar fraternalmente os que continuam a acreditar que há alternativas e que, enfrentando toda a sorte de dificuldades, incompreensões e preconceitos, se batem todos os dias, nas empresas e nos sindicatos, nas fábricas, nos escritórios e nas escolas, nas colectividades e nas organizações políticas, por uma sociedade melhor, mais justa e mais fraterna.    

Estamos aqui reunidos sem remorsos do valioso património das conquistas de Abril que nos foi legado e que uma poderosa ofensiva está a destruir, impondo-nos um dramático retrocesso civilizacional em matéria de direitos fundamentais – ao trabalho digno e com direitos; ao salário justo e à protecção social no desemprego e na reforma; à habitação digna; à saúde e à escola públicas de qualidade; à cultura e ao lazer.
Estamos aqui porque nos recusamos a aceitar que sejam destruídos direitos que custaram a liberdade, sofrimentos e vidas de tanta gente;
Porque não podemos deixar sem resposta aqueles que nos dizem que o mundo mudou e que já não vale a pena lutar por ideais – o mundo mudou, sim, mas para pior, e é urgente mudá-lo para melhor!;  
Estamos aqui, porque não aceitamos o discurso da falência do Estado Social dos que só acreditam no negócio e no lucro;
Porque não aceitamos ameaças de tragédia dos que brandem a espada da crise sobre as nossas cabeças para nos impor sacrifícios que destroem a nossa economia, nos levam à pobreza e empurram os mais fracos para a miséria;
Porque não aceitamos os ralhetes cínicos dos que dizem que andamos a gastar a mais mas continuam a apresentar a factura da crise apenas aos trabalhadores e a encher os cofres de quem mais tem;
Porque não aceitamos a promessa hipócrita dos que prometem melhores dias se aceitarmos, calados e obedientes, a brutal agressão do pacto das tróicas ao serviço da agiotagem da banca e do capital financeiro;
Estamos aqui, enfim, porque não nos rendemos, porque não nos renderemos.

Estamos aqui em festa – em luta, mas também em festa – para reafirmar que o 25 de Abril valeu a pena, mas também para dizer que são muitas e duras as tarefas que nos esperam, mas que as aceitamos com a alegria e a convicção de que a razão e a justiça estão do nosso lado.
E não, não é necessário outro 25 de Abril: o que é preciso é que Abril se cumpra e a sua Primavera refloresça em esperança todos os dias!

Viva o 25 de Abril!
Fascismo nunca mais!
A luta continua!

* Alocução proferida hoje no Porto, na homenagem aos resistentes antifascistas, junto da antiga delegação da PIDE e do busto de Virgínia Moura

quinta-feira, 1 de março de 2012

Caça às bruxas na Madeira


O PSD-Madeira convive mal com a Democracia e com a liberdade de imprensa. Na última edição do seu órgão oficial, o jornal "Madeira Livre", elege como inimigos cinco jornalistas que, naquela Região Autónoma, trabalham para órgãos de informação nacionais. Esta provocação, escalada perigosa da catalogação dos "inimigos da Madeira" é inaceitável e deve ser repudiada com firmeza, como fez hoje o Sindicato dos Jornalistas, rejeitando qualquer caça às bruxas.
.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ajuda externa e independência jornalística

Um problema prático de jornalismo ao qual já me referi, aqui, algures: a "retranca" da notícia que assume uma posição. É o caso da famosa "ajuda externa", consubstanciada no empréstimo que o FMI, o BCE e a CE concederam a Portugal. Para uns - o Governo, a maioria parlamentar alargada, o Presidente da República... - será essa tal "ajuda externa"; para outros é um "pacto de agressão". Não será suficiente um extremar tão significativo de posições sobre o mesmo assunto para que os jornalistas passem a pesar melhor a expressão a usar de forma imparcial?
.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Uma porta da Pátria, o estado da

Rua de Santa Catarina, Porto, Fevereiro de 2012

.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A desculpa do medo

Na semana em que assinalaram 25 anos da morte de Zeca Afonso, ouvi demasiadas vezes a desculpa do medo - para não agir, para não ser solidário, para não esboçar o mais pequeno protesto.
E, a terminar, ouvi a desculpa de que o melhor "é não ser sindicalizado para não desagradar à empresa". Assim mesmo...
O que lhes vale é que há ainda quem não tenha medo!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O problema da crise à mesa da Impresa


Ao precipitar-se a tentar resolver um problema de tributação dos subsídios de refeição, o Grupo Impresa, do Dr. Balsemão, criou um problema interessante. Já sei que não é o problema mais grave do sector, e muito menos do país. Mas diz muito mais do que parece. Vamos ver como se resolve...
 .

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Despedimentos na TSF

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas repudiou hoje o processo de abordagem selectiva a jornalistas e outros trabalhadores na TSF, com vista ao seu despedimento sob a forma de rescisões ditas amigáveis. Em comunicado, o SJ apela à unidade e à resistência dos profissionais e alerta para o risco de degradação da qualidade do serviço da rádio com a redução de pessoal. 
.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

É Carnaval

Bom dia!
Estamos a 21 de Fevereiro de 2012, Terça-feira de Carnaval, dia feriado para a maior parte do sector privado, de acordo com o Código do Trabalho, que o consagra como feriado facultativo, e com os instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho, que o tornam obrigatório, como bem recorda o Sindicato dos Jornalistas numa nota que se supunha desnecessária. Obrigatório! - perceberam?!
Gozem muito, se fazem favor.
.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

"A Casa da Mãe Joana", pois...

Há apenas um dia, ontem mesmo, ofereci aqui alvíssaras por informações sobre a origem de um interessantíssimo texto sobre a origem do at inglês, ou do "nosso" arroba, modernamente utilizado nos endereços de correio electrónico.
Ora, não tendo obtido resposta satisfatória a esta e a outras diligências, e tendo-me certa resposta cheirado a fraude, lá fiz o que tinha a fazer e que, por preguiça, não fizera: introduzir as expressões-chave "origem de @ arroba at" num simples motor de busca. De pronto me saiu esta "resposta", que mais não é - suponho - do que a versão original do texto que me fizeram chegar e que remete, de forma cristalina e honesta para uma citação do livro "A Casa da Mãe Joana", de Reinaldo Pimenta.
Um dia, talvez partilhe aqui uma reflexão sobre a honestidade intelectual que este caso me suscitou...

PS: Escuso de dizer que já não devo recompensa a ninguém, certo?
.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Alvissaras pela fonte deste texto

De pessoa amiga, cujo endereço rasurei, recebi um interessante texto sobre a origem do at inglês e do nosso arroba - o caracter @ usado nos endereços electrónicos entre o nome do utilizador e a designação do fornecedor do serviço ou entidade. Mas gostaria muito de conhecer a origem, a fonte, o autor. Alguém pode ajudar?

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: xxxxxxxxxxxxx@hotmail.com>
Data: 18 de Fevereiro de 2012 11:20
Assunto: FW: Entre os símbolos, temos @ !
Para:

Durante a Idade Média os livros eram escritos pelos copistas, à mão.
Precursores dos taquígrafos, os copistas simplificavam o seu trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais  rápido (tempo não faltava naquela época). O motivo era de ordem económica: tinta e papel eram valiosíssimos.
Assim, surgiu o til (~), para substituir o m ou n que nasalizava a vogal anterior. Se reparar bem, você verá que o til é um enezinho sobre a letra.
O nome espanhol Francisco, também grafado Phrancisco, foi abreviado para Phco e Pco ? o que explica, em Espanhol, o apelido Paco.
Ao citarem os santos, os copistas os identificavam por algum detalhe significativo de suas vidas. O nome de S. José, por exemplo, aparecia seguido de Jesus Christi Pater Putativus, ou seja, o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde, os copistas passaram a adoptar a abreviatura JHS PP, e depois simplesmente PP. A pronúncia dessas letras em sequência explica por que José, em Espanhol, tem o apelido de Pepe.
Já para substituir a palavra latina et (e), eles criaram um símbolo que resulta do entrelaçamento dessas duas letras: o &, popularmente conhecido como e comercial, em Português, e ampersand, em Inglês, junção de and (e, em Inglês), per se (por si, em Latim) e and.
E foi com esse mesmo recurso de entrelaçamento de letras que os copistas criaram o símbolo @, para substituir a preposição latina ad, que tinha, entre outros, o sentido de casa de.
Foram-se os copistas, veio à imprensa - mas os símbolos @ e & continuaram firmes nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades da mercadoria e o preço. Por exemplo: o registo contabilistico 10@£3 significava 10 unidades ao preço de 3 libras cada uma. Nessa época, o símbolo @ significava, em Inglês, at (a ou em).
No século XIX, na Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a indústria procuravam imitar as práticas comerciais e contabilísticas dos Ingleses. E, como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses davam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo devia ser uma unidade de peso. Para isso contribuíram duas coincidências:
1 - a unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cujo inicial lembra a forma do símbolo;
2 - os carregamentos desembarcados vinham frequentemente em fardos de uma arroba. Por isso, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registo de 10@£3 assim: dez arrobas custando 3 libras cada uma. Então, o símbolo @ passou a ser usado por eles para designar a arroba.
O termo arroba vem da palavra árabe ar-ruba, que significa a quarta parte: uma arroba ( 15 kg , em números redondos) correspondia a 1/4 de outra medida de origem árabe, o quintar, que originou o vocábulo português quintal, medida de peso que equivale a 58,75 kg .
As máquinas de escrever, que começaram a ser comercializadas na sua forma definitiva há dois séculos, mais precisamente em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais datilografados), trouxeram no teclado o símbolo @, mantido no do seu sucessor - o computador.
Então, em 1972, ao criar o programa de correio electrónico (e-mail), RoyTomlinson usou o símbolo @ (at), disponível no teclado dessa máquina, entre o nome do usuário e o nome do provedor. E foi assim que Fulano@Provedor X ficou a significar Fulano no provedor X.
Na maioria dos idiomas, o símbolo @ recebeu o nome de alguma coisa parecida com a sua forma: em Italiano, chiocciola (caracol); em Sueco, snabel (tromba de elefante); em Holandês, apestaart (rabo de macaco). Em alguns, tem o nome de certo doce de forma circular: shtrudel, em iídisch;
strudel, em alemão; pretzel, em vários outros idiomas europeus. No nosso, manteve sua denominação original: arroba. 

 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Talvez seja bom ouvi-los

Um dia destes, talvez tenha um bocadinho mais de tempo para dedicar uns minutos ao problema de um juiz espanhol que decidiu abrir o armário dos esqueletos do franquismo. Por ora, fico-me com este impressionante vídeo de Pedro Almodóvar
Suponho que dispensa outras conclusões além desta: talvez seja bom ouvi-los: "até quando?"
.