Um problema prático de jornalismo ao qual já me referi, aqui, algures: a "retranca" da notícia que assume uma posição. É o caso da famosa "ajuda externa", consubstanciada no empréstimo que o FMI, o BCE e a CE concederam a Portugal. Para uns - o Governo, a maioria parlamentar alargada, o Presidente da República... - será essa tal "ajuda externa"; para outros é um "pacto de agressão". Não será suficiente um extremar tão significativo de posições sobre o mesmo assunto para que os jornalistas passem a pesar melhor a expressão a usar de forma imparcial?
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
A desculpa do medo
Na semana em que assinalaram 25 anos da morte de Zeca Afonso, ouvi demasiadas vezes a desculpa do medo - para não agir, para não ser solidário, para não esboçar o mais pequeno protesto.
E, a terminar, ouvi a desculpa de que o melhor "é não ser sindicalizado para não desagradar à empresa". Assim mesmo...
O que lhes vale é que há ainda quem não tenha medo!
E, a terminar, ouvi a desculpa de que o melhor "é não ser sindicalizado para não desagradar à empresa". Assim mesmo...
O que lhes vale é que há ainda quem não tenha medo!
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O problema da crise à mesa da Impresa
Ao precipitar-se a tentar resolver um problema de tributação dos subsídios de refeição, o Grupo Impresa, do Dr. Balsemão, criou um problema interessante. Já sei que não é o problema mais grave do sector, e muito menos do país. Mas diz muito mais do que parece. Vamos ver como se resolve...
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Despedimentos na TSF
A Direcção do Sindicato dos Jornalistas repudiou hoje o processo de abordagem selectiva a jornalistas e outros trabalhadores na TSF, com vista ao seu despedimento sob a forma de rescisões ditas amigáveis. Em comunicado, o SJ apela à unidade e à resistência dos profissionais e alerta para o risco de degradação da qualidade do serviço da rádio com a redução de pessoal.
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
É Carnaval
Bom dia!
Estamos a 21 de Fevereiro de 2012, Terça-feira de Carnaval, dia feriado para a maior parte do sector privado, de acordo com o Código do Trabalho, que o consagra como feriado facultativo, e com os instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho, que o tornam obrigatório, como bem recorda o Sindicato dos Jornalistas numa nota que se supunha desnecessária. Obrigatório! - perceberam?!
Gozem muito, se fazem favor.
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domingo, 19 de fevereiro de 2012
"A Casa da Mãe Joana", pois...
Há apenas um dia, ontem mesmo, ofereci aqui alvíssaras por informações sobre a origem de um interessantíssimo texto sobre a origem do at inglês, ou do "nosso" arroba, modernamente utilizado nos endereços de correio electrónico.
Ora, não tendo obtido resposta satisfatória a esta e a outras diligências, e tendo-me certa resposta cheirado a fraude, lá fiz o que tinha a fazer e que, por preguiça, não fizera: introduzir as expressões-chave "origem de @ arroba at" num simples motor de busca. De pronto me saiu esta "resposta", que mais não é - suponho - do que a versão original do texto que me fizeram chegar e que remete, de forma cristalina e honesta para uma citação do livro "A Casa da Mãe Joana", de Reinaldo Pimenta.
Um dia, talvez partilhe aqui uma reflexão sobre a honestidade intelectual que este caso me suscitou...
PS: Escuso de dizer que já não devo recompensa a ninguém, certo?
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sábado, 18 de fevereiro de 2012
Alvissaras pela fonte deste texto
De pessoa amiga, cujo endereço rasurei, recebi um interessante texto sobre a origem do at inglês e do nosso arroba - o caracter @ usado nos endereços electrónicos entre o nome do utilizador e a designação do fornecedor do serviço ou entidade. Mas gostaria muito de conhecer a origem, a fonte, o autor. Alguém pode ajudar?
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: xxxxxxxxxxxxx@hotmail.com>
Data: 18 de Fevereiro de 2012 11:20
Assunto: FW: Entre os símbolos, temos @ !
Para:
Durante a Idade Média os livros eram escritos pelos copistas, à mão.
De: xxxxxxxxxxxxx@hotmail.com>
Data: 18 de Fevereiro de 2012 11:20
Assunto: FW: Entre os símbolos, temos @ !
Para:
Durante a Idade Média os livros eram escritos pelos copistas, à mão.
Precursores dos taquígrafos, os copistas simplificavam o seu trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais rápido (tempo não faltava naquela época). O motivo era de ordem económica: tinta e papel eram valiosíssimos.
Assim, surgiu o til (~), para substituir o m ou n que nasalizava a vogal anterior. Se reparar bem, você verá que o til é um enezinho sobre a letra.
O nome espanhol Francisco, também grafado Phrancisco, foi abreviado para Phco e Pco ? o que explica, em Espanhol, o apelido Paco.
Ao citarem os santos, os copistas os identificavam por algum detalhe significativo de suas vidas. O nome de S. José, por exemplo, aparecia seguido de Jesus Christi Pater Putativus, ou seja, o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde, os copistas passaram a adoptar a abreviatura JHS PP, e depois simplesmente PP. A pronúncia dessas letras em sequência explica por que José, em Espanhol, tem o apelido de Pepe.
Já para substituir a palavra latina et (e), eles criaram um símbolo que resulta do entrelaçamento dessas duas letras: o &, popularmente conhecido como e comercial, em Português, e ampersand, em Inglês, junção de and (e, em Inglês), per se (por si, em Latim) e and.
E foi com esse mesmo recurso de entrelaçamento de letras que os copistas criaram o símbolo @, para substituir a preposição latina ad, que tinha, entre outros, o sentido de casa de.
Foram-se os copistas, veio à imprensa - mas os símbolos @ e & continuaram firmes nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades da mercadoria e o preço. Por exemplo: o registo contabilistico 10@£3 significava 10 unidades ao preço de 3 libras cada uma. Nessa época, o símbolo @ significava, em Inglês, at (a ou em).
No século XIX, na Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a indústria procuravam imitar as práticas comerciais e contabilísticas dos Ingleses. E, como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses davam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo devia ser uma unidade de peso. Para isso contribuíram duas coincidências:
1 - a unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cujo inicial lembra a forma do símbolo;
2 - os carregamentos desembarcados vinham frequentemente em fardos de uma arroba. Por isso, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registo de 10@£3 assim: dez arrobas custando 3 libras cada uma. Então, o símbolo @ passou a ser usado por eles para designar a arroba.
O termo arroba vem da palavra árabe ar-ruba, que significa a quarta parte: uma arroba ( 15 kg , em números redondos) correspondia a 1/4 de outra medida de origem árabe, o quintar, que originou o vocábulo português quintal, medida de peso que equivale a 58,75 kg .
As máquinas de escrever, que começaram a ser comercializadas na sua forma definitiva há dois séculos, mais precisamente em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais datilografados), trouxeram no teclado o símbolo @, mantido no do seu sucessor - o computador.
Então, em 1972, ao criar o programa de correio electrónico (e-mail), RoyTomlinson usou o símbolo @ (at), disponível no teclado dessa máquina, entre o nome do usuário e o nome do provedor. E foi assim que Fulano@Provedor X ficou a significar Fulano no provedor X.
Na maioria dos idiomas, o símbolo @ recebeu o nome de alguma coisa parecida com a sua forma: em Italiano, chiocciola (caracol); em Sueco, snabel (tromba de elefante); em Holandês, apestaart (rabo de macaco). Em alguns, tem o nome de certo doce de forma circular: shtrudel, em iídisch;
strudel, em alemão; pretzel, em vários outros idiomas europeus. No nosso, manteve sua denominação original: arroba.
strudel, em alemão; pretzel, em vários outros idiomas europeus. No nosso, manteve sua denominação original: arroba.
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Talvez seja bom ouvi-los
Um dia destes, talvez tenha um bocadinho mais de tempo para dedicar uns minutos ao problema de um juiz espanhol que decidiu abrir o armário dos esqueletos do franquismo. Por ora, fico-me com este impressionante vídeo de Pedro Almodóvar
Suponho que dispensa outras conclusões além desta: talvez seja bom ouvi-los: "até quando?".
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Problemas da distribuição de dividendos da Lusa
Um desentendimento entre o accionista Estado e os accionistas privados Controlinveste, Impresa e NP na Agência Lusa relativamente à distribuição de dividendos da empresa levanta várias questões muito importantes, como o Sindicato dos Jornalistas demonstra hoje em comunicado.
A primeira questão é a da legitimidade da distribuição de lucros quando os trabalhadores estão a ser desapossados de parte das suas retribuições e têm as suas carreiras congeladas. A segunda é do risco de descapitalização da empresa. A terceira é mais uma ameaça a postos de trabalho. Há outras. E a ordem é quase arbitrária. Vale a pena ler o comunicado na íntegra, já a seguir:
SJ preocupado com situação na Agência Lusa
1. Tendo tomado conhecimento do comunicado da Comissão de Trabalhadores relativo à sua reunião com o presidente da Administração da Agência Lusa, a Direcção do Sindicato dos Jornalistas manifesta-se preocupada com a ameaça de nova vaga de despedimentos e a previsão de distribuição de dividendos quando, mais uma vez, os trabalhadores vêem cortadas as suas retribuições.2. De acordo com o comunicado da CT, o presidente do Conselho de Administração recusou-se fornecer-lhe cópia do chamado "plano de avaliação e sustentabilidade" da Lusa por si elaborado e já entregue ao ministro dos Assuntos Parlamentares, alegando que tal documento não fora homologado pelos restantes membros da Administração.3. A Direcção do SJ considera que, além de o acesso à informação das empresas corresponder a um direito fundamental das comissões de trabalhadores, na situação presente, de contínuo sacrifício dos trabalhadores da Lusa e face à previsão que a própria Administração faz de que será necessário proceder a uma nova redução do número de trabalhadores, é absolutamente exigível que seja prestada informação cabal aos seus representantes.4. A CT dá também conta da existência de uma divergência, entre os accionistas, quanto à decisão de distribuição de dividendos do exercício de 2011, defendida pelos accionistas privados – a Controlinveste, a Impresa e a NP – contra a oposição do presidente da Administração e do Governo, bem como da Comissão de Trabalhadores, por poder pôr em perigo as condições da empresa.5. Solidário com a CT e com os jornalistas e outros trabalhadores, o Sindicato dos Jornalistas acompanha-os na oposição e na resistência firme a qualquer distribuição de dividendos, quando os trabalhadores continuam a ser vítimas de um roubo aos salários e outras remunerações e do impedimento à sua progressão.6. Nem os trabalhadores nem os portugueses podem compreender a distribuição de lucros, tendo o Governo determinado, a pretexto da crise, cortes salariais e no trabalho suplementar, congelamento de carreiras e apropriação dos subsídios de férias e de Natal de 2012 e 2013 dos trabalhadores de empresas do sector público ou com participações de capitais públicos, como é a Lusa.7. Assim como não se pode aceitar que o futuro de um número indeterminado de postos de trabalho esteja pendente da consumação ou não da decisão de distribuir dividendos, precisamente porque a Lusa necessita de estar dotada de um corpo de profissionais com capacidade para satisfazer as suas obrigações perante os clientes e os cidadãos, e porque uma nova redução de pessoal poderá pô-la em risco.8. O SJ entende, porém, que não são conciliáveis as posições entre o accionista Estado e os accionistas privados, quando o primeiro pretende uma redução de 15% nos custos com o contrato-programa com a Agência Lusa para compensar as suas obrigações de serviço público, e os segundos reclamam a distribuição de dividendos sobre os resultados líquidos da empresa, curiosamente em montante equivalente à redução de encargos exigida pelo Governo.9. O Sindicato considera absolutamente indispensável um entendimento que acautele os postos de trabalho, a qualidade do serviço da agência e, sobretudo, não descapitalize a empresa para o futuro e para as obrigações que terá de satisfazer.10. A propósito, com a legitimidade de ser o autor de uma acção colectiva no Tribunal de Trabalho de Lisboa, contra a aplicação das normas das leis do Orçamento de Estado de 2011 e 2012 que impõem os cortes salariais e o congelamento de carreiras aos trabalhadores da Lusa (e também da RTP, noutra acção), o SJ alerta a empresa para o dever de dotar-se de recursos financeiros que permitam devolver aos jornalistas as retribuições que lhes estão a ser subtraídas se, como se espera, a decisão do tribunal for favorável.11. Nesta conformidade, a Direcção do SJ reafirma a sua solidariedade para com os jornalistas e outros trabalhadores da Lusa, bem como a sua disponibilidade para cooperar com a Comissão de Trabalhadores e com os restantes sindicatos na empresa, ao mesmo tempo que apela ao Governo e aos accionistas privados para que procurem uma plataforma de entendimento que acautele a qualidade do serviço da agência e a sua viabilidade no futuro.
Lisboa, 27 de Janeiro de 2012A Direcção
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Despedimentos no "Sol"
A onda de despedimentos na comunicação social atingiu agora o semanário "Sol", detido por um grupo cujos donos não se consegue identificar em toda a sua extensão mas que têm sido associados a capitais angolanos e andam para aí a comprar importantes órgãos de informação.
Eis o que escreveu hoje o Sindicato dos Jornalistas:
SJ repudia despedimentos no "Sol" 1. Jornalistas e outros trabalhadores ao serviço do semanário "Sol" começaram a ser chamados esta semana para rescisões ditas amigáveis dos seus contratos de trabalho, em mais um processo que o Sindicato dos Jornalistas repudia, por atingir a dignidade pessoal e profissional dos profissionais seleccionados. 2. Trata-se de um caso muito preocupante, por o conjunto de jornalistas já abordado ter um peso significativo numa redacção de dimensão reduzida, por envolver profissionais que muito têm dado ao jornal e, nalguns casos, serem de recrutamento mais ou menos recente noutros órgãos de informação. 3. Em segundo lugar, o semanário "Sol" é controlado por uma sociedade (Newshold) da qual se desconhece o verdadeiro dono, embora as notícias o vão "associando" a capitais angolanos, mas que está a investir no sector em Portugal, ocupando já uma posição significativa (15%) no Grupo Cofina, detentor, por sua vez, do "Correio da Manhã", que é o diário de maior tiragem, do desportivo "Record" e da revista "Sábado", entre outras publicações. 4. Assim, não se pode aceitar que, a pretexto da crise empresas de comunicação social como a do semanário "Sol" optem pela solução mais fácil do despedimento quando se inserem em importantes grupos económicos. 5. Ao sublinhar estes três aspectos, a Direcção do Sindicato dos Jornalistas desafia a Administração do "Sol" a aceitar a discussão das condições da empresa, bem como as do grupo económico no qual se integra, para manter a publicação do jornal sem prejudicar os postos de trabalho e sem atingir a dignidade pessoal e profissional das pessoas ao seu serviço. 6. A Direcção do SJ manifesta a sua solidariedade para com os jornalistas agora atingidos e para com a Redacção do "Sol", apelando aos jornalistas para que se unam em torno do seu Sindicato a fim de tornar mais eficaz o combate por dois objectivos fundamentais: a preservação do jornal e a manutenção dos postos de trabalho. Lisboa, 26 de Janeiro de 2012 A Direcção . |
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Despedimentos no "Diário Económico"
O Sindicato dos Jornalistas denunciou hoje a forma como o "Diário Económico", do Grupo Ongoing, está a tentar despedir jornalistas e outros trabalhadores, atingindo a dignidade pessoal e profissional dos abordados com o eufemisticamente designado "convite a rescindir o contrato" e fazendo o jornal incorrer no risco de perda de qualidade e de... leitores e publicidade.
Em comunicado, a Direcção do SJ recorda que o jornal se integra num grupo económico em expansão e sublinha que os grupos económicos devem conferir uma dimensão social às sinergias e não limitar-se a potenciar os lucros.
Vale a pena ler o comunicado na íntegra, que é do seguinte teor:
SJ repudia despedimentos no “Diário Económico”
1. Jornalistas e outros trabalhadores ao serviço do “Diário Económico” têm vindo a ser abordados selectivamente, com vista ao seu despedimento através de propostas de rescisão dos contratos de trabalho ditas de mútuo acordo, num método que o Sindicato dos Jornalistas repudia liminarmente.
2. Ao contrário do que seria aceitável – ainda que com o risco, que o SJ vem apontando, de erosão do capital de memória e de experiência das redacções –, a empresa, do grupo Ongoing, não se limitou a abrir um processo de redução de trabalhadores através de adesões voluntárias, isto é, por iniciativa dos interessados.
3. De facto, um significativo número de profissionais tem sido contactado directamente pelo director da publicação com o objectivo de lhe propor a rescisão dos contratos de trabalho.
4. Trata-se de um método ofensivo para a dignidade dos trabalhadores atingidos por esta fórmula, que as empresas insistem em tentar dourar sob o eufemismo “convite de rescisão”, que os trabalhadores não são obrigados a aceitar e merece veemente repúdio.
5. Trata-se também de uma operação de risco muito elevado para o futuro da própria publicação, pois a redução da Redacção e o confinamento defensivo ao “core” do jornal (secções de Economia, Finanças e Empresas) pode diminuir a sua qualidade e fechar o leque de interesses dos leitores, com reflexos nas vendas e na publicidade.
6. Também não se pode aceitar que, a pretexto da crise e da quebra do investimento publicitário, empresas de comunicação social como a do “Diário Económico” optem pela solução mais fácil do despedimento quando se inserem em importantes grupos económicos, como é o caso do Grupo Ongoing.
7. Tais grupos devem servir de suporte financeiro às actividades em eventuais dificuldades ou para integrar trabalhadores em postos de trabalho compatíveis com a sua categoria e a sua função, antes de recorrerem a tomadas de decisão inconsideradas como esta. A inclusão num grupo económico, mais do que servir os propósitos de obtenção de lucro, deve também permitir a afectação das suas sinergias na promoção do trabalho e do respeito pelos seus trabalhadores.
8. Embora de grande importância no mercado editorial, o DE é apenas uma parte muito pequena no universo vasto da Ongoing, que possui importantes participações sociais e, inclusivamente, está num processo de expansão transatlântico, nomeadamente na América do Sul, em África e na China.
9. O Sindicato dos Jornalistas, que tem vindo a acompanhar a situação no DE, está convicto de que, mesmo nas situações de crise, é possível encontrar soluções alternativas que acautelem a defesa dos postos de trabalho, que são necessários ao futuro das próprias empresas.
10. Assim, a Direcção do SJ apela aos jornalistas ao serviço do DE, para que se unam em torno da sua organização sindical para garantir aqueles objectivos, reclamando da empresa a discussão da sua situação com os trabalhadores e a negociação de soluções que não sacrifiquem postos de trabalho.
Lisboa, 25 de Janeiro de 2012
A Direcção
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Luta sem tréguas ao acordo de concertação social
Um comunicado importante:
SJ repudia "acordo" de ataque aos trabalhadores
1. Tendo analisado o "Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego", subscrito pelo Governo, pelas confederações patronais e pela União Geral de Trabalhadores (UGT), a Direcção do Sindicato dos Jornalistas considera que o chamado acordo de concertação social, a ser cumprido na sua componente laboral, representa um processo de inadmissível retrocesso na protecção do direito ao trabalho digno e com direitos, na protecção do emprego e no desemprego, um recuo histórico na negociação colectiva e confisco ilegítimo da própria liberdade negocial entre sindicatos e associações patronais.
2. De facto, em matéria de organização do tempo de trabalho, os "compromissos" fragilizam ainda mais a posição do trabalhador, isolando-o e forçando-o, na prática, a ceder mais duas horas de trabalho por dia, no regime de banco de horas a implementar directamente entre o empregador e o trabalhador, como se ambos tivessem realmente o mesmo poder negocial. Por outro lado, ao reduzir os valores devidos pelo trabalho suplementar (inclusivamente no dia de descanso complementar e em feriados) e ao eliminar o descanso compensatório devido por esse trabalho, a lei estará a diminuir gravemente o direito ao descanso e à justa compensação do trabalho. O texto prevê a substituição da remuneração por um dia de descanso compensatório, que actualmente acumula com a remuneração a 100%.
3. Embora não se aplique à generalidade dos jornalistas a faculdade que o "acordo" quer dar às empresas de dispor do tempo dos trabalhadores na determinação das pontes em prejuízo de dias de férias, o SJ não pode deixar de manifestar o seu repúdio por tal medida, violadora da esfera da autonomia do trabalhador na organização do seu tempo livre e da sua vida familiar.
4. A este facto, acresce a dispensa de comunicação do horário de trabalho, do acordo do regime de isenção de horário e mesmo dos regulamentos internos, dificultando que a Autoridade para as Condições de Trabalho faça a verificação desse tipo de situações.
5. Como se não bastasse, o chamado "acordo de concertação", numa inaceitável farsa de conciliação de classes, abre o caminho para a decisão legislativa cada vez mais brutal, facilitando os despedimentos e atingindo de morte o direito ao trabalho, pois concede todo o poder arbitrário ao empregador para seleccionar, sem critério previamente estabelecido, postos de trabalho a extinguir, eximindo-o da obrigação de colocar o trabalhador em posto compatível.
6. Tal brutalidade vai ao ponto da profunda desumanidade ao facilitar ainda mais o despedimento por inadaptação ao posto de trabalho, eliminando, também aqui a obrigação de colocação do trabalhador em posto compatível, e ampliando de forma praticamente irrestrita o próprio conceito de inadaptação, introduzindo critérios como a redução continuada de produtividade e de qualidade, avarias nos meios, etc., e concedendo um curtíssimo prazo de 30 dias para que o trabalhador "modifique" a sua prestação. Trata-se de uma ofensa muito grave à dignidade pessoal e profissional do trabalhador, que não valoriza nem sequer reconhece o seu passado na empresa e não tem em conta as responsabilidades do próprio empregador na organização do trabalho e na formação profissional continuada. Por outro lado, o documento facilita a redução de actividade ou suspensão de contratos de trabalho, em situações de crise empresarial e dispensa o acordo dos trabalhadores ou seus representantes para as respectivas prorrogações.
7. Por outro lado, ao estender estas alterações de forma imperativa aos instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho, a lei estará também a cercear a liberdade que sindicatos e associações patronais devem ter para negociar as suas específicas condições de trabalho, impondo-lhes regras que não desejaram ou decidiram. Esta imposição resulta, assim, numa inversão inaceitável da própria natureza dualista e negocial daqueles instrumentos e numa perturbação da estabilidade das relações colectivas que urge afastar.
8. A revisão do regime das compensações pela cessação do contrato do trabalho, com a brutal diminuição de garantias e valores, assim como a redução dos períodos de concessão dos subsídios de desemprego e dos respectivos valores, são o corolário lógico na lógica de ataque do Governo e do patronato aos direitos dos trabalhadores, agravando de forma muito severa a já escassa protecção social. Trata-se de um problema aliás muito sério no sector da Comunicação Social, que tem sido profundamente atingido por medidas de reestruturação das empresas, com sacrifício dos postos de trabalho de centenas de jornalistas e de outros trabalhadores.
9. O "acordo" abre ainda caminho a que a revisão do Código do Trabalho inclua a faculdade de os instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho considerarem as funções de chefia no âmbito da comissão de serviço. O Sindicato dos Jornalistas discorda absolutamente desta possibilidade, que fragiliza a posição dos trabalhadores nestas funções, pelo que se baterá contra ela, tanto no decurso do processo legislativo como na negociação colectiva.
10. A serem aprovadas – e o SJ procurará contribuir activamente para que não o sejam –, tais normas reconduzirão os trabalhadores à condição de servos mais baratos e permanentemente disponíveis para o patrão em vez de promoverem uma cultura de organização planeada e eficiente do trabalho e de estimularem o empenhamento genuíno no objectivo da qualificação e da produtividade.
11. Nesta conformidade, o Sindicato dos Jornalistas, organização independente e não filiada nas centrais sindicais, lutará por todos os meios contra o pacote legislativo iníquo que o Governo apresentará à Assembleia da República com a cobertura do "Acordo", intervindo em todas as frentes possíveis, e apela desde já aos jornalistas para que se unam em torno da sua organização, reforçando-a, no combate aos novos ataques aos seus direitos e garantias.
Lisboa, 19.01.12
A Direcção do SJ
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
SJ em defesa da "Focus"
O Sindicato dos Jornalistas contestou hoje a intenção da Impala de encerrar a revista "Focus" e despedir quase duas dezenas de jornalistas e outros trabalhadores, apelando à administração para que encete um verdadeiro processo de negociação de alternativas que mantenham a publicação e os postos de trabalho.
O comunicado é do seguinte teor:
SJ contra encerramento da “Focus”
1. O Sindicato dos Jornalistas está a acompanhar a situação na revista “Focus”, que a Impala decidiu encerrar e em relação à qual tenciona encetar um processo de despedimento colectivo, que poderá abranger uma dezena de jornalistas e oito outros trabalhadores.
2. Manifestando a sua solidariedade para com os profissionais atingidos pelas medidas anunciadas pela Empresa, o SJ reafirma a sua determinação em defender os direitos e interesses dos jornalistas, especialmente o direito ao trabalho.
3. Além da defesa dos postos de trabalho, o SJ considera essencial que as empresas de comunicação social preservem o mais possível as publicações, contribuindo para a manutenção e mesmo alargamento da diversidade da oferta informativa, fundamental à defesa do pluralismo.
4. Nesta conformidade, o SJ apela à Impala para que encete um verdadeiro processo de negociação, com o objectivo de manter a publicação da revista “Focus” e os postos de trabalho agora ameaçados, renunciado à solução mais fácil do encerramento e do despedimento.
5. Além do apoio directo que está a prestar aos seus associados, o SJ está disponível, como sempre esteve, para cooperar na negociação de condições que visem viabilizar a manutenção das publicações e dos postos de trabalho.
6. O SJ reafirma igualmente a sua convicção de que, mesmo num caso extremo de encerramento, um grupo como a Impala pode e deve recolocar os trabalhadores afectados nas suas restantes publicações.
7. A Direcção do SJ apela à unidade dos jornalistas ao serviço da Impala em torno do seu Sindicato, a fim de que aqueles objectivos possam ser mais facilmente atingidos.
Lisboa, 13 de Janeiro de 2012
A Direcção
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Confirma-se: o capital é para proteger
Como se esperava, a maioria parlamentar chumbou os projectos de lei do PCP e do BE para reforçar a tributação fiscal e repor a equidade das empresas que deslocalizem capitais para paraísos fiscais ou países fiscalmente mais favoráveis.
Confirma-se que o capital é mesmo para proteger, mesmo continuando a desproteger cada vez mais os do costume.
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
A pretexto das "Urgências low cost"
Ao longo dos anos, tive de frequentar serviços de urgência hospitalar - públicos na maior parte das vezes, privados nalguns (poucos) casos - , fosse por mim, fosse por familiares e outras pessoas das minhas relações.
Embora possa fazer um ou outro reparo, que não vêm nada ao caso, posso assegurar que sempre fui muito bem atendido nas urgências dos hospitais públicos, assim como foram bem atendidas as pessoas da minha família e das minhas relações que tiveram de recorrer a elas.
No dia em que se instala a discussão sobre o lançamento da ideia de urgências low cost por um grupo privado de Saúde, devo prestar homenagem ao mérito, ao esforço e à qualidade dos serviços públicos - do serviço Nacional de Saúde.
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
A simulação trapalhona de concertação
É público e notório: o ministro Álvaro tem filada a imposição da meia hora de trabalho diário aos trabalhadores e está a simular uma negociação na Concertação Social que toda a gente sabe que não existe. Mas a simulação é tão trapalhona, tão trapalhona, que o ministro se esqueceu de simular que negociava com a CGTP.
Se não fosse o Manuel Carvalho da Silva a lembrar tal esquecimento (declarações esta manhã à TSF), o ministro Álvaro nem se lembraria de telefonar à pressa ao secretário-geral da Intersindical, para que lá se marcasse o ponto da Concertação. Em vão. Seguramente que nem o próprio ministro acredita no simulacro de negociação que forçou...
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Uma pergunta simples
A reportagem do "Público" do passado dia 5, se não erro, sobre a decoração agressiva do corredor de acesso ao balneário da equipa visitante no Estádio de José de Alvalade foi um importante serviço à decência nos espaços desportivos.
A fazer fé nas notícias das últimas horas, a UEFA pediu ao Sporting de Portugal que remova ou tape as imagens nas quais aparecem adeptos em posições e atitudes provocatórias, hostis, agressivas e nazis-fascistas.
A ambiguidade da posição da UEFA, a menos que não esteja adequadamente vertida nas notícias, parece deixar um bocadinho a desejar. Face ao teor e à gravidade das imagens reveladas, "pedir" soa um pouco pusilânime. Não seria mais adequado um verbo um pouco mais, digamos, "assertivo", do tipo determinar, para não dizer mais "musculado", do tipo exigir?
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Uma solidariedade e um apelo
A Direcção do Sindicato dos Jornalistas repudiou hoje a discriminação ilegal e inaceitável de jornalistas ao serviço do "Público", impedindo-os de cobrir o jogo de sábado passado entre o Sporting Clube de Portugal e o Futebol Clube do Porto.
Em comunicado, o SJ, além de manifestar a sua solidariedade para com os jornalistas e o "Público", renova o habitual e muito importante apelo à unidade entre os jornalistas e, sobretudo, as direcções dos órgãos de informação, para que combatam a discriminação.
Há quem critique este recorrente e inútil apelo. Mas haverá um dia em que será ouvido. Tenho a certeza.
SJ repudia violação da lei pelo Sporting
- A Direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) tomou conhecimento de que o Sporting Clube de Portugal impediu o acesso dos jornalistas destacados pelo jornal “Público” para a cobertura do jogo do passado sábado.
- De acordo com a nota da Direcção do “Público” emitida pelo jornal, o argumento invocado para impedir o acesso dos jornalistas foi a alegada falta de pedido de credencial, pedido este que o “Público” sustenta ter feito logo o início da semana.
- Congratulando-se com o anúncio, pela Direcção do “Público”, de que “accionará todos os meios ao seu dispor para repor a legalidade”, a Direcção do SJ repudia o comportamento inaceitável e ilegal do Sporting e manifesta a sua solidariedade para com os jornalistas e o jornal, discriminados no acesso à informação e impedidos de cumprir adequadamente a sua missão.
- Face à gravidade da conduta do clube e sem prejuízo das iniciativas do “Público”, a Direcção do SJ vai solicitar a intervenção nomeadamente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, no âmbito das respectivas competências.
- Finalmente, a Direcção do SJ recorda a necessidade de atitudes de firmeza, de solidariedade e de unidade de todos os jornalistas no terreno e, especialmente, das direcções dos órgãos de informação, no sentido de combaterem concertada e activamente actos de discriminação no acesso à informação.
Lisboa, 9 de Janeiro de 2012
A Direcção
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sábado, 7 de janeiro de 2012
O programa do Óscar
O novo Provedor do Leitor do "Diário de Notícias", Oscar Mascarenhas, apresentou-se hoje aos leitores e aos jornalistas, na primeira pessoa, em discurso directo e sem mediação, com uma primeira coluna que não podia deixar de ser o seu Programa.
Confirma o que previ que iria acontecer: elevou bem alto a fasquia do seu mandato. Sei que, por ele, vai conseguir. Boa sorte, Óscar!
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Jornalismo
Assumam-se!
Um dos aspectos interessantes que tem esta polémica acerca da ligação entre políticos e a Maçonaria é o resultado prático da exortação de António Arnaut a que os membros desta assumam essa opção. Se for levada à letra, muitas coisas ficarão mais claras e a Democracia tornar-se-á mais respirável.
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Sobre a banalização da intolerância
A cena passa-se em Lisboa, mas poderia ocorrer, como ocorre seguramente noutras cidades, apenas com a diferença de toponímia e de um ou outro detalhe de significado irrelevante.
Conta-se num fósforo: são cerca de 17h30 e o trânsito flui sem constrangimentos; de repente, um automobilista que sobe a Rua do Alecrim estaca e buzina furiosamente, atrás de um taxi inclinado no cruzamento em direcção ao Largo do Chiado, que parara para deixar passar um ou dois peões que tinham aberto o respectivo "semáforo" verde.
O caso, talvez banal, evidencia a crescente e muito preocupante banalização da intolerância e o alastramento desta patologia que torna os outros insuportáveis só por se atravessarem no nosso caminho, por nos causarem este ou aquele embaraço, por respirarem o nosso ar.
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Parabéns ao DN pelo novo Provedor
Parabéns ao "Diário de Notícias": escolheu o melhor de entre os melhores para Provedor dos leitores; e escolheu quem pensa nos cidadãos antes de pensar nos leitores/consumidores, quem pensa no Jornalismo e nos deveres dos jornalistas antes de pensar na bolsa do patrão e na barriga dos jornalistas, quem preza a liberdade, a lealdade, a camaradagem e a cidadania acima de qualquer obediência e rejeita qualquer embuste ou compromisso obscuro; escolheu quem muito deu já e quem muito tem ainda para dar a uma profissão tão necessitada de revisitar os seus valores.
A escolha mostra que o Óscar Mascarenhas continua a fazer falta nas trincheiras do Jornalismo comprometido com a verdade que dói mas quer ser genuína e livre, que quer ser livre mas sujeita-se ao escrutínio amplo dos pares e dos cidadãos, que é corajoso para denunciar a injustiça e probo para reconhecer o erro e reparar a ofensa, que é firme na defesa dos seus valores e princípios e complacente com a fragilidade humana.
Declaração de interesses
Conheço o Óscar Mascarenhas há muitos anos. Integrei a lista para os órgãos do Sindicato dos Jornalistas que encabeçou para os corpos gerentes de 1987/88 e estivemos juntos - eu na Direcção, ele no Conselho Geral, no Conselho Deontológico e novamente no Conselho Geral - entre 1993 e 2008, tendo partilhando importantes e intensas lutas por valores e princípios que comungamos, podendo divergir nalguns aspectos em matéria de convicções. Admiro-o e estimo-o. Sei que dá sempre o melhor da sua generosidade e da sua inteligência.
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Escrita Clara
O Júlio Roldão está ensaiando um blogue. Apresenta-se com um título inequívoco e fino como a ironia alegre que o caracteriza: Escrita Clara. E seguramente que há-de brindar-nos, no espaço público, com o sarcasmo sem rancor com o qual tem posto a pensar muitos dos que, como eu, têm o gosto e o proveito de conhecê-lo.
A frequentar, com recomendação entusiasmada nas Outras Naves.
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terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Alvíssaras por um rasgo patriótico
Alvíssaras a quem me apontar um ministro ou um secretário de Estado - militante ou da confiança do PSD ou do CDS -, ou um deputado da maioria, ou um dirigente de qualquer um dos partidos, ou um militante de base que, imbuído de espírito patriótico, tenha protestado ao longo do dia de hoje contra a deslocalização do patrão da Jerónimo Martins.
Alvíssaras a quem me apontar um ministro ou um secretário de Estado - militante ou da confiança do PSD ou do CDS - ou um deputado da maioria que, movido por um impulso reformador, tenha prometido uma lei que impeça a migração do domicílio fiscal dos donos do capital, subtraindo à Fazenda Nacional a receita que todos - contribuintes singulares e contribuintes colectivos - têm o dever de assegurar.
Alvíssaras ainda a quem me demonstre que afinal as medidas de austeridade continuam a poupar, e como de costume, os que mais podem.
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Alvíssaras a quem me apontar um ministro ou um secretário de Estado - militante ou da confiança do PSD ou do CDS - ou um deputado da maioria que, movido por um impulso reformador, tenha prometido uma lei que impeça a migração do domicílio fiscal dos donos do capital, subtraindo à Fazenda Nacional a receita que todos - contribuintes singulares e contribuintes colectivos - têm o dever de assegurar.
Alvíssaras ainda a quem me demonstre que afinal as medidas de austeridade continuam a poupar, e como de costume, os que mais podem.
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Salários em atraso no "Jornal da Madeira"
A Direcção Regional da Madeira (DRM) do Sindicato dos Jornalistas (SJ) denunciou hoje que a Empresa do "Jornal da Madeira" ainda não pagou os salários do mês de Dezembro de 2011, a falta de explicações por parte da administração e a indisponibilidade do Governo Regional para o diálogo. A culpa é da crise e da falta de liquidez, veio depois o GR explicar. Um aviso preocupante.
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
De bagagens para a Holanda, com as armas em Portugal
Rezam as notícias das últimas horas do dia de hoje que o patrão da Jerónimo Martins se pisgou com a bagagem de dinheiro para a Holanda por causa das alterações às regras fiscais da pátria. Só não se mudou também com as armas (condições laborais, etc.), porque estas lhe fazem falta para encher os cofres sorrateiramente trasladados para um país onde as regras fiscais lhe doem menos.
O gesto é obsceno e justifica uma resposta do Governo, antes que a moda pegue de estaca e vamos todos pedir a domiciliação fiscal algures na Holanda. Ou os trabalhadores não podem?...
Assim como exige da dupla Merkel-Sarkozy e da trupe europeia que a segue uma resposta também à altura, impedindo tal malabarismo geográfico, assim como foram capazes de impor as suas políticas de esmagamento das economias nacionais e a dos trabalhadores, das famílias e dos desempregados através da violentação dos seus direitos e garantias.
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domingo, 1 de janeiro de 2012
Dia Mundial da Paz
Há um belíssimo poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, popularizado pelo refrão da interpretação de Francisco Fanhais, indelevelmente ligado ao dia 1 de Janeiro - o de 1969 - "Cantata da paz", composto especialmente para a histórica vigília com que um grupo de cristãos surpreendeu o então cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira, mal findou a missa da meia-noite na capela de S. Domingos, em Lisboa, e com a qual quiseram reflectir sobre o concreto significado da paz num país em guerra contra povos ilegitimamente colonizados e numa igreja portuguesa oficialmente comprometida com essa guerra. Pelo segundo ano, os cristãos progressistas celebravam o Dia Mundial da Paz, proclamado por Paulo VI, o papa comprometido com a emancipação dos povos.
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O melhor SMS de 2013
Até agora, o melhor SMS de ano novo que recebi foi este:
"Olhemos para 2013, que de 2012 já estamos entendidos. Mesmo assim, bom Ano Novo."
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"Olhemos para 2013, que de 2012 já estamos entendidos. Mesmo assim, bom Ano Novo."
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sábado, 31 de dezembro de 2011
Prognósticos para 2012

Cumprindo a tradição deste blogue e escapando à lógica da reprodução das previsões dos politólogos, analistas, comentadores e editorialistas para o ano que amanhã arriba, vejamos o que prognosticam os vetustos almanaques “O Seringador” (147.º ano de publicação) e “Borda D’Água” (84.º ano).
Do “Juízo do ano” de 2012 respiga-se de “O Seringador”:
"Quanto ao tempo, decorrerá por este teor: inverno áspero e violento, primavera temperada, estio abrasador e outono ventoso. Haverá abundância de trigo e cevada, bem como dos demais cereais; de vinho, azeite e mel será boa a colheita; não faltarão frutas; o mar dará peixe a potes, os gados, grandes e miúdos, proliferarão a esmo, o trabalho rareará cada vez mais devido à ganância sórdida dos grandes argentários: o comércio, a indústria e a agricultura continuarão a prosperar a olhos vistos; nascerão cada vez menos meninos e meninas, outros morrerão, e o mundo continuará a rolar, indiferente aos uivos de dor que se elevam deste mare magnum em que se afunda a pobre Humanidade."
Arengando com mais comedimento, o “Borda D'Água” escreve no seu “Juízo do ano”:
"A Primavera temperada antecede um Verão muito quente mas chegará por fim um Outono ventoso e um Inverno áspero para limpar a ingratidão da humanidade. Na agricultura teremos abundância de mantimentos: o trigo, a cevada e os outros cereais darão boa colheita; tal como o azeite, o vinho e o mel. As árvores de fruta serão aliadas da boa produção. O gado terá neste ano uma bênção muito especial."
.Se
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