sábado, 31 de dezembro de 2011

Prognósticos para 2012






Cumprindo a tradição deste blogue e escapando à lógica da reprodução das previsões dos politólogos, analistas, comentadores e editorialistas para o ano que amanhã arriba, vejamos o que prognosticam os vetustos almanaques “O Seringador” (147.º ano de publicação) e “Borda D’Água” (84.º ano).

Do “Juízo do ano” de 2012 respiga-se de “O Seringador”:
"Quanto ao tempo, decorrerá por este teor: inverno áspero e violento, primavera temperada, estio abrasador e outono ventoso. Haverá abundância de trigo e cevada, bem como dos demais cereais; de vinho, azeite e mel será boa a colheita; não faltarão frutas; o mar dará peixe a potes, os gados, grandes e miúdos, proliferarão a esmo, o trabalho rareará cada vez mais devido à ganância sórdida dos grandes argentários: o comércio, a indústria e a agricultura continuarão a prosperar a olhos vistos; nascerão cada vez menos meninos e meninas, outros morrerão, e o mundo continuará a rolar, indiferente aos uivos de dor que se elevam deste mare magnum em que se afunda a pobre Humanidade."
Arengando com mais comedimento, o “Borda D'Água” escreve no seu “Juízo do ano”:
"A Primavera temperada antecede um Verão muito quente mas chegará por fim um Outono ventoso e um Inverno áspero para limpar a ingratidão da humanidade. Na agricultura teremos abundância de mantimentos: o trigo, a cevada e os outros cereais darão boa colheita; tal como o azeite, o vinho e o mel. As árvores de fruta serão aliadas da boa produção. O gado terá neste ano uma bênção muito especial." 
.Se

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A vigília da Capela do Rato

Há 39 anos, a 30 de Dezembro de 1972, um grupo de destacados católicos e outros militantes contra a guerra colonial iniciou na Capela de Nossa Senhora da Bonança, conhecida como Capela do Rato, em Lisboa, uma vigília de 48 horas, de reflexão sobre a a guerra injusta - para os povos colonizados e para os jovens que, de um lado e de outro das linhas, pagavam o severo preço das suas vidas pela trágica teimosia colonial do regime fascista.
A jornada, que ficou conhecida como a Vigília da Capela do Rato e reuniu centenas de pessoas ao longo de dois dias de debates, foi violentamente interrompida pela polícia na noite de 31, fazendo inúmeros presos. Mas a repressão não conseguiu interromper o curso da História. Pelo contrário, aquela que é considerado a iniciativa mais emblemática dos católicos contra a guerra colonial representou uma contribuição muito importante para a Revolução que, pouco mais de dois anos depois, fez pôr fim ao fascismo e à guerra.
.  

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O regresso das ilhas e dos bairros de lata

A nova lei das rendas, aprovada hoje pelo Governo e que seguramente vai passar na Assembleia da República, é uma ameaça a milhares de famílias que deixarão de ter condições para manter as suas casas, face ao evidente risco de apresentação de "propostas" desproporcionadas pelos senhorios.
Trata-se de um novo novo problema, agravando as enormes dificuldades, e a já verificada impossibilidade em inúmeros casos, de acesso e manutenção da habitação que o aumento do custo de vida e o desemprego tem vindo a colocar a milhares de famílias que não conseguem pagar os empréstimos à habitação e as rendas altas a que muitas já estão sujeitas.
O resultado será o regresso em força das "ilhas" nas cidades e dos bairros de lata. Os responsáveis pelo ressurgimento desta chaga têm rostos. Convém não esquecê-los.
.

Alves Redol nasceu há 100 anos

Agenda.
Continua patente, até ao dia 11 de Março de 2012, no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, a exposição Alves Redol - Horizonte Revelado, integrada no vasto programa que a instituição tem vindo a dedicar às comemorações do centenário do seu nascimento, que se assinala hoje, com uma sessão evocativa da qual se destaca o lançamento da edição fac-similada do "Cancioneiro do Ribatejo".
Nascido em Vila Franca de Xira, em 29 de Dezembro de 1911, figura essencial do Neo-Realismo, de que é um dos iniciadores, António Alves Redol viveu comprometido com a causa do seu povo e por causa dela se comprometeu, sofrendo a perseguição e a prisão fascistas, mas colocando a literatura ao serviço da transformação.
(Actualizada às 11.31)
.
    

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

1,3 milhões de tele-excluídos

O "Jornal da Tarde" da RTP1 emitiu, hoje, uma importante reportagem sobre um facto muito preocupante: pelo menos 1,3 milhões de portugueses que vivem na zona raiana vão ficar privados dos quatro canais de televisão portugueses, devido ao fim das transmissões em sinal analógico e à migração definitiva para a televisão digital terrestre (TDT), cujo sinal não vai chegar-lhes, a não ser por satélite, isto é, implicando custos adicionais significativos para os cidadãos.
Na raia, e em particular no Minho, já brindada com a "compensação" de 40 canais em... espanhol (e galego) assegurada pela TDT do Estado vizinho, vai justa revolta e a RTP foi ouvir autarcas e populares de Merufe, concelho de Monção, sobre a exclusão desses portugueses do acesso a um direito universalmente garantido a todos os portugueses, em especial aos residentes no território nacional - continental e insular: o acesso às emissões dos canais portugueses de televisão, especialmente os canais de serviço público.
Na reportagem, foi ouvida também uma personagem, suponho que um dirigente da Anacom, de cuja boca consegui ouvir esta coisa espantosa (cito de memória): não há qualquer obrigação, nem em Portugal nem em nenhum país do mundo com TDT, de assegurar a cobertura dos 100% da população e que os 87% garantidos são perfeitamente normais.
Esta fria maneira de dizer que 13% dos portugueses ficam excluídos do acesso à informação e ao entretenimento em Português revela a dimensão do desprezo por um direito fundamental dos cidadãos e é um triste acabado exemplo das atitudes de marginalização do interior do país que estão a deixar-nos a todos mais pobres.
.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Ò patego, olha a neve!

Torre, Serra da Estrela, na tarde de hoje

Portugal encerra uma extraordinária rede de áreas protegidas e uma colecção infindável de paisagens que muitos portugueses - talvez a maior parte - desconhecem, ou não conhecem suficientemente bem. Talvez culpa de uma certa cultura, digamos turística, que instalou, alimenta e perpetua o paradigma dos extremos - praias "tórridas" (?!) no Verão e Serra da Estrela cheia de neve no Inverno.
Não admira, por isso, o ar desolado com que os tourists portugueses chegam à Torre - seguramente o lugar menos interessante da Serra da Estrela, embora porventura o mais frequentado - em dias de Inverno sem neve, como o de hoje. Como baratas tolhidas por uma frustração súbita, vagueiam pelo recinto desnorteadas, como se a Serra se resumisse ao bilhete postal e não fosse muito, mas muito, mais - e durante todo o ano - do que a tristonha rotunda à volta da qual circulam à espera que o céu derrame o seu algodão de cristais.
.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Amizade de SMS mínimos

Soube-se que, neste Natal, foram enviados muito menos SMS através dos telemóveis portugueses. Será que as crises refinam as dimensões das amizades?
.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal, senhor dr. Vítor Gaspar


Nesta entrevista do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, à "Revista Única" do "Expresso" de ontem, lê-se 
Os seus colaboradores habituaram-se aos seus horários?
Os horários são muito particulares. Eu começo a trabalhar muito cedo

O que quer dizer com muito cedo?

Quando estou sob pressão, quando tenho um conjunto de tarefas extenso para desempenhar, começo efectivamente cedo, por volta das cinco da manhã.Trabalho um par de horas. Por volta das 7h15 venho para o Ministério, onde chego por volta das 7h30. Procuro trabalhar até por volta das oito da noite, um voto que não sou capaz de cumprir todos os dias, mas, enfim, são os ossos do ofício. Quando estou menos pressionado, não trabalho antes de vir para o Ministério.

Abdicou praticamente de tudo o que é a vida pessoal e familiar?

A exigência é grande e o tempo que passo com a família reduziu-se bastante (...)

Confesso que este discurso - simpático e fácil - do sacrifício pessoal dos altos cargos me incomoda. O que parece extraordinário corresponde afinal ao esforço de dezenas de milhares ou centenas de milhares de pessoas que, todos os dias, se levantam tão ou mais cedo do que o madrugador ministro e chegam a casa e se deitam tão ou mais tarde (especialmente as mulheres, vergadas à lida da casa até altas horas), têm jornadas de trabalho muito duras, tempos e condições de transporte violentas e nenhuma esperança de que essa "missão" seja transitória. Levam décadas e décadas desse sacrifício, que o ministro Gaspar contribui todos os dias para tornar mais penoso, e estão em risco de ter uma vida ainda mais sacrificada do que a que têm.
Pense nisto senhor dr. Vítor Gaspar. E, já agora, tenha um feliz Natal.
(Corrigida às 19:20)
.  

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Espanha: retrocessos e anacronismos


A vice-presidente do governo espanhol - a pelos vistos muito poderosa e de fidelíssima confiança Soraya Sáenz de Santamaría - anunciou hoje que o novo primeiro-ministro, Nariano Rajoy, vai mesmo cumprir a sua palavra e fazer regredir Espanha, revendo a lei da interrupção voluntária da gravidez, em vigor há menos de ano e meio.
Ao ler a notícia, não pude deixar no significado profundo da media simbólica anunciada, no retrocesso que ela traduz e no anacronismo das posições que a enformam. E, em pensando em anacronismos, não pude deixar de recordar-me do ritual - tão anacrónico como incompreensível - da posse do chefe do governo.
Justamente, ainda ontem o diário espanhol "El País" publicava uma expressiva fotografia de Rajov prestando o seu juramento diante do rei de Espanha e de um crucifixo sobre uma mesa ladeado por um exemplar da Constituição e por outro da Bíblia, imagem essa que sintetiza com eloquência esse anacronismo em dois elementos centrais - o regime monárquico e a Igreja Católica.
Estando Espanha tão disponível para discutir valores de civilização, segundo pretende a D. de Santamaría, eu proponho, como vizinho e amigo de várias autonomias que aspiram à sua justa independência, que se discuta precisamente a Coroa e a Igreja. Se isso não for incómodo para Sua Senhoria, claro.
Agradecido.
.

SJ rejeita despedimentos na Global Notícias

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) repudiou hoje com veemência a forma como a Global Notícias está a abordar jornalistas e outros trabalhadores com vista ao seu despedimento, através de propostas de rescisão apresentadas como de mútuo acordo.
.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Eles comem tudo

Há algumas semanas, o presidente do BPI, Fernando Ulrich, dizia, e bem - e consta que os banqueiros, se não têm razão têm força - que não gosta de ver os funcionários da Tróica a dar conferências de imprensa dando-nos ordens.
Ulrich tem toda a razão.
Incomoda muito que, além da extrema violência do pacto de agressão leoninamente imposto pelo FMI, pelo BCE e pela CE, uma trupe de empregados seus se dê ao luxo de deixar publicamente as suas consignas ao governo do protectorado.
Ainda hoje o senhor Thomsen veio dizer que é necessário "manter a mente aberta" para "adaptar" o dito pacto de esbulho dos portugueses a novas necessidades e que deve ser encontrada uma alternativa a uma decisão que o Governo não tomou, precisamente por ter adoptado uma alternativa (meia hora diária de trabalho à borla) - a redução da Taxa Social Única.
E também hoje - calcula-se que por acaso... - se soube que, em nome da competitividade, o Governo vai "propor" amanhã o fim da bonificação de três dias de férias, por sinal criada por iniciativa da anterior maioria PSD/CDS.
.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

E não será possível mais baratinho ainda?

O ministro das Finanças do Protectorado da Troica anunciou hoje que as indemnizações por despedimento vão voltar a diminuir, passando para oito a doze dias por cada ano de trabalho dado à empresa.
E não se arranjará nada mais baratinho?

.

Serviço público de comunicação social

A Comissão parlamentar para a Ética, a Cidadania e a Comunicação realizou, hoje, uma importante conferência, na qual defendi que o Serviço Público de Comunicação Social não é uma mera aquisição da Democracia, mas sim um dos seus pilares fundamentais.
O que disse está
aqui.
.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Imprensa laica


Pormenores das primeiras páginas de hoje do "Diário de Notícias" e do "Público"
Registo.
Não tenho à mão nenhuma evidência estatística, mas tenho a impressão de que a Imprensa laica tem prestado uma crescente atenção às actividades da Igreja Católica e multiplicado entrevistas com membros da sua hierarquia. Nestas, há um traço recorrente muito interessante: as posições dos bispos sobre a situação do país e da Europa. À atenção dos sociólogos dos media, e talvez dos politólogos.
.

A queda da Índia há 50 anos: o holocausto negado a Salazar

Primeiras páginas do JN de 18 de Dezembro de 1961, dando as primeiras notícias da consumação da invasão, e de 19 de Dezembro, com a mistificação propagandística de uma resistência suicida que felizmente não aconteceu 

Há 50 anos, na noite e na madrugada de 17 para 18 de Dezembro de 1961, tropas da União Indiana entraram nos territórios portugueses da Índia, numa colossal desproporção de forças militares que António de Oliveira Salazar reconhecera cinco anos antes (discurso de 30 de Novembro de 1954) ser imbatível e com uma legitimidade histórica que o ditador jamais reconheceria.
Foi o princípio do fim do Império Colonial e o início de uma nova era para os povos submetidos ao jugo colonial português havia mais de quatro séculos e meio. Salazar sabia que a concessão da independência às possessões de Goa, Damão e Diu, legitimamente reclamada pela União Indiana desde a retirada da Grã-Bretanha, em 15 de Agosto de 1947, seria um precedente para a libertação dos outros povos. Só não soube estar do lado justo da História. Ao não conceder a emancipação em paz, legitimou a emancipação pela força.
Quando já tudo estava obviamente perdido, Salazar deu ordens ao governador-geral do então chamado "Estado Português da Índia" e seu comandante-chefe, general Vassalo e Silva, para que os 4100 mal armados militares portugueses nesses territórios se entregassem em definitivo e inútil holocausto, perante um esmagador  e bem apetrechado exército de 75 mil homens da União Indiana.
Numa mensagem a Vassalo e Silva no dia 14, face à iminência da invasão, Salazar dá ordem para “organizar a defesa pela forma que melhor possa fazer realçar o valor dos portugueses segundo velha tradição na Índia". As palavras seguintes mostram com toda a brutalidade a crueza desse conceito de "realce" do valor dos portugueses: 
"É horrível pensar que isso pode significar o sacrifício total, mas recomendo e espero esse sacrifício como única forma de nos mantermos à altura das nossas tradições e prestarmos o maior serviço ao futuro da Nação. Não prevejo possibilidade de tréguas nem prisioneiros portugueses, como não haverá navios rendidos, pois sinto que apenas pode haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos."
O certo é que, como se esperava, o ataque foi avassalador e a tropa portuguesa foi recuando sempre até render-se a meio do dia 19, como sempre estivera previsto entre os oficiais, sargentos e praças, apesar da propaganda fascista. Morreram apenas entre 25 e 30 homens. 
.

sábado, 17 de dezembro de 2011

FW: Homenagem ao Prof. José Morgado, dia 17 Dez. 2011, em Alijó

Agenda.
A União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) promove hoje, em Pegarinhos, concelho de Alijó, uma homenagem ao Prof. José Morgado, antifascista exemplar e coerente. 
Eis a informação que recebi sobre esta importante iniciativa: 

José Morgado fez a escola primária em Pegarinhos e o primeiro e segundo anos do liceu em Favaios, que fica a cerca de 19 quilómetros da sua aldeia natal. Não se inscreveu no terceiro ano do liceu, por a família não poder arcar com as despesas necessárias, já que a localidade mais próxima onde o poderia fazer era Vila Real, a uns 60 quilómetros de Pegarinhos. Foram alguns dos professores que se encarregaram de tratar pessoalmente de garantir que o adolescente José Morgado prosseguisse os seus estudos, pois tinha-se revelado já um aluno excepcional. Esta história é relatada por aquele que seria o seu professor de Filosofia em Vila Real, Sant'Anna Dionísio,[1] que acrescenta:
Cquote1.svg
O rapaz […] foi, conforme se previa, um dos mais destacados para não dizer dos mais notáveis estudantes que teriam passado pelos bancos do velho liceu. Nós mesmo, em dois anos lectivos consecutivos, o leccionamos na disciplina de Filosofia e com segurança podemos testemunhar a seriedade das suas capacidades de inteligência e trabalho. Foi, nessa geração escolar, o mais distinto aluno do Liceu, tendo concluído o curso complementar de Ciências com a mais elevada qualificação que a escala valorativa, convencional, entre nós o permitia e permite.
Cquote2.svg
Fez os seus estudos superiores na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, tendo-se licenciado em Ciências Matemáticas em 1944. Para poder efectuar os seus estudos superiores, José Morgado deu explicações e, a partir de 1942, iniciou a sua carreira docente, leccionando em colégios particulares (em Espinho e no Porto). Em 16 de Julho de 1945 entrou como Assistente para o Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa.
Por deliberação do Conselho de Ministros de 14 de Junho de 1947, José Morgado é afastado do ensino oficial por razões políticas, juntamente com um grande número de cientistas portugueses (Crabbé Rocha, Francisco Pulido Valente, Manuel Valadares, …). Começou aqui um longo interregno na sua carreira profissional. Durante cerca de 13 anos viveu dando lições particulares (de Cálculo infinitesimal, Matemáticas gerais, Geometria descritiva, Geometria projectiva) a estudantes do ensino superior.
Participou na candidatura presidencial do general Norton de Matos (1949) e no Movimento Nacional Democrático. Nesta época foi preso diversas vezes, por razões políticas. Imigrou para o Brasil em 1960, tendo sido professor na Universidade do Recife até 1974, tendo como colega o seu antigo professor Ruy Luís Gomes a partir de 1962. Regressou a Portugal após o 25 de Abril, tendo-se tornado professor da Universidade do Porto. Jubilou-se em 1991.
Os seus trabalhos científicos são sobretudo da área da Teoria dos números e da Teoria dos reticulados.
LOCAL: Pegarinhos - AlijóÀs 10.30h - Romagem
     11.00h - Sessão Pública na "Casa do Teatro"

Oradores: António Machiavelo - Prof. na FCUP
                Aurélio Santos - Conselho Nacional da URAP
                César Príncipe - Escritor
                Virgílio alves - Prof. na UTAD

  Iniciativa URAP - União de Resistentes antifascistas Portugueses
.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Tão democrata cristão como Bin Laden

O secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP-IN), Manuel Carvalho da Silva é um homem que mede as palavras, mesmo quando o calor das circunstâncias e o entusiasmo das discussões (ou das grandes manifestações) poderia fazê-lo resvalar para tiradas mais "ousadas".
Hoje, ao comentar o comportamento inaceitável do Governo, de enviar para a Assembleia da República uma lei através da qual pretende impor a sua vontade, imiscuindo-se entre a vontade negocial das partes, forçando os trabalhadores a trabalhar mais meia hora por dia, Carvalho da Silva não hesitou em classificar esse comportamento como fascista.
E, ao comentar - se não erro (ouvi na rádio ao final do dia) - a insensibilidade manifestada pela circunstância de a discussão pública da proposta de lei ocorrer em plena época natalícia e ainda o conteúdo de uma intenção do Governo de diminuir os subsídios de desemprego, usou uma comparação que creio inesperada nele, dizendo que o Governo é tão democrata (e) cristão como Bin Laden.
O conteúdo das leis que o Governo insiste em fazer passar e o seu comportamento justificam estes gritos de revolta. Serão suficientemente ouvidos, ou continuaremos a conformar-nos com a inevitável demolição de direitos que tanto custaram a conquistar?
.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Escola de formação de políticos

O presidente da Câmara Municipal do Porto propõe, entre as suas medidas para a "credibilização" da Política, a criação de uma escola de formação de políticos.
A ideia pode colher a simpatia dos tecnocratas e dos ingénuos. Mas, em democracia, é perigosa, pois tem subjacente o pressuposto do acesso de casta à política e não deixaria de gerar uma elite fechada sobre si, com risco de desvalorização definitiva da aprendizagem e participação cívica ao longo da vida e da legitimação democrática das escolhas.
.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Comércio da intimidade

Diário.
Participei hoje, como convidado, num interessante debate subordinado ao título "Mediatismo vs Privacidade", organizado por alunos do 3.º ano do Curso de Ciências da Comunicação do Instituto Superior da Maia (ISMAI), e tendo como colegas de mesa três ex-concorrentes dos reality-shows "Big Brother" e "Casa dos Segredos".
No essencial, procurei reflectir acerca do facto de a indústria mediática do entretenimento ter gerado um comércio da intimidade - portanto, mais do que da "simples" privacidade! - com consequências por vezes dramáticas para a vida dos concorrentes e de familiares seus e de pessoas das suas relações e que levanta problemas novos, não apenas numa perspectiva jurídico-criminal, mas também, e sobretudo, de natureza ético-deontológica.
Nesse sentido, procurei reflectir também acerca da responsabilidade dos jornalistas à luz de um preceito essencial do Código Deontológico - o 5.º - , segundo o qual o jornalista deve assumir sempre a responsabilidade pelos seus actos profissionais, mesmo quando os concorrentes aceitam escancarar (e em que condições?), aliás como condição-regra do próprio jogo, a sua privacidade e mesmo a esfera da sua intimidade, que deve ser o reduto definitivo e inviolável da sua liberdade pessoal.
Um dia destes, havendo tempo e saúde, como dizem os anciãos, talvez discorra mais sobre este assunto por estas bandas.
.  

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Em defesa do "Público" e do Jornalismo

Acabei de subscrever o abaixo-assinado em apoio e solidariedade para com os jornalistas e outros trabalhadores ao serviço do "Público" que enfrentam mais uma ofensiva do poderoso grupo no qual o jornal se insere e que não quer perder uma gota que seja dos seus lucros e parece pronto a sacrificar o Jornalismo.
Uma causa que vale a pena!
.  

Más notícias para a Terra

Se os resultados da 17.ª Conferência de Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas foram pouco animadores, o anúncio do Canadá de que vai abandonar o Protocolo de Quioto - o instrumento internacional coercivo que impõe aos estados que o ratificaram a redução das emissões de gases com efeito atmosférico de estufa (GEE) - é uma péssima notícia para a Terra. 
É certo que os Estados Unidos da América e a China, que somam mais de metade das emissões de GEE do Planeta, já há muito deveriam estar no clube dos países empenhados em suster e inverter o problema. E é certo que há quem acalente a esperança de chegar, daqui a quatro anos, a uma plataforma muito mais ampla. Mas Quioto constitui um programa de tal modo importante que não admite qualquer retrocesso.
. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

E por falar em Educação...

... é estranha, desnecessária e mesmo estúpida a ostensiva, arrogante e ruidosa exclusão das estruturas sindicais dos professores da apresentação da reforma curricular do Ensino Básico. Como diria o outro, não havia necessidade...  
.

Deficiência comunicacional


Desde que, esta manhã, ouvi na rádio uma notícia sobre o reforço das disciplinas de História e de Geografia, no âmbito da reforma curricular do Ensino Básico, fiquei na expectativa de consultar o documento integral. 
Bem procurei o dito no sítio do Ministério da Educação e Ciência (MEC), mas a página com a informação sobre o "evento" resumia-se à rudimentar "notícia" da apresentação, ornamentada com os vídeos do dito "vento". Mas, reforma, nem vê-la. 
Para se consultar a mesma é preciso fechar esta porta e ir a outras paragens, ao sítio oficial do Governo. Se se souber o caminho, ainda se chega lá rapidamente. Caso contrário, quando se alcançar o conteúdo da reforma, está a reforma feita e estarão a História e a Geografia esquecidas...
. 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Solidariedade lusófona

Uma importante manifestação de solidariedade lusófona para com os jornalistas e o seu Sindicato chega-nos da longínqua Macau. A Assembleia Geral da Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa (FJLP) aprovou uma moção repudiando a ofensiva do Governo português contra os direitos dos jornalistas e a privatização dos serviços públicos de comunicação social. 
. 

sábado, 10 de dezembro de 2011

Declaração Universal dos Direitos do Homem

 Eleanor Roosevelt, antiga Presidente da Comissão dos Direitos Humanos da ONU
Imagem: ONU 

 Bom dia! Assinala-se o 63.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Adoptada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, através da resolução 217 A (III), de 10 de Dezembro de 148, teve de esperar até 1978 para ser publicada e entrar em vigor em Portugal. É escusado explicar que o seu conteúdo não colhia qualquer simpatia do regime fascista.  
.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sinais de preocupação: recuo continuado do PIB

Ao quarto trimestre consecutivo - o terceiro deste ano - o produto interno bruto (PIB) continuou a recuar. Agora, face ao período homólogo de 2010, diminuiu 1,7% em volume, uma redução ditada pelo forte contributo negativo da procura interna, explica o Instituto Nacional de Estatística em destaque divulgado hoje.
.

Preocupação

A Europa mergulha ameaçadoramente no caos. E o caos não se erguerá nada de bom. É do caos que emergem déspotas e ditaduras. Que fazer?
.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Pontes para outro discurso

Sinceramente, a recorrente diabolização das pontes e das tolerâncias de ponto dos funcionários públicos incomoda-me muito. Quem insiste neste enfoque tão mesquinho e tão pequenino, a começar pelos governantes que regateiam uma sexta-feira pré-véspera de Natal e pré-véspera de Ano Novo, conhece pouco da vida e finge uma autoridade moral que chega a ser ofensiva.
É um desabafo. E uma proposta de ponte para outro tipo de discurso. Já estou farto deste! 
E façam o favor de desculpar o que diga de mal dito.
.

Sobre o papel dos jornalistas na crise

O Sindicato dos Jornalistas voltou hoje a afirmar que a crise não pode ser pretexto para pôr em causa direitos dos jornalistas e outros trabalhadores da comunicação social e a lembrar a especial importância do Jornalismo como garantia da Informação como bem público.
Em comunicado a pretexto do atraso no pagamento dos subsídios de férias e no anúncio do não pagamento dos subsídios de Natal na empresa Workmedia, editora da "Meios & Publicidade" e outras publicações especializadas, a Direcção do SJ destaca o papel especial dos media e dos jornalistas na discussão activa da própria crise.
.