segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O dono da bola da Unesco

A Palestina viu hoje muito justamente aceite a sua integração como membro de pleno direito na Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura (UNESCO). Os Estados Unidos da América (EUA) comportaram-se como o menino dono da bola que pega na bola debaixo do braço e acaba o jogo quando o resultado não lhe agrada: tendo votado contra, anunciaram que não vão pagar a sua contribuição para a organização, que pesa 22% do total dos 1gora 195 membros. 
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As TIC das maiorias

O ministro da Educação vai acabar com a disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação no 9.º ano de escolaridade, porque pensa que "a maioria dos jovens [do 9.º ano] já domina os computadores perfeitamente e é questionável que seja necessário ter uma disciplina de TIC", segundo explicou ao “Público” em entrevista publicada hoje. Só não explicou que raio de igualdade de oportunidades terá a “minoria” dos jovens que, nessa fase, ainda não domina as TIC; nem sequer o que é isso de “dominar” as TIC.
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domingo, 30 de outubro de 2011

Um aviso digital

Os jornais em linha avisam hoje, replicando um telegrama da agência noticiosa Lusa sobre a antecipação de resultados do Projecto Inclusão e Participação Digital a apresentar no próximo dia 4 de Novembro, que, "apesar dos progressos (...) nos últimos anos em infra-estruturas tecnológicas, os portugueses não usam a Internet com frequência".
Segundo a investigação, Portugal progrediu muito em infra-estruturas tecnológicas e no acesso a meios digitais, mas esse progresso "não se traduziu num uso frequente da Internet por parte das crianças, jovens e suas famílias", verificando-se "clivagens por idades" e "diferenças entre o acesso a meios digitais e o seu uso frequente". Mais: "os pais portugueses estão entre os que menos usam a Internet e, entre os que a usam, apenas um terço o faz com frequência".
Para os que insistem na teimosia de acelerar a mudança de "paradigma" na paisagem da comunicação social, estes resultados devem ser tidos em conta.
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sábado, 29 de outubro de 2011

Progressos na monarquia inglesa

Na monarquia inglesa, a sucessão directa da coroa vai passar a fazer-se para o primogénito, seja de que sexo for; e vai ser possível casar com católicos.
É um progresso, simbólico e quase folclórico, mas é um pequeno progresso. O definitivo seria a abolição da monarquia.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Devagarinho, o nuclear outra vez

Devagarinho, como não quer a coisa, com uma entrevista aqui, um debate ali, o lóbi nuclearista português lá vai fazendo o seu trabalho. Há sinais. Qualquer dia, Mira Amaral, Sampaio Nunes e outras personagens lá convencerão o pagode da inevitabilidade da opção...
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Como quem não quer a coisa

Como quem não quer a coisa, as mensagens lá vão passando, sorrateiras, fazendo o seu caminho de persuasão e de imposição pela lógica da inevitabilidade (um dia destes, crio uma etiqueta assim mesmo - Inevitabilidade).
Por exemplo:
À força de tanto irem dizendo que, não senhor, o Governo não pensa acabar com os subsídios de Natal e de férias, mas que, enfim, há muitos países onde tal privilégio não existe;
À força de tanto bater na tecla do monstro, de tanto execrar o peso do Estado, de tanto apontar o dedo à alegada adiposidade do funcionalismo público, a tal ponto que toda a gente se estará nas tintas em mais 15 mil trabalhadores do sector público na calha para o despedimento;
À força de tanto e tanto fazedor de opinião a repetir, a repisar, a diabolizar, de tanto repetir que, por definição e ao contrário das empresas privadas, o Estado não é produtivo sem que ninguém peça o favor de demonstrar tamanha asserção,

Um dia destes, a tramóia ideológica contra o Estado lá terá levado a sua avante. Será então demasiado tarde: o Estado ter-se-á extinguido.
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Contra o monstro, disse ele

O Governo aprovou hoje as leis orgânicas dos onze ministérios. A síntese catita em formato apresentação (um dia destes perorarei aqui sobre a moda das apresentações) é esta, coerente, no conteúdo e no estilo, com o desígnio ideológico essencial deste Executivo: contra o Estado - contra o monstro, disse ele -, cortar, cortar, reduzir, reduzir. Na ressaca, pouco sobrará do Estado. E do país?   
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Medidas contra a crise desperdiçadas

Medidas contra a crise desperdiçadas há já mais de um mês. Para memória futura:

O enigma laboral do dia

O ministro Álvaro do Desemprego enunciou hoje um estranho enigma laboral: defender os trabalhadores não é a mesma coisa que defender os postos de trabalho. Atenção às próximas investidas.
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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Diálogo construtivo ou monólogo destrutivo?

Ao cabo de seis horas de reunião, o Conselho de Estado apelou esta noite "a todas as forças políticas e sociais para que impere um espírito de diálogo construtivo capaz de assegurar os entendimentos que melhor sirvam os interesses do País, quer a estabilização financeira, quer o crescimento económico, a criação de emprego e a preservação da coesão social". Receia-se, porém, que o espírito de monólogo destrutivo da economia e da coesão social se mantenha. Valerá a pena dar o benefício da dúvida?
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Alienação de um canal da RTP seria um erro colossal

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou hoje que o plano de reestruturação da Rádio e Televisão de Portugal aprovado pelo Governo está ferido de ilegalidade e que a alienação de um canal representa um "erro colossal" que a Assembleia da República não pode consentir.
Em comunicado, a Direcção do SJ sublinha que a configuração do serviço público de televisão assente designadamente em dois canais generalistas emitidos para todo o território em sinal aberto está determinada por uma Lei da República cuja alteração depende do Parlamento e não da vontade apenas do Governo.
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RTP: uma quinta para reduzir a patacos

O Governo comporta-se, em relação à RTP, como aqueles herdeiros ávidos quando deitam a unha às quintas avoengas na ânsia de reduzir a patacos alfaias, terras e matas, fragmentado e vendendo a torto e a direito e fazendo soterrar sob urbanizações solos generosos.
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Em honra do tributo de sofrimento

As actuais gerações de trabalhadores – portugueses e europeus – enfrentam uma ofensiva brutal aos direitos que demoraram muitas décadas e até séculos a conquistar.
Nos próximos tempos, serão chamadas a defendê-los com o penhor de um dia de salário, mas muitos temem pelo próprio emprego – coisa pesada e séria para quem tem família para sustentar e dívidas de casa, carro, mobília e férias para pagar ao banco.
No passado, muitos dos nossos pais, dos nossos avós e dos nossos bisavós tiveram de defender os direitos que temos hoje com o preço da prisão, da tortura e da própria morte. Talvez fosse bom darmos algum valor a esse tributo de sofrimento.
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sobre as últimas imagens de Khadafi

Continua o mistério em torno do corpo de Khadafi. Consta que será sepultado num local secreto no deserto líbio, para evitar mais peregrinações.
Continua a ser necessário reflectir sobre as condições em que foi morto. Do ponto de vista militar, foram humilhantes para um combatente que fez questão de ficar até ao fim em vez de fugir; na perspectiva de instalação de um Estado de Direito, a execução sumária e selvagem não augura nada de bom para o futuro da Líbia; do ponto de vista da dignidade da pessoa humana, a mensagem é contraditória: se lhe condenavam a conduta, não agiram com a superioridade moral que se impunha.
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domingo, 23 de outubro de 2011

Uma nomeação que é uma desnomeação

O “Correio da Manhã” publica hoje uma discreta e singular notícia, segundo a qual o presidente da distrital de Évora do PSD  se insurge contra a nomeação do novo presidente da Administração Regional de Saúde do Alentejo, José Robalo.
Diz o dito presidente do PSD-Évora , António Costada Silva, segundo o CM, que a referida nomeação “causou estranheza dentro do partido”. E que: “Vamos estar atentos e veremos se o novo responsável será leal ao Governo”.
É interessante notar que a notícia se refere, em título, à nomeação de um socialista para um cargo regional e é construída em função desse facto, quando poderia enfatizar outros. Por exemplo, em vez da nomeação, poderíamos enfatizar a desnomeação, a qual, parecendo um neologismo, é um facto que corresponde a uma despromoção (palavra esta efectivamente compreensível ao senso comum) de um cargo nacional.
 Na verdade, o Dr. José Robalo era, até agora, nada menos que subdirector-geral da Saúde, suponho – e sempre assim o entendi – uns furos acima de presidente de ARS. Mas parece que isso conta pouco na contabilidade político-mediática dos famigerados jobs for the boys e no zelo pela lealdade ao Governo que inflama as hostes social-democratas (e as outras, quando o turno de poder é outro).
Por falar nisso, cá por coisas, sugiro aos estimados leitores que googlem a seguinte expressão (apenas duas palavrinhas juntas): “psd nomeações”. E entrenham-se com os resultados.

Declaração de interesses: Não sou do PS e não tenho qualquer interesse especial na defesa da honra do Dr. José Robalo. 

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Uma palavra que vale mil imagens


Há uma palavra que vale mil imagens. Teria sido assim tão necessário usá-las?
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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A declaração da ETA

A organização separatista basca ETA apelou hoje aos governos de Espanha e de França para que abram "um processo de diálogo directo que tenha por objectivo a resolução das consequências do conflito e, assim, a superação da confrontação armada".
"Com esta declaração histórica, a ETA mostra o seu compromisso claro, firme e definitivo", afirma a organização, segundo o comunicado divulgado na edição electrónica do diário basco Gara.


É conveniente ler na íntegra a declaração da ETA, que é do seguinte teor:

Declaración de ETA

Euskadi Ta Askatasuna, organización socialista revolucionaria vasca de liberación nacional, desea mediante esta Declaración dar a conocer su decisión:
ETA considera que la Conferencia Internacional celebrada recientemente en Euskal Herria es una iniciativa de gran trascendencia política. La resolución acordada reúne los ingredientes para una solución integral del conflicto y cuenta con el apoyo de amplios sectores de la sociedad vasca y de la comunidad internacional.
En Euskal Herria se está abriendo un nuevo tiempo político. Estamos ante una oportunidad histórica para dar una solución justa y democrática al secular conflicto político. Frente a la violencia y la represión, el diálogo y el acuerdo deben caracterizar el nuevo ciclo. El reconocimiento de Euskal Herria y el respeto a la voluntad popular deben prevalecer sobre la imposición. Ese es el deseo de la mayoría de la ciudadanía vasca.
La lucha de largos años ha creado esta oportunidad. No ha sido un camino fácil. La crudeza de la lucha se ha llevado a muchas compañeras y compañeros para siempre. Otros están sufriendo la cárcel o el exilio. Para ellos y ellas nuestro reconocimiento y más sentido homenaje.
En adelante, el camino tampoco será fácil. Ante la imposición que aún perdura, cada paso, cada logro, será fruto del esfuerzo y de la lucha de la ciudadanía vasca. A lo largo de estos años Euskal Herria ha acumulado la experiencia y fuerza necesaria para afrontar este camino y tiene también la determinación para hacerlo.
Es tiempo de mirar al futuro con esperanza. Es tiempo también de actuar con responsabilidad y valentía.
Por todo ello,
ETA ha decidido el cese definitivo de su actividad armada. ETA hace un llamamiento a los gobiernos de España y Francia para abrir un proceso de diálogo directo que tenga por objetivo la resolución de las consecuencias del conflicto y, así, la superación de la confrontación armada. ETA con esta declaración histórica muestra su compromiso claro, firme y definitivo.
ETA, por último, hace un llamamiento a la sociedad vasca para que se implique en este proceso de soluciones hasta construir un escenario de paz y libertad.

GORA EUSKAL HERRIA ASKATUTA! GORA EUSKAL HERRIA SOZIALISTA!

JO TA KE INDEPENDENTZIA ETA SOZIALISMOA LORTU ARTE!


En Euskal Herria, a 20 de octubre de 2011


Euskadi Ta Askatasuna

E.T.A. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sobre a presidencial preocupação com os limites dos sacrifícios dos portugueses

Uma importantíssima notícia do dia parece ser a presidencial preocupação com as "situações dramáticas que (...) chegam à Presidência da República todos os dias" e com os "limites para os sacrifícios que podem ser pedidos aos portugueses", receando mesmo S. Exa. "que possamos estar no limite". 
"No caso dos pensionistas, não sei mesmo se já não foi ultrapassado", disse Cavaco Silva aos jornalistas, citado na generalidade dos meios em linha, apelando, acrescentam as notícias, a "um debate aprofundado" sobre a proposta de Orçamento do Estado de 2012 e a que os parlamentares contribuam para melhorar o documento.
Disseram-se várias coisas sobre esta fala do Presidente aos jornalistas. Que era um recado ao Governo e à maioria parlamentar, mas também um recado ao PS, para que se empenhe em alternativas. 
Há quem viva de ilusões destas. Mas o resultado já se antecipa: o Orçamento vai passar e Cavaco Silva não vai dar-se à maçada de levantar-lhe obstáculos e muito menos de vetá-lo.
Estas coisas não mudam por esta banda...
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Os jornalistas e a Greve Geral

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas saudou hoje a convergência da CGTP-IN e da UGT na convocação de uma Greve Geral para 24 de Novembro com o objectivo de travar as medidas contra os trabalhadores e a economia constantes no Orçamento do Estado para 2012.

É o seguinte o texto, na íntegra, do Comunicado do SJ: 

SJ saúda convergência da CGTP e da UGT para Greve Geral
  1. O Orçamento do Estado apresentado pelo Governo confirma os piores prognósticos: além de um ataque brutal e inaceitável aos direitos dos trabalhadores e aos reformados e pensionistas, de redução drástica dos seus rendimentos e de efeitos gravíssimos nas condições de vida de largas camadas da população, de paralisação e de retracção da economia, as medidas penalizam severamente quem trabalha e quem, estando agora reformado, já deu a sua contribuição para a criação de riqueza cuja distribuição vai continuar ainda mais injusta. 
  2. As medidas contidas na Proposta de Lei do Orçamento, afectando a generalidade dos trabalhadores e dos reformados e pensionistas com alterações drásticas nos impostos, com o confisco dos subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores do sector público e dos pensionistas, com o aumento da energia e dos transportes, com cortes salariais e congelamento de carreiras no sector público, afectam também todos os jornalistas. 
  3. No que diz respeito ao sector empresarial do Estado, que inclui a RTP e a Agência Lusa, a Proposta de Lei do Orçamento insiste nas posições e medidas hostis contra os seus trabalhadores, continuando a sacrificá-los com cortes salariais, congelamento de progressões e redução na retribuição do trabalho suplementar e, agora, com o roubo dos subsídios de férias e de Natal. 
  4. Além do ataque directo aos direitos dos trabalhadores das empresas do sector empresarial do Estado, o Governo insiste no propósito de proceder à privatização total ou parcial de várias delas, constando na Proposta de Lei do Orçamento a medida de privatização nomeadamente de um dos canais da RTP. 
  5. As medidas contra os direitos dos trabalhadores e dos reformados e pensionistas, o ataque a serviços públicos essenciais – incluindo os de rádio e de televisão – o sério agravamento das condições de vida dos portugueses e o afundamento da economia nacional, com consequências directas também no sector da comunicação social e na vida dos jornalistas e das suas famílias, não podem passar: é necessário, é urgente, exigir outro rumo! 
  6. Às medidas contidas na Lei do Orçamento, acresce um brutal conjunto de medidas legislativas na área laboral que têm vindo a ser preparadas e até já publicadas, fazendo retroceder décadas e décadas de conquistas dos trabalhadores, fazendo tábua rasa do direito ao trabalho com direitos e em dignidade, num retrocesso civilizacional que deveria envergonhar-nos. 
  7. A ofensiva em curso exige dos jornalistas e dos restantes trabalhadores da comunicação social uma atitude mais solidária para com todos os trabalhadores portugueses, reclamando resistência organizada nos locais de trabalho e apontando a unidade de todos os trabalhadores como condição indispensável à mudança que se impõe. 
  8. Nesse sentido, considerando de extraordinária e decisiva importância a unidade na acção, a Direcção do Sindicato dos Jornalistas saúda a convergência da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN) e da União Geral de Trabalhadores (UGT) na convocação de uma Greve Geral para 24 de Novembro com o objectivo de travar as medidas contra os trabalhadores e a economia. 
  9. Considerando ainda que os jornalistas não podem ficar indiferentes ao movimento de luta e resistência que está a crescer e ao qual é necessário dar força e que devem participar nessa tarefa, a Direcção do SJ vai empenhar-se na mobilização da classe para a discussão da situação presente e das ameaças sobre o futuro, bem como das medidas a tomar, nomeadamente a adesão à Greve Geral a convocar pelas duas centrais sindicais. 
Lisboa, 19 de Outubro de 2011 
A Direcção
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terça-feira, 18 de outubro de 2011

"Poemas Geométricos"




“Poemas Geométricos” foram concebidos como um corpo que não se limitasse a receber o conteúdo poético da obra mas que também participasse nele.
É assim – mais palavra menos palavra – que se iniciam as apresentações (itinerantes) dos “Poemas Geométricos”, de Luís Bizarro Borges. O próximo encontro é no Clube Literário do Porto, no próximo dia 22 de Outubro, sábado, às 18h30.
Trata-se de uma obra não convencional, interativa, bilingue (português/espanhol), onde as palavras se revelam e ocultam com o gesto das mãos.
A apresentação consta da exibição de um vídeo (4 minutos) e da abordagem de alguns pontos para um possível debate, como o conceito da obra; os limites de um livro; a interactividade material (o manuseamento, o jogo ocultação/revelação); a dificuldade da tradução; as peripécias que acompanharam a obra desde a entrada na gráfica até aos CTT, passando por um parecer das Finanças por causa do IVA a aplicar.

Fonte: correio electrónico amigo (O Fwd é uma arma!).
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O senhor ministro disse mesmo "Contribuição solidária"?

Há um assunto sério que divide muita gente: as subvenções auferidas por ex-titulares de cargos políticos. Controverso, dá pano para mangas e não me dá jeito discutir agora a sua justeza. Talvez um dia, mas a conversa será longa… Adiante.
Noticiou a edição de hoje do “Diário de Notícias”, aliás em franca manchete, que as ditas subvenções não serão atingidas pelo corte roubo dos subsídios de férias e de Natal imposto pelo Governo aos trabalhadores da Administração Pública e do sector empresarial do Estado.
Lesto a tentar mostrar serviço, lá veio o ministro das Finanças assegurar aos jornalistas que o Governo vai propor uma “contribuição solidária” de montante equivalente aos dos referidos subsídios, segundo noticiou a Lusa, agência à qual se devem as aspas da sobredita “contribuição”.
A coisa soa-me a piadola, a boutade que não chega a ser ingénua, a un chiste que no llega a ser un chiste como dizem os espanhóis. “Contribuição solidária”?! Se é para ser solidário, tanto pode o subvencionado ser solidário como pode não querer ser, certo? Então, se não quiser ser, não paga?
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

79 milhões

de pessoas vivem na Europa abaixo do limiar de pobreza e 30 milhões sofrem de subnutrição.
Hoje é o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
Hoje, o Governo apresenta o Orçamento de Estado para 2012, para legalizar o roubo aos portugueses, o aprofundamento do desemprego, o agravamento da miséria. 
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O Tempo das Cerejas 2

Com estas e com outras, tenho-me esquecido de avisar que "O Tempo das Cerejas", do Vítor Dias, mudou ligeiramente de endereço. Desde há uns tempos, está aqui. Recomendável, sempre, nas minhas outras naves.
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domingo, 16 de outubro de 2011

sábado, 15 de outubro de 2011

E depois do protesto e da indignação?

Milhares - largos milhares - de pessoas voltaram hoje às ruas. Indignadas, foram mostrar indignação nas ruas e nas praças, desta vez "apartidários" e "assindicais". Foram menos do que as que se manifestaram no dia 12 de Março. Em ambas, foram muito menos do que as que teriam sido necessárias para dar outro rumo ao país em 5 de Junho. E muitos dos que se apresentaram hoje fizeram falta no dia 1 de Outubro. E vice-versa, se fosse possível a unidade sem reservas nem preconceitos.
É tempo de tornar consequente o protesto, de dar mais sentido à indignação. A luta não acabou por aqui. Vem aí uma greve geral, vêm aí mais lutas - lutas duras e prolongadas - que precisam de todos. Seremos capazes? Sobretudo, seremos capazes de fazer opções de transformação para os dias seguintes à festa do protesto?  
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A janela da ilusão

O João Paulo Coutinho, grande fotojornalista e meu velho e querido camarada de reportagens e de outras andanças, abriu há dias uma nova janela sobre a realidade através da qual nos guia no seu perscrutar inquieto e interpelante dos dias das pessoas. Justamente, A Janela da Ilusão, noutras naves que recomendo vivamente.
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ERC: eleitos por um triz

Os quatro elementos do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) designados pela Assembleia da República foram eleitos, hoje, com apenas mais dois votos do que o mínimo de dois terços dos presentes exigidos pela Lei.
Segundo foi divulgado, estavam presentes 213 deputados e a lista do comité de defesa do monopólio da Regulação recolheu 144 votos favoráveis, apenas mais dois do que os 142 que corresponderiam aos dois terços dos 213 presentes, registando-se 60 votos em branco e nove nulos.
Recordemos: o PSD tem 108 deputados e o PS tem 74, ou seja, 182 eleitos pelos partidos do Bloco Central, aos quais se devem somar os da muleta que apoiou a lista, o CDS-PP, com 24 eleitos, obtendo-se assim 206.
Ainda não se conhece a lista das presenças e dos votantes, mas é um facto que a maioria alargada quase não assegurou a eleição dos reguladores e que muitos deputados da dita maioria não alinharam na negociata. E que mesmo que todos os 24 deputados eleitos pelo PCP, pelo BE e pelo PEV estivessem presentes, seriam apenas uma parte dos 69 que não votaram favoravelmente a lista PSD/PS + CDS-PP. 
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A austeridade e o sector da comunicação social

O Sindicato dos Jornalistas alertou hoje para as graves consequências das novas e mais gravosas medidas de austeridade anunciadas pelo Governo, fazendo notar que elas terão efeitos nocivos também no sector da comunicação social, mas explicando que esta é a altura para se apostar mais no bem público que é a informação.
Vale a pena ler aqui.
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Caras, máscaras, sinais

As imagens valem o que valem. Talvez mil palavras, segundo os cânones jornalísticos; talvez um milhão, segundo outras hipóteses.
Olho o televisor: passa o "Jornal da Tarde". O ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, tem um rosto grave para falar da crise e para garantir (?!) que 80% dos pensionistas não pagarão a factura da crise (?!). Atrás, em fundo, várias pessoas conversam animadamente e até riem, e até riem muito. De repente, põem um ar sério. Assim o exige o momento mediático.

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