O João Paulo Coutinho, grande fotojornalista e meu velho e querido camarada de reportagens e de outras andanças, abriu há dias uma nova janela sobre a realidade através da qual nos guia no seu perscrutar inquieto e interpelante dos dias das pessoas. Justamente, A Janela da Ilusão, noutras naves que recomendo vivamente.
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sábado, 15 de outubro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
ERC: eleitos por um triz
Os quatro elementos do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) designados pela Assembleia da República foram eleitos, hoje, com apenas mais dois votos do que o mínimo de dois terços dos presentes exigidos pela Lei.
Segundo foi divulgado, estavam presentes 213 deputados e a lista do comité de defesa do monopólio da Regulação recolheu 144 votos favoráveis, apenas mais dois do que os 142 que corresponderiam aos dois terços dos 213 presentes, registando-se 60 votos em branco e nove nulos.
Recordemos: o PSD tem 108 deputados e o PS tem 74, ou seja, 182 eleitos pelos partidos do Bloco Central, aos quais se devem somar os da muleta que apoiou a lista, o CDS-PP, com 24 eleitos, obtendo-se assim 206.
Ainda não se conhece a lista das presenças e dos votantes, mas é um facto que a maioria alargada quase não assegurou a eleição dos reguladores e que muitos deputados da dita maioria não alinharam na negociata. E que mesmo que todos os 24 deputados eleitos pelo PCP, pelo BE e pelo PEV estivessem presentes, seriam apenas uma parte dos 69 que não votaram favoravelmente a lista PSD/PS + CDS-PP.
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A austeridade e o sector da comunicação social
O Sindicato dos Jornalistas alertou hoje para as graves consequências das novas e mais gravosas medidas de austeridade anunciadas pelo Governo, fazendo notar que elas terão efeitos nocivos também no sector da comunicação social, mas explicando que esta é a altura para se apostar mais no bem público que é a informação.
Vale a pena ler aqui.
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Caras, máscaras, sinais
As imagens valem o que valem. Talvez mil palavras, segundo os cânones jornalísticos; talvez um milhão, segundo outras hipóteses.
Olho o televisor: passa o "Jornal da Tarde". O ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, tem um rosto grave para falar da crise e para garantir (?!) que 80% dos pensionistas não pagarão a factura da crise (?!). Atrás, em fundo, várias pessoas conversam animadamente e até riem, e até riem muito. De repente, põem um ar sério. Assim o exige o momento mediático.
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quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Anúncio
O primeiro-ministro acaba de anunciar um novo roubo aos portugueses e um novo e grave golpe na economia nacional. Portugal está a caminho da Grécia.
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Eufemismo ofensivo
Contrariando um comunicado do Sindicato dos Jornalistas denunciando novas ofensivas do grupo Cofina para despedir trabalhadores, "uma fonte oficial" do referido grupo desmentiu ontem que haja quaisquer despedimentos.
O que acontece, segundo explica a dita fonte, citada nomeadamente pela agência Lusa e pelo "Diário Económico" em linha, é que a Cofina "faz uma gestão dinâmica dos seus recursos humanos, quer em termos de contratações, quer em termos de dispensas".
O eufemismo é ofensivo. Confrontar pessoas para as "dispensar", e ainda por cima de forma violenta e ilegal, atingindo a dignidade das pessoas, é despedir, quer o senhor Eng.º Paulo Fernandes, os seus obedientes quadros e a "fonte oficial" queiram quer não queiram!
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011
SJ denuncia tentativa de despedimentos ilegais na Cofina
O Grupo Cofina está a fazer abordagens selectivas a jornalistas com vista ao respectivo despedimento, nomeadamente no diário desportivo "Record" e no sector das revistas, denuncia o Sindicato dos Jornalistas (SJ).
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domingo, 9 de outubro de 2011
Sinais dos resultados das eleições regionais na Madeira
As eleições de hoje para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira surpreenderam pelos resultados.
É evidente o recuo do jardinismo mas é claro o avanço e a consolidação da Direita e um recuo também da Esquerda, em favor de outros fenómenos que é conveniente perceber muito bem antes de desatar a apontá-los como exemplo a seguir, como sugerem algumas análises precipitadas ou ditadas por ódios antigos.
Em relação ao avanço e consolidação da Direita, é conveniente destacar e prestar atenção ao desempenho do CDS-Partido Popular, por um lado, mas também, muito concretamente, ao teor, ao significado e ao alcance das declarações do líder regional, José Manuel Rodrigues, e, especialmente, do presidente nacional do partido, Paulo Portas, num sinal claro ao PSD nacional e não necessariamente ao "PSD da Madeira".
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Uma entrevista a guardar
A entrevista concedida ao "Público" pelo presidente da Ongoing, Nuno Vasconcelos, é uma entrevista para guardar. Pela entrevista, pelas entrevistadoras e pelo entrevistado. E para o futuro. Atente-se logo no título-citação da chamada da primeira página: "Balsemão pode ter sido um pai, mas faço aquilo que tenho de fazer contra tudo e contra todos". No interior, além do conteúdo concreto, atenção à tensão do pingue-pongue das perguntas-e-respostas, naturalmente editadas a partir de uma entrevista cuja duração real foi de três horas.
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sexta-feira, 7 de outubro de 2011
SJ acusa PSD/PS de violarem Lei da ERC
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considera que o PSD e o PS violam ostensivamente a Lei da ERC, já que não se limitaram a negociar a composição do novo Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e acordaram a escolha do presidente do Conselho Regulador.
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
ERC: breves e sentida palavras
As coisas, tal como a verdade, são como o azeite. Confirma-se: o comité de defesa do monopólio da regulação da comunicação social chegou finalmente a acordo quanto à composição do novo conselho regulador da entidade reguladora para a comunicação social – presidente incluído, como não podia deixar de ser, fazendo tábua rasa da lei da propriamente dita ERC, que manda serem os quatro elementos designados pelo parlamento a cooptar o quinto elemento, i.e., o presidente do dito conselho.
É assim que está escrito nas estrelas desde que a lei existe e desde que os partidos integrantes do sobredito comité de defesa do monopólio da regulação acordaram, e assim fizeram, ignorar a letra e o espírito da mesma.
Dito isto, com promessa de voltar ao assunto, breves palavras para saudar Azeredo Lopes, Estrela Serrano, Elísio de Oliveira e Assis Ferreira. Foram escolhidos como se sabe, vítimas daquilo a que chamei o pecado original da ERC – a sua extracção exclusivamente parlamentar e exclusivamente de acordo com os ditames do Bloco Central.
Tomaram decisões que me agradaram e outras das quais discordei e até critiquei publicamente. Mesmo continuando a discordar do modelo de regulação, penso que eles fizeram um trabalho positivo – muitas vezes polémico; outras, inquietante (no sentido de que não nos deixaram indiferentes às suas convicções e às suas conclusões e nos deixaram a pensar); outras ainda, a distância frustrante do que me pareceria ser de decidir.
Gostemos ou não do modelo e apesar da origem do pecado que permaneceu sobre as suas cabeças, Azeredo Lopes, Estrela Serrano, Elísio de Oliveira e Assis Ferreira cumpriram a sua missão e rasgaram novos horizontes para a Regulação, sobre os quais ficaram abertas portas e janelas que importará franquear, se quisermos e soubermos, e se formos capazes de despir a carapaça do preconceito e de falar com franqueza das coisas, das ideias, das convicções, das hipóteses, dos projectos, das alternativas.
Todos – cada qual ao seu estilo, exuberante o de uns, discreto o de outros – deram contribuições importantes para a afirmação da Regulação como valor num mundo complexo e em mudança. É justo destacar o seu presidente, Azeredo Lopes, e a galhardia com que se bateu pelas suas convicções e pela defesa do órgão do qual é ainda o rosto institucional e no qual tantas vezes a instituição se fulanizou.
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011
O discurso habitual da inevitabilidade
O Presidente da República dirigiu-se hoje à Nação com o seu habitual discurso de apelo à rendição à inevitabilidade dos sacrifícios e de culpabilização dos portugueses ("A crise que atravessamos é uma oportunidade para que os Portugueses abandonem hábitos instalados de despesa supérflua, para que redescubram o valor republicano da austeridade digna, para que cultivem estilos de vida baseados na poupança e na contenção de gastos desmesurados...") e cheio de palavras redondas sobre a repartição da riqueza e a necessidade de criação de emprego, etc., etc.... É pena que não actue em conformidade quando as leis contra a protecção do emprego lhe passam pela secretária para promulgação.
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Viva a República!
Sempre!
Busto oficial da República, da autoria de Francisco Santos. Primeira página da Ilustração Portuguesa, n.º 294, de 9 de Outubro de 1911.(Via sítio oficial das comemorações do Centenário da República) . |
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terça-feira, 4 de outubro de 2011
A pior doença do século XXI
Assim falou o meu amigo Manuel, proclamando com vigor a urgência de uma vacina:
"Há uma epidemia larvar traindo a lealdade; uma hemorragia de solidariedade; um vírus nutrido de silêncios e impotência; uma pústula fétida de cobardia; uma gangrena desistente; um torpor cívico; um coma descrente; e, pior, uma indiferença insuportável. A indiferença é a pior doença do século XXI."
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domingo, 2 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
Outono de luta
Éramos muitos: a avenida coalhada de bandeiras, tarjas, rostos, vontade de lutar, esperança de vencer, alegria de querer e de crer.
E estamos apenas a começar!
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Televisão:Um testemunho e uma hipótese
Nas minhas viagens pelo país, há um elemento que me fascina tanto como inquieta – as ruínas de edifícios e estruturas abandonadas, ora pontuando paisagens como chagas pulurentas, ora agigantando-se tragicamente em zonas industriais, ora alastram em impotência em aldeias, vilas e cidades.
Ao fascínio estético das leituras da luz, das cores e das sombras, dos desafios da desconstrução e da imaginação, alia-se a interpelação por vezes angustiada da memória: que homens e mulheres povoaram estes agora-destroços, o que se pensou e melhor ou pior se fez, que sonhos se construíram ou se frustraram, que riquezas se produziram ou se desmoronaram, que futuros se não cumpriram, neste chalé escanzelado entre pinheiros-mansos a olhar um mar antigo, nesta fábrica esventrada e chaminé periclitante e teimosamente hasteada, neste sanatório acometido de silvados e desespero, nesta estação de caminho-de-ferro enferrujada e destino único para o passado?...
Deu-se o caso, há uma semana, de a RTP2 transmitir (enfim, a uma hora discutível, meia-noite e meia…) o impressionante e celebrado documentário “Ruínas”, de Manuel Mozos (estreado no ano passado, mas que, por desgraça, eu não tivera oportunidade de ver), respondendo àquelas minhas inquietações e a tantas outras, numa fabulosa releitura das imagens de muitos dos sítios que conheço a partir de textos das mais variadas e surpreendentes extracções – da literatura, divulgação do património, correspondência comercial e íntima, preçários e facturas, por aí adiante.
Permiti-me abusar da vossa paciência neste meu exercício para tentar chegar a uma hipótese: numa arquitectura de serviço público de televisão assente num dispositivo de canais mais reduzido (portanto, um canal em vez da RTP1 e da RTP2), eu não teria tido oportunidade de ver as “Ruínas” de Manuel Mozos.
Abusei também da vossa benevolência com este testemunho pessoal, falando de um exemplo como poderia falar de muitos outros, para prometer discutir proximamente o serviço público justamente a partir dos conteúdos.
(Participação, esta manhã, no debate em linha sobre a RTP que decorre no sítio da Fundação Francisco Manuel dos Santos)
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Apelo à participação dos jornalistas nas manifestações de 1 de Outubro
A Direcção do Sindicato dos Jornalistas apelou hoje à participação dos jornalistas nas manifestações contra o empobrecimento e as injustiças convocadas para o próximo sábado, dia 1 de Outubro, em Lisboa e Porto.
.Televisão: Ver, comentar, criticar, sugerir
Numa das suas participações de ontem, no debate em Rede sobre a RTP que a Fundação Francisco Manuel dos Santos está a realizar, Eduardo Cintra Torres contou ter perguntado, numa das suas turmas de Estudos de Televisão na Universidade Católica, quem costumava ver programas de televisão com outros membros da família, mas que ninguém levantou o braço, a não ser uma jovem (os seus alunos têm entre 19 e 23 anos) para inquirir se “o Natal conta para a resposta...”
Considero o episódio interessante e que vale a pena pensar nas conclusões a que Cintra Torres chega. Por mim, já lá escrevi o seguinte:
O episódio singular das aulas de Eduardo Cintra Torres ontem descrito mereceria uma reflexão mais ampla sobre problemáticas que, podendo até ser conexas desta nossa discussão, infelizmente não poderão contribuir para alargar demasiado o âmbito deste debate.
Sem querer formular juízos sobre o referido episódio e o seu contexto (social, cultural, económico…), permito-me observar que, quer constitua uma singularidade, quer reflicta uma generalização, não deixa de ser preocupante a conclusão que dele se poderia extrair: a inexistência de fruição em comum (portanto, na família, em diálogo e em discussão) de bens e serviços culturais, desde logo a televisão.
A ser verdadeira (enfim, muitas famílias que conheço não são assim), tal inexistência diria muito sobre as profundas transformações na Sociedade e a sobre a saúde das famílias. Para o que interessa a este debate, tornaria o problema da fruição partilhada de televisão – especulo agora – “apenas” num resultado susceptível de constituir uma referência, uma pista, uma inspiração para produtores, programadores e distribuidores de conteúdos. Nesse sentido, há que pensar na conclusão a que Cintra Torres chega quanto às estratégias de oferta de conteúdos.
Como contribuição, respigo alguns resultados de um importante trabalho realizado em 2007 por uma vasta equipa de investigadores de várias escolas universitárias e politécnicas, liderada por José Rebelo (ISCTE) – “Estudo de Recepção dos Meios de Comunicação Social (ERC, 2008):
- Sobre a justificação da existência de serviço público de televisão, a maioria dos inquiridos (amostra de 2.205 entrevistas), pronunciou-se sempre favoravelmente, quer na sua estratificação segundo a escolarização (entre 59,1%, nos inquiridos até quatro anos de escolaridade, e 72,6% daqueles que tinham mais de 12 anos), quer segundo a idade (59,9% bo grupo até aos 30 anos e 65,8% no grupo 31-50 anos) , ou o género.
- Embora fosse a menos preferida (a primeira era a TVI, depois a SIC), a RTP1 era o canal considerado mais credível em todos os graus de escolaridade, todas as idades e ambos os géneros.
- Independentemente dos canais e dos programas da sua preferência (a informação é de longe o tipo de programa preferido), os telespectadores “não discutem, ou pouco discutem, o que vêem”, e “estranha-se, em particular, o alheamento, a esse respeito, dos que possuem formação superior”.
- De facto, apenas 19% dos inquiridos com mais de 12 anos de escolaridade discutem frequentemente programas com familiares, amigos ou colegas (a percentagem maior pertence ao grupo de indivíduos com cinco a nove anos de escolaridade).
- Por idades, as percentagens dos que o fazem é de 41,9% no grupo até aos 30 anos, 41% no grupo 31-50 anos e de 14,1% no grupo 51-64 anos.
- Quanto às contribuições com críticas e sugestões para melhorar a televisão, mais programas educativos e culturais, mais documentários, filmes e séries de qualidade representaram 30% do total da amostra, sendo sempre muito significativa a participação de inquiridos até aos 30 anos, 47,4% dos quais reclamaram mais programas de qualidade em horário nobre.
- Ainda no capítulo das contribuições para melhorar a televisão, contrariamente às expectativas dos investigadores, a percentagem de respostas de indivíduos com formação superior foi de apenas 12%. Analisando-se as sugestões por anos de escolaridade, verifica-se, por exemplo, que este grupo está pouco receptivo à produção portuguesa (apenas 1,9% a sugerem), é o que menos pede que se reduzam as repetições de filmes, séries, etc. (5,4%) e é o que menos pede mais programas de qualidade em horário nobre (7,1%).
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
O fim da taluda meritocrática escolar
O ministro da Educação bem pode esfalfar-se a explicar que, no lamentável episódio dos cheques-prémio para os melhores alunos das escolas secundárias, houve "um problema de comunicação", pois, argumenta, já no dia 13 de Setembro o ME tinha comunicado às escolas que, afinal, a taluda meritocrática instituída pela penúltima ministra não seria entregue.
Mesmo admitindo que algumas escolas se desleixaram e não comunicaram atempadamente (?!) a abolição do cobiçado galardão de 500 euros que deveria ser entregue depois de amanhã, sempre se há-de concordar que mais semana menos semana de aviso não contam para um campeonato que - salvo erro - o presidente da associação de directores de escolas explicou esta manhã (ouvi-o na Antena 2), de forma muito simples e directa, ser o das expectativas dos alunos (legitimamente constituídas há muito) no referido prémio e da credibilidade das instituições.
Dito de outro modo: quaisquer que sejam as razões da desistência do ofertante - e já lá irei - simplesmente não é bonito, é aliás muito feio, dizer que afinal não se dá o rebuçado prometido. Mostra que os homens políticos dão afinal pouco ou nenhum valor à palavra dada - e, quer concorde quer não concorde, para a entrega deste ano, a palavra já estava dada.
E quanto às razões de desistência do ofertante: não tenho dúvida de que um tal prémio suscita pelo menos muitas dúvidas, valendo pouco a minha opinião de que ele simplesmente não faz sentido, mas teria sido bom que o ministro tivesse explicado melhor as suas razões. E, simplesmente, não o fez.
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terça-feira, 27 de setembro de 2011
O potencial da RTP e o precioso filão nacional por explorar
Tendo-me alongado na participação anterior, no debate a RTP que o sítio da Fundação Francisco Manuel dos Santos está a promover, não aflorei sequer algumas questões pertinentes tratadas pelos meus ilustres colegas e pelo magnífico moderador deste debate. É o que tento fazer agora.
Atalho de imediato para a matéria que parece corresponder a uma urgência do Governo (em rigor, do PSD, mas do Governo por mera solidariedade intra-coligação) que é a privatização de um canal da RTP (e outro da RDP, não esqueçamos), para concordar com Pedro Norton na conclusão de que não há espaço para mais um operador privado de televisão.
Mesmo quem não tem acesso às contas mais miúdas das empresas e às tabelas reais de publicidade praticadas pelos operadores de televisão, “percebe-se” quão violenta está sendo a disputa do magro bolo publicitário, não só entre eles, mas também entre o segmento televisão e outros – imprensa em particular.
E não é uma questão de mera percepção ao alcance dos cidadãos. Ainda há menos de duas semanas, foi tornado público o Relatório da Regulação do sector relativo a 2010, em cuja introdução o presidente do Conselho Regulador da ERC, Azeredo Lopes, escrevia:
“A tendência actual para a prática de taxas de descontos inimagináveis (…) vai, obrigatoriamente, fazer com que a concorrência pela publicidade (que cada vez mais parece a peau de chagrin de que falava um autor) seja cada vez mais agressiva. Para dar um exemplo concreto, e como descrição mais precisa do fenómeno, foram reportados e demonstrados perante o regulador situações em que um operador generalista cobrava um preço tal por spot que, pura e simplesmente, concorria, directamente, com um determinado jornal local”.
E passo à seguinte – a alegação de Eduardo Cintra Torres segundo a qual “cresce o número de pessoas que considera a RTP inútil, que não se revê nela, que defende a sua extinção”.
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Sobre a definição de serviço público de televisão
Compreende-se a inquietação dos cidadãos perante a (aparente) inexistência de uma definição de serviço público de televisão, pelo menos tão perceptível, tão tangível e tão mensurável como as relativas a outros serviços públicos.
Se usarmos o exemplo dos serviços de águas invocado hoje por Eduardo Cintra Torres, no debate a RTP que o sítio da Fundação Francisco Manuel dos Santos está a promover, fica muito clara para o comum dos cidadãos a relação entre os preços e as taxas que estes pagam e a quantidade e a qualidade do bem que lhe é fornecido – a água de abastecimento – e do serviço que lhe é prestado com a drenagem das águas residuais.
No entanto, nem todos têm a preocupação de informar-se sobre dados essenciais à formação de uma cidadania informada e esclarecida, como: (i) os níveis de atendimento, isto é, a percentagem de população servida; (ii) os parâmetros da qualidade da água de abastecimento na rede; (iii) os níveis de tratamento das águas residuais; (iv) a qualidade do meio hídrico receptor das águas residuais tratadas; (v) os níveis de eficiência dos sistemas (custos na origem vs. taxas de perdas e desperdícios vs. encargos para o consumidor; (vi) e etc., etc….
Detive-me deliberadamente naquelas variáveis para chamar a atenção, por analogia – se a analogia pode ser consentida aqui –, para as dimensões tantas vezes intangíveis de uma apreciação (e de uma valoração!) dos bens e serviços de natureza pública colocados à nossa disposição como decorrência da nossa condição cidadã: o Estado tem obrigação de suprir as nossas necessidades de água, não apenas com um abastecimento em quantidade e qualidade adequadas, mas também prevenindo os efeitos nefastos para o meio ambiente (sobre-exploração na origem e poluição do meio receptor).
O moderador teve a gentileza de deixar-me o desafio de enunciar, “em termos concretos, o que entendo por serviço público”, nomeadamente de televisão.
Creio que a própria Lei da Televisão apropria e densifica o que me parece corresponder a um largo consenso sobre conceito de serviço público de televisão e que o legislador tem tido o cuidado de estabelecer a diferença entre dois patamares distintos:
a) Por um lado, estabelece os “fins da actividade de televisão” (Art.º 9-º), isto é, para todos os operadores – portanto, público e privados;
b) Por outro lado, fixa muito concretamente as “obrigações específicas” da concessionária de serviço público (Art.º 51-º).
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011
RTP: pública ou privada? Pública, obviamente!
Está a decorrer, até ao dia 10 de Outubro, no sítio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, um debate em linha sobre a privatização da RTP, no qual participo como convidado. O pretexto é o mais recente livro de Eduardo Cintra Torres - "A Televisão e o Serviço Público" - editado na colecção de ensaios da FFMS. O autor é aliás o convidado principal da iniciativa, na qual participa também o administrador do grupo Impresa Pedro Norton. Escuso de esclarecer que a resposta à pergunta "RTP: pública ou privada?" é, obviamente: pública!
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Já um requiem pelo Poder Local democrático...
O Governo apresentou o seu "Documento Verde da Reforma da Administração Local", através do qual prepara o fim do Poder Local democrático como o conhecemos, que o Partido Socialista já saudou, segundo as edições em linha dos órgãos de comunicação social (reacção indisponível, às 23 horas, no sítio do PS), enquanto o Partido Comunista Português já condenou "o livro negro de subversão". Também aqui o Bloco Central funciona. Por enquanto. Vamos ver o debate que nos está reservado pelo país real fora nos próximos meses...
Recado da senhora Merkel sobre a soberania perdida
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, defende sanções para os países que não cumpram os critérios de estabilidade. Entre essas sanções, estaria a perda de soberania. Então já não a tínhamos perdidos?
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domingo, 25 de setembro de 2011
Do acto profundamente político do patriarca católico de Lisboa
Quando o cidadão José da Cruz Policarpo diz, como cardeal patriarca de Lisboa da Igreja Católica, que "o ministério dos bispos é de uma ordem que pode ficar prejudicado se nos metermos na política directa como ela é feita hoje, em que ninguém sai de lá com as mãos limpas" está a praticar um acto profundamente político e não pode ignorar os efeitos desta afirmação.
Quando responde, na entrevista publicada hoje no JN, que não responde à pergunta (de Alexandra Serôdio) sobre se queria comentar as políticas sociais deste Governo, alegando que responder seria "política directa", mas logo acrescenta, referindo-se à intervenção da Tróica, que "o protocolo internacional é para cumprir", está a dar aos cidadãos (católicos ou não) uma indicação muito clara de submissão à intervenção estrangeira.
Mas está a ir mais longe, numa posição, profunda e directamente política, que, se não tem essa intenção (lá saberá o prelado o que pretende...), produz o inegável resultado da persuasão (política e psicológica) quanto à inevitabilidade das malfeitorias das tróicas nacional e estrangeira e do Governo. Citemos:
"Se as medidas tomadas são mais justas ou não, nem as analisei... Elas, em grande parte, são o cumprimento de um protocolo que podemos discutir, mas é o que é. (...) Eu não sei dizer se, para a maior parte dos problemas, há mais do que uma solução. Não sei dizer. Desconfio que não há."
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sábado, 24 de setembro de 2011
Uma boa notícia
O semanário "Expresso" noticia hoje que a Polícia Judiciária apanhou a "toupeira" do Serviço de Informações Estratégias de de Defesa (SIED) na operadora de telecomunicações Optimus que teria vasculhado ilicitamente as comunicações do jornalista Nuno Simas. Para já, é uma boa notícia. Aguardemos...
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Com falinhas mansas e modos suaves
Com falinhas mansas, sorrisos e modos suaves, um dos mandatários da Tróica e do patronato nas vestes de ministro da Economia bem tem repetido aos jornalistas que a profunda e gravíssima reforma da lei laboral é apenas "uma pequena parte" da grande reforma económica. Porém, a evidência não engana: o que o Governo prepara é a absoluta liberalização dos despedimentos.
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