Noticiam jornais de hoje que o chamado "fundo de compensação" para ajudar os patrões a despedir mais facilmente e mais barato, além de ser verdadeiramente ridículo, poderá ser aplicado em produtos financeiros de risco. A invenção já era demasiado feia e grave; agora, piorou de vez: com os empregos pendentes da roleta da sorte, ficariam com uma parte da indemnização pendente da roleta da especulação. Depois não digam que não há razões para sair à rua!
.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Orquestra Todos, uma estreia que não é por acaso no dia 11 de Setembro
Agenda, a não perder, dia 11 de Setembro, às 21 horas, no Largo do Intendente, em Lisboa, estreia mundial da Orquestra Todos, composta por músicos profissionais e músicos de rua que vivem em Lisboa originários de múltiplas paisagens.
Não é por acaso que acontece no dia 11 de Setembro. É um sonho lisboeta de Mario Tronco, o músico criador de um extraordinário projecto musical de reacção política colectiva imediata às leis xenófobas com que o governo italiano “respondeu” pouco depois aos atentados de há dez anos – a Orquestra da Praça Vitório, composta por músicos de inúmeras paragens, árabes incluídas, que ainda hoje mantém um soberbo programa.
Ainda esta manhã o próprio explicava na Antena 2 – serviço público de radiodifusão – como foi importante mostrar que a diferença de outros mundos dentro da nossa praça é uma riqueza, é um bem, e não uma ameaça. Em Lisboa, porta do Mundo, essa mensagem replica-se e há-de frutificar.
E ainda: recomendo vivamente o blogue da iniciativa TODOS - Caminhada de culturas
.
Etiquetas:
Agenda,
Causas,
Efemérides,
Outras naves
terça-feira, 6 de setembro de 2011
O peso das palavras em jornalismo
Mais um problema prático do jornalismo, ou um modesto subsídio para uma discussão sobre a independência e a imparcialidade dos jornalistas:
Há muitos anos, discutindo-se o problema da imparcialidade dos jornalistas, era inevitável a querela semantico-ideológica em torno de certas opções jornalísticas na construção (estritamente técnica, logo objectiva...) de algumas notícias.
Por exemplo: Escrevermos que "a polícia carregou sobre os manifestantes" não é a mesma coisa que escrever "os manifestantes envolveram-se com a polícia".
Outro exemplo, mais subtil mas nem por isso despiciendo, é o das expressões que conferem uma "dimensão" nem por isso objectiva a acontecimentos como as manifestações, comícios, vítimas de certos acontecimentos. Vejamos um caso: se escrevermos mil manifestantes tem a mesma força que um milhar de manifestantes?
Têm-me ocorrido estes exemplo - e poderia dar muitos mais... - quando leio que a empresa Xis decidiu "descontinuar" o produto Ene, quando se calhar teria "mais força" (e outras consequências, não?!) dizer que deixou de fabricá-lo; ou quando a expressão "descontinuar" se aplica a uma publicação periódica, quando antigamente se escrevia simplesmente "encerrar"; ou, pior, muito pior (e não é uma leitura necessariamente ideológica...), é quando se escreve "dispensar" trabalhadores em vez de dizer "despedir".
Como se calcula, poderia ir por aí fora, não faltando exemplos de palavras e de expressões cujo peso adquire significados e alcances muito diversos conforme as circunstâncias...
Talvez para outra altura.
.
Etiquetas:
Jornalismo
domingo, 4 de setembro de 2011
Um aviso um bocadinho incendiário
O primeiro-ministro declarou hoje(*), solenemente, o seguinte:
"Em Portugal, há direito de manifestação, há direito à greve. São direitos que estão consagrados na Constituição e que têm merecido consenso alargado em Portugal", mas "nós não confundiremos o exercício dessas liberdades com aqueles que pensam que podem incendiar as ruas e ajudar a queimar Portugal".
Alguém sabe se o primeiro-ministro sabe se vai haver "tumultos" e gente a "incendiar as ruas"? Ou este aviso um bocadinho incendiário quer dizer outra coisa?
Agradecido.
(*) Segundo a Lusa, transcrita em edições em linha
.
Etiquetas:
Poder
Uma pergunta a Passos Coelho
A convite/desafio do "Público", eis a pergunta que fiz ao primeiro-ministro, dada hoje à estampa:
Apesar da extrema gravidade dos factos, quanto à violação das garantias constitucionais de protecção das comunicações dos cidadãos e do sigilo profissional dos jornalistas, autorizará uma eventual recusa de declarações ou depoimento, por elementos do SIED, no âmbito de inquérito judicial à devassa de comunicações do jornalista Nuno Simas?
A pergunta justifica-se pelo enquadramento blindado e pelo poder definitivo (sem possibilidade de recurso) que a Lei Orgânica do Sistema de Informações da República Portuguesa confere ao primeiro-ministro, permitindo-lhe bloquear qualquer inquérito judicial, mesmo que esteja em crise, como está, a confiança dos cidadãos na capacidade do Estado, nomeadamente através do poder judicial, para velar pela protecção dos direitos dos cidadãos.
Se, como espero, vier a ser encontrado alguém suspeito da prática - directa ou indirectamente, como executante ou mandante, autor material ou cúmplice - das clamorosas violações de direitos e garantias já fartamente noticiosas, o primeiro-ministro enfrenta um desafio fundamental: um desafio à coragem política, cívica e ética de contribuir decisivamente para esclarecer esta sinistra nebulosa que encobre o poder das secretas.
Etiquetas:
Causas,
Jornalismo,
Poder
sábado, 3 de setembro de 2011
Últimas da Wikileaks: riscos da volatilidade
Segundo as notícias dos últimos dias, há uma data de gente, em várias partes do Mundo, embaraçada até ao risco de morte com a ameaça da Wikileaks de denunciar as fontes dos seus famigerados telegramas secretos e até a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) suspendeu provisoriamente a confiança nela.
Para os que supunham que seriam "organizações" como esta a substituir os media "tradicionais", ficará das mais recentes revelações e outras anteriores uma lição essencial: só é possível assegurar - e praticar - a liberdade de imprensa assegurando aos cidadãos, começando pelas fontes confidenciais, no escrupuloso, comprometido e escrutinável respeito por certos deveres indeclináveis.
E isso só se pode exigir a jornalistas com rosto e a organizações jornalísticas (empresas) lealmente expostos ao risco de pagar por isso. Coisa que me parece não acontecer com uma entidade volátil, disposta à delação vingativa...
.
Etiquetas:
Espaço público,
Jornalismo
Esperança de vida do Governo: aceitam-se apostas
Etiquetas:
Poder
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Cortes: um inquietante sinal de alarme
Quando alguém, com responsabilidades várias, afirma*:
"Não posso aceitar que haja doentes que se podem salvar mas que vão morrer porque o país está em dificuldades económicas"
algum sinal de alarme há-de soar, suponho...
* Maria João Aguiar, coordenadora nacional das Unidades de Colheita de Órgãos, Tecidos e Células para Transplantação, ouvida pela Lusa e transcrita na imprensa em linha, a propósito dos cortes aos incentivos aos transplantes anunciados pelo ministro da Saúde. Entre muitos outros cortes nas áreas sociais
.
Etiquetas:
Causas
SJ repudia mais despedimentos na Global Notícias/Controlinveste
O Sindicato dos Jornalistas repudiou hoje a intenção da empresa Global Notícias de despedir os cinco jornalistas que compõem o quadro redactorial da revista "NS", cuja extinção lamenta. A notícia está aqui.
.
Etiquetas:
Jornalismo,
Trabalho
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Jornalismo e crianças (2)
Já está disponível no sítio do Sindicato dos Jornalistas um bloco mais completo sobre o seminário de hoje, contendo também as versões integrais do discurso do juiz conselheiro Amando Leandro, presidente da CNPCJR, e a notável conferência de Adelino Gomes, bem como o essencial da apresentação do sub-sítio sobre direitos da criança da autoria de Orlando César, formador do Cenjor e presidente do Conselho Deontológico. Recomendo, claro!
.
Etiquetas:
Causas,
Jornalismo
Jornalismo e crianças
A Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR) concluiu hoje uma série de seminários, iniciada em 3 de Maio de 2007, em parceria com o Instituto de Segurança Social (ISS) e o Sindicato dos Jornalistas (SJ), através dos quais dirigentes de comissões concelhias, juristas, psicólogos, professores, jornalistas e outros cidadãos de profissões, saberes e experiências bem distintos reflectiram em conjunto e partilharam conhecimentos, experiências, dúvidas e anseios sobre a complexa problemática da promoção e defesa dos direitos da criança e do jovem.
Tido tido a honra e o proveito de participar activamente em todos os seminários, incluindo com o privilégio do uso da palavra, partilho aqui as palavras que esta manhã disse na sessão de abertura do que, tendo sido o "seminário final", há-de ser afinal o ponto de partida para novas e mais exigentes etapas:
A reunião que estamos a iniciar apresenta-se sob a designação "seminário final", mas não representa um ponto de chegada, um terminus para algo que começou e por aqui acabaria.
Pelo contrário, é apenas uma meta, uma escala num porto de reabastecimento de reflexão partilhada, permitindo recobrar ânimo e forças para retomar uma jornada que é forçoso prosseguir.
O riquíssimo programa deste seminário permite antecipar que a iniciativa de hoje sintetiza e torna consequente a reflexão interprofissional realizada ao longo destes anos, bem como a profícua partilha de saberes, experiências e inquietações tendo como preocupação primeira a promoção dos direitos da criança e do jovem.
As reflexões e ensinamentos, assim como as dúvidas e angústias que ainda subsistem, estarão certamente vertidas no manual de competências comunicacionais e nos guias que aqui vão ser apresentados e sobre os quais nos debruçaremos neste encontro.
Mas a nossa missão não acaba aqui.
De facto, esses documentos não são um produto acabado, e muito menos uma espécie de troféu a ostentar na galeria das realizações sobre o qual repousará a poeira da inutilidade se não assumirmos que, doravante, eles passam, afinal, a pesar sobre os nossos ombros e a exigir mais de nós.
Para os jornalistas, este ciclo de seminários e este diálogo interprofissional tão gratificante evidenciou um conjunto de exigências essenciais:
- a de renovado e empenhado esforço na capacitação intelectual, técnica, cívica e até política;
- a de aperfeiçoamento profissional e de aprofundamento do juízo crítico;
- a de robustecimento das convicções éticas e de inquietação com os direitos dos outros, em particular os da criança.
Não basta ter sensibilidade para o tema, talento para manusear palavras e imagens e engenho para explorar o filão das emoções alheias com mais ou menos escrúpulo.
Talvez a receita resulte a curto prazo e torne a mercadoria episodicamente atractiva, mas não produz senão um eco no deserto, mesmo que o estampido faça jorrar proventos financeiros de circunstância.
Nos anos noventa, quando discutíamos a revisão de definição legal e convencional de jornalista, o meu camarada José Manuel Marques – cuja memória saúdo – insistia, apaixonada e generosamente, num requisito fundamental para essa definição: a capacidade de avaliar os efeitos do seu trabalho.
Recordo-o, não só porque esse requisito corresponde afinal a um preceito deontológico de enorme importância – o da assunção da responsabilidade pelos actos profissionais, portanto também das suas consequências –, mas também porque essa sua "teimosia" se fundava em padrões de exigência hoje muito actuais.
Não há dúvida de que muitos progressos na promoção dos direitos da criança são efeito do debate público impulsionada pelos media; assim como é certo que os jornalistas têm contribuído para a denúncia de abusos, para a discussão das causas e soluções e para o escrutínio dos poderes, parecendo pacífico que há um esforço genuíno na diminuição de práticas profissionais intrusivas da privacidade das crianças e das suas famílias, bem como de violações por vezes chocantes dos seus direitos.
Não descansemos, porém.
Em primeiro lugar, porque é dever do jornalista pautar-se, num esforço incessante, pelos mais elevados padrões de rigor, honestidade e de escrúpulo ético-deontológico.
Em segundo lugar, porque o actual contexto social e económico o expõe a renovadas armadilhas, susceptíveis de ameaçar a sua integridade profissional e, pior, os direitos de outrem.
Com efeito, a crise económica e as suas graves consequências sociais podem oferecer condições propícias à exploração fácil – e porventura sensacionalista (senão mesmo violadora de direitos) – do caso singular, estimulando as emoções e manipulando a mera curiosidade, limitando-se a apresentá-lo como "exemplo" do que poderia ser um catálogo de desgraças e de estereótipos, em detrimento da problematização das causas, da sua completa contextualização e da enunciação plural de soluções para os problemas de fundo que estão na sua origem e que os perpetuam.
Tal receita, aparentemente proveitosa em tempo de crise também para empresas de comunicação social, pode encontrar desculpabilização fácil nas próprias transformações operadas nos media nos últimos tempos, e em particular nas limitações materiais e operacionais que se têm aprofundado.
Mesmo que, por vezes, se desperdicem páginas jornal e espaços de antena em futilidades e pretensas utilidades, é frequente a justificação de que não é possível ir além da abordagem superficial e muito incompleta dos temas por falta de espaço, de tempo ou de profissionais...
A gravidade crescente da situação económica e social que atinge milhares e milhares de famílias, com o risco de preocupantes retrocessos no respeito pelos direitos das crianças impõe, pelo contrário, que se afaste para bem longe dos media a fácil tentação de invocar o seu próprio estado de necessidade para transigir precisamente onde se deve ser mais exigente e mais firme.
Disse
.
Etiquetas:
Causas,
Jornalismo
ERC pronuncia-se sobre a espionagem a Nuno Simas
O Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) considerou hoje que, "a confirmar-se o que tem sido relatado, a devassa de fontes confidenciais do jornalista Nuno Simas, qualquer que seja a forma que tenha assumido, representa um grave atentado à liberdade de imprensa e aos direitos dos jornalistas, os quais se encontram consignados na Constituição e na Lei".
.
Etiquetas:
Jornalismo,
Poder
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Informem a "duquesa", por caridade
Haverá alguém que tenha a caridade de informar uma senhora que se apresenta como Duquesa do Cadaval e Princesa de Orléans (e já agora alguns jornalistas) que Portugal é uma República há mais de um século e que os títulos nobiliárquicos foram abolidos em 18 de Outubro de 1910?
Agradecido.
.
Etiquetas:
Comportamento,
Jornalismo,
República
O sprint pela Travel Bookshop
![]() |
| A verdadeira Travel Bookshop (foto no seu sítio) |
Acho que nunca fui ao célebre bairro londrino de Notting Hill e muito menos, portanto, à celebérrima livraria The Travel Bookshop (ah!, o poder do cinema!) que, segundo as notícias que correm mundo, é objecto de uma "corrida" de salvamento num sprint de celebridades (consta que no pelotão lá segue parte do elenco do filme "Nothing Hill" e uns tantos escritores e tal) a evitar o seu encerramento, consta que por falta de interesse dos filhos do fundador e devido à crise.
Não estou a par dos últimos desenvolvimentos e não sei sequer se já tem comprador. Mas intriga-me como é que, tendo assim tantos amigos célebres e ricos, não se resolveu já o negócio, aliás mais atractivo com tamanha campanha de visibilidade (não haverá celebridades com uns trocos suficientes no bolso para uma sociedade, uma cooperativa que seja?).
Resta-me desejar boa sorte e que a livraria de Nothing Hill se salve e que seja exemplo universal. Há muitas pequenas livrarias e outros pequenos negócios independentes a pedir solidariedades...
.
sábado, 27 de agosto de 2011
SJ repudia espionagem a jornalista do "Público"
O Sindicato dos Jornalistas bem avisou, mas o Parlamento aprovou em 2008 uma lei sobre conservação de dados de comunicações que ameaça a protecção do sigilo profissional dos jornalistas. Mas acabou por acontecer pior: uma listagem de chamadas telefónicas e de mensagens de texto de pelo menos um jornalista, Nuno Simas, foi fornecida aos Serviços de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) violando uma lei que já de si é má. Um caso que exige a investigação cabal e urgente, considera o SJ. E que se recorde o que o Sindicato tem vindo a dizer sobre o assunto...
.
Etiquetas:
Causas,
Jornalismo,
Poder
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
A liberdade de imprensa consoante a maioria parlamentar de turno
O Sindicato dos Jornalistas estranhou hoje a decisão da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação da Assembleia da República de rejeitar uma audição de jornalistas sobre atentados à liberdade de informação na região Autónoma da Madeira.
Em comunicado, o SJ lamenta que as "averiguações parlamentares sobre direitos fundamentais continuem a depender da geometria variável das maiorias de turno".
.
Etiquetas:
Causas,
Jornalismo,
Poder
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Se tiver tempo e paciência...
"Está?! Fala Fulano. Gostava de falar-lhe sobre este assunto .... Se tiver tempo e paciência, agradeço que me ligue. Um abraço."
Haverá poucas outras arrelias maiores do que ligar-se para um telefone e não sermos atendidos, ou sermos remetidos para um impessoalíssimo sistema de correio de voz, para o qual é suposto debitarmos um recado: quem somos, ao que vimos, o que pretendemos...
Dou-me a reflectir especialmente sobre essa circunstância comunicacional quando eu próprio, vítima do sistema quando não consigo contactar a pessoa que procuro, sou também o alvo da procura de outrem. O recado acima transcrito, real, deixado no meu telefone, transmite várias mensagens.
A primeira, sem dúvida, sobre a delicadeza de trato da pessoa que ma deixou (delidadeza que afianço, do longo e agradável convívio com ela). A segunda tem a ver com um problema bem contemporâneo: a falta de disponibilidade nas suas múltiplas vertentes - de tempo, psicológica, etc - para ouvir o outro. E há outras, claro...
.
Etiquetas:
Comportamento
terça-feira, 23 de agosto de 2011
As medidas da tróica e as combinações intangíveis
A repórter afiança, em directo para o serviço noticioso da hora do almoço, que o secretário de Estado Adjunto do Primeiro-ministro, Carlos Moedas, advertiu, no Parlamento, que o mês de Setembro "ainda será pior", diz ela, quanto às medidas impostas pela tróica contra os portugueses (esta parte do contra é minha).
O despacho noticioso devolveu-me à memória a cena de um homem - teria uns cinquenta e muitos, talvez 60 anos - que há dias estava à minha frente na fila de um quiosque.
Angustiado, perscrutava a colecção de números expostos no placard afiançando prémios e felicidade a quem tivesse acertado nos números mágicos do Totoloto ou do Euromilhões. "Mas eu tenho o 37, eu tenho o 37...", balbuciava. Ao que a menina do quiosque respondia que "a máquina é que tem razão" e lá lhe foi explicando que a combinação não tinha afinal um cêntimo de prémio.
Vencido pela evidência, o homem retrocedeu cabisbaixo e mergulhou na rua triste. A menina suspirou: "Isto está tão mau que as pessoas agarram-se a tudo e ficam ansiosas por tudo."
A crer no vaticínio da repórter, hei-de encontrar mais vezes aquele homem a mirar uma parede de papéis com combinações intangíveis.
.
Etiquetas:
Causas,
Comportamento,
Poder
sábado, 20 de agosto de 2011
O problema do "sobe e desce" e dos "altos e baixos"
Problema prático de Jornalismo.
Não simpatizo com as rubricas de “sobe e desce” que os jornais dedicam a pessoas e à actualidade. Além da superficialidade da análise e da incerteza (e desconhecimento…) quanto aos critérios que suscita em muitos leitores, tendem muitas vezes para o juízo precipitado, para o elogio ou para a depreciação fáceis, para a apreciação equívoca e por aí fora. É o que me parece acontecer hoje na coluna “Altos e Baixos” do suplemento de Economia do “Expresso”.
Não simpatizo com as rubricas de “sobe e desce” que os jornais dedicam a pessoas e à actualidade. Além da superficialidade da análise e da incerteza (e desconhecimento…) quanto aos critérios que suscita em muitos leitores, tendem muitas vezes para o juízo precipitado, para o elogio ou para a depreciação fáceis, para a apreciação equívoca e por aí fora. É o que me parece acontecer hoje na coluna “Altos e Baixos” do suplemento de Economia do “Expresso”.
Na dita coluna, a páginas 2, aparece no podium jornalístico dos “altos” o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, com foto e nome a ilustrar um texto que menciona como uma das “pequenas boas notícias que devemos valorizar” a variação nula do produto interno bruto (PIB) registada no segundo trimestre do ano, embora não seja referido em que período tal aconteceu tal período.
O próprio jornal explicita e tenta explicar adiante (págs. 8 e 9) que o desempenho económico se ficou a dever em boa parte ao aumento das exportações, que cresceram 15% nos primeiros cinco meses do ano.
O próprio jornal explicita e tenta explicar adiante (págs. 8 e 9) que o desempenho económico se ficou a dever em boa parte ao aumento das exportações, que cresceram 15% nos primeiros cinco meses do ano.
Sendo incompetente para discutir Economia, confesso que não percebo muito bem como é que se pode atribuir o mérito da “boa notícia” da variação nula do PIB no segundo trimestre do ano a um ministro que foi empossado sete dias úteis antes do fim desse período…
Etiquetas:
Jornalismo
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Recados de Cavaco mais para dentro do que para fora
Já se sabe: Cavaco Silva confia pouco na mediação jornalística, sobretudo quando quer mandar recados, não se cansando aliás de exortar os interessados a procurar o seu pensamento, não no que dele escrevem os jornais, mas no que consta na página da Presidência na Internet, ou então no Facebook.
Lá está hoje um muito importante, aparentemente em reacção à proposta da dupla Merkel/Sarkozy de constitucionalização de limites ao défice, mas que, não se livrando de interpretações múltiplas sobre o seu conteúdo, propósito e alcance, soa bem a recado interno para o Governo PSD/CDS, e sobretudo para o entusiasmado Paulo Portas:
Constitucionalizar uma variável endógena como o défice orçamental – isto é, uma variável não directamente controlada pelas autoridades – é teoricamente muito estranho. Reflecte uma enorme desconfiança dos decisores políticos em relação à sua própria capacidade de conduzir políticas orçamentais correctas..
Etiquetas:
Jornalismo,
Poder
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
A previsível ratificação de um acordo dito anti-terrorista
O Governo aprovou hoje uma proposta de resolução para a ratificação de um acordo entre Portugal e os Estados Unidos sobre "reforço da cooperação na prevenção e no combate ao crime", assinado em 30 de Junho de 2009, cujo conteúdo e consequências justificaram um preocupante parecer (pedido fora de tempo) da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) cujas objecções e recomendações seria muito importante que a Assembleia da República tenha em conta quando debater a proposta. O problema é que a maioria PSD/CDS/PS subserviente aos EUA vai funcionar a favor do horror "anti-terrorista". Apostamos?
..
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Privatização da RTP e da Lusa: simulacro de consulta
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou hoje que a composição do grupo de trabalho para a definição do conceito de serviço público de comunicação social nomeado pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, não assegura globalmente a sua independência em relação à agenda neoliberal do Governo e receia tratar-se de um simulacro de consulta para consumar a privatização da RTP e da Lusa.
Em comunicado, o SJ sublinha que "os meios profissionais e académicos oferecem uma gama muito mais vasta e muito mas diversificada – se acaso era objectivo do Governo obter uma real diversidade de opiniões… – do que a reflectida na composição do grupo".
.
Etiquetas:
Causas,
Jornalismo,
Poder
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Notícias do PIB
Sei pouco ou nada de Economia, mas permito-me achar que o anúncio de hoje do Instituto Nacional de Estatística (INE), segundo o qual "a Estimativa Rápida do Produto Interno Bruto (PIB) aponta para uma diminuição de 0,9% em volume no segundo trimestre de 2011 face ao período homólogo (variação de -0,6% no trimestre anterior)" é pior do que se diz por aí.
Assim como me parece que a brevíssima explicação contida no início da nota informativa, referindo que a "redução do PIB em termos homólogos no segundo trimestre esteve associada a uma acentuada diminuição do investimento e das despesas de consumo final das famílias, sobretudo na componente de bens duradouros" infunde mais preocupação do que se noticia.
Com o sério agravamento dos impostos e dos preços dos transportes, a desvalorização dos salários, etc., etc., e a tendência recessiva que se acentua, as próximas notícias sobre o PIB serão um pedaço piores.
.
Etiquetas:
Poder
Discriminações e equívocos contra a liberdade de informação
Segundo noticia o sítio do Sindicato dos Jornalistas, o Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social reconheceu procedência numa queixa do SJ contra o director da Escola Secundária de Paredes, por este ter discriminado um jornalista (José Vinha, ao serviço do "Jornal de Notícias") no acesso à informação sobre um acidente naquele estabelecimento, que feriu três alunos.
Na deliberação, o Regulador sustenta que o director da escola, cuja conduta reprova, incumpriu o dever de informação e discriminou o jornalista e deixa uma mensagem muito importante para todos quantos julgam que basta prestar declarações a informações nomeadamente à agência noticiosa Lusa para que se cumpra tal dever e não haja discriminações, salientando que "a circunstância de a mesma matéria ter já constituído objecto de tratamento jornalístico, designadamente pela Lusa, não lhe retira, por si só, a sua importância ou interesse, e que cabe a cada jornalista livremente decidir e investigar as fontes informativas".
.
Etiquetas:
Jornalismo
António Nobre nasceu há 144 anos
Há 144 anos (16 de Agosto de 1867), nasceu no Porto poeta António Nobre que não conseguiu ser diplomata, embaraçado pela tuberculose que lhe roubou a vida precocemente, aos 33 anos de idade (18 de Março de 1900).
.
Etiquetas:
Efemérides,
Pessoas
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Porque há serviço público de rádio
O escritor e poeta Carlos de Oliveira não está na moda, mas é um grande poeta e um grande escritor. Completaria hoje 90 anos. O programa "Império dos Sentidos", da Antena 2, realizado e apresentado por Paulo Alves Guerra todas as manhãs a partir das 7 horas, recordou-o hoje, com uma série de poemas soberbamente ditos pelo actor João Grosso. Isso foi possível - como em tantas outras evocações que a "rádio clássica" portuguesa faz - porque há serviço público de rádio em Portugal.
.
Etiquetas:
Causas,
Efemérides,
Jornalismo,
Pessoas,
Poder
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Contra a liquidação do serviço público de comunicação social
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) voltou hoje a criticar a liquidação dos serviços públicos de comunicação social e manifestou preocupação com a criação de um grupo de trabalho, pretensamente destinado a definir o conceito de serviço público mas que corre o risco de constituir-se em comissão liquidatária do serviço público às ordens do PSD.
.
Etiquetas:
Causas,
Jornalismo,
Poder
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
As pieguices do primeiro-ministro Coelho
Não, não me comovo com pieguices como esta:
.
Etiquetas:
Poder
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Por causa da ERC
O remanso de umas breves férias alentejanas foi interrompido, hoje, com a notícia de que o PSD requereu a minha ida, além de várias personalidades, ao Parlamento, para completar uma magna audição sobre a ERC.
Lá irei, se o Parlamento me convocar. Mas não deixarei de estranhar tanto afinco numa audição para cumprir simplesmente a lei, de tão corrente que me parece parece ser o negócio de Estado em causa, quando o PSD e o Governo se preparam para tomar decisões de grande monta sem cuidarem de tamanho escrúpulo.
.
Etiquetas:
Jornalismo,
Poder
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Memórias de Salgueiro Maia
No ano em que o capitão Salgueiro Maia completaria 60 anos, 2004, a Câmara Municipal de Castelo de Vide colocou uma lápide evocativa na fachada da casa onde o herói de Abril nasceu. Hoje, a casa está à venda.
.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

