sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Recados de Cavaco mais para dentro do que para fora

Já se sabe: Cavaco Silva confia pouco na mediação jornalística, sobretudo quando quer mandar recados, não se cansando aliás de exortar os interessados a procurar o seu pensamento, não no que dele escrevem os jornais, mas no que consta na página da Presidência na Internet, ou então no Facebook.
Lá está hoje um muito importante, aparentemente em reacção à proposta da dupla Merkel/Sarkozy de constitucionalização de limites ao défice, mas que, não se livrando de interpretações múltiplas sobre o seu conteúdo, propósito e alcance, soa bem a recado interno para o Governo PSD/CDS, e sobretudo para o entusiasmado Paulo Portas:
Constitucionalizar uma variável endógena como o défice orçamental – isto é, uma variável não directamente controlada pelas autoridades – é teoricamente muito estranho. Reflecte uma enorme desconfiança dos decisores políticos em relação à sua própria capacidade de conduzir políticas orçamentais correctas. 
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A previsível ratificação de um acordo dito anti-terrorista

O Governo aprovou hoje uma proposta de resolução para a ratificação de um acordo entre Portugal e os Estados Unidos sobre "reforço da cooperação na prevenção e no combate ao crime", assinado em 30 de Junho de 2009, cujo conteúdo e consequências justificaram um preocupante parecer (pedido fora de tempo) da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) cujas objecções e recomendações seria muito importante que a Assembleia da República tenha em conta quando debater a proposta. O problema é que a maioria PSD/CDS/PS subserviente aos EUA vai funcionar a favor do horror "anti-terrorista". Apostamos?
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Privatização da RTP e da Lusa: simulacro de consulta

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou hoje que a composição do grupo de trabalho para a definição do conceito de serviço público de comunicação social nomeado pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, não assegura globalmente a sua independência em relação à agenda neoliberal do Governo e receia tratar-se de um simulacro de consulta para consumar a privatização da RTP e da Lusa.
Em comunicado, o SJ sublinha que "os meios profissionais e académicos oferecem uma gama muito mais vasta e muito mas diversificada – se acaso era objectivo do Governo obter uma real diversidade de opiniões… – do que a reflectida na composição do grupo". 
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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Notícias do PIB

Sei pouco ou nada de Economia, mas permito-me achar que o anúncio de hoje do Instituto Nacional de Estatística (INE), segundo o qual "a Estimativa Rápida do Produto Interno Bruto (PIB) aponta para uma diminuição de 0,9% em volume no segundo trimestre de 2011 face ao período homólogo (variação de -0,6% no trimestre anterior)" é pior do que se diz por aí.
Assim como me parece que a brevíssima explicação contida no início da  nota informativa, referindo que a "redução do PIB em termos homólogos no segundo trimestre esteve associada a uma acentuada diminuição do investimento e das despesas de consumo final das famílias, sobretudo na componente de bens duradouros" infunde mais preocupação do que se noticia.
Com o sério agravamento dos impostos e dos preços dos transportes, a desvalorização dos salários, etc., etc., e a tendência recessiva que se acentua, as próximas notícias sobre o PIB serão um pedaço piores.
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Discriminações e equívocos contra a liberdade de informação

Segundo noticia o sítio do Sindicato dos Jornalistas, o Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social reconheceu procedência numa queixa do SJ contra o director da Escola Secundária de Paredes, por este ter discriminado um jornalista (José Vinha, ao serviço do "Jornal de Notícias") no acesso à informação sobre um acidente naquele estabelecimento, que feriu três alunos.
Na deliberação, o Regulador sustenta que o director da escola, cuja conduta reprova, incumpriu o dever de informação e discriminou o jornalista e deixa uma mensagem muito importante para todos quantos julgam que basta prestar declarações a informações nomeadamente à agência noticiosa Lusa para que se cumpra tal dever e não haja discriminações, salientando que "a circunstância de a mesma matéria ter já constituído objecto de tratamento jornalístico, designadamente pela Lusa, não lhe retira, por si só, a sua importância ou interesse, e que cabe a cada jornalista livremente decidir e investigar as fontes informativas".
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António Nobre nasceu há 144 anos

Há 144 anos (16 de Agosto de 1867), nasceu no Porto poeta António Nobre que não conseguiu ser diplomata, embaraçado pela tuberculose que lhe roubou a vida precocemente, aos 33 anos de idade (18 de Março de 1900).
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Porque há serviço público de rádio

O escritor e poeta Carlos de Oliveira não está na moda, mas é um grande poeta e um grande escritor. Completaria hoje 90 anos. O programa "Império dos Sentidos", da Antena 2, realizado e apresentado por Paulo Alves Guerra todas as manhãs a partir das 7 horas, recordou-o hoje, com uma série de poemas soberbamente ditos pelo actor João Grosso. Isso foi possível - como em tantas outras evocações que a "rádio clássica" portuguesa faz - porque há serviço público de rádio em Portugal.
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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Contra a liquidação do serviço público de comunicação social

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) voltou hoje a criticar a liquidação dos serviços públicos de comunicação social e manifestou preocupação com a criação de um grupo de trabalho, pretensamente destinado a definir o conceito de serviço público mas que corre o risco de constituir-se em comissão liquidatária do serviço público às ordens do PSD. 
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Por causa da ERC

O remanso de umas breves férias alentejanas foi interrompido, hoje, com a notícia de que o PSD requereu a minha ida, além de várias personalidades, ao Parlamento, para completar uma magna audição sobre a ERC.
Lá irei, se o Parlamento me convocar. Mas não deixarei de estranhar tanto afinco numa audição para cumprir simplesmente a lei, de tão corrente que me parece parece ser o negócio de Estado em causa, quando o PSD e o Governo se preparam para tomar decisões de grande monta sem cuidarem de tamanho escrúpulo.
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Memórias de Salgueiro Maia









No ano em que o capitão Salgueiro Maia completaria 60 anos, 2004, a Câmara Municipal de Castelo de Vide colocou uma lápide evocativa na fachada da casa onde o herói de Abril nasceu. Hoje, a casa está à venda.
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domingo, 31 de julho de 2011

sábado, 30 de julho de 2011

Liberdade condicionada

(…)
Uma coisa nos distingue dos árabes de que falou. Temos o que eles não têm. Liberdade.
A liberdade está condicionada. Toda a comunicação social está nas mãos da direita. E está condicionada pelo sistema financeiro.
(…)
Mário Soares, em entrevista à revista “Única”/“Expresso”, hoje
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quinta-feira, 28 de julho de 2011

À espera do próximo "Expresso"

O ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), Jorge Silva Carvalho, concede hoje uma entrevista ao "Diário de Notícias", em "resposta" às revelações do "Expresso" sobre a passagem de informações à Ongoing antes mesmo de deixar a secreta para tornar-se um destacado quadro deste grupo.
Além de perguntas por responder, que certamente avivam mais o interesse parlamentar pelo caso, deixa duas acusações veladas: que as revelações do semanário poderiam resultar de violação da sua correspondência electrónica; e que as notícias em causa não só visam a sua liquidação pessoal mas também surgem porque há um conflito entre a Ongoing como accionista da Impresa e quem controla o grupo proprietário do "Expresso".
Estou muito curioso em relação à próxima edição. Entre outras peças, seria muito útil que Silva Carvalho esclarecesse no próprio "Expresso" o que afirma.
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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Palavras mágicas do equilíbrio social

Pronto, se querem boas notícias, tipo notícias de sonho, tipo notícias sobre o rating dos ricos lusos, basta introduzir num motor de busca as seguintes palavras mágicas: Fortunas mais ricos Portugal aumentaram 17,8.
E agora, para perceber como é que essas notícias podem ser ainda mais fabulosas, concluindo como tudo isto está ligado, podem continuar a procurar com expressões como despedimentos, redução salarial, imposto extraordinário, etc.
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Fugas vão ser investigadas

A Comissão dos Assuntos Constitucionais da Assembleia da República vai averiguar as famosas fugas de informações das secretas. Ainda bem.
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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Prognósticos, talvez antes do fim da legislatura

Calcula-se que seja culpa dos jornalistas, que percebem mal os recados e tal e coisa... 
Ao segundo dia, segundo a agência Lusa amplamente reproduzida esta tarde nos meios de informação em linha, o novo secretário-geral do Partido Socialista veio admitir que, afinal, sempre poderá haver uma revisãozita da Constituição, assegurando que "continuará disponível para fazer aperfeiçoamentos" - o que quer que isso seja...
Dito de outra maneira: se calhar, nem vai ser preciso esperar pelo fim da legislatura para fazer o prognóstico.

domingo, 24 de julho de 2011

Prognósticos, só no fim da legislatura

Uma variável política está em jogo desde que o PSD ganhou as eleições e o CDS-PP foi alcandorado a seu suporte parlamentar e de governo: a conduta do PS num contexto de revisão constitucional, sabendo-se que a maioria PSD/CDS quer mexer profundamente na Lei Fundamental e que a revisão tem de ser aprovada por maioria qualificada de dois terços, a qual não faltou de resto nas sucessivas alterações...
Segundo o "Público" em linha, a primeira promessa do novo secretário-geral do Partido Socialista, António José Seguro, feita escassos minutos depois do dobrar da meia-noite de hoje, foi a de, precisamente não aceitar nenhuma revisão da Constituição. A segunda, e isso vem já na na generalidade dos meios electrónicos, é a da instituição da liberdade de voto como regra.
Nada disto me tranquiliza, porém. E já estou como o outro: prognósticos, só no fim da legislatura...
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sábado, 23 de julho de 2011

Serviços secretos e problemas públicos



O caso da manchete de hoje do “Expresso” não pode ficar pelo mero caso jornalístico que o primeiro-ministro arruma para um canto anunciando um inquérito a fugas de informação nas secretas. Esse é apenas um dos tópicos da nova investida do semanário, mas há outros que importa esclarecer – da trama que apanhou Bernardo Bairrão à privatização da RTP, passando pela circulação de quadros das secretas para um grupo privado, etc.
Para quando um inquérito parlamentar?
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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Amor de FMI

Rua Formosa, Porto

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Fwd: Ultima hora

E não resisto a retransmitir esta:

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: XXXXXXXXXXX <xxxxxxxxxx@xxxxxx.com>
Data: 21 de Julho de 2011 23:54
Assunto: Fwd: Ultima hora
Para: xxxzxzxzxz<xxxxxxxxx@xxxxx.com>

 A Standard & Poor's baixou o rating das 'Tias de Cascais' para 'Primas de Chelas'.
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As votações são como o algodão do outro

Antes que o dia 21 de Julho de 2011 acabe, é preciso que fique registado que a bancada do Partido Socialista na Assembleia da República não perdeu hoje uma oportunidade soberana para mostrar de que lado está, agora que a Direita institucional prepara um ataque fulminante aos direitos dos trabalhadores, aliás no seguimento do encetado pelo Governo PS.
Nem ao menos se pôs ao lado do óbvio e do justo, que é, simplesmente, isto: a discussão pública da revisão do Código do Trabalho não pode ser preterida, ou seja, tem de ser feita 30 dias antes da discussão parlamentar, pelo que não poderia continuar agendada para o dia 28.
Porém, o PS votou ao lado do PSD e do CDS, e apenas cinco deputados socialistas (Alberto Costa, Ana Jorge, Isabel Moreira, Isabel Santos e Sérgio Sousa) tiveram a coragem de votar do lado certo e justo.
As votações são como o algodão do outro - nunca enganam!
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Ajuda à Banca


É sabido, consta das notícias: as tróicas - a internacional e a nacional - mais o Governo de turno estão a ajudar a Banca.
Provas? Ainda hoje os jornais falavam num Orçamento Rectificativo para ajudar a Banca. Basta procurar num motor e busca vulgar - tipo, introduzir as palavras-chave mágicas. Basta assim: "ajuda à banca".
Escusam de procurar palavras-e-ideias-chave como roubo dos salários, sobretaxa, aumento dos transportes, impostos e outras que tais.
Ah! - e também não é preciso procurar despedimentos mais baratos e mais fáceis e outras palavras suspeitas. Como dizia António de O. S., está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira.

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Situação no jornal "i" preocupa SJ

A Administração do jornal "i" está a impor aos jornalistas uma redução substancial de vencimentos e já dispensou um grupo de repórteres fotográficos. O Sindicato dos Jornalistas (SJ) denuncia a situação e acusa a Administração do diário de estar a violar direitos consagrados na lei e no Contrato Colectivo de Trabalho.
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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Coisas que fazem confusão no caso Murdoch/"News of the World"

No caso "News of the World" (NoW) - escândalo das escutas telefónicas + subordonos a polícias + outra patifarias + etc. - há coisas que me fazem muita confusão. 
Entre elas, avulta a de ninguém saber, segundo garantem os depoentes na inquirição parlamentar, que havia pagamentos a detectives e polícias e tal e coisa. Que diabo! - bem sei que o NoW tirava qualquer coisa como uns sete (ou mais) milhões de exemplares e que tais despesas seriam peanuts no orçamento da News International, mas alguém haveria de sancionar a despesazinha... 
Assim como continua muito longe de esclarecer a promiscua relação de David Cameron com os senhores Murdoch - Rupert, o pai e líder do grupo planerário & James filho, chefe da filial britânica - e com a antiga directora do NoW, Rabehkah Brooks, entretanto promovida na subsidiária News International, assim como a escolha de Andy Coulson, ex-director do dito tablóide, para director de comunicação do primeiro-ministro.
E, finalmente, e agora muito a sério: faz-me muita espécie que, na discussão (política e mediática) de todo este interminável romance, praticamente se omita um palavrão maldito - concentração. É que, por muito que nos esqueçamos, ou tentemos iludir, há um problema de fundo que está subjacente a todo este caso e ao mais que se apurar, que é o da concentração da propriedade dos meios de informação.
E esta concentração - nunca é excessivo repetir - representa não apenas a concentração da capacidade de recolher, tratar e distribuir informação, mas também a de intervir no espaço público e influenciar decisões. Não é por acaso que os media vão repetindo que todos os candidatos que o super-mega-planetário-grupo de Murdoch apoiou ganharam as eleições. Compreendido?!    

Tentarei voltar ao assunto um dia destes.
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terça-feira, 19 de julho de 2011

O capote comprometido do Sr. Murdoch

O senhor Rupert Murdoch e o filho, James, compareceram hoje - intimados depois de terem declinado o convite - perante a comissão parlamentar britânica que está a inquirir o gravíssimo escândalo das escutas telefónicas, subornos à polícia, chantagem e outras patifarias feitas pelo jornal "The News of the World", que poderá afectar a uma escala ainda inimaginável o super-grupo planetário News Corporation.
Em resumo, Murdoch disse nada saber sobre tais coisas e que a culpa não é dele mas das pessoas em quem ele confiou e nas que estas confiaram. Agora, depois de sacudir a água do capote, só tem a trabalheira de limpar o que está sujo - coisa pouca, porque afinal, argumentou, o polémico tablóide britânico recentemente encerrado por causa do escândalo representava apenas 1% dos seus negócios e os 200 trabalhadores uma insignificância no universo de 53 mil funcionários em todo o Mundo.
Amanhã, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, comparece por suas iniciativa perante o Parlamento para fazer uma declaração, mais uma, sobre este escândalo que o envolve seriamente. E não apenas por ter escolhido para director de comunicação o director do tablóide à época das escutas denunciadas há alguns anos. Mas pelas suas fortes ligações a pessoas-chave da trama e pelo apoio declarado pelos jornais de Murdoch aos conservadores e a Cameron nas últimas eleições.
As relações promíscuas entre meios de informação, política e polícia correspondem a uma das vertentes principais do que está em discussão com este caso. Mas convém não esquecer os outros dois vértices deste triângulo vicioso - desde logo a vertente da concentração da propriedade dos meios de informação; e a das práticas profissionais. Muita tinta vai continuar a correr sobre tudo isto...
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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Repúdio por insultos inaceitáveis

linguagem vernácula que fica mal num adulto educado e bem formado. Num dirigente político, e além do mais deputado, é completamente inaceitável e não tem desculpa. 
O secretário-geral do PSD/Madeira e líder parlamentar do PSD na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, Jaime Ramos, deve um óbvio pedido de desculpas ao jornalista Élvio Passos, pelos insultos inacreditáveis que lhe dirigiu hoje, e ao "Diário de Notícias" do Funchal, pela ofensa a um profissional ao seu serviço e pela discriminação praticada numa conferência de imprensa.
Solidário com o Élvio Passos - a quem envio um forte abraço - e com a Redacção do DN/Madeira, sugiro a leitura da posição de repúdio estar tarde tomada pela Direcção do Sindicato dos Jornalistas:
O secretário-geral do PSD/Madeira, Jaime Ramos, insultou hoje o jornalista Élvio Passos quando este, ao serviço do "Diário de Notícias" do Funchal, compareceu a uma conferência de imprensa daquela estrutura regional do PSD. O Sindicato dos Jornalistas (SJ) repudia o ocorrido e vai pedir a intervenção da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
Leia mais aqui.
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O bruá mediático e político que falta no caso Bairrão

Noutros tempos, nada recuados, o caso da investigação das secretas portuguesas ao ex-futuro-secretário de Estado Bernardo Bairrão noticiada pelo "Expresso" teria merecido um justificado e imenso bruá mediático e político muito mais ruidoso do que aquele que tem sido registado nestes dias e não teriam faltado propostas de criação de uma comissão eventual para uma investigação parlamentar, etc., etc., etc...
O "Expresso" noticiou e mantém - pela voz do seu director, Ricardo Costa, que é aliás co-autor da peça em causa - que o primeiro-ministro pediu elementos aos serviços de informações (diga-se: serviços secretos) sobre as actividades e negócios de Bernardo Bairrão. Por seu lado, o Governo - pelas vozes do próprio primeiro-ministro e do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares - nega tal coisa.
Ontem, o deputado socialista Vitalino Canas "admitiu questionar o Governo" e, hoje, o presidente do Conselho de Fiscalização de Informações da República Portuguesa (CFSIRP), Marques Júnior, disse ao "Público" (edição em linha) ter recebido garantias dos directores dos serviços secretos de que tal coisa não aconteceu.
Pondo a minha costela corporativa de lado (enfim, um jornalista com os créditos de Ricardo Costa e um semanário com a credibilidade e o prestígio do "Expresso" devem bastar-me), sempre me parece estranho que "a coisa" tenda a morrer por aqui. 
E mais estranho ainda que o maior partido da oposição em número de deputados pareça rendido ao inevitável e confortável silêncio da República sobre factos que reclamam uma averiguação clara e transparente de um "incidente" grave. Note-se: o senhor deputado Canas "admitiu"; não anunciou o óbvio: uma vigorosa averiguação, já!
E suponho que não é necessário explicar por quê...

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sábado, 16 de julho de 2011

Comentadores, especialistas e independência dos media

Problema prático de jornalismo e de cidadania: sempre que um jornalista recolhe uma opinião de um especialista ou cede o espaço a um comentador, é lícito (é exigível?!) apresentá-lo com a identificação das suas opções ideológicas, a par das suas credenciais técnicas, científicas e profissionais?
Por exemplo - e quem dá este exemplo poderia dar outro -, quando se dá a palavra a um fiscalista para comentar uma medida fiscal do Governo, não se deverá indicar se o mesmo é da zona liberal, se é mais ou menos próximo da área do Governo, se é de Esquerda ou de Direita? Ou bastará dizer que é fiscalista e deixá-lo falar, percebendo logo os ouvintes, os espectadores e os leitores em que águas navega? E se se puser a falar apenas este - ou quem diz este, diz um que pense da mesma maneira -, ou porque não se teve a sorte, ou não se porfiou o suficiente para encontrar outro que seja de área diferente?
Este debate ainda vai nos bastidores mas talvez seja inevitável fazer-se abertamente, em nome da independência dos media e em nome de uma cidadania informada. A menos que deixemos alimentar a desconfiança ou pretendamos ajudar a alimentar o tráfego nos motores de busca à procura de quem-é-quem, sendo certo que certas descobertas ajudam a alimentar ainda mais a suspeição.
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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sobre o discurso plebiscitário em Democracia

Não raramente, alguns protagonistas políticos, talvez para se furtarem ao debate democrático das suas ideias, talvez por insegurança, talvez por excesso de convicção, rematam as discussões com o argumento segundo o qual tal ou tal medida constava do programa eleitoral sufragado pelos eleitores, o que legitimaria a sua concretização.
Este discurso plebiscitário, pretensamente legitimado pelo resultado eleitoral e infelizmente muito aceite pelo consenso implícito que se abateu tragicamente sobre nós, não traduz apenas uma visão redutora da Democracia - é mesmo antidemocrático.

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