sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

SJ advoga inconstitucionalidade da Lei do Orçamento

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) enviou hoje aos grupos parlamentares pedidos de audiências urgentes, para lhes apresentar a sua posição sobre a inconstitucionalidade da Lei do Orçamento do Estado que o Presidente da República promulgou ontem.

Ler mais aqui.
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Prognósticos para o ano de 2011



Prognosticam o "Seringador" (no 146.º ano de publicação) e o "Borda d'Água" (no 83.º), nos respectivos "juízos do ano", para 2011, um Inverno longo e frio, com pouca chuva; uma Primavera ventosa; um Verão escaldante, diz o primeiro (que antecipa um "ano seco e estéril de mantimentos"), mas bastante húmido, prevê o segundo; e um Outono fresco (e seco, acrescenta o segundo).
Os prognósticos para a agricultura são negros, prenunciando escassez de trigo, azeite, mel e vinho, mas anunciando porém abundância de frutas. No reino animal, o "Borda d'Água" adverte para a "elevada mortandade" entre as ovelhas, enquanto o "Seringador" anuncia que "o mar dar-nos-á - valha-nos isso! - peixe que farte".
Quanto ao resto, os prognósticos são aterradores.
"Saturno* traz destruição, fome, carestia, inquietação, miséria, angústia e tristeza", prognostica o mais novo dos folhetos, enquanto o decano explana aterradoramente da seguinte forma: "Far-se-ão muitos casamentos que a breve trecho darão em droga; reinarão febres várias em diferentes partes do mundo; alguns velhos caducos e vários grandes homens baterão a bota; o gato miúdo será dizimado por doenças várias; e fervilhará, finalmente, a tal pancadaria geral há tanto tempo anunciada, para maior honra e glória dos super-homens que presidem aos destinos de certos povos!"  
E termina rogando para que "as poucas coisas boas que nos promete este Juízo se cumpram integralmente e as outras, as más, relegadas para os quintos". Ora assim seja, pois, que para mal já chega e sobra o Orçamento do Estado, mais as medidas de austeridade e as mexidas nas leis laborais e por aí fora!

* Menção ao início do ano a um sábado, dia consagrado ao planeta Saturno 
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sobre o caso Ensitel vs. Maria João Nogueira

O caso Ensitel versus Maria João Nogueira é para ser seguido com interesse, pelo essencial que ele coloca em debate: o questionamento do paradigma do Estado de Direito que situa nos tribunais a resolução dos conflitos por novos métodos - no caso, um diferendo entre um cliente e uma empresa e vice-versa vazado no espaço público - que projectam a querela, de forma irrevogável, muito para além da esfera judicial e derrubam inapelavelmente as paredes dos tribunais, lá onde, segundo nos ensinaram, as partes em confronto buscam "a paz jurídica".

Aditamento: Vejam bem como Maria João Nogueira termina o seu postal de ontem sobre este assunto:
5 - A única coisa que pretendo, é que me deixem em paz (e aos meus posts).
Nem mais, nem menos.
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sobre a noção presidencial de Estado social

No debate desta noite, o candidato Manuel Alegre acusou duas vezes o candidato Cavaco Silva de integrar um "projecto político de esvaziamento de esvaziamento do Estado social".
O candidato Silva reagiu com a acção do Presidente da República que ainda é, respondendo que tem apoiado e incentivado as instituições de solidariedade social e que "não é por acaso" que os presidentes da União das Misericórdias e da Confederação das IPSS apoiam a sua candidatura e que até apoiou a iniciativa da associação dos hoteleiros em distribuir aos pobres restos das refeições.
Perguntado sobre o mesmo assunto, pela repórter da RTP, nos momentos pós-debate, afirmou mesmo: "Fui o Presidente da República que mais apoiou as instituições de solidariedade social". E... tanto assim é que os presidentes, etc.
Que parte da expressão "Estado social" é que Cavaco Silva não percebe?
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Dabate Cavaco vs. Alegre: ganharam os mercados

O candidato Cavaco Silva pensa que não se deve andar a "insultar os nossos credores", isto é, o capital financeiro internacional "que nos empresta dinheiro" (e vão ser necessários "biliões de euros" no próximo ano, sublinhou) e que se deve acalmá-los e por isso, como Presidente da República, contribuiu para a viabilização do Orçamento do Estado. O candidato Manuel Alegre diz que há um "poder desproporcionado dos mercados financeiros em relação aos estados democráticos", que o PR deve fazer ouvir a sua voz e enviar mensagens e que "as políticas de austeridade não são o melhor caminho", mas "seria muito pior (...) ficarmos sem orçamento".
Quem ganhou o debate? Os mercados.
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As surpresas da deputada

De uma entrevista da deputada Assunção Cristas (CDS) à "Notícias Magazine" (19/12/2010) em leitura atrasada:
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- Quando chegou ao Parlamento o que mais a surpreendeu?
- Fiquei muito surpresa por não se baterem palmas aos deputados dos outros partidos quando concordamos com o que dizem. Cada um bate palmas aos seus. É uma praxe da casa.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

República e Resistência

Agenda.

Continua patente ao público, por escassos dias, no Centro Português de Fotografia (antiga Cadeia da Relação do Porto) a exposição "Resistência", uma importante realização do Centenário da República. A não perder.
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A estranha obsessão de Fernando Nobre

O candidato Fernando Nobre não se tem cansado de espadeirar contra os "políticos profissionais", especialmente nos debates televisivos, elegendo-os como inimigos (quase, vá lá...) mortais. Um homem que tem as qualificações que ele tem e que fez o percurso que ele fez - que aliás não se cansa de repetir, nem de tentar capitalizar - não precisa de alimentar uma obsessão preconceituosa tão primária.
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sábado, 25 de dezembro de 2010

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Logo hoje,


... a ameaça do Apocalipse, apanhando os desprecatados automobilistas em pleno entusiasmo natalício. Estranha noção de oportunidade, a destes propagandistas.
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Máquinas de Música

Agenda.

Ora façam o favor de aproveitar as férias de Natal e não deixem para o último dia. Continua patente ao público, até ao dia 27 de Fevereiro*, no Museu da Música Portuguesa - Casa Verdades de Faria, em Cascais, uma amostra da preciosa colecção particular de Luís Cangueiro.

* Não liguem à data que consta no belo convite que recebi. Devido ao êxito da mostra, a exposição foi prolongada.
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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A democracia de bancada é fixe

Os debates eleitorais televisivos são o desporto mais democrático: cada bancada sai convencida da vitória da sua equipa e todos os veredictos dos comentadores acerca do vencedor são credíveis. A democracia de bancada é fixe.
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

SJ quer impedir cortes salariais na RTP, na Lusa e no "Jornal da Madeira"

Começando a cumprir o que anunciou, para impedir os cortes nos salários dos seus representados na RTP, na Lusa e no "Jornal da Madeira" impostos pela Lei do Orçamento do estado para 2011, o Sindicato anunciou hoje que pediu ao Presidente da República que vete o Decreto da Assembleia da República que aprovou o OE ou peça ao tribunal Constitucional a fiscalização preventiva do diploma.
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Leituras e posições sobre o WikiLeaks

Há dias, fiz aqui uma leitura (despretensiosa, juro) de alguns pormenores que despertaram o meu interesse na "espreitadela" que o "Público" foi dar à cave secreta do "El País", onde uma elite de jornalistas ungidos se afadiga na interpretação sigilosa dos telegramas diplomáticos que o WikiLeaks anda a despejar.
Tão sigilosa e tão estranha que, sem prejuízo de muitas e mais diversas leituras que certamente existem, me suscitou uma apreensão quanto a um elemento fundamental que dela releva: a erosão na camaradagem na Redacção do jornal, que resulta, não apenas de um excesso de reserva e de cautela, mas sobretudo de uma absoluta e grotesca descofiança e de um doentio secretismo que o texto de algum modo denuncia.
Estava longe de imaginar que tal leitura, nem como a hipótese que ali coloco de que "essa cave de rumores tenha escavado um bom pedaço a camaradagem entre os jornalistas", representaria uma tomada de "posição" em leitura "diametralmente aposta" à do Prof. Azeredo Lopes.
Tendo em conta a escassez de tempo que me penaliza, tenho-me limitado a ir anotando algumas observações sobre o "caso", como fiz aqui e aqui. Talvez um dia destes tenha condições para reflectir um pouco mais aprofundadamente e talvez tomar aquilo a que se possa chamar "uma posição".  

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A casamento e a baptizado...

(Recorte do "Público" de hoje)

"A casamento e a baptizado não vás sem ser convidado, a não ser que estejas em pré-campanha eleitoral."
(Ditado popular português, adaptado)

domingo, 19 de dezembro de 2010

De chapéu na mão

O "Jornal de Notícias" publica hoje uma notícia sobre a revolta dos presidentes das câmaras de Matosinhos, Maia e Valongo contra a REFER, que alegadamente não cumpriu um protocolo para a reactivação e dinamização da linha ferroviária entre Ermesinde e Leixões.
Nessa notícia, há um pequeno trecho que deve ser relevado: "Faro de não ser atendido pelo presidente da Refer, a quem quer pedir explicações (...), Guilherme Pinto acusa-o de 'assumir uma atitude autista de falta e diálogo' e de 'prepotência'. 'Nem sequer em tempo para atender o telefone. No mínimo, é alguém que não sabe as regras de cortesia', ataca o presidente da Câmara de Matosinhos".
Por outras palavras, todos estes anos depois do 25 de Abril, ainda há autarcas de chapéu na mão a implorar o favorzinho de serem atendidos!
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A câmara secreta do "El País"

Venho chamar a atenção para a magnífica estória no "Público" de ontem, no suplemento "P2", de cuja capa reproduzo o fragmento ao lado, de minha inteira responsabilidade (quanto à delimitação do fragmento, claro). Abre-se e encontra-se um texto distribuído pela área de um buraco da fechadura através do qual o jornalista Nuno Ribeiro nos ajuda a "espreitar" para aquilo que misteriosamente intitula "Na sala do Projecto C".
O texto (a coisa é tão secreta que nem fotos parece haver) conta como os directores dos cinco jornais seleccionados pelo WikiLeaks para darem credibilidade aos 251 mil telegramas diplomáticos mais ou menos classificados se entenderam entre si e com o referido sítio para divulgarem os ditos telegramas (data da erupção mediática incluída).
Mas conta-nos também a mise en scène no seio do próprio "El País" e os cuidados conspirativos necessários à grande operação do século em que uma equipa especial mergulhou durante largo tempo para seleccionar e estudar os telegramas: uma sala sem janelas; paredes cinzentas; uma trintena de computadores; uma máquina trituradora de papel (de segredos, portanto, irremediavelmente reduzidos a fragmentos); "com o óculo da porta tapado por um jornal", calcula-se, claro está, para que ninguém ouse espreitar pelo dito (pena que seja tapado por um jornal, porque um jornal há-de significar, suponho, uma janela debruçada sobre a verdade...); uma sala, numa cave, protegida pelo mais blindado segredo (atenção ao intertítulo "Na cave de todos os rumores") e à qual apenas os ungidos pelo supremo dom de guardar sigilo podem aceder e nela zelar (em sigilo absoluto e estando aliás vedada a utilização da rede informática da casa) pelo esplendoroso tesouro electrónico do senhor Julian Assenge, sem que possam transvasar uma sílaba que seja para um camarada.
"A vida na Redacção passou a ter dois ritmos diferentes. O do quotidiano visível e o da cave. Sem informação, com a vigência do sigilo, apareceram dúvidas. (...) Os jornalistas envolvidos escudavam-se em evasivas sobre a natureza da sua estranha reunião permanente. 'Não posso dizer nada, porque senão despedem-me', respondeu um dia o subdirector Jan Martinez Ahrens. O espaço onde só uns podiam entrar passou a ser a cave de todos os rumores", conta Nuno Ribeiro.
Calculo que essa cave de rumores tenha escavado um bom pedaço a camaradagem entre os jornalistas...
    

sábado, 18 de dezembro de 2010

Mário Soares também achará que se deve suspender a democracia?

Segundo uma "breve" publicada hoje pelo "Jornal de Notícias"*, o antigo Presidente da República Mário Soares considera que as eleições presidenciais "interessam relativamente pouco" face à crise que os portugueses enfrentam.
Então suspende-se a democracia e faz-se seguir o mesmo Presidente, ou espera-se que saia um na rifa?

* A referência é aleatória: há breves idênticas noutros jornais e prseumo que a notícia original seja da Lusa.
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Dia Internacional das Migrações

Hoje é o Dia Internacional das Migrações - uma efeméride aproveitada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para alertar para a necessidade de proteger os direitos de 214 milhões de trabalhadores migrantes internacionais no mundo, recordando que "apenas 44 estados ratificaram a Convenção sobre Trabalhadores Migrantes depois da sua adopção em 18 de Dezembro de 1990, e praticamente todos pertencentes ao mundo em desenvolvimento".
Trata-se de uma das mais baixas e mais lentas ratificações de um instrumento internacional, o que representa "um entrave efectivo à protecção dos direitos humanos de todos os migrantes", sublinhou a alta comissária das Nações Unidas para os direitos do homem, Navi Pillay. Portugal, cuja população imigrante já representa mais de 4,5% e que é ele próprio fonte de emigração, é um dos países da imensa maioria de estados que não ratificou a convenção.
"Os migrantes contribuem para o crescimento económico e para o desenvolvimento humano, enriquecem as sociedades pela sua diversidade cultural, os seus conhecimentos e as trocas de tecnologias, e melhoram o equilíbrio demográfico das populações em envelhecimento", declarou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-monn, em mensagem alusiva à efeméride.
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Despedimentos: afinal quem encomendou o sermão?

Voltemos à notícia do "Diário Económico" que no postal imediatamente abaixo tratei e passemos às declarações do ex-presidente da CIP e actual presidente do Conselho Coordenador para a Internacionalização, Francisco Van Zeller.
Também ele considera que "a iniciativa do fundo não vai dar em nada" (e se ele o diz, quem sou eu para o contrariar?!), por representar "um encarecimento da mão-de-obra", que - agora sem aspas no jornal, mas transcrevendo-o - nem sequer vai ao encontro das necessidades das empresas. 
E segue-se esta afirmação espantosa: "Nunca ninguém se queixou do custo de despedir".
Ora, se um influentíssimo patrão dos patrões diz que eles, os patrões, jamais se queixaram dos custos dos despedimentos, por que carga de água é que o Governo veio dizer que é necessário, é urgente, é mesmo candente, "reduzir o risco de custos de reestruturação empresarial" (cito do comunicado do Conselho de Ministros) e "diminuir o impacto da compensação"?
Por outras e mais directas palavras à maneira popular: Quem encomendou o sermão ao Governo?
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Despedimentos: e se forem mesmo à borla e não mais baratos?

Quarta-feira à noite, o primeiro-ministro, os patrões e a UGT anunciaram terem chegado a "acordo de princípio" sobre a tenebrosa medida da redução dos valores de indemnizações em caso de despedimento. Os patrões, principalmente, desfaziam-se em sorrisos.
Pois bem, parece que as coisas estão a andar para trás. Despedir mais rapidamente e mais barato, está bem, dizem os patrões. Mas, agora, pagar o fundo para comparticipar os encargos com as indemnizações, é que está fora de questão para os patrões, segundo noticia hoje o "Diário Económico".
Ao contrário do que chegou a ser noticiado (que o fundo teria subvenções públicas), a ministra do Trabalho, reiterada ontem pelo secretário de Estado do Emprego, veio dizer que tal fundo resultaria (já posso escrever no condicional, não?) de reservas que para o efeito as empresas iriam constituindo e não de "nenhum contribuição pública".
Ora, o negócio não interessa ao patronato.
  • O presidente da Confederação do Comércio, Vieira Lopes, disse ao DE ver como "muito difícil as empresas colocarem dinheiro de parte"; 
  • O presidente da Confederação da Indústria, Gregório Rocha, diz que é cedo para  para emitir uma opinião, mas logo "outra fonte da CIP, que preferiu não ser identificada! (por que razões?!) "garantiu (...) que sendo as empresas a pagar, a medida está fora de questão";
  • O presidente da Confederação do Turismo, José Carlos Pinto Coelho, diz não haver dinheiro para "qualquer solução que implique pôr mais encargos nas empresas", pelo que "a ideia não é apropriada".
Perante isto, há que ensaiar hipóteses de significados - e consequências - sobre o "consenso" instantâneo gerado no final do dia de quarta-feira:
  1. Foi tudo a fingir, porque era necessário "dar um sinal" à Europa no dia seguinte e "um sinal para acalmar" os mercados internacionais que andam a morder as canelas da economia portuguesa, um sinal de curta duração, já se vê;
  2. A ideia (inapropriada, dizem eles) de criação de um fundo para financiar os despedimentos alimentado pelas empresas foi só para tentar calar os trabalhadores e os seus representantes que acreditaram (acreditam ainda?) na "bondade" da medida, ainda que não se saiba por quanto tempo;
  3. Talvez o que venha aí mesmo é dois dos piores cenários que o Governo não quer confessar, por razões tão evidentes e cristalinas que nem vale a pena explicar: A - O tal fundo há-de ser pago, sim, por subvenções públicas, ou seja, pelos contribuintes todos, pondo os contribuintes todos a financiar as reestruturações das empresas privadas; B - O fundo há-de ser pago pelos próprios trabalhadores, seja através de uma dedução específica aos salários, seja pelo esmagamento dos vencimentos, o que, em ambas as possibilidades só tem um nome: é um esbulho tão imoral que a própria Direita parlamentar não aceitará, suponho.
  4. Para contentar definitivamente os patrões, a indemnização em caso de despedimento passa a ser mesmo facultativa, não vá algum mais caridoso querer mesmo pagar alguma coisinha ao trabalhador, pouca que seja, pelo incómodo de ir para a rua e para o desemprego.  
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Um jornalista contagiante

Carlos Pinto Coelho foi um dos jornalistas portugueses mais marcantes e a quem o jornalismo e a cultura ficam em dívida.Entre outros méritos, conseguiu para a informação cultural um importante espaço entre os interesses do grande público.Era um profissional que exercia o jornalismo com alegria, entusiasmo e paixão contagiantes.Foi vitima da injustiça nunca reparada da extinção do seu magnífico programa "Acontece". Presto-lhe a minha homenagem, também, certo de que nos ensinou muito - sobretudo a amar o jornalismo.
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Capitulação sindical

Confesso que ainda estou em estado de choque. Segundo leio nos noticiários em linha, a UGT terá dado (o condicional é meu, na esperança de que a notícia seja falsa) o "acordo de princípio" às novas tenebrosas medidas contra os trabalhadores aprovadas hoje pelo Governo.
Estou em estado de choque porque esperava, não um acordo de princípio, mas uma rejeição de princípio; uma clara rejeição de um esbulho, não uma capitulação sindical.
Replicando um take da Agência Lusa, a generalidade dos meios de informação em linha noticia que o primeiro-ministro, aliás de partida para prestar contas à Europa do seu feito, "considerou que Portugal transmitiu ao exterior um “importante sinal” de concertação social ao haver acordo de princípio com a UGT e com as confederações patronais em torno das medidas de reforço da competitividade económica".
A notícia precisa que José Sócrates falava ladeado pelos representantes das associações patronais e pelo secretário-geral da UGT e que as medidas "apenas não mereceram o acordo da CGTP-IN".
Com o orgulho de pertencer à Direcção do que julgo ser a primeira organização sindical a repudiar as medidas, ainda o conclave da concertação instantânea estava reunido, posso dizer que a CGTP está certa e que a UGT está errada.
O problema é que a prova de tudo isto será demasiado pesada para os trabalhadores. Porque os patrões e o Governo não jogam a feijões. Jogam com a vida das pessoas.
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SJ repudia cortes nas indemnizações por despedimento

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) protestou já contra as intenções do Governo, aprovadas hoje em Conselho de Ministros, visando reduzir as indemnizações por despedimento, e anunciou que acompanhará o movimento sindical nas formas de luta que vierem a ser decididas para as combater.
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Confirmado: Governo oferece aos patrões despedimentos baratos

O Governo confirmou hoje que vai avançar com medidas de diminuição das indemnizações aos trabalhadores em caso de despedimento, numa gravíssima cedência aos ditames dos eurocratas e do patronato, visando facilitar ainda mais os despedimentos num objectivo que despudoradamente é anunciado como pretendendo dinamizar o mercado de emprego.
O que os patrões e os eurocratas – e os governos a seu mando – querem dizer com tal eufemismo é que se pretende embaratecer ainda mais o despedimento de trabalhadores experientes – e por isso com salários compreensivelmente mais elevados – para fazê-los substituir por outros mais novos e/ou com salários mais reduzidos; ou, então, com contratos individuais de trabalho menos seguros e até completamente precários.
A hipocrisia vai ao ponto de pretenderem tranquilizar os trabalhadores “instalados” nas suas carreiras, anunciando que a nova medida se aplicará aos novos contratos de trabalho, ou seja, apontando a milhares e milhares de trabalhadores que hoje têm um vínculo de trabalho precário um caminho igualmente inseguro: podem vir a ter um emprego com contrato “seguro”, mas ficam já cientes de que se forem despedidos vão para a rua a baixo custo.
Mas nem a uns nem a outros Governo, patrões e eurocratas conseguem dizer sem corar que o que estão a preparar é o despedimento que penaliza duplamente os trabalhadores, porque os priva de emprego e porque diminui a capacidade de sobrevivência além do subsídio de desemprego, o que é especialmente grave quando se sabe que muitos deles não voltarão a ter tão cedo uma nova oportunidade de trabalho.
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Lumpenelectrónico

É um azar diabólico almoçar (ou jantar) num restaurante com dois os três televisores sintonizados cada qual num canal diferente dos demais e com um sistema de altifalantes jorrando música de duvidoso gosto proveniente de um outro aparelho e em alto volume. Acontece muito e chateia bastante.
Mas pior, muito pior, é quanto o restaurante sintoniza o(s) receptor(es) de televisão num reality show no qual os concorrentes parece que fingem que são todos amigos, mas, pelos vistos, fartam-se de espetar facadas uns nos outros para gáudio dos telespectadores e desatam em alta gritaria a horas convenientes à programação da estação.
Tive o azar de assistir hoje a uma coisa dessas (obrigado, mas não frequento por minha iniciativa) e inquietei-me com o espectáculo deplorável dentro da caixinha mágica e com os comensais arregalando a orelha e assestando os olhos no receptor. Parecem aqueles vizinhos salivando por zangas alheias e atentos a todos os ruídos do prédio. Se o velho Carlos das Barbas vivesse isto, talvez lhes chamasse o lumpenelectrónico.
Mas pior, ainda muito pior do que isto, é a coisa ser mascarada de assunto com interesse jornalístico - e vá lá saber-se o que isso significa!
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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Tertúlias no Museu da Guarda

Agenda.
Ora aqui está um acontecimento em que eu gostaria muito de participar:

Tertulia_Guarda_17Dezembro.jpg

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

A arrumação do armário

Já não via o Manuel há muito tempo. Encontrei-o hoje atarefado a procurar caixas. "Para encaixotar as minhas coisas", disse-me. Indaguei se está a mudar de casa. Que não. "Mas acho melhor ir arrumando o armário e a secretária: quando me despedirem, é só pegar no casaco, já não terei mais nada que me ligue a eles..."
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Clima: O bocadinho de optimismo de Cancún faz bem mas não cura

 A Conferência de Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas terminou ontem em Cancún, no México, com um bocadinho mais de optimismo do que a fracassada cimeira do ano passado, em Copenhaga. Os resultados são manifestamente modestos. Sobretudo, falta um compromisso sério para o pós-Quioto, isto é, as metas a partir do fim da vigência deste instrumento de direito internacional que estabelece os limites regionais e nacionais das emissões de gases com efeito de estufa. E faltam metas concretas.
Num comunicado final, citado hoje pela Agência Prensa Latina, a secretária executiva da conferência, Christiana Figueres, considerou que a cimeira adoptou um pacote equilibrado de decisões que restauram a esperança em matéria de redução de emissões e colocam os governos do mundo numa postura mais firme, com um futuro mais baixo em emissões, sustentando mesmo que as delegações de 190 países (excepto a Bolívia, que votou contra) alcançaram em Cancún o que designou "a chama da esperança" para reavivar a fé no processo multilateral sobre alterações climáticas.
"A vontade política para uma acção vigorosa ainda não é suficientemente forte para uma resposta global adequada para fazer face à ameaça climática", adverte a organização ambientalista portuguesa Quercus, num comunicado datado de Cancún. Mas, acrescenta, "as acções nacionais mostram que os países reconhecem a necessidade e os benefícios de uma economia verde, e as conversações no quadro das Nações Unidas requerem essa confiança".
É o que veremos. Porque o optimismo, mesmo que seja em pequenas doses, faz bem, mas não cura.

Foto: Galeria de Imagens da Conferência de Cancún
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