sábado, 11 de dezembro de 2010

A Cidade Morta

Hei-de visitar a Cidade Morta. É um nome fantástico de um lugar que existe há milhares de anos. É no Monte Mozinho, em Penafiel. Entra-se por uma porta fabulosa chamada Museu Municipal, em pleno centro histórico da cidade, cuja sala da Arqueologia constitui uma varanda debruçada sobre o manancial de vestígios e colecções notáveis da ocupação humana do concelho, com especial ênfase para as épocas castreja, pré-romana e romana (mas sem que se possa perder as notáveis salas dos Ofícios e da Terra e da Água), onde uma velha gravura ostenta a velha denominação da estação arqueológica.
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O deputado antidiletante e a covardia do PS

A propósito deste caso, o líder do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, Francisco Assis, afirma, em entrevista publicada hoje no "Diário de Notícias":
"Um grupo parlamentar não é uma associação de diletantes que se encontram durante a semana para produzirem avaliações do estado do mundo ou emitirem os seus estados de alma. É um centro de de decisão política e tem de ser um centro difusor de responsabilidade política."
Pois bem, a verdade é que não há, ao longo de toda a entrevista, uma palavra que seja que justifique a covardia política e a castração cívica a que sujeitaram os deputados do PS que discordam da fuga aos impostos (250 milhões de euros!) que a PT decidiu fazer nas barbas do Governo mas não ousaram votar com o PCP ou, pelo menos, apresentar um projecto alternativo.
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Dia Internacional dos Direitos Humanos

Há 62 anos, em 10 de Dezembro de 1948, A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a sua resolução 217 A (III), que adoptou e proclamou a

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM
Considerando que o reconhecimento da dignidade intrínseca a todos os membros da família humana e o da igualdade e inalienabilidade dos seus direitos são o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;
Considerando que o desconhecimento e o menosprezo dos direitos do homem deram origem a actos de barbárie que são uma afronta à consciência da humanidade; e que o advento de um mundo em que os seres humanos, libertos do temor e da miséria, gozem da liberdade de palavra e da liberdade de crenças, foi proclamado como a mais alta aspiração do homem;

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

ONU contra pressão sobre o WikiLeaks

A Alta Comissária da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, manifestou-se hoje preocupada com as pressões exercidas sobre as empresas que oferecem serviços ao sítio WikiLeaks.  
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A Economia, o Estado Social e a titulação de entrevistas

Independentemente de outros comentários que pudesse fazer sobre a entrevista que o professor de Economia e antigo ministro da Economia (de um governo de António Guterres) Daniel  Bessa concede hoje ao "Público", pergunto se o título, pelo menos na versão em linha (Daniel Bessa: "A economia está a ser aniquilada pelo Estado social") condiz absolutamente com a resposta do entrevistado à pergunta que lhe foi feita e que estará na origem do mesmo. 
Ei-las:
"P- Numa perspectiva mais transversal, acha que a economia portuguesa consegue suportar um Estado social como o que construiu desde os anos 1970?
R- Acho que, no mínimo, tem de ser moderado, durante algum tempo. A economia portuguesa conseguirá sustentar esse Estado se crescer, e se gerar mais rendimento. Neste momento, a economia portuguesa não só não consegue sustentar esse Estado, como está a ser aniquilada por ele."
Pode parecer uma minudência, mas creio que Daniel Bessa diz muito mais do que a simplificação que o título da entrevista traduz, opinião essa que, nalguns aspectos, alguns de nós partilharíamos numa perspectiva muito clara: a urgência da dinamização da actividade produtiva, que é o que realmente faz crescer a Economia. E esse é um aspecto nuclear - e um aviso àqueles que julgam se se resolvem os problemas do país atacando "o Estado Social".
Sei, por experiência, que muitas vezes é difícil traduzir em título a densidade de uma ideia, de uma concepção, de uma reflexão. Por isso percebo a tentação da simplificação. Mas este título pode gerar a ideia de que Daniel Bessa pensa que "o" Estado Social - ele próprio, o conceito de Estado Social, etc. - aniquila a Economia, sejam quais forem as condições. Do que só poderia resultar a consequente posição de que  a existência do Estado Social é simplesmente incompatível com a Economia. E não cometo a injustiça de colocar a hipótese de que é isso que Daniel Bessa pensa.
Concluindo: quero aqui discutir um problema prático de jornalismo - em fraterna reflexão sobre o trabalho de camaradas meus - e nem sequer admito que o problema possa ser outro.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Cavaco agora fala que se farta

O Presidente da República ultimamente fala que se farta. Não há nada sobre o que não fale aos jornalistas, mesmo em época de bolo-rei, até mesmo no estrangeiro sobre política interna (reveja e releia-se o que disse em Lar del Plata, na Argentina, no sábado passado). Não há nada como ser candidato a Presidente da República para destravar a língua ao propriamente dito PR.
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A falsa alternativa à chantagem da liberalização dos despedimentos

O primeiro-ministro bem anda a fazer de conta que não quer fazer mexidas das grossas no Código do Trabalho, em obediência aos tecnocratas do FMI e da UE e piorando ainda mais um Código pejado de normas injustas. Na atabalhoada  multiplicação de declarações (mudo, não mudo o CT, o CT está bem mas é preciso aprofundar, e tal) e nas notícias sobre as suas supostas intenções que alguém vai largando, sempre vai mantendo a chantagem: se não quiserem que se liberalizem os despedimentos e/ou se reduzam as indemnizações em caso de despedimento, vão ter que gramar alternativas...
Ora, o "Diário de Notícias" de hoje avança que uma alternativa que José Sócrates deveria apresentar hoje às centrais sindicais (a esta hora, 18h00, ainda não há notícias públicas sobre o conteúdo das reuniões) residirá na introdução de uma cláusula nos contratos individuais de trabalho, fazendo depender a formação dos salários de duas variáveis: a) a produtividade; b) a qualidade do trabalho.
Trata-se de um velho sonho patronal que o próprio patronato não tem capacidade, nem as empresas competências, para impor e que não se vê como possa ser decidido pelo Governo, a menos que altere de facto o Código - e mais uma vez de forma injusta e agravando a desproporção do peso das medidas sobre os trabalhadores.
De facto, as duas variáveis apontadas na notícia estão longe de depender exclusiva ou predominantemente do trabalhador individualmente considerado. E explica-se de forma muito simples: um trabalhador pode possuir inúmeras e elevadas competências pessoas, técnicas e profissionais, pode ser até um trabalhador teimosamente "motivado" para a sua realização profissional e pessoal; mas pode ser muito pouco produtivo se a organização do trabalho - que é uma competência da empresa - for errada ou ineficiente, se os processos produtivos forem errados, ineficientes ou obsoletos.
Isto, para não falar dos velhos problemas de saber como: a) se mede, em muitas profissões, a produtividade individual; b) como se afere a qualidade do trabalho prestado quando tantas e tantas cadeias hierárquicas revelam insuficiências, vícios, incapacidades, incompetência, etc. etc.
Aguardemos, todavia, pelas notícias... más.
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

"Links Wikileaks – e por favor não me contactem mais…"

O título é exactamente assim: "Links Wikileaks – e por favor não me contactem mais…" Rui Cruz, o primeiro português a alojar um espelho do WikiLeaks, etc., etc., etc., está farto de ser incomodado com pedidos de entrevista e, além do mais, que publicam o que imaginem que ele disse.
Fixemos o que escreve aqui:
"Estou receoso? Sim. Com medo, talvez não. Mas como homem assumo o que faço. O site vai-se manter, até dar. Na opção de “ou o site vai abaixo ou você vai dentro”, escolho obviamente o meu conforto pessoal como pessoa livre."
E, a seguir:
"Eu fiz isto pela liberdade de circulação de informação na Internet. O fecho por ataques do Wikileaks.org foi um infortúnio e ajudei a espalhar a palavra. Sou Português e publico a informação no meu site. Sabe-se lá como, passado um dia, todos acham que “eu” dei força ao site, que “eu” fiz tudo, e que todos querem uma entrevista comigo. Poupem-me."

Mark Blyth: A austeridade é uma ideia perigosa


Fonte: mãos amigas na Rede, i.e. este vídeo de um professor de Economia explicando com palavras e exemplos simples a trapalhada da austeridade chegou-me por correio electrónico (nesta versão portuguesa aparentemente do Esquerda.Net), está "postada" em blogues, sítios diversos...
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Caso Sporting vs. Público: Tribunal Europeu condena Estado Português

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) condenou hoje o Estado Português a pagar ao "Público" uma indemnização de mais de 83 mil euros, além de seis mil de despesas, por a condenação decidida em 2007 pelo Supremo Tribunal de Justiça (Acórdão de 8 de Março), numa acção proposta pelo Sporting Clube de Portugal, violar o artigo 10.º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem. 
O Sindicato dos Jornalistas já se congratulou com a decisão do TEDH, considerando que ela mostra a justeza da posição do SJ, aquando da condenação agora rejeitada, a qual sublinhava o relevante interesse público do trabalho publicado sobre as dívidas fiscais do clube, cujas imputações estavam devidamente sustentadas. Por essas razões aliás os jornalistas José Manuel Fernandes, João Ramos de Almeida, António Arnaldo Mesquita e José J. Mateus foram ilibados nas decisões da primeira instância (15 de Abril de 2005) e da Relação de Lisboa (19 de Setembro de 2006).  
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O repórter que conta coelhos no Parque da Cidade

Que tens feito? "Conto coelhos no Parque da Cidade; num dia contei 42!" A. mantém o humor ácido, breve e cortante. Numa frase, arruma o assunto: esclarece-o e cataloga-o. Sempre foi um excelente observador e um bom repórter.
Encontrei-o à entrada do restaurante - saía eu do meu almoço; entrava ele para o almoço mensal. "Todos os meses encontramo-nos aqui", conta. Fala na primeira pessoal do plural. O plural não é uma figura de estilo - é um conjunto de jornalistas despedidos há ano e meio, enxotados do trabalho e do jornalismo, alguns talvez para sempre. Bem porfia em procurar: "Nem me respondem - quem tem 52 anos não precisa de resposta".
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O WikiLeaks e o cartel dos cinco grandes jornais

De uma interessante reflexão de Pascual Serrano sobre a relação entre o WikiLeaks e o que designou - e bem - cartel de meios de informação:
Quiénes parecía que subvertían las formas de comunicación del siglo XXI optaron por ofrecer en exclusiva y de forma privilegiada la documentación a cinco grandes medios de comunicación mundial: The New York Times, The Guardian, Der Spiegel, Le Monde y El País. Días después de que las direcciones de estos periódicos los tuvieran en su poder, los ciudadanos seguimos sin poder acceder a los documentos en la web de wikileaks.
Por su parte, los cinco periódicos se organizan en un cártel -como bien ha denominado Juan Carlos Monedero- y se coordinan. Según han reconocido, "hay un acuerdo sobre la publicación simultánea de los mismos documentos de relevancia internacional y las fechas de su difusión". Afirman que "tienen autonomía para decidir sobre la selección, valoración y publicación de las comunicaciones que afecten a sus países", es decir a cinco países del bloque occidental, toda la información referente al resto del mundo está filtrada por ellos. "Únicamente serán publicados aquellos papeles que consideremos que no representan una amenaza para la seguridad de personas o de países", han afirmado. En concreto El País reconoce que "ha decidido aceptar los compromisos a los que The New York Times llegue con el Departamento de Estado para evitar la difusión de determinados documentos".
La connivencia entre wikileaks y el cártel de los cinco es absoluta. Desde su twitter, wikileaks ya se remitía a ellos asumiendo que su página quedaría fuera de servicio. Y lo que anuncia en la red social son enlaces a las páginas de los periódicos.
No sé si el origen de wikileaks era limpio y honesto, lo que sí parece claro es que se está convirtiendo en un sujeto domesticado. Hasta el primer ministro israelí, Benjamín Netanyahu, ha afirmado que los documentos dan la razón a su gobierno en la valoración de la amenaza iraní.
No debemos descartar que, ante la pérdida de credibilidad de la información que hacen pública los gobiernos, se esté recurriendo a formas imaginativas que, bajo la aureola de espontaneidad, filantropía y mitificación de internet, no sea más que el mismo perro con distintos collares. Que, por ahora, la única iniciativa concreta contra el fundador de wikileaks sea algo tan peregrino como acusarle de una violación, resulta bastante pintoresco.
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domingo, 5 de dezembro de 2010

No próximo 25 de Abril, lá estaremos, Gonçalo Nuno!

As notícias da morte chegam sempre brutais. Ultimamente sem vozes emocionadas. Basta um SMS (aparentemente) seco: morreu Fulano. Chegou-me hoje mais uma: morreu o Gonçalo Nuno Faria. Trabalhou longos anos na RDP e colaborou com a TVGaliza e com o jornal galego "A Nossa Terra" (a Galiza era a sua paixão telúrica). Amava as palavras, as ideias, a discussão fraterna até à exaltação. E amava os amigos, a vida e a liberdade.
Não fomos propriamente íntimos nem amigos, mas estimava-o e acamaradamos em várias andanças. Quando a notícia me chegou hoje, revi com saudade o último abraço, na última festa do 25 de Abril. Parecia, como sempre, um menino sorrindo e abraçando camaradas e amigos deambulando entre a multidão que, todas as noites de 24, partilha o canto e a alegria na Avenida dos Aliados e dobra a meia-noite com o Coral de Letras a entoar a Grândola e a repetir que O Povo unido jamais será vencido!
Para o ano, lá estarei, Gonçalo Nuno, com um cravo vermelho fresco à espera do teu abraço para darmos vivas à liberdade!
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sábado, 4 de dezembro de 2010

Comunidade ibero-americana volta a condenar bloqueio a Cuba

Para que conste: Mais uma vez a comunidade ibero-americana condenou esta tarde o inaceitável bloqueio a Cuba imposto e determinado pelos Estados Unidos.

Assim,


COMUNICADO ESPECIAL SOBRE LA NECESIDAD DE PONER FIN AL BLOQUEO ECONOMICO, COMERCIAL Y FINANCIERO IMPUESTO POR EL GOBIERNO DE LOS ESTADOS UNIDOS DE AMERICA A CUBA, INCLUIDA LA APLICACIÓN DE LA LLAMADA LEY HELMS-BURTON

Las Jefas y los Jefes de Estado y de Gobierno de los países iberamericanos, reunidos en Mar del Plata, República Argentina, en ocasión de la XX Cumbre Iberoamericana:
Considerando las referencias al tema en cuestión en las declaraciones de anteriores Cumbres de Jefes de Estado y de Gobierno de Iberoamérica y reconociendo el valor de la reafirmación y actualización del contenido de los comunicados adoptados por las Cumbres de Salamanca, Montevideo, Santiago de Chile, San Salvador y Estoril, con igual título, al abordar el tema que ha convocado la XX Cumbre Iberoamericana “Educación para la Inclusión Social”.
Reafirmamos una vez más que en la defensa del libre intercambio y de la práctica transparente del comercio internacional, resulta inaceptable la aplicación de medidas coercitivas unilaterales que afectan el bienestar de los pueblos, su acceso y disfrute pleno de los beneficios de la cooperación internacional en todas las esferas, incluida la Educación para la Inclusión Social, y obstruyen los procesos de integración.
Reiteramos el más enérgico rechazo a la aplicación de leyes y medidas contrarias al Derecho Internacional como la Ley Helms-Burton y exhortamos al Gobierno de los Estados Unidos de América a que ponga fin a su aplicación.
Pedimos al Gobierno de los Estados Unidos de América que cumpla con lo dispuesto en 19 sucesivas resoluciones aprobadas en la Asamblea General de las Naciones Unidas y ponga fin al bloqueo económico, comercial y financiero que mantiene contra Cuba.
Fonte: Sala de Imprensa da XX Cimeira Ibero-americana
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Imprensa da Igreja Católica

Ora aqui está um acto (público) ao qual tive muita pena de faltar e que certamente não pode deixar de traduzir-se em urgente publicação. Tendo tido aliás o gosto de assistir a uma pré-apresentação de alguns dados da dissertação de Alexandre Manuel sobre a Imprensa da Igreja Católica, num painel de comentadores sobre este estudo da ERC no qual com ele emparcerei, só posso assegurar que a obra será muito útil para compreender uma realidade importante, embora nem sempre se lhe preste a devida atenção. Como porventura em breve vai ser necessário demonstrar... 

Federação Internacional de Jornalistas contra perseguição ao WikiLeaks

Notícia atrasada: a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) condenou a perseguição ao WikiLeaks pelos Estados Unidos da América (EUA), considerando "inaceitável que se tente negar às pessoas o direito de saber", conforme se pode ler aqui.
Para o secretário-geral da FIJ, Aidan White, a resposta dos EUA às revelações do sítio "é desesperada e perigosa porque contraria os princípios fundamentais da liberdade de expressão e da democracia”.
A FIJ não tem posição sobre a divulgação de 250 mil telegramas de embaixadas dos EUA em vários pontos do Mundo, mas saudou o recurso a "canais jornalísticos respeitados para a filtragem da informação" - os jornais "Der Spiegel" (alemão), "The Guardian" (britânico), "The New York Times" (norte-americano) e "El Pais" (espanhol) - para que a informação fosse "processada por jornalistas profissionais sérios que estão bem cientes das suas responsabilidades para com o público e para com as pessoas envolvidas nestas revelações".
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O líder ou 250 milhões!

A bancada do Partido Socialista na Assembleia da República respondeu ao desafio político, cívico e moral de impedir que a PT fuja ao pagamento de 250 milhões de euros de impostos votando , ontem, contra o projecto de lei que o PCP apresentara. Não porque estivesse contra o diploma ou os seus objectivos, mas apenas porque o líder parlamentar ameaçou demitir-se se a bancada desobedecesse ao seu comando e à teimosia obscena do Governo.
O que está visto, mais uma vez, é que os deputados do PS amansam como cordeirinhos quando se trata de proteger os interesses dos poderosos, mas não hesitam em ir ao bolso dos trabalhadores. Essa é que é essa, e não vale a pena usar eufemismos.
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sem corar de vergonha

Os números deveriam impressionar até os mais frios. Mais de meio milhão de trabalhadores portugueses - cidadãos que têm emprego, portanto - têm rendimentos que os colocam abaixo do limiar de pobreza e um quarto dos menores de 18 anos vive na pobreza (dados do Observatório das Desigualdades antecipados pelos jornais hoje).
Sem corar de vergonha, o Governo quer voltar atrás no acordo celebrado com as confederações sindicais e patronais que fixou o salário mínimo em 500 euros em 2011, cedendo às onze maiores empresas exportadoras portuguesas (que não são propriamente empresas de vão de escada) que foram terça-feira bater-lhe o pé.
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É hoje!

É hoje que se vai ver se o Partido Socialista está do lado do aumento de receitas fiscais mexendo com os ricos e poderosos e tributando a distribuição extraordinária de dividendos nomeadamente na PT*, ou se quer continuar a meter-se com os mais pequenos. Porque
"Este não é um debate de meias palavras: é o debate do 'sim' ou do 'não'. Não há razão para que quem está justa e convictamente com o objectivo de tributar estes dividendos não vote esta lei."
(Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP, citado ontem na imprensa)

* Os "15 maiores accionistas da PT acabarão por receber, ainda em 2010, perto de 900 milhões de euros de dividendos sem pagar um cêntimo de imposto, quando, se o Governo tivesse tido a iniciativa de legislar com efeitos em 2010, (e não apenas em 2011), poderiam pagar de imposto cerca de 250 milhões de euros. É esta a dimensão da fuga aos impostos resultante da omissão legislativa do Governo" (citado do preâmbulo do Projecto de Lei do PCP, hoje em discussão na Assembleia da República, com este aditamento).     
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Despedimentos rápidos, baratos e talvez indolores

Nenhum outro título dos jornais de hoje sintetiza a questão de modo tão cru, tão directo e tão claro como este do "Correio da Manhaã". O governo económico-político da União Europeia que comanda ferreamente os desígnios de Portugal não desiste. Despedir e flexibilizar é a palavra de ordem.
Fazendo de conta que discorda, o primeiro-ministro irritou-se ontem com a investida dos jornalistas sobre o assunto e veio assegurar solenemente: "O Governo vai tomar as medidas em diálogo com os sindicatos e os empresários de modo a melhorar as condições de regresso ao trabalho de todos aqueles que estão desempregados" (cito do "Público").
Que tome as medidas em diálogo (ou em obediência?) com os empresários, já se sabe que fará, como de costume, e é provável que talvez adopte algumas medidas para despedimentos não só rápidos e baratos, como preconiza a omnipotente Europa, mas também indolores, para que os trabalhadores se queixem cada vez menos. Mas que dialogue com os sindicatos, é coisa que não se prevê que faça. A não ser para fazer de conta. Vai uma aposta?
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Dia Mundial da Luta Contra a SIDA

Hoje é o Dia Mundial da Luta Contra a SIDA. Estalelecido, em 1988, na Cimeira Mundial de Ministros da Saúde sobre programas de prevenção da doença, constitui uma jornada de actividades, à escala planetária, voltadas para a informação e sensibilização. 
Sob o lema, este ano, "Acesso universal e direitos do homem", a jornada põe o acento tónico no problema do acesso a meios de diagnóstico e aos tratamentos, distribuídos de forma muito desigual. Apesar de os medicamentos antirretrovirais já estarem acessíveis a 5,2 milhões de habitantes de países em desenvolvimento (dados de 2009), contra os 700 mil de cinco anos antes, a verdade é que dez milhões de outros doentes estão privados deles, segundo o director executivo da agência das Nações Unidas para a SIDA (ONUSIDA), Michel Sidibé, citado pela agência France Presse.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

SJ apreensivo com segurança dos jornalistas

As notícias sobre um caso de intimidação a um jornalista ao serviço da TVI, dia 28, no interior das instalações do Estádio Municipal de Aveiro, preocupam o Sindicato dos Jornalistas (SJ), que em comunicado hoje divulgado manifesta o seu repúdio pelo sucedido, conforme se pode ler aqui.
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Parlamento dos Açores pressiona RTP

"O Parlamento açoriano aprovou uma resolução de "desagrado" por a RTP-Açores ter interrompido a transmissão em directo, no dia 25 de Novembro, do discurso do presidente do Governo Regional, para garantir a transmissão do "Telejornal", o que considerou um sinal de "desrespeito". Em consequência, a estação pública procedeu no dia seguinte à retransmissão da sessão legislativa. O SJ exige explicações, considerando que se está perante uma cedência face a uma pressão ilegítima", como se pode continuar a ler aqui.
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domingo, 28 de novembro de 2010

O meu Primo de Amarante

Prezo muito o convívio com João Baptista Magalhães - arguto e às vezes ácido. Recomendo-o também na pele do Primo de Amarante, no Margem Esquerda - Tribuna Livre, que junto às minhas recomendações de Outras Naves.
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sábado, 27 de novembro de 2010

O fim do "Contra-informação", a "censura política" e a liberdade para acusar

Tem sido obviamente notícia o fim do (saboroso) programa "Contra-Informação" que a RTP transmite há 14 anos. É uma pena. Segundo O DN e o JN de hoje, a RTP considerou que o formato se "esgotou" e o "ciclo chegou ao fim". É uma opção e não me consta que a RTP não possa tomá-la, mesmo que eu tenho pena de que o programa acabe.
Trago o assunto apenas por causa das declarações atribuídas hoje pelo "Correio da Manhã" a Bagão Félix:
"Digo convictamente que o fim do 'Contra-Informação' é censura politica. O programa, simplesmente, não interessa ao primero-ministro! Vou ter muitas saudades."
E eu, que estou muito longe de ter um primeiro-ministro do meu interesse, digo com convicção que me incomoda a vulgarização irresponsável de acusações deste tipo. O Dr. Bagão Félix tem certamente liberdade para acusar. Mas daria assim muita maçada explicar pelo menos um bocadinho a acusação que faz - é "censura política" por quê?, baseado em que factos? E por aí fora...

Aditamento: Também o "Público" explica o fim do programa com o esgotamento do modelo.
.Aitamento

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Limparam a MERDA

que estava aqui.

Não sei se era um problema de higiene se era um problema de consciência. Ou ambos.
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Notícias da MERDA

Se não conseguirem ler bem, este estranho cartaz que hoje descobri na Baixa do Porto é assinado por uma novel organização auto-intitulado MERDA - Movimento dos Empresários Reconhecidos à Democracia e Autoridade - lançada ontem, dia 24, e anunciada na véspera pelo menos pelo Indymedia e pelo Pimenta Negra. Há outras vozes que, às vezes, são necessárias.
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Dia eliminação da violência contra as mulheres

Assinala-se hoje o Dia Internacional da Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Recohecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1999, consagra uma evocação já anteriormente praticada no dia 25 de Novembro, em homenagem às irmãs Mirabal (Patria, Minerva e Maria Teresa), opositoras à ditadura de Rafael Trujillo, na República Dominicana, e assassinadas em 25 de Novembro de 1960. 
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sindicato dos Jornalistas faz avaliação positiva da Greve Geral

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considera positiva a participação dos jornalistas na Greve Geral, e saúda a classe e todos os trabalhadores pela jornada de luta hoje realizada em unidade, de acordo com comunicado divulgado esta noite.
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Senhor primeiro-ministro, senhores deputados, os trabalhadores não são imbecis

Interrompo a Greve Geral por escassíssimos minutos para fazer uma importante declaração política:

Senhor primeiro-ministro,
Senhores ministros,
Senhores deputados,
Senhor líder de um partido que faz de conta que é da oposição,

Escusam V.Exas. de vir explicar ao povo e aos trabalhadores que "a greve é um direito constitucional e tal e coisa". O povo já sabe isso e muitos trabalhadores já sabiam o que era a greve antes de estar na Constituição. Os trabalhadores não são imbecis. Perceberam?

Disse.